A Thousand Years
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Notas iniciais
06
A morena mordeu o lábio inferior nervosa. Era seu terceiro dia de aula no McKinley e havia sido convidada para sair. Por alguém que nunca havia falado de verdade. Por alguém que sabia que frequentava clubes gays. Não sabia se ficava feliz ou triste, mas acabou optando pela primeira opção.
Quando Kurt passou por ela no corredor, ela agarrou-o pelo braço e puxou-o para perto.
- Preciso de ajuda – falou baixinho.
- O-o que foi? – disse Kurt, ainda um pouco assustado.
A menina respirou fundo e desabou a falar.
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- O que você acha dessa? – perguntou Santana, colocando uma máscara vermelha na frente de seu rosto.
- Combina com você. E com o seu vestido – respondeu a loira, voltando a procurar uma máscara para si.
Quinn queria algo que remetesse ao passado, mas que ao mesmo tempo fosse bonita e destacasse seus olhos. Sempre foi o que Rachel mais gostou nela.
- E essa? Está melhor que a outra? – perguntou Santana novamente.
Quinn suspirou e virou-se para a amiga.
- Eu não sei o por quê dessa sua preocupação. Você tem namorada e você está indo lá para dançar com ela. Não precisa de algo tão excepcional assim...
A latina resmungou algo que Quinn ignorou completamente. Seu problema era bem maior que o da outra menina. Foi então que algo chamou sua atenção em um canto afastado da loja. Era simplesmente linda.
- Achei a minha! – gritou a loira, e logo Santana chegou perto dela.
- É isso? Ela é tão... Simples!
- Vai combinar perfeitamente com o que eu vou vestir.
- Dourado e branco, Quinn?
- Exatamente.
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- Rachel, eu posso até ser gay, mas você está um arraso! – falou Kurt.
A morena deu uma voltinha e olhou-se no espelho mais uma vez. Kurt havia sido o responsável por quem Rachel era naquele momento. O vestido verde, fora o garoto que escolhera. A máscara branca com detalhes no mesmo tom do vestido? O mesmo.
- Afinal, para quem está se produzindo tanto assim, querida?
Rachel sorriu.
- Ninguém, mas nunca se sabe quem se pode encontrar nesses lugares, certo?
O garoto assentiu e voltou a olhar para a menina. Estava realmente linda.
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Santana acabara desistindo de ir na festa. Brittany ficara doente e a latina foi para a casa da namorada cuidar dela. Quinn estava sozinha na Scandals a procura de Rachel Berry.
Foi até o bar e tomou um shot para dar uma acordada. Estava muito cansada. Desde que as aulas se iniciaram, Quinn não estava dormindo direito, e não era por causa das aulas. Tirou a máscara por um breve segundo e apoiou a cabeça em seu braço.
- Já cansada, Quinn? – perguntou a barwoman. – As coisas nem começaram direito ainda...
- A semana foi puxada, Clary. Mesmo assim estou aqui hoje, não reclame.
- Não estou reclamando – ela riu e aproximou-se da loira. – Alguma presa em específico hoje?
- Tem uma garota que eu espero que venha. Eu preciso dela aqui.
- Alguém está bem desesperada – a mulher riu e foi atender a um homem que havia se sentado do outro lado do balcão.
Quinn tomou mais uma dose e levantou-se, deixando uma nota de vinte em baixo de seu copo. Foi adentrando até a pista e começou a se soltar.
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Rachel estava nervosa, só não entendia o por quê. Havia ido em festas tantas vezes, não poderia estar nervosa apenas por um baile de máscaras. Só que nunca tivera ninguém esperando por ela nesses locais. Normalmente, eram apenas casos de uma noite. Ela chegava, seduzia e pronto. Banheiro do clube. Naquela noite, sabia que algo diferente iria acontecer.
Entrou no clube e logo as batidas tomaram conta dela. Não parecia o mesmo local que viera na quarta. A pouca iluminação era feita de uma maneira que o ambiente parecia estar iluminado pela luz de velas. Todos estavam vestidos a caráter.
Passou direto pelas mesas, parando apenas para deixar sua bolsa no guarda volumes, indo em direção à pista. L. F. dissera que esperaria por ela, e ela esperava que fosse verdade. Se não fosse, bem... Haviam garotas bem interessantes no local.
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A loira dançava aérea quando seu olhar foi atraído a um corpo moreno num vestido verde. Ela viera. Sorriu maliciosamente e foi tentando se aproximar da menina, passando por entre os vários corpos na pista. Quando estava perto o suficiente, envolveu a cintura de Rachel com os braços e grudou seu corpo no dela, balançando-se no ritmo da música.
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Rachel não viu ninguém se aproximando. Acabou perdida em seus pensamentos que foi apenas notar alguém por perto quando uma cabeça pousou em seu ombro. Não se atreveu a virar a cabeça, pois sabia como as coisas funcionavam.
- Eu não sei se você sabe, – falou com uma leve risada – mas esse é um clube gay. E eu não estou aqui sem motivos.
- Só porque estou vestida como um homem achou que eu fosse um?
A morena desenrolou-se do abraço da estranha e virou-se para encará-la. Tinha um belo corpo. Suas curvas estavam marcadas por uma calça de alfaiataria justa, uma camisa e um colete cinza.
- Bela roupa – disse no ouvido da estranha.
- A sua também não é nada mal – respondeu rapidamente.
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Rachel estava realmente encantadora. Parecia que finalmente, o destino estava cooperando ao seu favor. A morena estava lá, conversando com ela, sorrindo.
O ritmo da música foi diminuindo, e a batida forte acabou se transformando numa música lenta. A loira sorriu e esticou a mão para Rachel.
- Concederia a mim a honra desta dança?
A morena assentiu e segurou firme a mão de Quinn, que puxou-a para mais perto.
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As mãos da estranha abraçaram sua cintura novamente. Sentia-se confortável nos braços da mulher, como se já tivesse sido envolvida por eles milhares de vezes antes.
Apoiou sua cabeça no ombro da mulher e deixou o ritmo imposto pela estranha levá-la. Ninguém nunca havia a conduzido de tal maneira, era como se a mulher em sua frente soubesse exatamente como fazer para agradar Rachel.
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A sensação de ter Rachel novamente em seus braços era indescritível para Quinn. Quantos anos havia sonhado com esse momento, que finalmente havia se tornado realidade para ela.
- Será que eu posso ao menos saber seu nome?
Quinn sorriu.
- Tudo em sua hora, Rachel, mas não se preocupe, você já sabe mais do que pensa.
A loira puxou o pequeno corpo para mais perto do seu, extinguindo qualquer resquício de ar que houvesse entre as duas. Os corpos de moviam em sincronia, como se a coreografia tivesse sido ensaiada por meses, mas não. Era apenas a primeira vez que dançavam juntas. Em 700 anos, claro.
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A batida mudou mais uma vez, voltando ao ritmo acelerado que geralmente envolvia o ambiente. Rachel decidiu que era hora de virar o jogo. Tinha quase certeza de que aquela era L. F., agora, se ela queria provocar a morena, Rachel retribuiria na mesma moeda.
Soltou-se do abraço da loira e começou a dançar sensualmente, acabando por sua bunda tocar a perna da outra algumas vezes.
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Quinn tentava se conter. Era óbvio que estava fazendo de propósito. Cada vez que a morena roçava em sua pele, um arrepio percorria o corpo da morena e sentia a umidade no meio de suas pernas aumentar.
Cansada de ser provocada pela mais nova, acabou entrando na brincadeira e começou a dançar com ela novamente, dessa vez porém, de uma maneira bem mais sensual e imprópria para a idade da morena. Não ligava para isso.
Os corpos começaram a se aproximar involuntariamente. Pernas roçando, corpos juntos... Quinn não poderia pedir nada melhor do que aquilo.
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Rachel estava realmente ficando excitada com a presença do outro corpo tão perto do seu. A mão da outra passeava por suas costas, sem trazê-la para perto, apenas protegendo-a.
A garota com quem dançava era diferente de qualquer outra com quem já ficara.
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Quinn cansou-se da brincadeira algum tempo depois. Decidiu que era hora de agir e reacender as memórias no interior de Rachel. A mão nas costas da morena começou a fazer uma pressão, trazendo o pequeno corpo mais para perto.
As cabeças de ambas tocaram-se levemente. Testa com testa, as máscaras protegendo a identidade de ambas, embora Quinn soubesse quem era a pequena por trás dela.
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Foi Rachel quem investiu primeiro. Apenas abriu levemente a boca e aproximou seu rosto um pouco mais do da menina.
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Quinn não perdeu sua oportunidade e assim que viu qual era a real intenção da morena com aquele movimento, capturou os lábios dela nos seus e a pressionou os corpos um contra o outro. 700 anos de espera haviam valido a pena.
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