A Thousand Years
5 04
Notas iniciais
Já estamos com 30 leitores, vocês não tem ideia de o quão importante isso é para mim!
Enfim, boa leitura!
PS: O soneto que aparece no decorrer do capítulo é o "Sonnet XLIII", de Elizabeth Barrett Browning, mas para fins da história, vamos levar em conta que quem escreveu foi a Quinn, ok?
04
Quando Rachel chegou em casa, para a sua sorte, os pais já estavam dormindo. Ainda bem. Seria terrível que a vissem daquela maneira. Sua filhinha perfeita, a estrelinha, chegando em casa quase às quatro da manhã, tendo aula mais tarde e com cheiro de cigarro. Não que ela tivesse fumado! Só a presença de um fumante por perto já não agradava a menina.
Ela só não esperava que uma garota tão linda como a que encontrara no Scandals naquela madrugada fosse uma fumante. Nem que o banheiro do clube também cheirasse a cigarro. Definitivamente, aquela não era a noite dela. Saíra no lucro, sim. A menina tinha belas pernas e Rachel sentiu prazer por fazê-la chegar ao seu ápice. Era sempre assim. Desde os quinze anos Rachel saía para conquistar e dar prazer às outras. Ainda era virgem, e queria guardar aquilo para um momento especial com alguém especial. Saía apenas para se divertir com as outras.
Jogou seu corpo de roupa e tudo na cama. Sua bermuda estava com cheiro de cigarro, e o moletom certamente ficaria pelo contato com a camiseta de baixo.
.
.
Quinn chegou ao McKinley mais cedo na manhã seguinte. Não queria que ninguém a visse deixando as cartas. Uma dentro do armário de Santana, contendo a chave da cabana que maninha nas redondezas de Lima para os momentos em que precisava relaxar a cabeça. "Ou em momentos que eu devo alguma coisa a ela...", pensou. A latina e Brittany adoravam a cama daquela cabana.
A outra era para Rachel. Aquela carta ajudaria a comprovar se a morena era realmente reencarnação de sua Rachel Berry. O vão de respiração do armário era grande o suficiente para a carta passar sem problemas. Esperava que aquilo fizesse as memórias de Rachel reacenderem.
Quando o corredor começou a encher, foi para a sala do diretor. Precisava da autorização para sair mais cedo. No segundo intervalo, ligaria para o telefone que Santana passara a ela e marcaria um atendimento para a hora do almoço. Mais uma confirmação seria boa.
.
.
Faltavam cinco minutos para o primeiro período quando Rachel chegou ao colégio. Tinha dormido demais. Os pais haviam saído mais cedo naquele dia, antes do horário que Rachel teoricamente acordaria. Correu para o seu armário para pegar o material de literatura e tentar não se atrasar para a aula.
Ao abrir o armário, um envelopinho caiu no chão. Sem prestar muita atenção, colocou-o dentro da bolsa, pegou o livro que procurava e saiu correndo em direção à sua sala. Conseguiu chegar pouco antes do sinal.
.
.
O sinal bateu enquanto Quinn aguardava para o diretor atendê-la.
– Ah, merda... – sussurrou para si mesma.
Era provável que perdesse a primeira aula novamente. Isso não era muito bom no quesito “não chamar atenção”. A garota que falta dois dias seguidos na primeira aula.
– Senhorita Fabray, o diretor vai vê-la agora.
Quinn levantou-se e entrou pela segunda vez em dois dias na sala de vidro.
– O que posso fazer pela senhorita hoje, Senhorita Fabray? Acredito que não esteja aqui por atraso, certo?
– Eu precisaria de uma dispensa após o horário de almoço. Tenho uma consulta médica.
– Tudo bem, Senhorita Fabray, mas eu precisaria de uma autorização de seus pais e...
– Diretor Figgins, eu te disse ontem. Não tenho pais, nem parentes vivos, se lembra?
– Ah, certo, certo... Nesse caso tudo bem – ele preencheu um papel e entregou-o à garota. – Pronto. Está dispensada a partir do horário de almoço.
– Obrigada, Diretor. Será que o senhor pode me dar uma autorização para eu entrar na aula?
.
.
Rachel não conseguia prestar atenção na aula de literatura. Eram tantos nomes, tantos poemas... Aquilo a irritava.
Lembrou-se então da carta que colocara na bolsa mais cedo. Não lembrava de ter colocado aquilo em seu armário no dia anterior... Alguém deveria ter colocado entre a tarde anterior e a manhã antes dela chegar. Abriu sua bolsa sorrateiramente e pegou o envelope. Abriu-o e encontrou apenas uma folha de papel dobrada.
Olhou para frente. A professora não estava olhando para ela. Colocou o a folha dentro do livro e começou a lê-la, como se estivesse lendo o livro.
.
Como te amo? Deixa-me contar de quantas maneiras.
Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo e ao mais alto
que a minha alma pode alcançar
buscando, para além do visível dos limites
do Ser e da Graça ideal.
Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos
os dias à luz do sol e à luz das velas.
Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam pela Justiça;
Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja.
Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas
e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido – quando
perdi os meus santos – amo-te com o fôlego, os
sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!
E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.
~ L. F.
.
Ela conhecia aquele poema. Lembrava-se vagamente dele, mas sabia que já o havia lido em algum lugar. Olhou novamente para frente. A professora anotava alguma coisa no quadro. Pegou o celular e digitou os dois primeiros versos no mecanismo de busca. Nada.
O sinal bateu e Rachel aproveitou-se da professora de literatura. Aproximou-se com um sorrisinho tímido e cara de anjo.
– Professora... Será que a senhora poderia me tirar uma dúvida?
– Claro que sim, Senhorita Berry! – falou animada. – O que foi?
Rachel entregou o papel à professora.
– A senhora poderia me quem é L. F.?
– L. F.?
– É. O poema está assinado por L.F., por isso pensei que esse poderia ser o nome do poeta.
A professora tomou um tempo para ler e depois devolveu-o à menina.
– Sinto muito, querida. Não sei te dizer de quem é, mas é um poema muito belo.
Rachel agradeceu e saiu da sala, um pouco decepcionada. Era realmente um poema lindo, no entanto tinha duas dúvidas rondando sua cabeça. Quem era L. F. e quem havia deixado o poema em seu armário naquela manhã.
.
.
Assim que o sinal do segundo período soou, Quinn pegou o celular e discou o número que Santana havia lhe passado na noite anterior.
“Madame Marie, em que posso ajudar?”
– Eu gostaria de marcar uma... Consulta? – falou a loira, incerta no que dizer.
“Você está certa disso?”
– Sim, é claro que estou!
“Certo. E que horário, a senhorita gostaria?”
– Após as 12:30, se possível.
“Às treze horas estaria bom?”
– Sim. Treze horas. Perfeito.
“Seu nome, por gentileza?”
– Lucy. Lucy Fabray.
Fale com o autor