A Sombra de Deus
4 Capítulo 3 - Voltando Ao Ninho
Notas iniciais
Capítulo 3 — Voltando Ao Ninho
Alice e César, após recuperar suas armas dentro da casa, sentiram-se extremamente frustrados ao verem que bem na garagem, atrás do carro abandonado que os havia chamado atenção para a casa, havia um galão de gasolina vermelho, cheio o suficiente para a viagem de volta. César o pegou e o carregou até o carro, andando pela estrada empoeirada sem uma só palavra, ao ver que Alice o fitava, ele falou:
– Alice, me prometa que não vai contar a ninguém.
– Eu...prometo...
– Obrigado.
Isso foi tudo que ele disse, abasteceu o carro e entrou, o resto da viagem foi quase inteiramente silenciosa. Quando eles passavam por uma larga avenida com alguns carros abandonados, Alice falou:
– César, eu...acho que deveríamos contar ao Marcos.
– Não. — Ele disse apenas, então, voltou novamente sua atenção para a estrada, deixando Alice sozinha com seus pensamentos.
Metatron...foi esse o nome que o garoto à havia falado, Alice podia jurar que já havia escutado aquele nome em algum lugar. Você pode achar isso estranho, que ela estivesse mais preocupada com de onde conhecia o garoto do que com o fato de que ele havia usado magias angelicais, de modo que antes parecia impossível. Mas é como quando você repete várias vezes uma palavra de maneira errada, e falá-la de maneira certa torna-se momentaneamente mais importante que qualquer outra coisa. Por alguns instantes, mais até que sua segurança.
Finalmente Alice pode ver o grande Portão do Purgatório. A maioria dos humanos vivos vivia em um local conhecido como O Ninho, uma pequena cidade, cercada de barreiras extremamente altas com três portões principais, o Portão do Purgatório, o maior dos portões, que era feito de bronze e era o mais fácil de ser avistado, o Portão do Céu, portão feito de cobre e que reluzia como ouro à luz do dia, era o menor dos portões, porém era o mais utilizado para a saída, e finalmente o Portão do Inferno, era um portão médio, feito completamente de ferro negro, era o mais utilizado para saídas noturnas.
Ao se aproximarem dos Portões, o carro de César foi reconhecido por duas silhuetas quase invisíveis no topo da Grande Muralha que cercava O Ninho, o Portão foi aberto e César e Alice entraram. Assim que entraram, estavam dentro de um grande estacionamento, com alguns carros e motos estacionados, contabilizando cerca de cem carros e umas trezentas motos. Ao descerem do carro, foram recebidos por Lucas e Bruno, as tais silhuetas que os avistaram do topo da Grande Muralha. Lucas era bem alto e mais magro que Bruno, vestia um casaco cinza empoeirado e aberto sobre uma blusa verde-musgo, com calças jeans velhas e botas de fazendeiro, ele tinha quinze anos e já possuía uma barbinha ralha no queixo, tinha uma pele clara e olhos castanhos como os cabelos, curtos e cobertos por um boné surrado. Bruno era mais baixo que Lucas, tinha músculos maiores que os de César e pele bronzeada, vestia uma regata branca empoeirada e amassada e uma calça militar folgada, com cabeça raspada e coturnos como os de Alice. Tinha vinte anos e não tinha barba, com olhos castanhos e brincos prateados nas orelhas, ele sorria para Alice.
– E aí, curtiram a viagem? — Perguntou Bruno, ainda sorrindo.
– Ô Bruno, eles tem que ver o Marcos — Afirmou Lucas, com um sotaque nordestino arrastado. — Vâmo levar eles logo.
Lucas e Bruno levaram os dois por um corredor de paredes brancas de gesso e piso de madeira meio empoeirado, até uma grande porta de madeira escura, com uma maçaneta de metal dourado, onde César encostou.
– Só podemos ir até aqui — Disse Bruno, ele parecia preocupado. — Boa sorte pra vocês.
Ele e Lucas voltaram pelo mesmo corredor, indo de volta aos seus postos de vigias da muralha. César bateu uma vez na porta e uma voz atrás dela falou.
– Finalmente, podem entrar.
César abriu a porta e engoliu em seco, ele e Alice entraram, a sala tinha um piso de madeira escura como a da porta e paredes brancas com detalhes cobre mais limpa do Ninho, não se via mancha alguma. De móveis, havia uma mesa grande no centro da sala, sobre ela um notebook e vários papéis espalhados, além de uma luminária. Na frente da mesa, havia um bonito tapete dourado e branco, duas poltronas de couro e uma pequena mesa entre as cadeiras com duas balas de morango. Atrás da mesa, uma grande poltrona de couro, esta ocupada por um homem que aparentava uns trinta e poucos anos, Marcos, o líder do Ninho.
Marcos era alto e musculoso, com pele caucasiana e uma barba por fazer, tinha um dos olhos brancos, este cego, e o outro azul. Cabelos curtos castanhos e uma expressão carrancuda. Vestia uma camisa jeans azul, coberta por uma jaqueta de couro aberta, com um jeans surrado preto e botas de couro. Ele lembrava o Wolverine, um personagem de antigas histórias em quadrinhos que seu irmão havia encontrado. Mas Alice nunca diria isso à ele.
– Sentem-se — Disse ele, e assim Alice e César o fizeram. — E então, por que demoraram?
– N-Nós tivemos um imprevisto no caminho. — Disse César, ele sempre ficava meio nervoso na frente de Marcos, como todo mundo.
– Que tipo de imprevisto? — Perguntou Marcos, apertando os olhos, por alguma razão, ele olhava para a pensativa Alice.
– Nós ficamos sem gasolina, entramos em uma casa e fomos atacados por demônios. — Disse Alice, o mais firme que seu estado atual permitia.
– E vocês se livraram deles? — Perguntou Marcos, fazendo algo que Alice imaginava ser um sorriso cético, ele não acreditava no potencial de combate de César e Alice.
César e Alice se entreolharam, nervosos, mas Alice falou:
– Sim, nos livramos deles.
– Ah, bom saber — Disse Marcos, "sorrindo" mais um pouco. — Relatório de batalha.
– Eram três demônios, possuíram dois garotos e uma garota, todos jovens, um deles manipulava umbracinése... — Começou César, mas foi interrompido por Marcos.
– Umbracinése? Então ele não era fraco — Disse Marcos, cético. — Como se livraram dele?
César pensou em responder, mas Alice, já de saco cheio do ceticismo de Marcos, respondeu antes:
– Com um tiro de Astral entre os olhos. — Falou atirando em Marcos com o dedo em forma de arma, e uma expressão de desgosto.
Sabe-se lá o porque, mas aquilo pareceu satisfazer Marcos, que apontou para a saída e disse:
– Ok então, estão dispensados.
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