A Thousand Years
6 05
Notas iniciais
PS: No capítulo anterior, eu falei que o "Soneto 43" era de Shakespeare, mas na verdade ele é da Elizabeth Barrett Browning. Obrigada TurtleCharlie4 pelo aviso!
PS2: Nesse capítulo tem outro poema que vamos fingir que quem escrever foi a Quinn, mas na verdade esse é realmente do Shakespeare e é o "Soneto 18"
05
Foi no horário do almoço que Rachel percebeu. Estava deitada nas arquibancadas do lado de fora do colégio, tentando descobrir alguma coisa mais sobre aquele poema. Levant0u-o e colocou-o contra o Sol, e foi quando notou que havia algo escrito na parte de trás.
Sentou-se rapidamente e virou o papel. Como não havia percebido antes?!
– Há tempos que amo-te. – leu em voz alta. – Como, afinal, não amar-te, Rachel? Não encontrarás nada sobre esse poema em nenhum lugar. Porém, se lembrou-te dele, pendures a fita verde contida dentro do envelope em teu armário até o final do almoço. Esperarei por tua resposta. L. F.
A morena olhou para seu relógio. Faltavam menos de cinco minutos para o fim do horário de almoço. Abriu a bolsa, procurando desesperadamente pelo envelope. A fita realmente estava lá... Pegou suas coisas e correu de volta para a parte interna do colégio. Sim, lembrava-se daquele poema. Sim, queria saber mais sobre L. F.
.
.
Quinn estava terminando de guardar seu material em seu armário quando viu um corpo moreno se aproximando rapidamente. Mordeu o lábio em nervosismo, mas tentou ao menos manter a compostura.
– Ah, oi, Quinn! – disse Rachel ao se aproximar.
– Oi – respondeu a loira com um pequeno sorriso.
Rachel apenas sorriu de volta e abriu seu armário. Pegou a fita em seu bolso e amarrou-a por entre as frestas do armário. Quinn engoliu seco.
– O que você está fazendo? – perguntou com uma leve risada.
– Só uma coisa boba – respondeu a morena no mesmo tom.
Rachel terminou de prender a fita e despediu-se da loira, indo para sua próxima aula. Quinn esperou a morena fazer a curva para sorrir. Estava conseguindo. Da mesma maneira que fizera tantos séculos antes. Estava reconquistando sua amada...
O sinal bateu e os corredores se esvaziaram. Quinn pegou mais um envelope de sua bolsa, passou-o pelas frestas e tirou a fita dali.
– Você vai ser minha novamente, Rachel... – suspirou.
Os professores das aulas dos períodos seguintes já haviam sido avisados que a loira não estaria por motivos médicos, então não tinha com o que ela se preocupar.
O poema que entregou a Rachel mais cedo era o mesmo que deixara na porta da casa da morena quando realmente tinha entre quinze e dezesseis anos, quando descobrira que o que queria com Rachel era mais que amizade. Se ela havia reconhecido o poema, era um bom sinal.
.
.
Rachel esperava pacientemente o período terminar. Queria que o sinal batesse logo para ver se havia recebido mais alguma coisa de L. F.. Estava gostando de tudo aquilo, estava se sentindo amada por alguém. Acha estranho, porém, que na parte de trás do poema estava escrito que a pessoa amava-a há tempos... Não seria possível, afinal, só estava em Lima há algumas semanas!
O sinal finalmente bateu e a morena mal esperou a professora dispensá-los para sair correndo ao seu armário. A fita não estava mais lá. Abriu-o e outro envelope caiu no chão. Sorriu.
.
.
Quinn esperava que, àquela hora, Rachel já tivesse lido o outro poema. Já estava esperando há mais de meia hora para ser atendida. Já se passavam das 13:30.
Para a felicidade da loira, uma mulher mais velha passou pelas cortinas que separavam a sala de espera da sala de consultas.
– Lucy Fabray? – perguntou a mulher. Quinn assentiu. – Por aqui.
Instantaneamente, a loira se levantou e seguiu a mulher. Nunca estivera tão ansiosa em relação a alguma coisa desde o dia em que pedira Rachel em namoro.
Entrou numa sala escura, iluminada apenas por velas. Não era a primeira vez que fazia aquilo, mas a última fora a mais de cinquenta anos. Estava cansada de sofrer todas as vezes que conversava com a sua Rachel.
– Então, Lucy... – falou a mulher sentando-se. – Há alguém especial que queira contatar? Você sabe como as coisas funcionam?
– Sim. Rachel Berry – disse rapidamente.
Quinn já estava cansada de esperar. Aquele seria o teste definitivo para saber se a morena da escola era realmente sua morena de 700 anos atrás. Alguns minutos se passaram. A mulher permanecia em silêncio, concentrada.
– Sinto muito, Lucy – falou, quebrando o silêncio. – Não foi possível realizar um contato com essa moça. Ela provavelmente reencarnou.
Quinn soltou um suspiro leve, mas ao mesmo tempo sorriu.
– Tem alguma maneira de saber em que corpo ela reencarnou? Ou como ela é hoje, onde ela vive...
– Geralmente pessoas reencarnam com aparência semelhante a de sua última vida, mas é muito difícil conseguir localizar essas pessoas.
Quinn assentiu, deixou o dinheiro na mesa da mulher e levantou-se, caminhando até a saída do local.
– Só mais uma coisa – parou abruptamente. – É possível reencarnar após morrer queimado?
– É muito raro de se acontecer, mas é possível. Essa pessoa que você está tentando contatar morreu num incêndio?
– Não... – respondeu baixinho. – Foi queimada viva na fogueira...
.
.
Rachel estava sentada num canto da sala do coral, afastada de todos. Analisava pela décima terceira vez naquele dia o segundo poema que recebera. Dessa vez, nenhuma mensagem atrás, apenas os catorze versos.
.
Deveria comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
.
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
.
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
.
Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.
~ L. F.
.
Suspirou. Na primeira vez que leu o poema, vários dos versos já eram conhecidos a ela, mas não fazia sentido. Não havia encontrado em nenhum buscador aquele poema... Era realmente estranho que conhecesse aqueles dois poemas que haviam entregado a ela.
.
.
Quinn chegou de volta ao McKinley faltando poucos minutos para o início do Glee Club. Além de participar da aula, queria ver a reação de Rachel com o poema. Já havia confirmado com a médium que aquela era realmente a sua Rachel, agora bastava apenas a mesma reconhecê-la ou Quinn conquistá-la novamente. Seria, no mínimo, divertido para a garota.
Entrou na sala do Glee Club e seu olhar foi dirigido automaticamente para a menina. A loira sorriu e sentou-se ao lado Blaine, que sorriu para a menina.
– Muito bem! – disse Mr. Schue ao entrar na sala. – Faltam duas semanas para o baile de Homecoming e, novamente, o diretor nos pediu para animar a festa!
Quinn ignorava completamente o que o professor falava. Se reconquistaria Rachel, faria isso da maneira certa, da mesma maneira que fizera da primeira vez que se conheceram. A parte dos poemas havia sido fácil, agora o mais difícil seria a parte da dança. Tinha que sair tudo perfeito. A menina voltou à realidade somente quando seu celular tocou, chamando a atenção de todos.
– Sinto muito – falou envergonhada.
O professor voltou a falar e a loira rapidamente checou o motivo de seu celular ter atrapalhado a reunião do Glee Club.
“Baile de máscaras no Scandals sábado. Topa? – S”
Quinn sorriu.
– Perfeito – sussurrou para si mesma.
“Nós três? – Q”
A resposta não demorou a chegar.
“Com certeza. Eu e Brit vamos juntas. Você vai para caçar – S”
“Ótimo. Depois do Glee vamos comprar máscaras. – Q”
.
.
Depois do fim da reunião do Glee Club, Rachel voltou ao seu armário para guardar os últimos livros. Surpreendeu-se quando, ao abrir o armário, uma folha de papel cair.
“Soube que você foi ao Scandals ontem... Sábado haverá um baile de máscaras. Que tal irmos à moda antiga? Te esperarei. ~ L. F.”
Fale com o autor