Notas iniciais
Oii lindos de bonitos

Meu nome é Lauren Pierce, tenho dezesseis anos, sou uma desertora. O exercito rebelde me procura, e para me salvar eu me casei. Se algum rebelde descobrir onde estou, levo eu e todos ao meu redor para a sepultura. Agora eu me pergunto, eu quero mesmo me casar e ter a promessa falsa de sempre viver segura de tudo e de todos, ou viver em constante angustia, mas com a verdadeira certeza de ter uma pessoa que morreria por mim?

– Você gostou?- Galeso perguntou. Ele puxou meu cabelo para o lado e fez um trança. Fizeram a maquiagem mais leve que podiam de acordo com minhas instruções e me colocaram em um vestido de baile tomara que caia marrom escuro, com varias pedras pretas espalhadas em espiral, dando a inpressão que eu era um cisnei negro.

– É claro que sim, você fez um ótimo trabalho. – disse olhando para baixo, queria Loras aqui comigo. Galeso ergueu meu queixou e deu um meio sorriso.

– Que expressão melancólica é essa em seu rosto tão lindo? Me de um sorriso para eu saber que você não está mentindo. – ele fez uma careta de desapontamento e eu não tive como não rir dessa cara.

– Agora mantenha esse sorriso pelo resto da noite!

Brienne falava a alguma coisa que me lembrou um radio, e ela estava gritando com o aparelho, dizendo que eu não tinha recebido os champagne a tempo. Olhei no relógio em meu pulso, e já estava marcando quase nove horas. Brienne disse que o rei e a rainha não são conhecidos pela sua pontualidade, mas que hoje eles estariam no horário certo para nos dar as boas vindas, e que não seria muito cortes da nossa parte os fazermos esperarem.

– Brienne, venha aqui. – Brienne me fuzilou com os olhos – por favor?

– Assim esta melhor, nunca se esqueça de agir com polidez. O que foi?- ela perguntou enquanto dava algumas batidinhas no cabelo para garantir que estava no lugar. Brienne usava um vestido longo de ombro único, na cor prata, e seu cabelo curtinho foi puxado para trás, deixando uma franja muito cheia e bem colocada.

– Por que você estava pedindo champagne se vamos ter um monte na festa de hoje?- me parecia meio estúpida a idéia de já ir bêbada para a festa. Brienne mordeu o lábio – que estava praticamente tingido de vermelho – e sorriu discretamente.

– Você tinha que dar um presente para o príncipe, demonstrando a sua gratidão, pela hospitalidade e pela escolha. Imaginei que já que vocês vão se casar... Que você pudesse dar uma noite de presente para ele, se é que me entende.

Meu queixo caiu. Quis gritar as piores ofensas, mas tinha que agir de acordo com o sistema – haja com polidez – e suspeitava que Brienne me deixasse de castigo se as fizesse. Talvez eu devesse fazer isso mesmo e ela me proibir de ir ao baile. Senti os olhos de Galeso em mim e me virei para ele. Ele fez um não discreto com a cabeça e abaixou os olhos azuis.

– Você espera que eu chegue e pergunte se ele quer ter uma noite de puro sexo comigo? Por que eu já não vou pelada mesmo e já abro as pernas para ele dizendo “Ei, esse é o meu presente, espero que goste!”, não espere, por que eu não levo você junto para que ele fique mais que satisfeito?!

Brienne ficou chocada, e Galeso riu. A equipe de maquiagem ficou calada e as camareiras que organizavam o quarto pararam e ficaram de queixo caído. Brienne me encarou, esperando que eu falasse alguma coisa, mas eu apenas fiquei a fuzilando com os olhos.

– Você não está agindo com o protocolo, e é melhor que você comece a parar de ser tão puritana. E se você falar comigo assim de novo, eu não serei mais a sua assistente. – ela disse tentando ser o mais ameaçadora possível, mas com sua voz aguda só a deixou parecendo uma criança brigando com a mãe por não querer comer os vegetais.

– O problema não sou eu ser puritana, o problema é eu agir como uma prostituta. E você não precisa mais se incomodar, eu te dispenso. Pode ir embora, Brienne!

E se todos na sala podiam ficar mais chocados do que já estavam, eles conseguiram. Brienne começou a gritar ofensas quanto à minha educação, dizendo que “Os nortenhos são selvagens como parecem ser!”. Ela abriu a porta e a chutou atrás de ci. Galeso e todos os outros no quarto ficaram em silencio, sem saber o que falar ou fazer. Olhei meu relógio e vi que faltavam dez minutos para as nove. Olhei para Galeso e estendi meu pulso para ele, mostrando o relógio.

– Falta mais alguma coisa, estamos atrasados!

– Só o seu perfume. – ele pegou um frasco que estava sobre a mesinha e espirrou o conteúdo em mim, tinha cheiro de frésias e laranja. Olhei-me no espelho, estou linda o bastante para afrontar minha vergonha.

– Galeso, o que eu devo fazer quando eu chegar?

– Eu irei acompanhá-la! Sou amigo do príncipe herdeiro, e tenho certeza que ele entendera.

Assenti e ele me ofereceu o braço, cruzei meu braço com o dele e então seguimos até o salão de baile. Muitas pessoas me cumprimentavam quando eu passava, e outras faziam uma reverencia. Uma coisa que eu notei era que todas as mulheres usavam coroas de flores na cabeça, e que os homens usavam flores no palito. Todas as escadarias estavam decoradas com trepadeiras e foram penduradas varias flores nas paredes. A iluminação estava meio fraca, o que dava um ar mais romântico.

Quando chegamos ao salão de baile, percebi de onde a palavra “fabuloso” foi originada. Todos os papéis de parede eram dourados como os do meu quarto, vários móveis muito elegantes estavam espalhados pelo enorme cômodo. Varias pétalas de rosa estavam espalhadas pelo chão e havia uma banda tocando no meio do salão. E foi então que os vi.

A família real estava em cima de um pedestal. O rei e a rainha estavam sentados em seus tronos e os príncipes e princesas sentavam a esquerda da rainha. Galeso cutucou minha costela com o cotovelo, e apontou com a cabeça para o primeiro príncipe que estava sentado do lado da rainha. Tentei olhar, mas a iluminação fraca não me permitia, mas pude notar que seus olhos me fitavam. Notei que Kyla e Kendra estavam indo ao encontro deles, então apressei o passo para me juntar a elas. Percebi que suas assistentes não estavam lá, mas então quando nos aproximamos o próprio rei se levantou e mandou que a música parasse. Todas as cabeças viraram para ele e todos ficaram em silencio.

– Hoje nós celebramos o noivado dos meus três filhos, Damien, Elijah e Forrest. Gostaria que vocês todos compartilhassem esse momento tão especial para mim, minha esposa, meus filhos, e é claro, para nossas senhoritas. – disse o rei, com sua voz grossa e pomposa. Ele era alto e meio cheinho, tinha cabelos ruivos que foram penteados para trás e uma barba rala. Todos aplaudiram então a rainha se levantou e começou a falar:

– Minhas futuras filhas somos com prazer que as recebemos, nós tomaremos conta de vocês daqui em diante, e suas famílias serão convidadas a participar da corte. Agora como o protocolo pede, serão apresentadas do mais novo até o mais velho. Kyla Brown, de dezessete anos, do Sul. – Kyla deu um passo à frente e sorriu. Seu vestido era azul com varias pedra, como me dissera. – você irá desposar com meu filho mais novo Forrest, de 17 anos.

Kyla sorriu tanto que senti por suas bochechas. Forrest, que era ruivo e tinha olhos verdes, abriu o mais doce dos sorrisos e estendeu sua mão para a nova esposa, e quando Kyla a segurou ele a puxou para um beijo, pegando Kyla e todas nós de surpresa.

– Kyla, — Forrest começou a falar com sua voz rouca e sem fôlego. – eu a tomo como minha futura esposa.

– Kendra Bell, de dezenove anos, do Sul. – a rainha continuou. Kendra de um passo a frente. Seu vestido dourado e sua juba loira a fizeram parecer com uma leoa. – você irá desposar com meu filho do meio Elijah, de 18 anos.

Elijah se levantou e estendeu a mão para Kendra, que pareceu ter guardado a petulância na gaveta hoje, pois ela estava com um sorriso enorme estampado. Elijah se obteve a apenas beijar a mão de Kendra. Mais cortes, como Brienne teria usado.

– Kendra, — Elijah falou com uma voz sedutora, com um sorriso discreto nos lábios. – eu a tomo como minha futura esposa. – ele beijou novamente a mão de Kendra. Reparei em Elijah, ele era alto como o pai e o irmão, tinha olhos azuis e cabelos louros como o da mãe, mas eles estavam presos em um rabo de cavalo, então supus que devessem estar na altura dos seus ombros largos.

Agora seria o meu momento, pensei. Eu seria a única da corte com o sobrenome que começava com P, pois todos do Sul têm o sobrenome com a letra B. Eu seria a mais nova a se casar com o mais velho. Eu seria a intrusa. Será que iriam me vaiar?

– Lauren Pierce, dezesseis anos, do Norte. – a rainha me convocou. Eu dei um passo à frente, e senti meu coração disparar quando ouvi murmúrios sobre mim. – você irá desposar com meu filho mais velho, o herdeiro Damien, de 19 anos.

Não vi mais nada, apenas vi uma mão estendida para mim, então segurei essa mão. Percebi que minha expressão, qualquer expressão no me rosto era nula, nem um sorriso torto eu tinha nos lábios, só tinha olhos grandes fitando a mão de meu futuro esposo. Todas sorriram, eu devia sorrir, eu estou me casando com o herdeiro, eu serei rainha, eu terei poder, estou no auge do meu verão, então por que sinto esse maldito frio?

– Lauren, — disse uma voz doce e tímida, tão aveludada que posso sentir a textura em meus ouvidos. – eu a tomo como minha futura esposa. – ele levou minha mão aos seus lábios e a beijou, pude sentir o macio de seus lábios.

Levantei meu olhar aos pouco e então eu o vi. Lábios que pareciam ter sido desenhados, covinhas em cada lado das bochechas, olhos tão azuis quanto o céu. Seu cabelo era liso e ficava meio jogado para trás, e sua cor não era um louro exatamente, mas um castanho claro. Ele parecia assustado com a situação, pois pude sentir isso através da pulsação em suas mãos. Ele me tomou em seus braços e encostou os lábios delicadamente nos meus. Não sabia se seria vulgar ou certo retribuir o beijo, então por via das duvidas eu fiquei parada. Quando nossos lábios se separaram e nossos olhos se encontraram novamente, pude voltar para o mundo real. O que pareciam ter sido minutos, na verdade, foram segundos.

– Uma salva de palmas para eles!- o rei comandou, e então uma enxurrada de palmas foi começada, e então a musica voltou a tocar. Os príncipes nos levaram para o meio do salão, e começamos a dançar uma musica tranquila e suave. Olhei para Kyla, que ria até não poder mais com o noivo, e para Kendra, que já estava com a cabeça apoiada no ombro do novo noivo.

Acho que Damien percebeu o meu constrangimento então deu inicio a dança. Tentei não olhar nos seus olhos, mas eles pareciam ímãs, e quando nossos olhares se cruzavam, nos desviávamos rapidamente o olhar. Ficamos assim, sem nem trocar uma palavra um com o outro por três musicas, quando a rainha e o rei apareceram.

– Muito prazer em te conhecer, querida! Meu nome é Ivy Bekaham. – a rainha disse me dando um abraço. Notei que ela falava de um jeito meio engraçado, tranqüilo e solto, provavelmente resultado dos soníferos.

– Olá minha querida, meu nome é Apollo Bekaham, seja bem vinda! – o rei me deu um abraço apertado. O rei tinha um jeito bom que me deixava confortável.

– O prazer é todo meu em conhecer vossas majestades! Queria lhes agradecer por sua hospitalidade, todos têm sido muito gentis comigo. – fiz uma pequena reverencia e depois me lembrei sobre a regra do sorriso. O rei e a rainha assentiram, e a rainha passou a mão em meus cabelos.

– Se deve agradecer alguém pela hospitalidade que está tendo, agradeça a Damien, foi ele que a proporcionou tudo isso. – a rainha falou. Seu cabelo comprido e ondulado dançava quando ela se movimentava, e seu vestido branco com perolas dava a impressão que ela não era real, uma imaginação nascida da luz.

Eles nos deixaram a sós então me virei para Damien, começando a dançar novamente. – Muito obrigado, foi muito gentil. – disse de soslaio. Damien deu de ombros.

– Hospitalidade é o mínimo que devo proporcionar para minha futura esposa. Quero dar o mundo para você, então se sinta tentada a me pedir qualquer coisa. Vamos, me diga algo.

Ponderei e dei um sorriso torto. – Podemos parar de dançar? Temo que eu tenha calos no final da noite.

Damien parou e ficou abismado, com os olhos arregalados. Comecei a rir e ele me acompanhou. – Graças aos céus, já estava ficando louco!- ele disse entre as gargalhadas. Olhei para Kendra, que estava perto demais de mim. Seu olhar em mim me dava à sensação de que ela estava me queimando em seus pensamentos, e quando Damien me ofereceu o braço, passei o meu de bom grado no dele, ainda dando um sorrisinho malicioso para Kendra.

Não entendia todo o ódio de Kendra sobre mim, realmente não entendia. Se fosse uma intrusa, como eu suspeitava que fosse, nem o rei ou a rainha teriam sido gentis comigo, mais que isso Damien nunca teria me escolhido. Então para que tanto ódio?

– Você não fala muito, não é mesmo?- Damien disse me arrancando dos meus pensamentos. Arregalei os olhos e olhei para ele. Gosto de falar com pessoas de que eu gosto, pensei.

– Acho que eu sou meio perdida em pensamentos, ham... Alteza. – disse, me atrapalhando um pouco sobre como eu deveria me dirigir a ele. Brienne foi muito descuidada, em vários termos como este, seu único lema era “haja com polidez”, então ia seguir isso até que alguém me disse algo novo. Damien pareceu ponderar um pouco antes de falar, mas prosseguiu.

– Suponho que você tenha muito a pensar. Algo te aflige?- perguntou demonstrando preocupação. Damien não se mostrou ser a figura que eu tinha imaginado em minha cabeça, um homem vaidoso e volúvel, não. Ele se mostrou ser gentil e até mesmo meio inseguro, algo que não seria esperado do futuro rei.

O que mais me aflige? Rebeldes, minha morte, a morte de meus pais, a morte dos meus irmãos, alguém descobrir que fui parte do exercito rebelde do Norte, rebeldes me encontrarem...

– Eu não escolher o sapato certo. – disse com certa ironia. Damien riu, mas não o bastante, então ficou calado por todo nosso trajeto. Ele me levava para os jardins do fundo, cumprimentando varias pessoas que passavam por ele, e quando nos aproximamos das gigantescas portas de vidro que levava para os jardins os guardas a abriram, então senti a brisa fresca vinda do mar.

Nós caminhamos em silencio pelo o que pareceram ser horas pelos infinitos jardins, até chegarmos a um precipício, onde eu podia ver o mar lá embaixo. A visão era linda, era... Era indescritível, a vento forte vindo do mar passava em meus cabelos, e eu me senti grande, eu me senti o rei do mundo. Olhei para Damien, ele estava calmo e respirava fundo, estava com os braços para trás e talvez até um pouco travado.

– E você também não se movimenta muito, não é mesmo?- disse para ele, tentando soar o mais claro possível, pois os ventos eram muito fortes. Ele riu ainda fitando o horizonte azul, tentando encontrar as palavras certas, mas de algum modo, o silencio era certo a se fazer, qualquer palavra poderia estragar a paz de espírito criada. Ele se sentou em uma roxa e eu me sentei ao seu lado. Ele apoiou os cotovelos nos joelhos, relaxando os músculos.

– Eu sei o que você deve estar pensando. – ele começou com a voz soando alta. Franzi o cenho. Sua voz estava meio arrastada, e o veludo sumia e dava lugar a rouquidão.

– No que eu estou pensando?

– Que eu não me pareço com um rei... – disse abaixando a cabeça, em total negação com si mesmo. Sacudi a cabeça. Estava tão obvio assim?

– Você ainda não é um, você não precisa se preocupar com isso agora.

Ele ponderou um pouco, mas continuou em silêncio. Pela tensão em seu maxilar suspeitei que ele tentasse falar, mas as palavras não saiam de sua boca, então ele virou a cabeça para mim, e ficamos nos encarando por alguns segundos.

– Eu não me pareço com um rei, pois não deveria ser um. Eu não sou o filho mais velho, o verdadeiro herdeiro, meu irmão Audrey, morreu há três anos atrás. Dizem que ser o filho do meio é o pior de tudo, pois você sempre será ignorado, mas isso não é verdade. Ser o segundo filho sempre vai ser pior, não importa o que. Quando meu irmão morreu, meu pai ficou louco, e jogou todas as pragas que podia em cima de mim. De todos os filhos que ele já teve, eu nunca fui seu predileto, eu era o único que ele ignorava.

Isso sim era um choque. Posso imaginar como deve ter sido para todos. Às vezes imagino a morte de Loras, e só de imaginar meus olhos já enchem de lagrimas. Devia ser por isso que a rainha tomava tantos soníferos, eles fazem você esquecer certas coisas.

– Como foi que ele morreu? – sussurrei. Damien limpou uma lagrima que havia escapado e respirou algumas vezes.

– Ele teve leucemia, e quando foi identificado já era tarde demais. Puxa ele sofreu tanto! Ele ficou um ano em uma maca, sofrendo a cada dia que passava. – sua respiração ficou mais pesada. – eu lembro que ele pedia para mim e para Elijah o matarmos, pois ele não aguentava mais, mas nosso pai não permitia uma coisa dessas e ele... ele... – Damien se desfez em lagrimas.

Ele apoio a cabeça entre os joelhos, as costas arqueadas tentando respirar em meio aos soluços. Queria ser capaz de fazer toda a sua dor ir embora, mas não queria ceder e ser a noiva boazinha, não queria que ele pensasse que ele é bem vindo, mas nunca fui boa de ver pessoas sofrendo, de modo que comecei a pensar em modos de como o reconfortar. Mas como? Colocando um braço em seus ombros? Quantos anos é preciso para se esquecer um instante?

– Você é irmã mais velha?- Damien perguntou entre os soluços. Afirmei com a cabeça.

– Eu tenho um irmão gêmeo chamado Loras, e uma irmãzinha chama Zuzete.

– Vocês, — pigarreou – sua família se ama, não importa o que?- ele perguntou. Pensei nisso. É claro que todos tinham nossas diferenças, e que Loras e meu pai tinham mais que diferenças, mas na hora H, todos nós nos protegíamos.

– Temos nossas diferenças, mas sim.

– Vocês têm muita sorte então. – ele disse, e voltou a esconder seu rosto entre seus joelhos.

O baile acabaria às cinco horas da manhã de sábado, mas pretendia ir para o meu quarto muito mais cedo que isso. Após a história trágica de Damien, ele ficou chorando por mais uma meia hora, e quando percebeu que isso não nos levaria a lugar nenhum, ele me deu permissão para sair de lá. Queria dizer alguma coisa, fazer alguma coisa, mas tudo o levaria a pensar que ele poderia contar comigo, o que ele definitivamente não podia então simplesmente me levantei e caminhei até as portas dos fundos.

Tive medo por ele ficar a beira do precipício, tão sozinho no meio da noite, então pedi para que os guardas ficassem de olho nele. Voltei para o grande salão, a fim de conversar com alguém novo, mas todos estavam bêbados, – ninguém mais do que a rainha e o rei – ou já estavam em sua roda de amigos. Estava pegando um pouco de ponche na poncheira quando senti alguém puxar a bainha do meu vestido. Olhei de soslaio e não vi ninguém, então quando me virei completamente vi uma garotinha de cabelos ruivos e ondulados, com enormes olhos verdes, num vestido idêntico ao da rainha.

– Você ainda não me conhece!- a pequenina falou com sua voz aguda. Ajoelhei-me ate ficar a sua altura e dei um sorriso.

– É porque ainda não fomos apresentadas. Qual é o seu nome?

– Meu nome é Eva, Eva Bekaham, e o seu?

– Meu nome é Lauren, Lauren Pierce. Você por acaso seria minha nova cunhada?- eu disse dando um beliscão em sua bochecha. Eva tinha as mesmas covinhas que Damien, mesmo quando não estava sorrindo. Eva pegou minha mão e a sacudiu.

– Muito prazer!- ela pegou minha e eu me levantei então ela me puxou para sairmos de lá – Eu quero te mostrar as minhas bonecas. – ela disse me levando para o salão principal. Mordi os lábios e parei de andar, me ajoelhando novamente.

– Eva, eu sinto que eu estou muito cansada e eu pretendia ir dormir logo, então podemos deixar isso para amanha?- perguntei tentando ser clara. Eva de ombros e começou a saltitar de volta ao salão de baile, sacudindo os cabelos ruivos atrás de si.

Ri comigo mesma e segui caminho para as escadas. O palácio era enorme, e estava surpresa por ainda não ter me perdido, mas até que seus pontos me eram reconhecíveis, de modo que seus quadros mudavam a cada corredor, andar ou sala. Vi Galeso no alto da escada, conversando com um homem de grossos cachos loiros. Quando me viu, ergueu a taça em suas mãos e sussurrou “viva a vida”, então pegou o homem pelas mãos e saiu correndo aos risos com seu parceiro.