A Sexta Guardiã
5 Capítulo 4 - Mais um guardião?!
Notas iniciais
Capítulo 4 — Mais um guardião?!
– Eu já disse que é Angie! — exclamei, dando um tapa na cabeça de Jack.
E então eu me virei para os outros guardiões. Eles estavam extremamente surpresos. Não era de se espantar, eles conheceram meu pai quando ele tinha a metade da minha idade.
– Seu pai?! — perguntou Fada, parecendo finalmente sair do transe do choque.
– Será que todo mundo terá a mesma reação quando souber?! — perguntei ironicamente para Jack, que riu. Isso porque não sabia o quando ele ficara engraçado quando fizera a mesma pergunta.
– Como você pode ser filha dele?! — exclamou Coelhão, ainda surpreso, mas rude à sua maneira.
– Talvez vocês demoraram um pouco demais. — eu disse, inconformada com todo o showzinho que faziam pelo simples fato de serem desatentos. — O tempo passa se vocês não sabem!
Norte se aproximou de mim e começou a analisar minhas feições.
– Acho que pode ser filha de Jamie sim, vocês têm as mesmas sardas.
Bufei, frustrada. — De tudo o que herdei do meu pai, vocês vão falar justo das sardas?!
E eles começaram a discutir, a falar todos ao mesmo tempo. Menos Sandman, é claro. A única coisa que eu conseguia entender era que Coelhão reclamava que eu conseguia ser pior que Jack e que só os atrapalharia por ser humana, Norte tentava ver os prós e contras sobre minha ajuda, Fada dizia que poderia tentarem, já que Jamie estava indisponível, e Jack discutia com todos eles, dizendo que era justamente por ser filha de Jamie e ser uma adolescente que ainda acredita que eu possa ser de grande ajuda.
E Sandman, o pequeno grande homem, estava ao meu lado, apenas observando aquela discussão com cara de tédio. Ao que parecia, era uma coisa bem comum entre eles. Até que algo de repente chamou sua atenção. Olhei em volta, procurando por uma fonte razoável, mas nada vi. Quando olhei de novo para Sandman, ele já não estava mais ao meu lado — estava ali no meio da discussão, fazendo vários símbolos de areia dourada sobre sua cabeça, tentando dizer algo aos guardiões. Que simplesmente o ignoraram. Resolvi ajudá-lo.
– Sandy! — chamei-o e ele veio até mim, sorrindo como se pedisse ajuda. — O que foi, Sandy? — perguntei, ajoelhando-me para ficar à sua altura.
Ele fez vários símbolos diversos sobre sua cabeça com a areia dourada, gesticulando largamente. E eu não entendia nada que ele quisesse dizer.
– Foi mal, amigão, mas não estou entendendo muita coisa... — eu disse, me desculpando.
E então Sandman sobrevoou à minha frente, fez o símbolo de uma lua minguante, e fez uma seta apontando para uma abertura no teto irregular, onde eu vi a lua cheia com um brilho azul incomum, que começava a iluminar o chão próximo à discussão fervente que acontecia entre os outros quatro. Sorri encorajadamente para Sandy, e fui até lá. Tentei chamar a atenção deles, mas não tive muita mais sorte do que o homenzinho dourado. E o que me faltava era uma boa dose de extremo. Peguei meu celular, e coloquei uma música de AC/DC no volume máximo, o que bastou para chamar a atenção até mesmo dos duendes que estavam à nossa volta fazendo baderna.
– Mas que droga foi essa?! — reclamou o Coelhão, dobrando suas orelhonas como se as protegesse do barulho.
– Nunca ouse dizer que "Back in Black" é uma droga! — rosnei para ele, que se encolheu, e então eu me virei pros outros. — Sandy estava tentando chamar a atenção de vocês pra lua que está brilhando e eu não tenho ideia do que seja!
– Ora, por quê não disse antes?! — perguntou Norte e eu revirei os olhos.
Todos então se viraram para a lua cheia, e o brilho azul iluminou o chão — e todos se juntaram ao redor dele.
– Ah, o Homem da Lua! — exclamou Norte. — Sabemos que o problema é a volta de Breu, mas o que poderemos fazer? Angeline pode nos ajudar?
Eu estava encantada demais com aquele brilho para ficar irada com ele me chamando de Angeline. Um dos grandes ladrilhos começou a se deslocar no chão, e uma pedra gigante que me lembrou safira, subiu aos poucos, sendo iluminado pelo brilho lunar e refletindo pelo grande salão.
– O que está acontecendo? — perguntou Jack, confuso e encantado.
– Outro guardião?! — perguntou Fada ao Norte.
– Parece que apenas a ajuda de Angie não será o suficiente... — comentou Norte, coçando o queixo, pensativo.
– Ora essa! — reclamou Coelhão, indignado. — Mais um?!
E a luz azul iluminou a safira por completo, e foi enfraquecendo até ser apenas uma coluna vertical. E uma imagem desfocada onde havia a safira. Era uma garota, com asas de anjo. Mostrava-se apenas a partir de seu tronco, e estava de cabeça baixa, impedindo-nos de avaliar seus traços. Mas, de alguma forma incrivelmente sobrenatural, eu me senti familiarizada com seus ombros caídos de modo despojado, e os cabelos ondulados até que caíam sobre os ombros. Se houvesse mais algum detalhe sobre aquele ser magnífico rodiado apenas pela luz azulada, eu poderia dizer que até a conhecia.
– Uma garota?! — disse Coelhão, com ar de desprezo.
– Alguém a conhece? — perguntou Fada e Sandy balançou a cabeça negativamente e logo depois ficou pensativo.
– Não importa quem seja, vamos encontrá-la! — exclamou Norte animadamente. — Minha pança irá dizer-me o momento certo em que ela aparecerá!
Eu fiz uma careta ao ouvir isso, mas Jack riu ao meu lado.
– Lá vem você com essa sua pança de novo! — reclamou o Coelhão. — Olha lá o que vai nos arranjar, da última vez tivemos que aguentar esse aqui! — e apontou para Jack.
– Opa, vocês precisavam de mim! — defendeu-se ele, e os dois começaram a discutir.
E eu já estava tão cheia de discussões que quase dei graças a Deus quando meu celular começou a tocar o som estridente de "Carry On My Wayward Son". Quase; pois logo depois a atenção de todos os cinco guardiões estavam em mim. Peguei meu celular no bolso do casaco, e fiz uma careta quando vi escrito "casa" no visor. Será que acontecer algo tão importante para Lily me ligar? Virei-me costas, procurando uma ilusão de privacidade, e atendi.
– Alô?
– Filha! Graças a Deus!– ouvi a voz da minha mãe do outro lado da linha, e pelo tom que usava alguma coisa realmente errada estava acontecendo.
– Mãe? Mãe, o que aconteceu?
– É o seu pai.– ela disse, e repentinamente eu vi toda a minha vida desabar. Se era algo com papai, e ela estava chorando, nada de bom vinha aí. E foi o que constatei segundos depois. — Ele sofreu um acidente grave.
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