A Sombra de Deus
5 Capítulo 4 - Humanidade
Notas iniciais
Capítulo 4 — Humanidade
Alice e César saíram da sala de Marcos, César, confuso pela súbita mudança de opinião de Marcos, Alice, apenas com raiva da arrogância do líder. Mas ambos os sentimentos não tiveram tempo de se desenvolver mais, pois Lucas e Bruno os esperavam no lado de fora da sala de Marcos, sorrindo.
– Vamos, vocês chegaram bem na hora do almoço, o pessoal tá esperando. — Disse Bruno, sorrindo para ambos.
Só agora César e Alice puderam se lembrar que estavam com fome, muita fome, bem, não era pra menos, visto que já não comiam à mais de dezoito horas. Eles seguiram Lucas e Bruno pelo corredor, até chegar em uma grande porta de madeira branca aberta, revelando o refeitório por trás. O refeitório tinha um piso de azulejos brancos e uma parede amarela, com um buffet self-service com as frutas e vegetais colhidos no Ninho e algumas carnes encontradas ou caçadas. Além disso, haviam várias mesas retangulares, dispostas de maneira desorganizada e com bancos grandes como as mesas, porém, obviamente, mais baixos. Nesses bancos sentavam-se a maioria das pessoas Não-Apenas-Habitantes, ou seja, os jovens de até trinta anos, que ajudavam em alguma parte do Ninho que requeria a interação com batalhas.
Alice serviu-se de alface e tomates, algumas salsichas e pedaços de melão, com água como bebida. Enquanto César preferiu pegar arroz integral, carne de sol e fatias de laranja, bebendo leite. Após ambos servirem-se, foram até a mesa onde estavam Lucas e Bruno, além deles, haviam também Beatriz, chamada de Bia, de cabelos castanhos-claros, olhos verdes e pele clara, era a que menos falava no grupo, bem tímida. Julia, a melhor amiga de Alice, tinha os cabelos pintados de pink e um lápis de olho bem pesado nós olhos azuis, contrastando sua pele bem clara, ela sorria muito e era extremamente engraçada, mesmo que seu humos fosse, na maioria do tempo, negro. E Cleo, namorada de César, tinha cabelos loiros e olhos cor de chocolate, era a mais velha das meninas, tendo dezenove anos, enquanto Julia tinha dezesseis e Bia tinha apenas quinze.
Ao sentarem-se na mesa, Cleo deu um beijo em César, provocando uma expressão de nojo no rosto de Julia, que olhou para Alice, sorrindo, e perguntou:
– E aí, por que demoraram tanto?
– Acabamos tendo que lutar contra...uns demônios. — Disse Alice, sorrindo de volta, enquanto comia uma garfada da salada em seu prato.
Os olhares da mesa se voltaram para Alice, nenhum dos presentes na mesa havia entrado em batalha contra um demônio sozinho, apenas Alice e César, tecnicamente.
– Quantos eram, ou melhor, eram fortes? — Começou a perguntar Cleo para César, obviamente preocupada. — Você está machucado?
– Calma Cleo, eram três demônios — Começou César. — Eram fortes, mas acabamos com eles, e sim, estou bem.
– Treiz!? — Indagou Lucas, surpreso — Como que oceis conseguiram cabar queses treiz?
Alice e César se entreolharam, um perguntando ao outro se era uma boa ideia contar à eles sobre Metatron, ambos chegaram à mesma decisão: Não.
– Eles estavam distraídos com a Alice, eu atirei em um deles e os outros, pegos de surpresa, foram mais fáceis de matar, mas saímos sem ferimentos graves. — Disse César, agradecido pelo fato de não ter gaguejado, como normalmente acontecia quando mentia.
– D-Desculpe interromper, m-mas algum deles disse seu nome? — Perguntou Bia, olhando para seu prato, parecia envergonhada, mesmo que ninguém soubesse dizer o porquê.
– Ah, sim, Bia. Um deles se chamava Valac e o outro... — César começou, mas foi interrompido por Alice.
– Zagan, por que?
Bia pareceu se concentrar por um segundo, e então, fez uma expressão de felicidade, que sempre fazia quando se lembrava de algo.
– Zagan, demônio do vinho e dos temperos, e Valac, demônio das cobras e das verdades. — Lembrou-se Bia, sorrindo. — Eles pareciam querer devorar vocês?
Bia era extremamente estudiosa e inteligente, decorando inúmeros nomes e significados de anjos e demônios. Era um tipo de inteligência que surpreendia praticamente todos no Ninho, menos Marcos, obviamente.
– Sim, pareciam. — Disse Alice, rindo, impressionada com a rapidez de raciocínio de Bia.
– Mas no final, acabaram mortos — Disse Julia, fazendo uma voz grave e atirando em Bruno com os dedos em forma de arma, Bruno, que fingiu ser atingido no peito por uma bala, e caiu pra frente seu corpo, fingindo convulsões.
Depois que Bruno e Lucas acabaram de comer, foram de volta para seu posto na vigilância, enquanto Alice seguiu com Julia e Bia, que eram também suas colegas de quarto, para seu próprio quarto no Ninho. No fim, restaram apenas Cleo e César na mesa, conversando e rindo um com o outro.
– E então, Cleo — Começou César — Algo novo desde que saí?
– Um casal novo de irmãos chegou no Ninho ontem — Disse Cleo — Aqueles loiros lá do outro lado.
– Vou dar boas vindas à eles — Disse César, levantando-se da mesa e sorrindo para Cleo, em seguida, foi até os irmãos na mesa deles.
César achava que eram gêmeos, ambos tinham pele bem clara, olhos azuis fortes e cabelos loiros claros. Eles sorriram ao ver César se aproximar. Ambos se levantaram, o garoto tinha cabelos até os ombros, meio pro lado na testa, usava uma blusa de manga comprida branca, com um jeans preto e Vans nos pés. A garota tinha cabelos longos até a cintura, usava uma blusa branca com a bandeira dos antigos Estados Unidos nela, o que era estranho, não costumavam fabricar mais blusas com bandeiras antigas, ou mesmo estampas, ela mesmo devia ter feito a camisa, usava leggins pretas e Vans nos pés assim como o garoto.
– Olá, meu nome é César — Começou César — E soube que vocês chegaram enquanto eu estava fora e vim dar as boas vindas.
– Ah, olá — Disse o garoto, seus olhos azuis eram extremamente penetrantes, à ponto de deixar César desconfortável. — Me chamo Caio. Essa é minha irmã, Laura
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