A Salvação de um Uchiha
5 Capítulo quatro
Semanas depois:
Após o incidente com o despertar do meu Sharingan, meu pai decidiu pedir uma semana de férias a Fugaku, e ele, surpreendentemente, permitiu.
Mesmo sabendo que os dois são amigos de infância, pensei que ele não fosse deixar, já que a criminalidade de Konoha cresceu com a chegada da guerra.
Durante essa semana, meu pai me ensinou várias coisas.
Ele me explicou o conceito básico do chakra e me ensinou, com paciência, como ativar e desativar o Sharingan.
A princípio, eu desejava que nunca precisasse usá-lo para causar dor ou sofrimento, mesmo que fosse para me defender.
O simples pensamento de utilizar aquele poder para ferir alguém me perturbava.
Meu pai, no entanto, tinha uma visão diferente.
Ele acreditava que o Sharingan não era um fardo, mas uma bênção.
Ele dizia que eu deveria ser grata por fazer parte do clã Uchiha e ter nascido com esse dom único.
Suas palavras, a princípio, me irritavam.
Não queria ser forçada a usar aquele poder.
Mas, com o tempo, aprendi a aceitar suas palavras, e acabei cedendo.
Comecei a treinar com a ajuda dele, consultando livros e tentando, da melhor forma, controlar meus olhos.
Certa noite, depois de um jantar silencioso, já estava subindo lentamente os degraus quando ouvi a voz animada de meu pai, conversando com minha mãe.
_ Sabe o que descobri hoje? — Perguntou meu pai, com um tom de empolgação.
Curiosa, parei no pé da escada, tentando não fazer barulho.
Não queria que me descobrissem, então usei todo o esforço para esconder minha presença, embora fosse difícil, pois ainda não sabia ocultar meu chakra com precisão.
_ Diga logo, homem. — Minha mãe respondeu, tomando um copo de suco, mas sem perder a paciência.
_ A afinidade de chakra de nossa filha é vento. — Meu pai anunciou, a voz cheia de uma mistura de surpresa e preocupação.
Isso me pegou de surpresa.
Meu pai já tinha me explicado que, a maioria dos Uchiha, a afinidade de chakra era fogo ou trovão.
O vento era algo raro, algo que me colocava em desvantagem em frente aos outros membros do clã.
_ Vento? — Minha mãe parecia atônita. _ Isso pode até ser útil contra aqueles com afinidade de fogo, mas, ao mesmo tempo, pode ser uma grande desvantagem. — Suspirou. _ Eu me pergunto todos os dias, o que nossa filha realmente é... — Parecia inquieta.
_ Querida, por favor, não fale assim. — Meu pai respondeu suavemente, tentando tranquilizá-la. _ Nossa filha é uma bênção em nossas vidas. Ela é apenas diferente, mas esse "diferente" é algo bom, temos muito a aprender com ela.
Minha mãe pareceu perder a compostura por um momento, e seus olhos refletiam um medo profundo.
_ Tenho medo de quando me for... ela não consiga se proteger como deveria pelo meu medo sem procedente. — A voz dela estava trêmula, e o medo era palpável.
Meu pai se aproximou dela, colocando uma mão reconfortante em seu ombro.
_ Você está fazendo seu tratamento e vai dar tudo certo, ela terá você e eu para tudo.
Afirmou com firmeza, sua voz carregada de determinação.
_ Vamos protegê-la com nossas vidas, se for preciso. Não importa o que aconteça. — O tom de amor e dedicação em sua voz era inconfundível.
Mas então, ele sorriu de forma leve, como se uma memória súbita tivesse o tocado.
_ Não foi o que te disse, ninja Sazi da ANBU? — A voz dele estava carregada de carinho e até um toque de brincadeira.
Minha mãe soltou uma risada nervosa, mas sua expressão logo voltou ao sério.
_ Eu avisei que quando Sukui nascesse, que esse nome não deveria ser dito nesta casa, seu baka. — Murmurou, um leve sorriso aparecendo nos lábios, mas o medo ainda pairava no ar.
Desço os degraus e paro perto dos dois.
_ Mamãe era da ANBU?
A pergunta escapou da minha boca antes que eu pudesse me conter. Meu coração acelerou com a curiosidade, mas também com a apreensão de saber mais sobre o passado de minha mãe.
Sempre imaginei que ela fosse apenas uma mulher comum, uma mãe dedicada, mas agora, ao ouvir esse tom de brincadeira e seriedade, algo me dizia que havia muito mais nela do que eu sabia.
Ambos ficaram em silêncio por um momento, como se as palavras não fossem necessárias para que a tensão fosse sentida.
Meu pai trocou um olhar furtivo com minha mãe, e percebi pela primeira vez, o quanto eles estavam entrelaçados não apenas pelo amor, mas por segredos antigos.
Minha mãe suspirou profundamente, seus olhos se tornando sombrios por um instante, como se as memórias que ela tentava esconder voltassem à tona.
Ela olhou para mim, e pela primeira vez, senti uma sombra de distância em seu olhar, como se estivesse hesitando em me contar mais.
_ Sim. — Respondeu finalmente, com a voz baixa, quase sussurrante. _ Fui da ANBU, mas isso foi antes de você nascer, e não quero que você carregue esse peso, Sukui.
Sua expressão suavizou, e ela me deu um sorriso reconfortante, mas havia uma tristeza oculta nele, algo que não estava disposto a dividir comigo naquele momento.
_ Mas... por que não me contou? — Minha voz estava cheia de confusão.
Meu pai, que até então estava quieto, colocou uma mão gentilmente sobre minha cabeça, como se tentasse proteger minha mente das perguntas que agora brotavam sem controle.
_ Sukui... — Começou, com uma voz suave, mas cheia de autoridade. _ A vida de sua mãe antes foi cheia de desafios e escolhas difíceis. Nem todos os caminhos que ela percorreu são algo que queremos que você carregue.
_ Não quero que seja uma ANBU, mesmo que tenha talento, não siga esse caminho.
Queria perguntar o porquê, mas sabia que eles não me responderiam, mas já podia criar teorias para isso tudo.
Então, apenas olhei os dois, observando meu pai que me olhava com ternura, como se tentasse me dar uma lição importante, e então olhou para minha mãe com um sorriso terno.
_ E nós a protegeremos, como sempre fizemos, não é mesmo?
Minha mãe assentiu, mas não falou mais nada. Seu olhar estava perdido, como se ela estivesse voltando a um passado que não queria revisitar.
───※ ·❆· ※───
O dia estava se despedindo lentamente, com o sol se escondendo atrás das árvores e tingindo o céu de um laranja suave.
Caminhava pelas margens do lago, os passos calmos e pensativos, saboreando o Dango que minha mãe havia me dado mais cedo.
O doce era simples, mas trazia uma sensação reconfortante, como se a calmaria da tarde fosse capturada em cada mordida.
O cheiro do arroz doce misturado com o calor do dia ainda me envolvia, e, por um momento, tudo parecia mais fácil de suportar.
Foi então que o vi.
Itachi estava sentado à beira do lago, os cabelos negros e compridos soltos ao vento, a expressão serena e distante.
Ele parecia tão imerso em seus pensamentos que não percebeu minha aproximação.
O cenário ao redor dele, a água refletindo o céu, quase parecia ter sido desenhado para aquele momento — uma harmonia perfeita entre o silêncio e a presença dele.
Parei por um instante, hesitando se deveria interromper aquele espaço que ele parecia guardar para si.
No entanto, minha curiosidade, e talvez algo mais, me empurraram a continuar.
_ Itachi? — Chamei baixinho, sem querer quebrar o encanto do momento.
Ele se virou lentamente, e seus olhos, sempre tão profundos, me encontraram.
Um sorriso gentil se formou em seus lábios, mas não era um sorriso comum.
Era algo que eu não conseguia decifrar completamente, como se ele estivesse ciente de algo que eu ainda não sabia.
_ Sukui... — Sua voz era calma, mas com um toque de surpresa. _ Não esperava te encontrar aqui.
Sentei-me ao lado dele, mantendo a distância confortável, e continuei a comer meu dango, tentando não mostrar a ansiedade que se formava no fundo do meu peito.
_ Você veio sozinho? — Perguntei, quebrando o silêncio.
Ele assentiu levemente, olhando para a água novamente.
_ Sim, venho aqui para pensar. — Olhou-me. _ Às vezes preciso de um pouco de tempo só para mim.
Não sabia o que responder a isso.
Era uma resposta típica de Itachi, sempre tão controlado, mas algo em seu tom, talvez uma fraqueza escondida, me fez sentir que havia mais por trás de sua tranquilidade.
_ Itachi, eu... — Hesitei, as palavras um pouco pesadas em minha língua. _ Eu ouvi algo, sobre sua mãe... — Ficou mais atento. _ Ela está tentando fazer um irmão para você, não está?
A pergunta estava no ar, flutuando entre nós, mas a maneira como eu disse parecia fazer a pergunta ainda mais intima.
Itachi me olhou, seus olhos se estreitaram um pouco, como se eu tivesse tocado em algo sensível.
_ Sim... — Respondeu, sua voz mais baixa agora, quase um sussurro. _ Minha mãe quer que eu tenha um irmão. Mas...
Fez uma pausa, como se estivesse pesando as palavras.
_ Não sei o que isso significa para mim ainda. Ela diz que um irmão seria uma bênção para a nossa família, mas...
Observou as mãos, os dedos entrelaçados com certa tensão.
_ Parece que não sou exatamente o filho que ela esperava.
Senti uma estranha mistura de empatia e confusão.
Itachi nunca deixou transparecer dúvidas sobre suas próprias emoções, sempre tão fechado, tão perfeito em sua aparência imperturbável.
Mas, naquele momento, ele parecia vulnerável de uma maneira que eu nunca tinha visto.
_ Você não precisa se preocupar com isso, Itachi. — Falei, tentando confortá-lo da maneira mais sincera que consegui. _ Você é mais do que suficiente, apenas que sua mãe acha que você está solitário e não é como se um bebê fosse aparecer do nada.
Ele me olhou então, um olhar suave, quase como se eu fosse a única pessoa capaz de entender.
Por um momento, nada mais parecia importar além daquele instante de silêncio de compreensão silenciosa entre nós.
Terminei o dango, e ele fez um movimento discreto para se levantar, ainda mantendo o olhar em mim.
_ Obrigado, Sukui. — Murmurou, com uma leveza inesperada em sua voz.
Antes de se afastar, ele hesitou por um segundo, como se quisesse dizer algo mais, mas acabou apenas me lançando um sorriso tranquilo.
_ Nos vemos em breve.
Fiquei ali, sozinha à beira do lago, observando-o desaparecer entre as árvores.
A brisa suave do final da tarde acariciava meu rosto, mas, de alguma forma, eu sentia que o peso da conversa, da confusão, ainda pairava em meu coração.
Não sabia o que o futuro nos reservava, mas, naquele momento, tudo parecia mais incerto do que nunca.
Fale com o autor