A Second Chance

12 Lean on me


Notas iniciais
Boa leitura!

O grupo que se reunia no quarto de Emily era composto por cinco pessoas: a própria jornalista, Santana, Mike, o agente dela, o gerente e o chefe da segurança do hotel. Enquanto os três homens discutiam sobre o que havia acontecido, culpas e responsabilidades, Emily estava mais preocupada com a cantora. Seu ferimento na mão era apenas superficial e já fora tratado, mas ela continuava desconectada do mundo. Aquele golpe tinha sido mais profundo do que qualquer um podia imaginar.

Desculpando-se com os outros, Emily levantou-se e saiu do quarto. Demorou pouco e quando voltou tinha a bolsa de Santana num dos ombros. Encaminhou-se direto para a cantora e, sem falar nada, apenas estendeu a mão para ela, ainda de pé. Santana olhou para cima e as duas entenderam-se silenciosamente. Não podia deixar a latina ficar naquele lugar nem mais um segundo.

Santana tomou a mão que lhe era oferecida, encostou-se ao corpo de Emily e se encaminharam para fora do quarto. Quando a jornalista esticava o braço para pegar a própria bolsa, foi parada pela voz de Mike.

- Onde vocês estão indo?

- A Santana precisa dormir e ela não vai conseguir fazer isso aqui. Amanhã a gente liga para você.

Algo no tom de voz deixou bem claro para todos que ela não estava brincando. Normalmente calma e pacífica, aquela ex-nadadora podia ser bastante feroz quando algo importunava alguém com que ela se preocupasse. E aquele era o caso.

Caminharam até a recepção do hotel abraçadas, em silêncio. O carro da jornalista já aguardava na entrada e Emily ajudou Santana a se acomodar. Ela então tomou seu lugar ao volante e ligou o carro.

- Para onde nós vamos? – Santana perguntou depois de alguns minutos.

- Para a minha casa. Eu moro na cidade, esqueceu?

Santana respondeu com um sorriso débil e terminaram o trajeto sem trocar mais nenhuma palavra. Emily entendia que a cantora precisava ficar sozinha com seus pensamentos e não tentava forçar nada. Diferentemente de Mike, que desde que encontrou a latina no quarto de Emily não fazia nada a não ser perguntas impertinentes. Por isso Emily tinha tirado Santana de lá. Seu instinto de proteção estava ligado na potência máxima.

Estacionou o carro e subiu as escadas, acompanhada de perto por Santana. O prédio em que morava era antigo e não tinha porteiro. Nunca gostara disso, mas hoje era uma vantagem. Ninguém no caminho para reconhecer a cantora e a importunar. Só esperava que não encontrassem ninguém no caminho.

O elevador que chegou estava vazio. Emily agradeceu em silêncio por aquela sorte. Apertou o botão para o seu andar e esperou as portas se fecharem. Olhou para o lado e achou que Santana parecia um pouco mais tranqüila. A cantora olhava com uma ponta de curiosidade para o prédio e não podia deixar de se divertir em pensar que finalmente conheceria a casa da jornalista. Só não era assim que pretendia fazê-lo.

Emily encaixou a chave na fechadura e abriu a porta com um movimento único. Acendeu as luzes e abriu passagem para Santana, que pode ver o apartamento quase todo com um único olhar. O espaço não era grande, mas era aconchegante. Lembrava a ela sua antiga casa em Lima.

- Vem. Quer tomar um banho? Deitar? – De repente Emily sentia-se insegura com Santana parada, ali, na sua sala.

- Acho que um banho seria uma boa.

- Perfeito. Vou pegar uma toalha e uma roupa para você dormir.

Caminharam até o quarto de Emily, que buscou no armário a toalha mais macia que tinha e uma camiseta de faculdade antiga. Sabia que a cantora não dormia com muito mais do que aquilo mesmo. Carregou tudo para o banheiro, acompanhada de perto por Santana.

- Em? – A jornalista já fechava a porta quando ouviu o chamado e virou-se. – Obrigada. Mesmo.

- Você teria feito o mesmo por mim.

Como o apartamento só tinha um quarto e qualquer clima que pudesse haver para dormirem juntas tinha ido por água abaixo, Emily achou que era melhor levar seu travesseiro e um lençol para o sofá da sala. Não ia deixar Santana dormir lá, mas também não achava prudente dividir a cama com ela naquele estado. O que quer que fosse que acontecer entre elas precisava ser quando as duas estivessem no seu melhor estado emocional.

Terminava de arrumar a cama para Santana, quando a cantora saiu do banheiro. Tinha os cabelos presos num rabo de cavalo, usava a velha camiseta de Emily e nada nos pés. No mesmo instante, a jornalista lembrou-se de quando se conheceram, antes que a vida da outra fosse rodeada pelo glamour da notoriedade. Gostava mais dela assim, simples.

Trocaram um sorriso e Emily apontou para a própria cama, num convite silencioso. Santana deitou-se sem hesitar e deixou que a morena a cobrisse carinhosamente. Internamente agradecia por ter Emily do seu lado naquele momento. Emily deu um beijo rápido da cabeça da cantora, desejou boa noite e se encaminhou para a porta, travesseiro em mãos, quando, mais uma vez, foi impedida pela voz de Santana.

- Onde você está indo?

- Achei que seria melhor dormir na sala.

- Não vai. Por favor. Não quero ficar sozinha hoje. Fica comigo?

A vulnerabilidade da voz de Santana tornou impossível para Emily sair daquele quarto. Recolocou o travesseiro na cama e deitou-se ao lado da cantora, enlaçando-a pela cintura. Santana recostou o corpo contra o de Emily, apertando a mão que descansava em sua barriga. A jornalista sentiu os músculos de Santana relaxando lentamente e quando percebeu, ela já estava dormindo. Emily ainda permaneceu acordada por um tempo, velando o sono daquela mulher tão querida, tão frágil, tão forte, tão dela.

***

O cheiro do café fresco alcançou Emily no meio de um sonho e a trouxe de volta para a terra. Espreguiçou-se lentamente, feliz por ter dormido na própria cama, quando as lembranças da noite anterior voltaram como um raio. Os beijos com Santana, o quarto destruído, a decisão de levá-la para sua casa e a cantora dormindo em sua cama, em seus braços.

Olhou para o lado e a cama estava vazia, mas o cheiro que vinha da cozinha denunciava que ela não tinha ido embora. Sorrateiramente, caminhou até a cozinha e ficou observando Santana andando de um lado para o outro procurando as coisas. Ainda usava apenas a camiseta que Emily lhe deu na noite anterior e quando se esticou para procurar alguma coisa nos armários que ficavam em cima da pia, a jornalista teve uma visão completa das belas pernas morenas torneadas.

Antes que a jornalista pudesse fazer qualquer comentário, foi flagrada pela cantora. Mas o sorriso que recebeu provou que ela não tinha ficado brava em ser observada. Emily avançou, aproveitando a visão de uma bela mulher, em sua cozinha, preparando café da manhã, vestindo nada mais do que uma camiseta.

- Eu fiz café. Espero que não se importe. – Virou-se para pegar uma xícara e serviu a jornalista. – Pelo que eu me lembro, você não consegue começar o dia até tomar uma xícara.

- Culpa da Spencer. Ela que me viciou nesse negócio.

- É verdade. Por falar nela, como estão as meninas? Ainda se falam? – Perguntou entregando a xícara para a morena do outro lado da mesa.

- Elas estão bem. Spencer está trabalhando numa firma de direito em Washington e Aria e Hannah montaram uma grife juntas. – A lembrança das amigas de infância trouxe um sorriso para seus lábios, enquanto provava a bebida feita por Santana. – Hum, isso aqui ta uma delícia!

- Obrigada! – Esticou o braço pela mesa e segurou a mão de Emily. – Por tudo.

- Já falei que está tudo bem, você teria feito o mesmo. Dormiu bem?

- Por incrível que pareça, sim. – O sorriso era triste, mas já era um começo. – Ainda não consigo acreditar no que ela fez.

- Ei, deixa isso para lá. Não deixa aquela maluca te atingir.

- É que é tão difícil, sabe? Nós trabalhamos juntas durante tanto tempo, eu realmente confiava nela. E agora parece que eu não sei mais quem ela é.

- Eu entendo. Já falou com o Mike?

- Ainda não. Você disse para onde a gente vinha?

- Não. Eu praticamente seqüestrei você.

E pela primeira vez desde a noite anterior, Santana riu de verdade. Continuaram conversando por um tempo, até que foram interrompidas pela campainha. Emily levantou-se para atender, ainda rindo de alguma coisa que a cantora tinha falado, e nem olhou pelo olho-mágico para ver quem tocava tão cedo. Simplesmente abriu a porta e quando deu de cara com aqueles olhos azuis, levou um susto.

- Nina?!

Notas finais
Por favor, não me matem! rsrs