A Seleção-Interativa
28 Capítulo 29
Notas iniciais
P.S: este capítulo será narrado pela America, depois do acontecido no capítulo 27.
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Acordei ás sete, de acordo com o relógio da cabeceira, e havia conseguido uma dor de cabeça horrível pela noite. Minha cabeça latejava doidamente, como se alguém tivesse jogado um martelo em cima, e mal sabia onde estava. Digo, mal sabia que lugar era aquele. Até que me levantei e comecei a prestar atenção no quarto.
Era o quarto de... Jason? Por que diabos eu havia dormido no quarto de...
– Bom dia, vejo que já levantou! — ele disse, entrando por não sei onde.
A porta de metal.
– O que é isso? — perguntei, confusa.
– Isso, o que? — ele me olhou com as sobrancelhas arqueadas.
– Eu estou no seu quarto. — eu disse, esperando que ele entendesse a pergunta implícita. Jason estava de terno, e tentava estupidamente arrumar a gravata. Fui até ele para ajudá-lo, esperando alguma explicação.
Ele virou os olhos e mexeu o cenho.
– O que queria, hum? Que eu te jogasse na cela da Base para ser surrada até a morte? — ele perguntou com "leveza" nas palavras. Arregalei os olhos assustada, e Jason riu.
– Jason! — bati em seu ombro.
Idiota.
– Brincadeira! — ele jogou as mãos para cima. — Olha só, eu não podia te colocar na prisão, é um lixo. Mas fala sério, meu quarto é tão ruim assim?
Ótimo. Agora eu estava hospedada no quarto de um sulista e provavelmente dormido na mesma...
– Não aconteceu nada, certo? — Jason se virou para a tela de metal na parede. Suspirei, aliviada. — Mas poderia...
Olhei para ele, séria, mas fui vencida por sua expressão divertida. Um espelho se abriu da tela metalizada, e sem querer ele me viu olhando para ele.
– Tá, vai, fala. — ele me encorajou.
– Alguém está de bom humor hoje? — perguntei com ironia. — Pensei que depois de ontem você fosse me arrastar pra fora da sua vista.
Jason parou por alguns segundos, e eu hesitei em falar. Mas ele se virou para mim, olhando em meus olhos, infelizmente tomando a mesma expressão triste de ontem.
– America... — ele tentou falar, mas não conseguiu e olhou para o chão.
Não sei como, mas rapidamente o clima tomou um ar tenso, e lá estávamos nós, voltando ao ponto inicial.
– Para! — eu pedi. — Para de complicar! Age como se tudo que fizesse fosse um erro, o que tem de errado com você?
– Eu queria, mas não vai acontecer. Não vai acontecer outra vez, desculpe. — Jason falou, e se dirigiu á escrivaninha. Ele pegou um dos papéis, de cor preta.
Droga.
– Jason, eu não...
– Você está me usando? — ele perguntou, me interrompendo. Por que ele achava isso? — Responda, America, seja sincera.
Suspirei e olhei para o teto, sentindo as lágrimas surgirem. Demorei para responder, e acho que isso foi minha deixa.
– Deixa pra lá. — ele falou, passando a mão no ar. Passou por mim e entregou o papel nas minhas mãos. — Se queria, aqui está.
– Jason, espera! Você vai aonde? — perguntei, chorando silenciosamente.
Ele respirou fundo e respondeu:
– Tenho um casamento.
Casamento? Eu não imaginava aquela vida para os... sulistas. Mas no mesmo momento em que tive esse pensamento, percebi o quão idiota eu vinha sendo com Jason. Ele tinha feito tudo por mim, desde o início, e tudo o que fiz foi ser egoísta e pensar em um plano que na verdade mal fazia sentido — áquela altura, eu já sabia sobre os Mercenários, e tinha quase certeza de que todo o trabalho sujo era feito por eles e não pelos sulistas. Comecei a achar tudo aquilo errado: eu estava usando Jason, mas não tinha entendido o quão isso era ruim para ele. E para mim.
Porque eu sentia algo por ele. O que quer que fosse, eu só não queria que acabasse. Então peguei o papel, e rasguei. Jason olhou para mim surpreso.
– Não. — eu respondi, com uma segurança jamais sentida antes. A certeza de que era o certo a fazer, e se eu queria descobrir porque os sulistas odiavam tanto Illéa, tinha de fazer isso do jeito certo. Porque se Jason me queria, eu acreditava, e ele desejou fazer do jeito certo. Eu faria o mesmo.
Jason suspirou e mordeu o lábio, voltando á ser o cara de antes.
O Jason despreocupado, o Jason irônico. O Jason sexy.
– Senhorita, me acompanharia nesse evento? — ele perguntou, dando-me seu braço. Mal acreditei naquela cena, e segurei para não rir, mas Jason o fez por mim enquanto eu olhava para minhas roupas.
– Samantha. — nós dois dissemos.
E saímos do quarto.
O mais engraçado era que, por mais louco que aquela situação fosse, eu estava completamente perdida. Mas feliz. Perdida porque não tinha mais ideia do que estava fazendo, e feliz porque... porque... Jason estava ali, comigo.
E eu corria o terrível risco de estar me apaixonando.
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