A Salvadora do Olimpo: O Inimigo
11 Uma mensagem para nós
Notas iniciais
Quando acordo, vejo Nico sentado ao meu lado.
Será que foi tudo um sonho? O encontro com Héstia, a entrega da espada...
Eu estava de volta ao quarto com paredes de obsidiana e piso de mármore branco.
—Teve bons sonhos? – Perguntou Nico.
Eu estava com tanta raiva de Nico, mas tudo o que ele fez não foi culpa dele.
—Não é da sua conta. – Respondi. Eu sei que fui grossa, mas a raiva me domina agora.
—Calma Sarah. Não quer saber onde estão suas amigas, Katheryne e Alana?
De repente, pego minha caneta que vira Graecus, a Forasteira e pressiono-a contra o pescoço de Nico.
—Onde elas estão? – Berro. – O que fez com elas?
Nico olha para uma TV próxima a mim.
Então eu as vejo. Katheryne e Alana estão com muitos problemas.
—Onde elas estão? – Repito. Minha paciência havia esgotado. Cansei de ser controlada por Hades e Nico.
—Elas estão em uma caverna... que você nunca saberá a localização! – E se evaporou em fumaça negra.
Fiquei em silêncio, olhando para onde Nico virou fumaça.
—Não Nico, eu vou achá-las, de um jeito ou de outro!
O meu plano agora era: Sair desse quarto.
Era praticamente impossível sair. Não tinha portas, janelas, ou seja, nada!
Ok... Eu preciso sair daqui. Talvez Nico esteja me monitorando. Qualquer movimento, ele captará.
Olho para cima. Havia uma saída! Na verdade era um duto de ar. Se eu conseguir voar, talvez eu consiga desprender a grade e andar pelo duto. Mas antes, tenho que descobrir por onde Nico está me espionando.
Procurei debaixo da cama, em um vaso de flores que havia no quarto. Eu queria ter a visão de raio-X do Clark Kent, o Superman. Não estava encontrando nenhuma câmera, nada.
Mas, e se estiver na TV?
Fui até ela. Olhei os cantos, embaixo, em cima... Nada. Pode estar dentro!
Eu estava com uma jaqueta por cima da minha camisa da minha banda favorita, calça jeans preta e botas de couro. Não tinha nada para eu usar para quebrar a TV, então eu a chutei.
A tela se quebrou e dentro havia mesmo uma câmera. Cortei o fio que a segurava com Graecus e a joguei embaixo da cama.
Agora está tudo seguro, sem câmeras e mais ninguém para me espionar.
Voei para tirar a grade do duto. Demorou um pouco, mas consegui tirá-la. Subi e andei pelo duto, com um medo interno do que poderia encontrar.
Na metade do duto, havia outra grade que dava para outra sala.
A sala era toda branca, do piso até as paredes. Havia mesas de madeira com vários documentos e papéis. Numa mesinha no canto da sala, havia algumas fotos. Quando eu reparei, havia uma foto minha.
Eu tinha que ver as outras fotos!
Soltei a grade e entrei na sala. A sala tinha cheiro de papéis, que me fez lembrar o cheiro das páginas dos livros que eu havia lido quando pequena.
Fui até a mesa com as fotos e as olhei. Tinha fotos da Katheryne, Alana, Percy, Annabeth e... Minhas! Havia várias fotos minhas. De todas as pessoas do acampamento. Liza Ramsay, uma garota de cabelos castanhos claros, olhos azuis e pele parda, estava sobre todas as fotos. Eu a conheço, é filha de Afrodite. É uma das mais bonitas do chalé, sendo que todas do chalé de Afrodite são bonitas.
Olhei atrás da foto dela. Havia alguma coisa escrita:
“Liza Ramsay, filha de Afrodite, próxima”
Próxima? Como assim próxima?
Ah deuses, preciso encontrar Katheryne e Alana!
Quando me virei, lá estava ele. Seus olhos negros fixados em mim. Estávamos cara a cara. Eu e Hades. Sua pele era tão branca que parecia papel.
—Vejo que você conseguiu sair daquele quarto. – disse Hades. – Sarah, você sabia que a curiosidade mata? – Ele pegou uma foto. – Você tem alguma lembrança de sua mãe?
Ele me mostrou a foto. Uma mulher de cabelos escuros e olhos azuis, iguais aos meus, estava abraçada com duas crianças. Uma menina de cabelos negros e olhos azuis e um menino de cabelos loiros também com os olhos azuis, Thalia e Jason.
—Onde conseguiu essa foto? – perguntei.
—Não é óbvio? Eu mesmo a tirei. – ele me deu a foto. – Quero lhe mostrar uma coisa.
Num piscar de olhos, uma tela gigante apareceu. Ela mostrava o Olimpo. Era enorme, tinha colunas brancas, escadas de mármore branco, paredes brancas e teto do que parecia ser ouro. O céu estava numa coloração de laranja, amarelo e vermelho, o que significa que estava em um fim de tarde.
De repente o céu começou a ficar escuro, nuvens de névoa preta se formaram ao redor do Olimpo e ouvi gritos, muitos gritos.
A imagem desapareceu e minha visão parecia girar. Quando percebi, estava na entrada de uma caverna. Foi ai que eu me lembrei de Katheryne e Alana.
Corri até chegar ao interior da caverna. Lá estavam elas, Katheryne e Alana amarradas em uma teia.
—Sarah, tire a gente daqui! – gritou Katy. Ela parecia estar chorando.
Olhei para o teto da caverna. Estava cheio de aranhas. Deve ser por isso que Katy estava chorando.
—Sarah – chamou Alana. -, tem uma coisa que você precisa saber...
Ela nem precisava completar, porque acabei de saber o que ela estava tentando me dizer.
Havia uma aranha que chegava a ser quase do tamanho da caverna. Seus olhinhos pretos e suas pinças me davam nervoso.
Me desviei antes que ela lançasse sua teia em mim.
Deuses, como é que eu vou derrotar aquela coisa?
Ao lado da aranha estavam as armas de Katy e Alana. Se eu conseguir pegar o arco de Alana, talvez eu consiga matar a aranha com uma flechada.
—Você quer brincar Dona Aranha? Então vamos brincar!
A aranha pulou em cima de mim, mas eu fui rápida e desviei. Quando notei, várias aranhas estavam andando pelas minhas pernas. Levantei e elas caíram no chão.
Eu tinha que achar um jeito de distrair a aranha...
Foi ai que eu tive um plano.
—Ei! Dona Aranha! – ela se virou para mim. – Aquilo é uma mosca?
Ela se virou rapidamente para onde eu estava apontando. Essa era a hora.
Corri o mais silenciosamente possível por trás da aranha, peguei o arco e a aljava, mirei a flecha e a atirei nas costas da aranha.
Ela se contorceu de dor e tentou me atacar, mas consegui atirar outra flecha em seu olho. Ela se contorceu mais ainda e caiu no chão, imóvel.
—Meninas, vocês estão bem? – perguntei a elas, olhando para cima.
—Ah, deixe-me pensar... – disse Alana. – Nós ainda estamos amarradas, então, não!
Voei até elas e a desamarrei. Elas caíram no chão e eu segurei o riso.
Katy se levantou, tirou as teias da aranha de sua roupa e perguntou:
—Podemos sair daqui agora?
Ela pegou seu gloss/batom.
—Vamos, temos muito trabalho para fazer. – respondi. Andamos até a saída, apressadamente contornando o corpo da aranha.
Quando chegamos à saída da caverna, uma imagem apareceu à nossa frente.
Eram nossas amigas do chalé de Afrodite, Tess Mason, uma garota de cabelos loiros e olhos verdes e, a garota da foto, Liza Ramsay.
—Oi meninas! – cumprimentou Tess.
—Tess, não temos tempo para isso! – retrucou Liza. – Estamos enviando essa Mensagem de Íris para avisar que...
—Duas pessoas do acampamento estão desaparecidas. – completou Tess.
Elas falavam tão rápido que eu quase não entendia.
—O quê? Quem? – perguntou Alana.
—Duas garotas. – disse Liza. – Emilly, filha de Hermes...
—E Clara, filha de Hipnos. – completou novamente Tess.
Duas campistas desaparecidas? Mas como é que pode?
—Quando elas desapareceram? – perguntei.
Elas trocaram olhares.
—No mesmo dia que vocês saíram. – respondeu Tess. – Onde estão Percy e Annabeth?
Precisava pensar numa desculpa.
—Ah...- comecei. – eles ainda estão lá dentro da caverna.
—Fazendo o quê? – perguntaram Tess e Liza, juntas.
—Percy está ajudando Annabeth a se livrar das aranhas. – mentiu Katy, me ajudando.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
—Bom, acho que é só isso. – disse Liza.
—Tem razão. – falei. – Obrigada por nos avisar sobre o que está acontecendo por aí.
—De nada! – elas responderam em uníssono.
—A gente se vê. – nos despedimos e elas se foram, nos deixando sozinhas.
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