Notas iniciais
Pras safadas aqui da historia vou lançar pra elas. HOEHEO espero que gostem beijos :*

– Alguma sorte hoje?- Kyla perguntou, sacudi a cabeça em desapontamento. Já fazia duas semanas desde o baile, e o casamento estava marcado para daqui uma semana, então todas as noivas deveriam ligar para que seus familiares, e garantir que eles viriam no dia. Desde a manhã do baile eu tenho tentado ligar para eles, mas estava sem sorte, e já estava perdendo as esperanças. Virei-me para Alexia, a assistente de Kyla que virou minha nova assistente também após meus desentendimentos com Brienne.

– Não podemos mandar alguém falar com eles pessoalmente? Já estou ficando preocupada. – eu disse tentando relaxar a expressão o máximo possível. Outro dia no salão das mulheres, eu estava vendo o noticiário local no enorme projetor quando uma reportagem sobre os rebeldes me chamou a atenção, então eu estava desde então tentando tirar o pensamento que os rebeldes podiam estar envolvidos nisso, mas todos os meus por quês sempre os levavam até eles.

– Acho que isso seria possível sim, mas só em casos extremos, como faltando três dias para o casamento. – Alexia disse. Ela era uma das únicas da corte que não era do Sul. Alexia era do Centro, e tinha um sotaque lindo de se ouvir, um sotaque romântico como as musica românticas mais populares era do Centro.

Assenti com a cabeça, mas mesmo assim estava preocupada. Kendra teve o mesmo problema, pois seus pais não tinham um telefone e teve que receber a mesma resposta que eu recebi. Mas Kendra, esperta como sempre, pediu para que Elijah a mandasse para casa, apenas na pretensão de se fazer uma visita rápida, convocando seus familiares para o casamento. Talvez pudesse persuadir Damien a me deixar visitar a minha família também.

– Talvez eu pudesse pedir para Damien me deixar os convocá-los pessoalmente, como Kendra fez. – disse arqueando uma das sobrancelhas. Alexia discordou.

– Isso está fora de cogitação. Você é nossa herdeira, muitos te amam agora, mas muitos a odeiam também. O príncipe teria que colocar uma comitiva de segurança atrás de você. O rei nunca permitirá. – Alexia disse. Fechei a cara, isso já era sacanagem, mas não custava tentar. Alguém bateu à porta repetidas vezes, então me levantei para atendê-la. Forrest segurava um buquê de rosas e um sorriso que chegava até os olhos verdes. Eu o abracei e ele me deu um beijo na bochecha, mas depois franziu o cenho.

– Lauren minha doce, você não deveria abrir a porta, é perigoso. – ele me censurou. Assenti e o convidei para dentro. Kyla veio correndo em sua direção e se atirou em seus braços, mal reparando no buquê de rosas.

– Olá, meu amor.

– Bom dia, querido. – Kyla disse. Eles se beijaram de uma maneira tão terna que me fez virar a cara e Alexia pigarrear. No final das contas Kyla tinha se dado bem, as únicas em situação critica eram eu e Kendra. Por mais que Elijah tivesse dado tal liberdade para Kendra visitar seus pais, eles mal se falavam. Não que Kendra ficasse chateada com a ausência do noivo, pelo contrario, Elijah recompensava sua ausência com jóias caras e pesadas, então Kendra não era de fato esquecida.

Já eu era uma historia totalmente diferente. Damien me ignorava de todas as maneiras possíveis, do jeito que eu tive que procurar saber dele às vezes. Pensei que depois de ele ter me contado sobre sua trágica historia isso nos aproximaria de uma forma incrível, pois mostraria que temos confiança um no outro, mas só pareceu que nos afastou. Todos nós – membros da família real – fazíamos todas as refeições juntos como o protocolo pedia, mas mesmo assim ele não me dava atenção. Ele sempre chegava atrasado, de modo que ele sempre pegava a cadeira mais distante, e eu suspeitava que ele fizesse isso de propósito. Imaginei que ele me traria algum presente, ou o mandaria através de alguém, mas essa idéia também veio a calhar. Olhei novamente para Kyla, que ainda estava no meio de seu beijo. Eu a invejei com todas as minhas forças, mas também não desejaria isso para ela. A rejeição era dura demais para qualquer um.

Não que eu estivesse totalmente desolada por ele me ignorar, pois eu mesma estava fazendo isso com ele, mas mesmo assim eu era egoísta e vaidosa. No fundo todos nós somos assim, e só quando percebemos a falta é que nos damos conta do valor.

– Eu vim te chamar para dar um passei a cavalo comigo, mas vejo que você tem companhia. – Forrest finalmente falou, olhando para mim. Kyla deu de ombros e apoiou a cabeça em seu peito.

– Eu adoraria cavalgar com você — olhou para mim e sorriu -, e eu adoraria a sua companhia, Lauren.

– Imagina, esse momento é de vocês! E eu não tenho permissão para sair do meu quarto desacompanhada. – eu disse sem graça, usando as mãos para ser mais expressiva. Outra regra de Damien, quando ele percebeu que eu iria continuar a persegui-lo ele mandou que eu ficasse no meu quarto e só saísse com sua companhia, uma “norma de segurança”. Forrest mandou eu me calar com seu sorriso zombeteiro.

– Isso não é um pedido, Srta. Lauren. Eu estarei a acompanhando, e receio que meu irmão não está lhe dando a atenção que você merece.

– Bom, se você insiste tanto, então vou ter que aceitar. – eu disse, jogando os braços para o lado em desistência. Kyla juntou as mãos e deu um gritinho animador.

– Nos dê licença agora, meu querido. Eu e Laur vamos nos aprontar, estaremos prontas em vinte minutos. – Kyla disse, dando um beijo rápido em seus lábios. Ri do jeito que Forrest ficou, indignado por não ganhar mais beijos, e Kyla teve que praticamente o arrancar do quarto. Kyla ria tanto que nos contagiava, então não pude deixar de rir também.

– Ele é maravilhoso. – Kyla disse mordendo os lábios.

– É claro que é. – Alexia concordou com certa arrogância.

Nos aprontamos na velocidade da luz, ajustando o justilho e calçando botas, colocando grossos casacos e fazendo tranças no cabelo uma da outra. Me surpreendeu ver Forrest aos pés da escada, esperando Kyla como um verdadeiro príncipe. Tentava não bufar, não queria insinuar minha inveja, mas aquilo estava demais, de modo que segui em frente, só com meus instintos como guia.

No final encontrar o estábulo não foi tão difícil. Ele ficava nos jardins da frente, praticamente do lado do palácio, e o barulho dos relincho também é reconhecível. Quando entrei no lugar, fui surpreendida por Damien, que escovava um cavalo preto. Ele estava com olhos calmos e com os ombros relaxados, usava uma camiseta pólo branca e uma calça bege de cavalgada com botas pretas que chegavam até os joelhos. Totalmente diferente do homem travado que conheci no baile. Quando ele notou minha presença me fuzilou com os olhos, parando de escovar o cavalo. Toda a sua paz de espírito foi embora, e eu quis gritar o porquê de tudo aquilo, mas me contive.

– O que você está fazendo aqui? Você não tem permissão para estar aqui. – ele disse quase que cuspindo as palavras. Sua cara incrédula era demais para mim. Estava a ponto de lhe agredir quando Forrest apareceu, todo pomposo como sempre.

– Ei, olha quem está aqui!- ele saldou o irmão com um abraço. Damien o empurrou e o pegou pela gola da camisa, apontando para mim.

– O que ela faz aqui? Eu mandei deixá-la no quarto. – Damien quase gritou. Devia sentir as lagrimas descendo pelas bochechas. Minha mãe sempre disse que a fraqueza de um homem é o choro de uma mulher. Mas no momento, qualquer sentimento fugiu-me o rosto. Estava tão serena como se tivesse acabado de sair de um banho relaxante. Ele acabou de me referir como um objeto?

– Me desculpe Damien. Kyla estava com ela, e seria grosseria de minha parte não convidá-la. Kyla me disse que ela tem andado muito sozinha. – Forrest disse como uma suplica, mas o irmão não estava verdadeiramente bravo com ele. Damien apenas acenou para alguém e em menos de um minuto um oficial apareceu, todo atrapalhado e já elevando a mão acima da têmpora.

– Quero que escolte a Srta. Lauren para o seu quarto, imediatamente. E diga para os guardas que eu falo serio quanto que ela não deva sair do quarto até segunda ordem. – Damien disse sem tirar os olhos de mim por um segundo. Ele estava com ódio, de que eu não fazia ideia, mas seu ódio radiava como o sol lá fora.

O oficial encostou as mãos em meus ombros, mas ele nem precisou de nenhum esforço comigo, apenas me virei e segui caminho para o meu quarto. Estava confusa demais para pensar, falar ou fazer qualquer outra coisa. O que eu havia feito de errado? Por que ele me odeia tanto agora? Por que me trata assim? Há poucos dias ele estava me dizendo seus segredos mais profundos. Ele se permitiu ser fraco comigo...

Então percebi que deveria ser esse o problema. Ele foi fraco comigo. Talvez ele tivesse que me mostrar sua grandeza antes que eu o desrespeitasse.

Meus olhos já marejavam enquanto subia as escadas para o meu andar, e quando entrei em meu quarto, me atirei na cama, chorando alto. Nem havia percebido que Alexia e as criadas costuravam perto da sacada. Alexia tentou me consolar, me perguntando o que tinha acontecido, mas apenas a expulsei do meu quarto, com gritos ensurdecedores.

– SAIAM DAQUI!- eu berrei – Não quero nenhum de vocês me perturbando. – eu choraminguei, atirando uma almofada na parede, que bateu em alguma coisa de vidro e o estilhaçou no chão. Só quando ouvi o som da porta se batendo que olhei para os destroços causados pela almofada. Era uma taça de cristal. Pensei em removê-la antes que alguém a visse e contasse para Damien, mas tinha esperança que isso o fizesse me mandar para casa. Não sabia o motivo do meu choro, não sabia nem o motivo por eu estar tão descontrolada.

Acho que o real motivo pela minha tristeza foi à realidade de não ser amada. Mesmo eu não amando ou mesmo nem gostando de Damien, eu queria que ele me amasse até doer, e isso não era bom.

Fechei os olhos o máximo que pude, tentando dormir em meio as lagrimas.

Um barulho me acordou no meio da escuridão. Já devia ser madrugada desde a hora que eu voltei para o meu quarto, pois percebi que não havia luz vinda das frestas da porta, o que significava que todas as outras garotas já deviam estar dormindo, e elas iam dormir bem tarde. Consegui tirar o casaco grosso e as botas em algum momento, mas mesmo assim estava com calor, os aquecedores deviam estar ligados. Escutei sons de passos vindos até mim, então me encolhi mais, temendo o que poderia ser. Os sons do pisar lamacento no chão me irritaram, as criadas ficariam o dia inteiro amanha tirando a sujeira que o individuo estava causando.

Não aguentei mais o suspense. Sentei-me em minha cama, tateando no mezanino ao lado em busca do abajur. A luz se acendeu, e lá estava Damien, meu invasor barulhento, vestindo as mesmas roupas que usara no estabulo hoje de manhã, me olhando boquiaberto.

Eu o encarei, sem tirar os olhos dos seus movimentos, enquanto ele se aproximava de mim. Finalmente ele parou em pé a minha frente. Fechou a boca e engoliu em seco. Ele ia começar a falar, mas o cortei sua fala:

– O que você está fazendo aqui?

– Achei que você merecia uma explicação. – ele disse com olhos calmos, bem diferentes do que estava comigo no estábulo. Eu arqueei as sobrancelhas com arrogância, mas isso o irritou.

– Se você vai agir assim, então espero que goste da solidão. – ele disse e virou nos calcanhares, indo em direção a porta. Não estava disposta a ser a que iria ceder, mas tudo seria melhor do que ficar trancada no quarto o tempo todo. Saltei da cama e corri em sua direção, pegando sua mão.

– Espere! Eu realmente gostaria de uma explicação. Desculpe-me por meu comportamento. — eu disse em suplica. Ele assentiu e fitou minha mão, que ainda estava agarrada a sua. Eu a soltei imediatamente, entrelaçando minhas mãos atrás.

– Eu lhe dei uma má impressão, não queria lhe causar dor nessas ultimas semanas, mas foi preciso. Me permiti ser fraco com você, e para sem sincero, não tenho idéia do que eu disse. Eu não estava sóbrio.

Os soníferos. Agora entendo.

– Não a problema nenhum na fraqueza. Ela só nos mostra quem estará ao nosso lado em tempos difíceis. – eu sussurrei com olhos baixos. Ele pareceu não se importar, assentiu e deu continuidade ao assunto.

– Não foi certo o jeito como se comportou em seus primeiros dias aqui. Brienne foi um presente, e você o recusou. Você foi indecente com ela, e suspeito que isso tenha sido de propósito. Você não reconheceu minha hospitalidade... Você me rejeitou em uma hora tão importante como o nosso primeiro beijo!- ele disse incrédulo.

Queria poder dizer todo o motivo por ter sido tão desleixada com ele, mas temia chegar ao ponto de ter que contar sobre o presente que Brienne pretendia que eu desse para ele. Queria lhe dizer que não sabia o que fazer naquela hora do beijo, mas isso também não ajudaria muito.

– Eu me senti usado, Lauren. Senti-me... Traído. Eu lhe ofereci tantas coisas sem mesmo te conhecer, e você não foi capaz de me dar nenhum presente, ou mesmo um sorriso como gratidão. Lauren eu estou desapontado. Como você iria se sentir se fosse você?- ele disse, passando as mãos no cabelo que agora estava desgrenhado.

Eu não iria obrigar uma pessoa a ficar em um lugar que não quisesse só para começo de conversa.

– E agora você me olha como se eu fosse louco! Você que é a insana da história. – ele conclui, rindo ironicamente. Franzi o cenho. Dei um tapa tão forte em seu rosto que senti o formigamento em minhas mãos. Foi uma sensação tão libertadora, mas me arrependi no mesmo momento. Damien pegou meus pulsos e os prendeu atrás de mim, enquanto eu tentava me soltar.

– ME SOLTE SEU BABACA!- eu gritei – Você que é o louco na historia. Você que me ignora, você que me ofende.

Sacudia-me, mas era em vão. Damien era forte demais, e ele já estava perdendo a paciência. Eu chutava e gritava, mas isso só o tornava mais persistente em me controlar. Quando se cansou de tentar me manter quieta, ele me liberou então agarrou minhas coxas, me jogando em cima de seu ombro.

– ME LARGA!- eu berrei. Socava suas costas e tentava acertar um ponta pé em sua cara, mas tudo em vão, ele era muito ágil. Ele me atirou em cima da cama, e subiu em cima de mim, me imobilizando. Ele conseguiu de algum modo prender meus pulsos acima de minha cabeça enquanto eu arfava com ele em cima de mim.

– Shiiiu, agora você vai me escutar. – ele disse de uma forma que me causou arrepios. Engoli em seco e tentei regularizar minha respiração que estava acelerada. Tenho medo de você, pensei.

– Por que você está aqui?- perguntou olhando febrilmente em meus olhos. Eu me mantive calada olhando profundamente em seus olhos, já podia sentir as lagrimas escorrendo pelas minhas bochechas. Merda!

– Me responda!- ele falou severamente mais alto, me causando arrepios.

– Porque eu fui obrigada! – eu quase gritei – Minha família é pobre, meu pai é alcoólatra, minha mãe adoece facilmente e meu irmão tem um mau gênio. Nem todos têm a mesma sorte que você teve, muitos passam necessidade, especialmente as pessoas do Norte! Eu jamais entraria num concurso como esse sobre consciência própria para me casar com um idiota como você!

Ele ficou olhando para mim pelo o que pareceu horas, enquanto eu arfava, já sentindo as dores de seu peso sobre mim. Finalmente consegui regularizar minha respiração e ele seguiu o ritmo da minha. Seus olhos não se desgrudavam dos meus nem por um segundo quando ele finalmente soltou meus pulsos e me levantou consigo, me sentando ao seu lado. Sua expressão estava... Desolada, como se ele tivesse acabado de perder o chão.

– Lauren... Você é minha única chance de felicidade. – ele sussurrou. Sacudi a cabeça.

– Isso não é verdade, ainda não estamos casados.

– Ser o herdeiro significa dar confiança ao povo, e não posso dar confiança a eles se não consigo manter uma mulher comigo. E minha mãe gostou de você, você nunca será deixada de lado. – ele sussurrou novamente.

Pela primeira vez desde que cheguei aqui, notei que eu não estava brincando de casinha. Meu marido iria querer que eu o amasse e ele iria querer me amar, eles não estão fazendo isso por maldade, é a única maneira de eles encontrarem seu amor, e também é o único jeito de seguir uma tradição antiquada até para o antigo mundo. Pela primeira vez eu me senti verdadeiramente mal por ele.

– O que vamos fazer agora? – eu perguntei. Ele deu de ombros, ainda devia estar em choque. Fiquei encarando os cacos de vidro que ainda estavam espatifados no chão, então senti seus dedos sem entrelaçando com os meus. Segurei firme sua mão, e por mais que isso me doesse à alma, permitir que ele apoiasse sua dor em mim.

– Você será capaz de algum dia nutrir algum tipo de sentimento amoroso por mim? – ele perguntou olhando nossas mãos entrelaçadas. Suspirei profundamente.

– Só o tempo dirá.

– Então o que vamos fazer? – foi à vez de ele me perguntar isso. Dei de ombros. O que é o esperado, pensei.

– Vamos nos casar, teremos filhos e eles crescerão saudáveis e amados. Tentarei ser uma boa rainha quando eu tomar o lugar de sua mãe. É só isso o que posso garantir por hora. – eu disse olhando em seus olhos tristes. Senti vontade de gritar com ele, nada disso teria acontecido se ele não tivesse me escolhido pela minha aparência. Eu ainda estaria com minha família, cercada de amor e de talvez uma segurança falsa, mas ainda estaria com eles.

Ele puxou sua mão para si e logo se levantou. Olhei para baixo, fitando minhas mãos. Me dei conta de que ainda usava o apertado justilho e que não tinha a mínima ideia de como tirá-lo depois e que teria que chamar as criadas para tirá-lo.

– Damien, você pode pedir para alguém chamar as minhas criadas? Ainda estou usando meu justilho.

Damien parou na metade de seu caminho, virando para mim em seus calcanhares, com um sorriso malicioso.

– Os criados já estão dormindo a essa hora, me deixei desamarrá-lo para você. – ele disse se aproximando.

– Você sabe fazer isso? – perguntei com desconfiança na esperança de que ele se desse conta de isso era uma loucura. Eu não queria que ele me visse nua.

– Eu fazia isso toda hora para a minha mãe. Eu dormia com ela até meus nove anos. – ele disse encostando-se ao meu braço. Pensei em Damien criança com bochechas rosadas e sorriso inocente. Eu cruzei meus braços bem apertados junto a mim, mas ele apenas puxou delicadamente meu braço.

– Tire a blusa, não posso desamarrar enquanto você estiver usando ela. – ele disse lambendo os lábios. Estava claro que não poderia recusá-lo novamente, como eu fiz com o nosso primeiro beijo, então a única coisa que eu poderia fazer era rezar para ele não querer me tocar.

Estava usando uma blusa de seda branca de manga comprida com um decote em V que deixava meu pescoço elegante, e uma saia longa azul escura. Comecei a desabotoar minha camisa, um por um. Ele me olhava como se eu fosse uma obra de arte, mas não havia maldade em seu olhar, era apenas um artista apreciando a obra que acabara de fazer.

Desabotoei o ultimo botão e a blusa escorregou dos meus braços, caindo no chão. Me virei para a minha cama e encostei-me nas altas colunas da cama, enquanto Damien afrouxava o justilho e aos pouco ia desamarrando.

– Nunca intendi a necessidade de justilhos, sutiãs já estão de bom tamanho. Alem do mais, justilhos fazem mal a estrutura natural do corpo. – ele disse com seu tom de voz aveludado. Gostava de ouvir sua voz, de modo que ele poderia ficar contando histórias chatas a noite inteira, enquanto eu só estaria prestando atenção a sua voz.

Senti o justilho ficando cada vez mais largo, e minha respiração mais ofegante. Por fim o justilho se soltou, e eu o segurei antes que caísse.

– Obrigado, boa noite. – eu disse me afastando dele. Ele então pegou meu cotovelo e me virou, abaixando o justilho, até que meus seios ficaram a mostra. Parei de respirar. Seria agora, pensei.

– Você é linda! – ele sussurrou, passando o polegar no meu mamilo, me criando uma sensação engraçada na pele. Cruzei os braços sobre meus seios, e dessa vez ele não me impediu, mas ele levantou meu queixou para cima com seu dedo polegar e o indicador, me fazendo olhar em seus olhos.

– Se você quiser esperar entenderei. Sou um cavalheiro e protegerei sua honra, mesmo que ela esteja predestinada a ser minha. Boa noite minha querida Lauren. – ele então beijou minha testa e se retirou do meu quarto a passos elegantes e rápidos.