A Seleção-Interativa
29 Capítulo 29 - ignore o capítulo anterior, tô me adequando á contagem do Nyah :P
Notas iniciais
Jason e eu saímos do quarto e atravessamos um longo corredor, com portas de metal indicando quartos de outros sargentos. Graças á Deus não dei de cara com Alec, ele era a última pessoa que eu queria ver, mas logo mudei de ideia quando Jason disse que precisávamos ir até Samantha para arrumar alguma roupa para o casamento. PS: a roupa era para mim.
– Isso é tipo um dormitório dos sargentos? — perguntei, estranhando a palavra. Realmente não imaginava aquilo para os sulistas, e mais uma vez aquele mundo me surpreendeu.
– Hum... — Jason franziu a testa e subiu as sobrancelhas — É uma espécie de dormitório dos sargentos.
– Oh, sério? — ironizei. Jason sorriu de lado, daquele jeito... fatalmente sexy.
– Dá pra... Parar de fazer isso? — pedi, olhando para os lados e tentando desviar do seu olhar.
– Isso o que? — ele perguntou, parecendo mais confuso do que eu.
– Essa coisa... Você sabe, de sorrir assim, e de me olhar assim. — eu respondi, completamente vermelha. Jason se colocou na minha frente e repetiu a expressão que eu descrevi.
– Isso? — ele perguntou. — Ah, tá. Desculpe.
Se ele continuasse me provocando daquele jeito, alguém ia levar a culpa por uma infração de regras, e essa pessoa poderia não ser ele. Olhei para Jason irritada por seu sarcasmo, e empurrei seu ombro.
– Opa! Chegamos. — ele disse, parecendo otimista. — Samantha?
O lugar á qual paramos estava totalmente isolado do dormitório dos sargentos, no subterrâneo. Só havia quatro portas de metal como aquela, que indicava o quarto de Samantha, a estrategista, e todo o lugar parecia cheio de armadilhas caso algum engraçadinho resolvesse invadir a área dos chefes de inteligência. Rapidamente desejei que Alec tentasse algo assim.
Samantha abriu a porta.
– Olha só, quem tá aqui. — ela disse, com um terrível ar de ressaca. Sulistas ficam de ressaca? Ah, Deus, que tipo de mundo era aquele,afinal? — Entrem. — ela abriu os braços e nos convidou. Eu nunca imaginei que pudesse vê-la naquele estado, mas vi: cabelo bagunçado (e devo admitir, ela conseguia ficar bonita mesmo daquele jeito), roupa preta (os sulistas pareciam não ter muita opção de roupa) e pele sem maquiagem. Só então percebi o quanto Samantha parecia familiar para mim... Quem ela me lembrava?
– Pensei que, já que você não vai ao casamento, poderia arrumar algo para America usar. — Jason falou com as mãos nos bolsos, aparentemente desconfortável com o estado de Samantha.
Samantha fechou a porta e riu.
– Ah, Jason, para de dar um de amiguinho da sequestrada. — ela falou, e Jason e eu trocamos olhares constrangedores. — Até parece que nunca bebeu na vida.
Olhei para ele com a sobrancelha erguida, mas resolvi não comprar aquela briga. Samantha abriu o guarda roupa, mas tropeçou e bateu o dedo do pé na ponta dele. Jason foi mais rápido e a segurou, então Samantha se entrelaçou em seus braços. Eu não deveria, mas quis que aquelas mãos se soltassem dele tão rápido quanto a minha impaciência ali.
– Samantha, para com isso... — Jason a sentou na cama. — Não faz assim, tá? — ele falava com uma voz incrivelmente doce, como se realmente... se importasse com ela.
– Desculpe, — Samantha falou — não estou em dias bons.
– O que houve? — ele perguntou, e eu entendi que deveria deixá-los conversando e dar uma olhada nos vestidos de Samantha. O guarda roupa estava aberto, então comecei a passar a mão nos cabides, me desligando da conversa dos dois. Até que vi uma coisa no fundo dele. Me agachei sutilmente e puxei o que me chamou a atenção por sua cor vermelho forte, mas logo me arrependi de tê-lo feito.
Era uma manta, com o brasão de Illéa, parecida com a manta que a Rainha Amberly vivia bordando nos tempos livres. Mas o que aquela manta fazia ali, no fundo do guarda roupa de Samantha?
Olhei para trás e vi que os dois continuavam conversando, rindo como bobos, então aproveitei. Dobrei a manta e guardei dentro da minha jaqueta. Levantei e voltei a escolher os vestidos, e devo admitir, eram realmente magníficos para uma pessoa que vivia praticamente para criar estratégias de batalha.
– Já disse, que você fica muito bem em azul? — Samantha falou, e olhei para trás. Ela tinha olhos lacrimejantes, e Jason estava com os braços em volta de seu pescoço. Jason parecia completamente alheio ao que quer que estivesse acontecendo, enquanto Samantha escondia uma angústia agoniante em seu olhar. Abri a boca para tentar perguntar, mas logo me lembrei de com quem eu estava lidando: Samantha. Talvez fosse melhor ficar calada, então apenas respondi:
– Hum, não. — sorri, tímida, e puxei um vestido azul do meio dos cabides. Não havia escolhido ele, mas acidentalmente se tornou o vestido perfeito. A cor era linda, de um azul celeste, e havia rendas distribuídas por todo o tecido, com um cinto finíssimo azul na cintura. Era simplesmente... perfeito, mais bonito que qualquer vestido que eu já pudesse ter usado na seleção.
– Pode se trocar ali. — Samantha me indicou com o dedo para a direita, e eu entrei no que se apresentou uma espécie de banheiro/closet. Entrei rapidamente, enquanto ouvia as risadas de Jason, e as risadas angustiantes e fingidas de Samantha. Mas que diabos estava acontecendo com ela? Havia mil motivos loucos gritando em minha cabeça, porque Samantha não era mesmo o tipo de garota que bebia para se sentir melhor. Algo de muito sério estava acontecendo, e eu por alguma razão só conseguia pensar que isso envolvia a Base Sul.
Vesti o vestido, e me olhei de relance no espelho. Soltei os cabelos do coque, que estavam levemente bagunçados e com cachos nas pontas que eu não sabia de onde vieram, mas que estavam simplesmente lindos.
***
link do vestido: http://coisasdocesdavida.com/wp-content/uploads/2012/12/elie-saab.jpeg
***
Saí do closet e me virei para os dois. Samantha me olhou e sorriu, olhando depois para Jason. Pude perceber algo muito curioso na expressão dela, mas não consegui saber o que era, e isso me frustrou. Mas quando percebi a expressão de Jason, corei na mesma hora.
– Ah, hum... Erh... Wow. — as palavras pareciam ter fugido dele, e Jason me olhava com a boca aberta e as sobrancelhas erguidas.
– Eu tinha razão. — Samantha falou, pegando o copo de uísque ao lado. Ela bebericou, com certa indiferença, enquanto observava a reação de Jason.
– Então...? — perguntei, sem saber o que dizer.
– Você... tá... Linda.- Jason falou, piscando. Eu só queria que ele disfarçasse um pouco. Quero dizer... Samantha já parecia bastante mal.
Samantha levantou da cama e veio até mim. Ela se pôs ás minhas costas e começou a arrumar o laço do vestido.
Eu fiquei muito sem graça. O que ela estava fazendo, afinal?
– Você tá linda, America. — ela disse, sorrindo melancolicamente. Meu coração partiu no mesmo momento, porque por mais que ela tivesse mostrado suas verdadeiras cores, tinha ajudado Jason e me ajudado. E agora ela parecia simplesmente... derrubada.
– Obrigada, Samantha. — eu disse. Jason continuava encostado na cama, me observando.
– Ei, levanta bonitão! Não vai levar a princesa pra festa? — Samantha deu um empurrão no ombro de Jason, que levantou rápido. Jason me deu o braço, e eu segurei o vestido para ir até a porta. Samantha abriu, mas eu sussurrei para ele ficar lá fora. Então me aproximei dela e disse:
– Samantha, não sei se você me diria, mas eu sei que você está triste, quero dizer... De ressaca, sério? — Samantha me olhava com uma expressão distante, mas triste. — Olha, se for pelo Jason, eu não sei, mas...
Tentei achar as palavras certas, mas ela me interrompeu.
– Vai, e aproveita. Não se preocupe comigo. — ela disse. Então sorriu e fechou a porta.
***
Jason e eu chegamos no lugar, um grande salão, com direito á escadaria de palácio e pessoas bem vestidas. Havia garçons servindo champanhe e petiscos por todo o lado e uma banda de orquestra no fundo da sala de dança.
– A bela Casa Helena, — Jason falou, admirando o lugar — bela e única. É aqui que as mulheres se abrigavam em época de guerras. Mas isso faz muito tempo. — ele sorriu, percebendo minha preocupação.
– Hã, Jason... Faz alguma ideia de porque Samantha estava tão triste? — perguntei finalmente.
– Ah, America... Samantha tem muitos problemas, eu não gosto de me intrometer. — ele me ofereceu a mão, e começamos a dançar uma valsa lenta.
– O que? Jason, vocês são amigos, amigos fazem essas coisas. Quer dizer, não se importa com ela?
Desta vez, Jason demorou a me responder, e resolvi ceder aquele tempo para dançar com ele. Ele colocou a mão na minha cintura, e eu pus a outra na mão dele. A música era realmente bela, não consegui ouvir um erro em nenhuma nota. Anunciaram algumas vezes que a cerimônia começaria em poucos minutos, mas acho que me deixei levar pela valsa. Jason dançava incrivelmente bem — eu já não sabia o que ele não conseguia fazer -e seu perfume logo me atraiu. Coloquei a cabeça em seu colo, tentando esquecer toda a loucura que eu tinha feito ali.
– America, Samantha é uma garota sensível, mesmo que não pareça. E, de tempos em tempos, ela fica desse jeito, bebe e tem ressaca, mas eu tento não me intrometer muito. — Jason respondeu finalmente, e eu senti que ele fora sincero, entregando os pontos e baixando a guarda.
– Por quê? — eu perguntei, ainda com a cabeça em seu ombro. Provavelmente estávamos dançando há uns sete minutos, o que era um milagre considerando que sempre surgia algum problema quando eu e Jason estávamos juntos.
– Porque a não ser que ela tenha terminado um relacionamento, isso significa que há uma guerra se aproximando. — Jason respondeu, mas contei três segundos certeiros para que ele desse conta do que tinha acabado de falar. — Droga. — ele xingou, e nos afastamos no mesmo momento. Tudo pareceu se encaixar rapidamente, e logo o salão se agitou como se todos ali sentissem o cheiro de guerra chegando. Eu estremeci só de pensar, mas não tive muito tempo para pensar.
– Jason, o que está...
– America, preciso que fique aqui, tudo bem? — ele colocou a mão nos meus braços e me pediu olhando em meus olhos. Eu assenti, surpresa. — Vou atrás da Samantha!
Quando Jason disse isso, já estava correndo para fora do salão. Olhei para os lados, e as pessoas estavam agitadas, com um clima de tensão se aproximando.
– Droga, e agora o que eu... — perguntei para mim mesma, até que vi Alec se aproximando de mim sutilmente. Me misturei ás pessoas que dançavam, já uma música agitada, e corri para a escadaria. Alec pareceu me perder de vista e, uma vez certa de que conseguira despistá-lo, subi as escadas com pressa até chegar num corredor escuro. Continuei andando, mas ouvi passos atrás de mim.
– America... — uma voz me chamou. — Você não pode ir muito longe, mal conhece esta mansão.
Ah,não. Era Alec, ele me alcançara.
Tirei os sapatos num passe rápido e segui o caminho que o corredor mostrava, enquanto Alec parecia sentir meu cheiro. Corri tentando ser silenciosa, mas não precisei ir muito longe para me perder. Já não fazia ideia de onde estava, porque a sala que eu meti era completamente escura. Alec certamente me perdera outra vez, então me encostei na parede. Mas algo inesperado aconteceu: uma passagem secreta se abriu, e eu me vi num quarto de paredes metalizadas sem porta de saída. Marquei o lugar com o batom que tinha nos lábios para não me esquecer daquela passagem e comecei a procurar uma forma de, ou sair dali, ou conseguir alguma informação útil.
Tentei quebrar a janela e pular de bungee jump, mas não quis chamar a atenção de Alec, que provavelmente ainda me procurava pelos corredores. Então comecei a vasculhar o quarto: uma cama de solteiro luxuosa, um guarda roupa luxuoso, e o resto. Nada que não fosse luxuoso demais para um abrigo de sulistas. Não sei por que motivo, mas me sentei na escrivaninha e abri as gavetas procurando alguma coisa. Então achei, uma carta. Abri, e comecei a ler, mas infelizmente não pude chegar tão longe quanto queria: as letras pareciam ter sido molhadas. Porém algo me chamou a atenção:
"Samantha não pode saber sobre Amberly ou Maxon. Por favor, deixe-a vigiar a seleção, caso contrário mais dúvidas serão acendidas com tal proibição. Você prometeu que a história morreria junto com você."
Li e reli o papel, e senti meu coração acelerar ferozmente. Então Samantha tinha alguma coisa com a família real, eu só não sabia exatamente o que. Até que uma luzinha se acendeu em minha cabeça: o aborto de Amberly.
Não, não podia ser verdade. Resolvi deixar a ideia desaparecer, mesmo sabendo que ela me importunaria por muito tempo, e guardei a carta na jaqueta que eu trouxera ao casamento. Quando fui sair da quarto, vi uma pequena inscrição na porta: Srta.Magda Campbell.
***
Deixei a mansão Helena em poucos segundos, certa de que Alec tinha desistido de me procurar. Quando desci,algumas pessoas dançavam calmamente, mas a agitação permanecia ali, uns cochichando e outros deixando o lugar com pressa. Saí pela entrada principal procurando por Jason, e consegui avistá-lo, não muito longe. Ele conversava alguma coisa séria com Samantha, que já não parecia mais triste ou de ressaca, mas pelo contrário: estava com o uniforme secreto e tinha um mapa nas mãos.
Ops.
Jason me viu e voltou a falar com ela, parecendo mais nervoso ainda. Então Samantha se afastou e correu na direção da Base, enquanto Jason vinha ao me encontro. Ele parecia definitivamente preocupado.
– Jason, o que está acontecendo... — tentei perguntar, mas ele me interrompeu.
– America, só confie em mim. Você precisa voltar para o castelo, agora. — ele falou, passando a mão nos cabelos e arfando.
– O que?! — eu perguntei, nervosa e confusa. — Como assim, Jason?
Jason tentou me explicar, mas Samantha se aproximou rapidamente. Ela já não tinha o mapa nas mãos, mas havia trazido uma mala grande. Ela deu a mala para Jason, que a encarou confuso.
– Jason, você tem que tirar America daqui, agora. — Samantha disse para ele, tão séria como nunca antes.
– Mas nós combinamos que... — Jason tentou argumentar, mas ela o interrompeu.
– A guerra vai estourar, Jason, e acredite, não são os nortistas!
Os dois trocaram olhares arregalados por um segundo, e então Jason engoliu em seco e perguntou:
– São eles, os...?
– Mercenários, é. — Samantha respondeu, com a testa franzida em preocupação. Os dois novamente se olharam, como que conversando silenciosamente. Infelizmente, porém, eu já captara o significado daqueles olhares.
– AH, droga, Samantha! — Jason disse, e chutou a lixeira que estava na parede na mansão.
– Tira ela daqui. Agora! — Samantha gritou, e saiu correndo. Chamou com um aceno os guardas que estavam aos arredores das árvores e logo sumiu por entre a mata.
Olhei para Jason desesperada, mas ele balançou a cabeça. Não era hora para perguntas, tudo bem.
– Você precisa vir, America...
– Tudo bem, Jason. — eu disse, com a voz firme. — Eu confio em você.
Jason me olhou e mordeu o lábio, assombrado de preocupação e... raiva. Eu não tinha percebido, mas havia uma moto do outro lado da mansão. Olhei para ele, e ele assentiu.
– Vem. — ele chamou. E eu segui.
Corremos para o outro lado e subimos na moto, tudo foi muito rápido. Jason e eu já havíamos entrado por um caminho de terra estreito no meio da mata, quando ouvi um barulho de outra moto se aproximando.
– Alguém mais veio com a gente? — perguntei para Jason, aumentando a voz por causa do barulho do vento. Mas ele balançou a cabeça, e eu logo me preocupei.
Até que a outra moto se aproximou de nós dois. Só havia um cara, que apontou uma arma para mim. Eu arregalei os olhos, sentindo a morte chegar, mas alguma coisa aconteceu.
O cara da moto caiu no chão com a cabeça rachada por uma bala. Jason já havia parado, e descemos rapidamente para ver quem era. Jason foi ver o corpo, mas eu olhei para o lado para saber quem tinha matado o cara que tentou me matar.
Havia dois caras de jaqueta e calça preta que desceram de duas motos.
E eu estremeci quando tive certeza de que os conhecia.
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