A Salvadora do Olimpo: O Inimigo
14 O filho perdido
Notas iniciais
Estávamos passando por uma fábrica abandonada no meio do nada quando Katy perguntou:
—Sarah, por que você não tem os mesmo poderes que os outros filhos de Zeus?
—Se eu soubesse porquê, eu teria te contado. Desculpe, eu não sei. — respondi.
Ficamos em silêncio por um bom tempo.
O sol finalmente saiu, depois de mais ou menos duas horas.
—Deuses finalmente o sol! — disse Katy, que estava toda encharcada.
Mais para frente, uma luz se formava.
—Katy, olhe ali! — falei. Andamos até a luz, que ia diminuindo cada vez que nos aproximávamos.
Quando chegamos perto, vimos que era um colar com um sol dourado.
—O colar de Alana! — exclamou Katy, agachando-se para pegá-lo.
—Ela usava um colar? — perguntei.
—Sim, ela estava com ele antes da tempestade. — respondeu Katy. Eu nunca havia reparado que Alana usava um colar.
Quando Katy tocou o colar, ele criou uma proteção de fogo, fazendo-a tirar a mão rapidamente.
—Ele me queimou! O colar me queimou! — ela se levantou e me mostrou a queimadura.
—Talvez eu consiga pegá-lo com alguma coisa. — falei. Tirei um lenço branco do bolso da minha calça jeans e peguei o colar. — Está realmente muito quente. — Não havia percebido que mais a frente havia uma casa de madeira.
—Katy... — nem precisava avisá-la, ela já tinha visto.
—Está saindo fumaça pela chaminé, talvez tenha alguém em casa. — disse ela.
Guardei o colar do sol no bolso e segui Katy até a casa.
Paramos em frente a casa. Ela era bem simples, as janelas estavam tampadas por cortinas dentro da casa.
—Você bate ou eu bato? — perguntou Katy.
—Eu bato. — respondi. Me aproximei da porta, respirei fundo e bati três vezes. Ninguém respondeu.
—Talvez não tenha ninguém em casa. — disse, virando-me para Katy.
Depois que eu disse isso, a porta se abriu. Me virei e fiquei cara a cara com um garoto de cabelos loiros e olhos verdes.
—Posso ajudar? — ele perguntou.
Me afastei um pouco.
—Sim, nós nos perdemos e achamos sua casa. — disse Katy. — Estamos sem comida e água.
O garoto olhou para mim e para Katy rapidamente, percebi que ele tinha um brilho estranho.
—Tenho comida e água o suficiente para vocês. — disse o garoto. — Vamos, entrem.
A casa dele era bem simples. Havia uma geladeira, não muito grande, uma mesa de madeira com cadeiras da mesma e havia uma cama que estava sendo ocupada por uma garota ferida e inconsciente, Alana.
—Alana! — disse Katy, quase gritando. Ela correu até a cama e agachou ao lado dela. — Alana acorda, precisamos de você.
—Ela não vai acordar. — disse o garoto.
—Por que não? — perguntei. Ele me fitou com seus olhos verdes.
—Encontrei ela a alguns quilômetros daqui, ainda desacordada. Tentei acordá-la, mas não deu muito certo. Trouxe ela para cá e ai vocês bateram na porta.
—Ela está aqui faz quanto tempo? — perguntou Katy.
—Uns cinco minutos, mais ou menos. — respondeu o garoto.
Eu estava desconfiada desse garoto. Uma casa de madeira no meio do nada...
—Você ainda não nos disse seu nome. — falei.
—Andrew. Andrew John. — respondeu ele.
—Você mora aqui sozinho? Sem mãe ou pai? — perguntei.
Ele se sentou numa poltrona num canto escuro da sala.
—Minha mãe morreu há cinco anos e meu pai é um idiota. Ele não liga para mim, e quando vem me visitar é só para dizer que eu tenho que ir para um lugar seguro. Depois ele vai embora na sua carruagem do sol e volta no próximo ano. — ele falou isso em um tom calmo e tranquilo, como se não se importasse mais.
—Você é filho de Apolo. — disse Katy. — Você é irmão de Alana.
—Por que você não está no Acampamento Meio-Sangue? — perguntei.
—Aonde? — perguntou Andrew.
—Um lugar para pessoas como nós, semideuses. — respondeu Katy.
—Você não conhece esse lugar? — perguntei.
—Não. Talvez esse seja o lugar que meu pai sempre falava, mas eu nunca prestei atenção.
Sempre pensei que todos os semideuses determinados fossem guiados para o Acampamento Meio-Sangue com a ajuda de seus pais.
Katy tentou acordar Alana novamente, mas sem sucesso.
—Sarah, me dê o colar do sol. — pediu Katy.
—Mas ele vai queimar sua mão. — falei.
—E dai? talvez ela acorde somente com o colar.
—Você tem certeza? — perguntei.
Ela assentiu com a cabeça.
Peguei o colar, ainda envolto no lenço branco. Entreguei-o a Katy.
Ela tomou coragem e tirou o lenço, segurando o colar em suas mãos.
Katy segurou a cabeça de Alana e encaixou o colar em seu pescoço.
Um brilho irradiou o corpo de Alana, curando suas feridas e fazendo a sala inteira ficar iluminada.
Katy se afastou do corpo de Alana, que agora estava diminuindo o brilho.
Alana tossiu e abriu os seus olhos multicoloridos.
—Alana! — exclamou Katy, tentando abraçá-la. — Eu pensava que você tinha deixado a gente.
—Para ser sincera, eu não sei onde estou e nem o que aconteceu. — disse Alana.
Katy começou a explicar tudo o que aconteceu para Alana, deixando-me sozinha com Andrew.
—Eu acho Sarah um nome muito bonito. — disse Andrew.
—Sério? — perguntei.
—Sério. — ele respondeu.
Não disse nada. Eu sabia que ele estava querendo alguma coisa.
—Existem outros filhos de Apolo no acampamento sem ser Alana? — perguntou Andrew.
—Há vários filhos de Apolo lá. — respondi. — Você quer ir para lá?
—Eu não sei se eu quero ir. — ele suspirou. — Não sei se serei aceito por lá.
—Lá é seguro. Você poderá fazer novas amizades e aprender mais sobre mitologia. — insisti. Por algum motivo, eu queria que Andrew fosse para o acampamento. — Poderíamos nos ver de vez em quando, se eu voltar viva dessa missão é claro.
—Ok, você me convenceu. Vou para esse tal acampamento. — nossa até que foi fácil convencê-lo a ir para o acampamento.
Alana se sentou na cama.
—Estou com fome. — ela olhou para Andrew. — Então você é meu irmão? Que legal!
—Não sabia que eu tinha uma irmã. — disse Andrew. — E ainda existem outros! Isso é legal.
—Os filhos de Apolo são tão radicais assim? — perguntei.
—Às vezes. — responderam Alana e Andrew, juntos.
—Ok, temos que ir. — disse Katy.
—Do que vocês precisam? — perguntou Andrew.
—De comida e água. — respondeu Alana.
—Katy e Alana, me esperem lá fora. Vou ajudar Andrew com a comida.
Elas saíram me deixando sozinha com Andrew.
—Espero que vocês voltem vivas dessa missão. — disse Andrew, enquanto eu arrumava os sanduíches de peito de peru.
—Por quê? — perguntei.
—Não sei. Vocês foram as primeiras pessoas que eu conheci. Eu achei que podíamos ser amigos um dia.
—Ok. Quem sabe um dia a gente se conheça melhor. — falei. Eu não desconfiava mais dele e achava que ele merecia uma chance.
Ficamos em silêncio por algum tempo.
—Qual é o objetivo dessa missão? — perguntou Andrew, quebrando o silêncio.
—Bem, um campista chamado Nico di Angelo, se virou contra nós e está ajudando o pai dele, Hades, o deus do Mundo Inferior a destruir o Olimpo e o acampamento.
—E você foi a escolhida?
—Na verdade, Quíron, o diretor de atividades do acampamento disse que era o que eu tinha que fazer. Deve ser porque sou filha de Zeus.
Andrew me olhou impressionado.
—Você é filha de Zeus? Tipo, o Rei dos deuses?
—Sim. — eu não entendia direito por que as pessoas ficavam tão impressionadas quando descobriam que eu era filha de Zeus. As pessoas me olhavam com se eu estivesse morrendo. Eu sei que Zeus é o Rei do Olimpo, mas isso não era para ser impressionante. Lembro que Thalia disse que os filhos dos Três Grandes são raros, mas as pessoas me olham como se eu estivesse morta, como se eu fosse morrer a qualquer minuto e todos quisessem ver.
Quando olhei para Andrew ele não estava me olhando como se eu fosse uma pessoa morta, estava me olhando normal. Isso é o que fazia dele uma pessoa... legal.
—As pessoas devem ligar muito para você, não é? — ele perguntou, enchendo as garrafas com água.
—Necessariamente, só algumas pessoas veem como eu sou. — respondi. — Como você.
—Como eu? — perguntou ele, botando outra garrafa para encher.
—Sim. Na verdade, somente você, Katy e Alana olham para mim como se eu fosse normal. Nem a minha própria irmã me olha assim.
—Sinto muito. — disse ele.
—Não sinta. Você não precisa. — falei isso lhe dando um sorriso.
Quando terminamos de arrumar as coisas, saímos para se juntar a Katy e Alana.
—Prontas? — perguntei, dando as mochilas a Katy e Alana.
Elas assentiram com a cabeça.
Virei-me para Andrew.
—Obrigada por nos ajudar. — agradeci. — Você vai mesmo para o acampamento?
—Claro, eu adoraria sair daqui. — respondeu Andrew.
—Você sabe onde fica? — perguntou Alana.
—Sei. Meu pai sempre me dava a localização.
Alana se aproximou de Andrew e lhe deu um abraço.
—Fique vivo. — ela disse.
Nos despedimos de Andrew e seguimos em direção à Manhattan.
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