A Thousand Years
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Notas iniciais
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Assim que chegou em casa naquela tarde, Quinn correu para a pequena biblioteca que mantinha em seu apartamento e foi direto a uma das prateleiras, que continha apenas brochuras de couro grossas sem títulos. Pegou a primeira delas com cuidado, para que não desmanchasse. O tempo fora cruel com os diários dela, mas ela precisava se manter ligada ao passado.
Aquele diário fora o seu primeiro, começou na época que conhecera Rachel. Seu pai havia aprendido com um amigo clérigo como escrever, e ensinara aquilo à filha antes de desaparecer sem deixar rastros, levando a mãe junto. Quinn não tinha dez anos.
Para cada lugar novo que ia, contava uma história diferente. Cada diário era uma história diferente, uma Lucy, uma Quinn diferente. Em Lima, era Quinn Fabray, ficou órfã aos três anos, os pais morreram num acidente de carro, foi criada pela avó até completar treze anos, quando a avó faleceu. Mudou-se para Lima aos quinze e está cursando o High School lá desde então.
Aquele primeiro era o único em que tudo real, incluindo a história entre ela e Rachel e a maldição da bruxa. Naquele diário, havia pouco mais de dois anos de registro: do dia em que conhecera Rachel, aos quinze anos, até o dia em que viu a morena arder em chamas, aos dezessete anos.
Abriu-o em uma das últimas páginas. Havia séculos que não olhava dentro daquele diário em específico, não gostava de ficar relembrando o que a aterrorizou por tantas décadas.
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“18 de dezembro – 17 anos
Hoje era para ser um dia especial. Hoje é aniversário dela. Mas nada deu certo. Descobriram sobre nós. Vamos à fogueira em dois dias. Não dá tempo para fugir. A culpa é toda minha.
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19 de dezembro – 17 anos
Hoje me tiraram dela. Foi horrível. Consegui manter você por perto. Me levaram numa espécie de freira. Acho que era uma feiticeira. Me deixaram lá sozinha com ela. Não sei quanto tempo se passou. Foi muito. Saí já era noite. Chorando. Não quero que Rachel me veja chorando. Pode ser nosso último dia juntas. A feiticeira me disse que eu era a alma do pecado. Que nada bom poderia sair de mim. Me fez tomar uma poção. Disse que eu seria imortal... Imortal significa que nunca morre. Eu não sabia disso. Eu não quero viver sem ela.
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20 de dezembro – 17 anos
Foi horrível. Me fizeram ver tudo. Me seguraram na frente do palanque. Colocaram fogo nela. Eu vi e ouvi ela agonizando até a morte. Eu não pude fazer nada. Eu tentei me matar. Me joguei do penhasco em cima das pedras. Nada. Nem um simples arranhão. Ela não está mais comigo. Ela se foi.
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21 de dezembro – 17 anos
A feiticeira veio me procurar hoje. Queria se certificar que eu ainda estava viva. Para minha infelicidade, sim. Perguntei para ela se algum dia veria Rachel novamente. Grande erro. ‘Tu a amarás para sempre, Lucy. Mesmo depois de 500 anos, Rachel Berry continuará em tua mente, tu nunca ti livrarás dela, mas ela nunca vai voltar para ti. A fogueira é a perdição completa da alma humana, tu nunca mais a verás...’. Ela me disse isso. Não parei de chorar desde então.”
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Por que a bruxa a enganaria? Não fazia sentido... Teria que descobrir como Rachel havia voltado. Pegou o telefone e discou o conhecido número.
“É melhor que seja importante, Fabray. Você interrompeu uma sessão de amassos entre mim e Brit.”
– Preciso de dois favores, Lopez.
Quinn conseguiu ouvir um suspiro do outro lado da linha e um leve rangido de colchão.
“Não vai sair barato.”
– Você sabe que eu tenho como pagar. Só preciso de dois favores.
“O que você quer?”
– Você ainda tem o telefone naquela médium que fomos uma vez?
“Talvez, por quê?”
– Eu preciso dele.
“Eu procuro. E o outro?”
– Como anda seu gaydar?
A risada do outro lado da linha era uma mistura de maléfica com engraçada.
“Uma nova presa, Fabray?”
– Só descubra para mim. Rachel Berry. Secundarista. Aluna nova. Pelo que eu entendi, ela está no Glee Club conosco.
“O Hobbit?! Você está querendo comer o Hobbit, Quinn?”
– Só descubra, Santana!
“Está bem, Quinn... Amanhã à tarde eu te dou a resposta do Hobbit. O telefone eu te passo daqui a pouco.”
– Obrigada, Lopez. Te pago amanhã.
A latina resmungou alguma coisa, mas Quinn a ignorou completamente. Santana Lopez era uma peça rara. Foi a primeira amizade de Quinn quando chegou a Lima. Foi a primeira pessoa, desde que Quinn se tornou imortal, em que a loira realmente confiou.
Alguns minutos depois, o celular da loira vibrou em sua mão. Santana já havia realizado seu primeiro favor.
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– Pai, papai – falou a morena, um pouco envergonhada. – Como os senhores descobriram que estavam apaixonados?
Os dois homens olharam um para o outro e riram. Rachel não enxergou nenhuma graça.
– Hiram, nossa estrelinha está crescendo...
A morena corou e ficou encarando o prato. Não deveria ter tocado naquele assunto. Ela nem mesmo sabia se realmente estava apaixonada por Quinn Fabray! Se conheciam há apenas dois dias, não poderia ter desenvolvido sentimentos pela outra tão rápido.
Os pais começaram a falar, mas ela ignorou toda a conversa. Fora um erro perguntar aquilo para os pais. Terminou o jantar, levou o prato à cozinha e subiu para o quarto. Abriu uma de suas gavetas e ficou encarando a carteira de identidade falsa que havia feito na semana que chegara em Lima. Pego-a, colocando no bolso de seu shorts e trocou de camiseta, colocando uma mais decotada. Vestiu um moletom e desceu novamente.
– Pai, papai, vou ao cinema com dois amigos meus. Não me esperem acordada.
Deu um beijos nos pais e saiu. Mandou uma mensagem para Kurt e pediu para que se necessário, encobrisse-a. Pegou sua bicicleta e pedalou até uma parte mais afastada da cidade. Precisava esfriar um pouco a cabeça, tirar Quinn Fabray dela. Prendeu a bicicleta em um poste a poucos metros do local e checou mais uma vez a identidade. Da última vez, havia dado certo. Esperava que dessa vez também.
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Santana e Brittany dançavam juntas na pista. Fazia tempo que não saíam juntas para relaxarem assim. O Scandals tinha entradas mais baratas às quartas-feiras. Aproveitaram o início das aulas para aproveitarem um pouco a vida.
– Brit, vou ali pegar uma bebida e já volto. Se alguma garota encostar em você, eu mato.
A loira riu, porém a latina falava sério. Chegou ao bar e pediu o mesmo drink de sempre. Sua intenção não era se embebedar, apenas se divertir um pouco. Estava voltando ao encontro da namorada quando acabou trombando com uma morena baixinha.
– Me desculpe – disse a morena, retornando ao seu caminho.
– Puta que o pariu... – falou a latina, já buscando o celular no bolso traseiro.
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Quinn estava quase pegando no sono quando seu celular vibrou na cômoda. Levantou-se e viu que havia uma nova mensagem.
“Hobbit joga no nosso time. Me deve essa – S”
Quinn digitou a resposta rapidamente.
“San, são dez horas da noite. Como você sabe? – Q”
A resposta não demorou a chegar:
“Ela estar no Scandals significa alguma coisa para você? – S”
Quinn sabia que a amiga não esperava por uma resposta. Reconquistar Rachel seria um pouco mais fácil do que pensara. Pelo jeito, a reencarnação de sua amada tinha a mesma orientação sexual de 700 anos antes.
A loira foi dormir sorrindo e acabou sonhando com Rachel. E que sonho.
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