A Thousand Years
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Notas iniciais
07
As mãos de Rachel voavam pelo corpo da loira. As bocas estavam conectadas totalmente. Não havia ar entre as duas.
As músicas foram passando sem que nenhuma das duas notasse, separando-se apenas por breves momentos para pegar fôlego novamente. Após um bom tempo, separaram os lábios e grudaram suas testas, ainda escondidas pelas máscaras.
- Isso foi... – a morena mal conseguia falar. – Incrível
A loira apenas assentiu, passando seu polegar pela bochecha de Rachel.
- Você continua linda – falou para si mesma.
- O que disse? – disse Rachel com uma leve risada.
Quinn engoliu seco. Não era para Rachel ter ouvido aquilo e não era o momento certo para ela saber das coisas.
- Eu, ahn... Não pense que eu sou a Cinderela, mas eu tenho que ir. Sinto muito. Eu falo com você segunda-feira na escola.
Saiu correndo pela pista de dança então.
Rachel não acreditava que havia sido largada pela garota no meio da pista. Mesmo lá largada, despachada e sozinha, tinha duas certezas. Aquela garota era L. F., e ela seria sua.
- Lucy, leis aquele poema novamente para mim?
- Rachel, é a terceira vez no dia que pedes para que eu o leia a ti. A esta hora, já deve sabê-lo inteiramente.
- Sim, eu sei, mas gosto de ouvi-lo na tua voz.
A loira sorriu e deitou-se ao lado de Rachel na grama, fechando os olhos e recitando o poema.
- Como te amo? Deixa-me contar de quantas maneiras./ Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo e ao mais alto/ que a minha alma pode alcançar/ buscando, para além do visível dos limites/ do Ser e da Graça ideal./ Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos/ os dias à luz do sol e à luz das velas./ Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam pela Justiça;/ Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja./ Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas/ e com a fé da minha infância./ Amo-te com um amor que me parecia perdido – quando/ perdi os meus santos – amo-te com o fôlego, os/ sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!/ E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.
Ao final, Lucy abriu seus olhos e olhou para a menina ao seu lado. Ela tinha lágrimas nos olhos.
- Por que choras, Rachel? – disse, limpando as lágrimas da face da morena.
Rachel sorriu e rolou para o lado, ficando por cima de Lucy.
- Porque é lindo, Lucy. Não é possível que tenhas escrito algo assim belo para mim.
- E por que não? És mais bela que esse ou qualquer outro poema que escrevi sobre ti. Não há palavras para descrever-te, para dizer meus sentimentos sobre ti, para mostrar como sinto-me realmente.
Rachel abaixou a cabeça levemente, fazendo seus lábios se roçarem de leve. Ficaram naquela posição por algum tempo. Nenhuma das duas ousava fazer algum movimento. Era um momento tão mágico que nenhuma delas queria quebrar.
Rachel, como sempre, foi a primeira a movimentar-se. Seus lábios agarram os de Lucy, puxando-a para um beijo carinhoso. Ao separarem-se, disse para a loira.
- Eu te amo, Lucy. Mais que qualquer coisa.
- Amo-te mais, Rachel.
- Não amas. Eu sacrificaria a minha vida por você, Lucy. Não há maior forma de amor que esta.
Mal sabia Rachel que, um dia, aquelas palavras seriam substituídas pela mais pura verdade.
Rachel acordou soando frio. Nunca tinha tido um sonho tão realista quanto aquele. Parecia mais com uma memória do que com um sonho. E aquela menina, Lucy... Era a mesma garota da festa da noite anterior! L. F. era na verdade...
- Lucy. Lucy F.
Parte do mistério estava resolvido. Teria apenas que aguardar o contato da loira na segunda para descobrir a real identidade dela.
Não era que Quinn estava arrependida de ter ido ao Scandals na noite anterior. Estava arrependida por, novamente, ser uma covarde e não contar para a morena a verdade, deixá-la na dúvida.
Não havia conseguido dormir naquela noite. Sua mente vagava pelas diferentes vidas que tivera antes daquele momento. Sem dúvidas, a melhor era a primeira. Queria poder viver tudo aquilo novamente, porém corrigindo alguns erros. Erros que insistia em cometer até o momento.
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