A Second Chance
13 Leaving on a jet plane
Notas iniciais
Boa leitura!
- Então quer dizer que esse é o seu trabalho importante?
O sol suave daquela manhã entrava pela janela da sala e iluminava os cabelos louros da mulher sentada no sofá. Ela e Emily se encararam sem dizer palavra por algum tempo. Não sabiam por onde começar. Não sabiam o que dizer. Até que Nina finalmente desferiu o primeiro golpe, com toda a intensidade da dor que sentia.
- Não faz isso, Nina. Vamos conversar.
- Em, não há o que conversar. Na verdade, eu nem esperava encontrar você hoje. Só vim aqui buscar umas coisas e deixar a minha chave. Mas como eu vi o seu carro, achei que era melhor tocar a campainha.
- Você não vai me dar nem uma chance? Você decidiu que acabou e é isso? – A tristeza na voz de Emily era real, mas não tão forte quanto achou que pudesse ser. Pensou em Santana e sentiu-se culpada.
- Para quê, Em? – a doçura da voz de Nina contrastava com as palavras que ela dizia. – A verdade é que nós já tínhamos nos afastado há muito tempo, mas ninguém quis fazer nada. Era mais fácil assim. Essa matéria acabou sendo apenas a gota d’água.
- Mas...
- Não, Emily. Não vamos piorar as coisas. Eu ainda gosto muito de você, pode acreditar, mas é melhor parar por aqui.
Emily não sabia o que dizer. De repente a mulher das palavras se viu sem nenhuma. Segurou as mãos de Nina entre as suas e viu, no fundo dos olhos brilhantes, que o relacionamento realmente tinha acabado. Suspirou, de pesar e alívio. Os sentimentos em seu peito eram conflituosos demais para tentar entender naquele momento. Melhor lidar com uma coisa de cada vez.
- Se é o que você quer, eu respeito. Não é nada fácil, mas fazer o que, não é mesmo?
- Obrigada. Não esperava nada menos.
A jornalista virou o rosto para secar uma lágrima que começava a se formar no canto do olho. Era melhor ser prática naquele momento.
- O que é que você veio buscar?
- Dois livros que estou usando como referência. – Nina ficou grata por Emily não ter feito uma cena. – Estão em cima da mesa.
Virou-se para acompanhar o olhar da ex-namorada e viu os dois livros de que ela falava ao lado das xícaras de café que tinha compartilhado com Santana apenas alguns momentos antes. Não tinha reparado para onde ela tinha ido, mas agradecia pelos minutos de privacidade.
Nina levantou-se, pegou os objetos de que precisava e caminhou até a porta. Emily a alcançou e se abraçaram fortemente. Tudo o que não souberam dizer com palavras, foi dito ali. Era realmente uma despedida e elas sabiam.
Com um movimento rápido, tirou a chave do apartamento do chaveiro e a colocou no móvel ao lado da porta. Sem um segundo olhar, abriu a porta e saiu.
Nina estava definitivamente fora da vida de Emily.
***
- Conseguiram se acertar?
Santana tinha aproveitado aquela interrupção para tomar banho e agora chegava na sala com os cabelos molhados, o mesmo jeans da noite anterior e uma blusa do armário de Emily.
- De uma certa maneira, sim.
O tom de voz dela deixou bem claro que não queria falar sobre aquilo e Santana achou melhor mudar de assunto, procurar alguma coisa mais segura.
- Eu peguei no seu armário. Tudo bem?
- Claro. Pode ficar à vontade.
Permaneceram em silêncio por um tempo, cada qual lidando com seus próprios problemas, mas apreciando a companhia. Emily foi a primeira a quebrar a imobilidade da cena.
- Falou com o Mike?
- Falei. Liguei para ele agora e vamos voltar para Nova York hoje mesmo.
- Como assim, hoje? Você não tinha compromissos na cidade?
“E eu? Como fico?”, era o que Emily tinha vontade real de perguntar, mas não conseguiu dar voz às indagações.
- Alguns, mas os mais importantes são durante o dia. Nosso vôo é só à noite. – Pensou um pouco sobre o que dizer a seguir. – Foram dias muito intensos e eu realmente preciso voltar para a minha casa, meu canto.
- Eu entendo. – Falava a verdade, mas por que doía tanto?
- Na verdade, você conhece bem o lugar para onde eu vou.
- Como assim?
- É um apartamentozinho apertado, no 14° andar de um prédio horroroso.
- Não acredito! Você ainda mora lá?
- Bom, eu não moro, mas ainda mantenho. Costumo fugir para lá quando preciso colocar a cabeça no lugar. Faz com que eu me lembre quem eu sou.
- Sabe, eu tenho boas lembranças de lá.
- Eu também, Em. Eu também.
***
Depois de combinar com Jake a última sessão de fotos e de fazer sua ligação diária para Dianna, entraram no carro para voltar para o hotel. Durante todo o trajeto Emily se pegou no turbilhão de emoções que tinha sentido desde que Santana havia entrado novamente em sua vida.
Parecia que conviviam há meses, mas apenas alguns dias se passaram desde o primeiro telefonema. Meses ou dias, não importava. O fato era que tinha se apaixonado novamente por aquela mulher e agora havia apenas um último empecilho entre as duas.
Jake conversava animadamente com Mike no saguão do hotel quando elas chegaram. Olhando no fundo dos olhos do amigo, Emily teve certeza de que ele tinha milhares de perguntas a fazer e ela não conseguiria fugir. E nem sabia se queria. Conversar com ele normalmente ajudava a dar um pouco de ordem a seus pensamentos.
- Bom, meninas, ainda temos uma hora antes do primeiro item da agenda. O que acham de terminarmos a nossa capa?
Emily sentiu-se feliz por Jake ter assumido as rédeas. Ainda não estava 100% depois da noite e da manhã que teve.
Santana também não estava perfeita, mas já tinha se acostumado à sensação. Foi direto para o quarto, se arrumou e acompanhou Jake até o terraço, onde ele tinha montado um mini-estúdio. Por sugestão dele, permaneceu com a blusa verde de Emily e escondeu um sorriso depois do primeiro clique. Gostava da idéia de aparecer na capa de uma revista usando uma roupa dela.
***
A sessão de fotos, os compromissos, o almoço, o restante das obrigações e a ida para o aeroporto; tudo passou como um furacão por Emily. Ainda não estava pronta para se despedir de Santana mais uma vez. Não depois de tanto tempo.
Pretendia conversar a sós com a cantora quando chegassem ao aeroporto. Tentar roubar uns minutos de privacidade para conversar sobre o que acontecera, o que estavam sentindo e o que fazer com aquilo.
Mas quando chegaram, Santana foi engolida por uma onda de fãs. De alguma maneira eles ficaram sabendo que ela estava indo embora e lotaram o aeroporto numa tentativa de ver a artista de perto.
Emily bem que tentou, mas foi simplesmente impossível se aproximar de Santana e conversar qualquer coisa naquele momento. Ali, ela era dos fãs. E se Emily queria fazer parte da vida dela, teria que se acostumar a isso.
A despedida foi mais breve do que qualquer uma das duas gostaria. Procuravam as palavras certas para o momento, mas elas não pareciam existir. Esconderam, então, seus sentimentos mais fortes por trás de uma fachada de cordialidade.
- Boa viagem, San.
- Obrigada, Em. Depois me manda uma cópia da revista?
- Claro. Antes de ir para as bancas.
- Só mais uma coisa. Eu gravei isso no hotel, duas noites atrás, e estou pensando em colocar no próximo CD. É uma regravação. Ouve. Depois me diz o que você achou.
O CD sem nenhuma marcação mudou de mãos e Emily o guardou na bolsa sem falar nada e sem afastar os olhos dos de Santana.
E se abraçaram. Um gesto que disse mais do que palavras conseguiriam. Afastaram-se por um momento para mirar dentro dos olhos da outra, como que para ter certeza de que o que existia era real, e voltaram a se abraçar.
Sim. O que existia entre elas era real. E ainda não tinha terminado. Não daquela vez.
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