A Thousand Years
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Notas iniciais
02
No dia seguinte, Quinn custou para sair da cama. Sim, já passara por insônias bem piores, principalmente nas primeiras décadas de imortalidade, chegando a ficar quase uma semana sem dormir, mas naquela noite ela tinha um real motivo para fazê-la ficar acordada durante quase a noite inteira.
Quando acordou, depois de quase uma hora de sono, pensou em faltar na aula, porém ficaria muito na cara que algo estava errado. Teria que evitar Rachel ao máximo, antes que alguma coisa ruim realmente acontecesse.
Rachel não conseguia tirar a loira da cabeça. Tinha certeza que já a conhecera antes...
– Pai, papai, vocês conhecem uma família de sobrenome Fabray? – perguntou durante o café da manhã.
– Não, minha estrelinha – falou Hiram. – Por que você está perguntando?
– Conheci uma garota ontem no colégio. Quinn Fabray, e eu tenho quase certeza de já ter a visto antes...
– Quem sabe não é de alguma vida passada, querida? – disse Leroy rindo. – Será que não se conhecem da época em que moramos em New York?
– Papai, eu tinha três anos. Eu não lembro de nada daquela época!
– Ela não estudou na mesma turma que você na Nova Zelândia?
A morena fez que não com a cabeça, tomando um último gole de seu café antes de se despedir dos pais e pedalar até a escola.
Quinn chegou logo após o sinal da primeira aula bater. Sim, estava atrasada. Não, não ligava para isso, só queria evitar Rachel a qualquer custo.
– Fabray!
Quinn virou-se em direção à voz irritada que a chamava.
– Você está atrasada – disse a treinadora Sylvester.
A loira fechou a porta de seu armário e arrumou a mochila em seu ombro.
– Já sei, já sei – falou passando pela mulher mais velha. – Sala do diretor. Agora.
A treinadora apenas assentiu e continuou sua patrulha matinal pelos corredores do McKinley. Quinn sentou-se numa das cadeiras de couro da sala de vidro e puxou um livro de sua mochila, enquanto esperava ser chamada.
– Senhorita Fabray – resmungou a secretária após uns dez minutos. – O diretor vai te ver agora.
A loira marcou a página do livro e guardou-o de volta na mochila, entrando na sala do diretor. O senhor apontou para as cadeiras em frente à sua mesa e ela sentou-se.
– Senhoria Fabray, mal é o segundo dia de aula e a senhorita já chegou atrasada.
– Sinto muito. Perdi a hora – disse sem dar muita atenção.
– Caso isso venha a se repetir, terei que falar com seus responsáveis, senhorita.
Quinn suspirou, os olhos lacrimejando de leve.
– Já disse, diretor. Meus pais morreram quando eu era jovem. Não tenho parentes vivos.
– Só não se atrase mais, senhorita Fabray. Não quero ser obrigado a te suspender na primeira semana de aula.
A menina assentiu, limpou as lágrimas e saiu da sala do diretor.
Rachel estava com o braço levantado há quase dois minutos. Precisava urgentemente ir ao banheiro. Finalmente a professora se virou e deu autorização para a menina sair da sala.
Foi ao banheiro quase que correndo, tamanha a necessidade que estava. Sem prestar atenção, acabou caindo por cima de alguém durante seu caminho.
Quinn acabara de sair do banheiro quando foi literalmente atropelada. Acabou parando no chão com um corpo pequeno em cima do seu.
“Isso só pode ser brincadeira...”, pensou, tentando livrar-se do corpo de Rachel.
– Quinn! Ai, Deus, eu sinto muito!
A morena finalmente saiu de cima de Quinn, mas ambas permaneceram sentadas no chão.
– Não tem problema. Eu deveria prestar mais atenção por onde eu ando – respondeu, juntando seu material e tentando levantar-se.
Rachel porém segurou o braço da garota, impedindo-a de se levantar totalmente.
– De onde a gente se conhece, Quinn?
A loira soltou-se do braço da outra e terminou de levantar-se, arrumando sua saia.
– Eu passei a minha vida inteira em Michigan – mentiu num suspiro. – Você morou lá?
Rachel fez que não com a cabeça e Quinn deu nos ombros. Sabia que se arrependeria depois, mas segurou as mãos de Rachel e levantou-a. O contato foi como um choque para ambas, eriçando os pelos dos braços.
– Nossos pais... – tentou a morena novamente, sendo bruscamente cortada por Quinn.
– Meus pais morreram quando eu tinha três anos, Rachel.
Ela congelou, sentindo a culpa preencher seu corpo.
– E-eu... Eu sin...
– Não, não precisa – cortou-a mais uma vez. – De verdade.
A morena sorriu, ainda envergonhada com a situação em que se colocara.
– Enfim... O Mr. Schue pediu para que, caso eu te encontrasse, que o ensaio seria no auditório hoje.
Quinn demorou para processar as palavras da outra garota. Mr. Schue, ensaio...
– Você entrou para o Glee Club? – perguntou, tentando esconder o desespero.
Rachel assentiu, sorrindo levemente. Desculpou-se novamente com Quinn e entrou no banheiro, deixando a loira sozinha no corredor. Ela abriu um leve sorriso, um verdadeiro, coisa que não fazia há centenas de anos e murmurou para si mesma.
– Eu senti sua falta, Rachel...
Continuou vagando pelos corredores até que o sinal batesse. Falava sozinha, tentando pensar melhor. Deveria tentar reconquistar Rachel? Será que ela se lembrava de alguma coisa?
Parou quando percebeu que estava quase entrando no laboratório de biologia.
– Ela está aqui... – sussurrou.
Estava acontecendo. Tudo de novo. A atração inconsciente pela morena... Não era coincidência. Aquela era a sua Rachel Berry.
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