Notas iniciais
Litlle Kat's, queria avisar que estamos QUASE no final dessa história. Se você estiver gostando desta história, favoritem ou comentem. Agradecida desde já!

—Ela é tão corajosa. – disse uma mulher de aparência exuberante. – Igual a você Zeus.

Havia um homem robusto na sala. Sua barba branca era como as nuvens.

—Você acha? – perguntou Zeus.

A mulher assentiu.

—É claro. Pena que ela é de sua outra... personalidade.

—Já disse para não tocares nesse assunto, Afrodite! – exaltou-se Zeus.

Criou-se um silêncio.

—Mesmo assim, deveria ajuda-la. – insistiu Afrodite.

—Já tem muita coisa acontecendo por aqui, Afrodite. – interpôs Zeus. – Meu irmão pretende dominar o Olimpo. Minha filha só está tentando nos ajudar com suas... amigas e o filho de Poseidon.

—O filho de Poseidon e a filha de Atena estão em Manhattan, bem longe delas. – lembrou Afrodite.

Zeus suspirou e foi até a janela.

—Espero que ela saiba o que está fazendo.

—A comida e a água vão entrar em escassez rapidamente para elas. – avisou Afrodite. – Você não quer que a sua última esperança morra, não é?

Zeus olhou para Afrodite, impressionado.

—Como sabes que a comida e a água entrarão em escassez para elas?

Afrodite deu de ombros.

—Foi só um palpite. Mas, e a minha pergunta?

Zeus resmungou:

—Só quero que ela tenha êxito, apenas isso.

Acordei repentinamente. Não consegui entender mais nada. Era a primeira vez, em dias, que eu tenho um sonho bom como esse. Agora, sei como vamos encontrar Percy e Annabeth.

Eu estava na barraca que Alana havia montado na noite passada, com ajuda de Katheryne, enquanto eu descansava da minha “pós-morte”. Não era lá grande coisa, mas era o suficiente.

—Meninas. – tentei acordá-las. – Meninas, acordem!

Elas não queriam acordar, então pensei em sair e pegar um “pouquinho” de água para elas.

Quando saí, o ar da manhã me envolveu e eu senti cansaço, mas continuei até o lago.

Escolhemos um ótimo lugar para montar a barraca. De um lado, tinha um campo de lírios e do outro, um campo de cevada. No meio desses dois campos, tinha um laguinho de água cristalina que eu e Katheryne apelidamos de “O Lago de Narciso”, pois havia um narciso ao lado do lago.

Peguei um balde que deixamos ao lado do lago na noite passada para nos limparmos, já que era doce. Enchi o balde e levei-o para dentro da barraca.

Katheryne e Alana ainda estavam dormindo. Pensei em como elas ficarão depois que eu fizer isso. Alana vai me matar e Katy vai ajudar.

Ergui o balde e joguei a água nelas. Elas acordaram na hora. Eu ri.

—Sarah! – gritou Katy, tirando os cabelos encharcados do rosto. – Por que você fez isso?

Não conseguia olhar para elas sem rir.

—Nossa vez! – disse Alana.

Ela e Katy me seguraram e me levaram para fora da barraca, em direção ao lago.

Eu não conseguia parar de rir. Eu estava chorando de rir.

Elas se aproximaram do lago e me jogaram lá. Tentei não me afogar.

Quando subi, vi Katy e Alana deitadas no chão, rindo.

—A vingança é cruel! – falei, saindo do lago. – Não teve graça. – mas eu estava rindo do mesmo jeito.

Elas pararam de rir e se levantaram.

—Agora é sério. – falei, enquanto elas seguravam o riso. – Eu tive um sonho, literalmente um sonho.

—Isso é raro. – disse Katy. – Eu só tive um sonho de verdade.

—Eu nunca tive um sonho bom, só pesadelos. – disse Alana. – E o que aconteceu no sonho?

—Afrodite estava tendo uma conversa com meu pai. Ela estava conversando com meu pai sobre nós.

—Como é que pode? – perguntou Alana.

—Deuses são poderosos. Podem captar qualquer coisa, estão nos olhando... – Katy olhou para o céu. – lá de cima.

—Está mesmo acontecendo o verso da profecia “O Olimpo escurecerá”. – falei. – E ela também falou que teria escassez de comida e água.

—Então precisamos economizar comida e água para sobrevivermos. – concluiu Katy.

—Não creio! – exclamou Alana. – Mas que porcaria!

—Não temos escolha! – falei. Não queria contar para elas que, possivelmente eu seja filha da outra personalidade de Zeus. Não aqui, não agora.

—Eles mencionaram Percy e Annabeth? – perguntou Katy.

Assentei com a cabeça.

—Eles não estão num deserto, estão em Manhattan.

—Então, Íris mentiu para nós. – disse Alana.

—Ou não. – retrucou Katy. – Nessa época do ano, Manhattan sofre uma queda da população por causa do calor. Então, é provável que ela estava certa, mas não entendemos a charada.

Olhamos para ela.

—De onde saiu essa inteligência toda, dona Katheryne Chase? – perguntou Alana, com sarcasmo.

—Ha, há! Muito engraçado! – respondeu Katy.

—Então, nossa próxima parada será Manhattan. – falei.

Desmontamos a barraca, pegamos nossas coisas e seguimos caminho. Rumo à Manhattan.

Estávamos a alguns quilômetros de Manhattan, quase sem comida e água. Nossos sanduíches estavam pela metade e só tínhamos água para uma pessoa.

—Estamos chegando? – perguntou Katy.

—Quase, falta pouco. – respondi.

—São três horas da tarde. – informou Alana. – Percebi pelo sol.

—Então, estamos andando faz nove horas, onze minutos e trinta e nove segundos. – disse Katy. Ela respirou fundo. – Às vezes, me sinto tão diferente dos outros filhos de Atena.

Ela era muito diferente dos outros filhos de Atena. Tinha olhos cinzas, mas seus cabelos eram pretos ao invés de loiros.

—Claro! Você é mais lerda. – disse Alana.

—Mas ela é inteligente. – elogiei Katy. – Bem, mais inteligente do que eu.

Elas me olharam, em estado de choque.

—Às vezes eu me sinto tão burra. Tem algumas vezes que eu sou. – digo, sem vergonha alguma. – É bom ter vocês para me controlar.

Ficamos em silêncio por algum tempo.

—Estou com fome. – disse Alana, parando.

—Eu também. – juntou-se Katy.

—Tá, vamos parar para comer. – falei.

Sentamos naquele mesmo lugar, comemos as metades de nossos sanduíches e dividimos a água.

Agora estávamos sem comida e água. Seguimos viagem.

O céu começou a ficar nublado. Trovões ecoavam e a chuva começou a cair.

—Alguém tem um guarda-chuva? – perguntou Katy.

—Não reclame, vamos! – ordenou Alana.

Comecei a ficar sem ar. Cai no chão e deitei de costas, olhando para o céu. As gotas de chuva caindo em meu rosto. Senti o gosto de sangue e comecei a lembrar de quando eu era pequena, quando durante uma tempestade, meu nariz começou a sangrar. Eu tinha seis anos.

—Você precisa ter mais cuidado Sarah. – disse uma mulher que cuidava de mim todos os dias. Eu a admirava muito. Todos os dias eu fazia a mesma pergunta a ela:

—Cadê a mamãe?

Ela parava de limpar meu nariz e respondia:

—Não precisa se preocupar com isso, querida. Sua mãe está bem. – e continuava a limpar o sangue do meu nariz.

Lembro que foi aquele momento que a olhei bem de perto. Tinha cabelos castanhos e olhos cor de fogo.

—E quando ela vai voltar? – eu era uma criança persistente.

Ela parava e me olhava, com um sorriso nos lábios.

—Não sei querida. Só temos que esperar. – ela se levantava e acendia uma lareira. Eu ia até lá e me sentava enquanto a mulher pegava um livro e começava a lê-lo para mim.

A história era sobre forças muito poderosas que viviam no tipo de uma montanha em um palácio de ouro e observavam os mortais lá de cima.

—Então, o Rei dos deuses desceu para a terra e encontrou... – ela sempre parava na mesma parte.

A campainha toca e a mulher se levanta em direção à porta.

Era um homem de barba grisalha e paletó.

—Como é que ela está? – perguntava o homem. Sem querer eu escutava a conversa.

—Ela está bem, obrigada por perguntar. – disse a mulher. Houve um silêncio antes de ela falar. – Você devia vir visitá-la mais vezes.

—Não minha irmã. – disse o homem. – Ela não é minha responsabilidade. – e foi embora, sem dizer mais nada.

A mulher bateu a porta e eu não lembro de mais nada.

—Sarah, você está bem? – perguntou Katy. Seus cabelos negros estavam encharcados.

—Acho que sim. – respondi. Ela me ajudou a levantar.

Olhei em volta. Não havia nenhum sinal de Alana.

—Onde está Alana? – perguntei.

—Eu não sei. – respondeu Katy. – Alana! – ela chamou.

Ainda estava chovendo, só que a chuva estava mais intensa.

—Ela sumiu! – disse Katy.

—Impossível! – respondi. – Ela não nos abandonaria. Não com esse tempo! – mas, no fundo, eu sabia que ela poderia fazer isso.

—Sarah, você não consegue parar essa chuva? – perguntou Katy.

—Bem, eu posso tentar. – me concentrei no sol, no calor e em Alana, já que ela é filha do deus do sol, mas nada aconteceu. – Eu não consigo. Talvez meu pai não aceite que eu mude o tempo.

—Então, o que vamos fazer? – perguntou Katy.

—Vamos continuar andando, até achar alguma pista sobre o paradeiro de Alana. – respondi.

Seguimos nosso caminho.