_ O ninja mais novo a entrar na ANBU. — Olhou para cima e acenou para o alto da árvore. _ Como se sente, senhor Uchiha?

_ Estranho. — Itachi respondeu, com a expressão imperturbável de sempre, mas seu olhar carregava uma sombra de incerteza.

As palavras de Itachi ecoaram em minha mente, uma sensação de distanciamento que só ele conseguia transmitir tão naturalmente.

Mas, ao olhar para ele, vi algo que não esperava: um leve tremor na postura dele, um sinal de que, apesar de sua imensa habilidade e calma aparente, a pressão da situação estava tocando até mesmo ele.

Itachi havia sido convocado pela manhã, e a notícia se espalhou rapidamente por todo o vilarejo.

Em poucos minutos, todos já sabiam que ele havia sido aceito na ANBU, o esquadrão de elite responsável pelas missões mais perigosas e secretas.

A nova reverberava em cada canto da aldeia, até que chegou aos meus ouvidos.

Fiquei parada por um momento, tentando entender o que aquilo significava.

Para ele, era uma honra. Para mim, era uma despedida.

A ANBU não era só uma posição, mas uma prisão invisível, onde a lealdade à vila e os deveres ao clã se misturavam em um emaranhado de obrigações.

Sabia que, a partir daquele momento, Itachi se tornaria ainda mais distante, absorvido pelas sombras do trabalho, mais distante do que jamais havia sido.

No fundo, sentia uma pontada de preocupação, mas também havia algo mais.

Algo difícil de explicar.

Talvez fosse o medo de que ele se perdesse nesse novo caminho, ou talvez a insegurança de não saber mais como me encaixar na vida dele.

Ou porque aquela data estava se aproximando mais depressa que deveria.

O massacre do clã já estava na espreita, apenas me esperando dar um passo em falso para acabar com a minha sanidade.

_ Você vai mesmo fazer isso? — Perguntei, com a voz baixa, mas firme, enquanto pulava da árvore e ficava ao seu lado.

Itachi me olhou, seus olhos já tão conhecidos, mas que agora pareciam mais distantes, mais cautelosos.

_ É o que devo fazer, Sukui. — Suspirou. _ Não posso recusar.

Havia algo em sua voz que me fez sentir o peso de suas palavras. Ele não estava apenas falando sobre a missão.

Estava falando sobre o destino que o aguardava, algo que ele sentia ser inevitável.

A ANBU não era apenas uma escolha de carreira, mas uma rendição àquilo que sua linhagem e o mundo impunham a ele.

Sabia que ele se afastaria de mim mais do que nunca.

E, talvez, eu estivesse me preparando para uma perda que nem mesmo o tempo seria capaz de suavizar.

_ Se algum dia precisar de algo, me procure. — Falei, mais para mim mesma do que para ele, tentando manter a voz firme.

Itachi apenas assentiu, um gesto breve, mas suficiente para mostrar que havia entendido.

Não precisava dizer mais nada. Sabíamos que o que estava por vir era grande demais para ser contido em palavras.

A despedida que pairava entre nós era algo imensurável, algo que talvez nunca pudéssemos entender completamente.

Quando o abracei, senti o calor de seu corpo contra o meu, a força de seus braços circundando minha cintura.

O cheiro dele penetrava minhas narinas, e por um momento, era como se o mundo ao nosso redor desaparecesse.

A proximidade de Itachi me fazia esquecer tudo, até o peso da nossa realidade. Mas sabíamos que não podíamos nos permitir ser consumidos por isso.

A qualquer momento, poderíamos ser interrompidos, e essa chance fugiria entre nossos dedos.

As pessoas ao nosso redor, desavisadas, não sabiam da tensão que pairava entre nós, mas nós sabíamos.

Eu sabia.

Ele sabia.

Estávamos sendo observados, não de perto, mas de forma sutil. Pessoas desconhecidas circulavam, suas presenças mal percebidas, mas suas intenções claras. A sombra da vigilância nunca se afastava de nós.

_ Tem cinco pessoas à minha frente. — Sussurrei, o sentindo se ajustar, seu corpo tenso contra o meu enquanto confirmava silenciosamente. _ Vamos no três.

Itachi, com sua habitual calma e precisão, não precisou de mais palavras.

Ele sabia o que isso significava. Sabia que essa era a única chance que teríamos de escapar do olhar atento que nos cercava. Não havia tempo a perder.

Podia sentir a tensão em cada músculo de seu corpo, a mesma tensão que pulsava em mim.

As nossas respirações parecia estar em sincronia, nossos corações batendo mais rápidos à medida que a contagem regressiva começava.

_ Um... — Murmurei, meus olhos fixos nas pessoas ao redor, calculando os movimentos, os tempos.

_ Dois... — O ar parecia mais denso agora, cada segundo se arrastando, como se estivéssemos prestes a ser esmagados pela pressão de tudo ao nosso redor.

Podia sentir o movimento de Itachi, quase imperceptível, preparando-se para a ação.

E então, no instante em que chegava ao três, todos os meus sentidos se aguçaram.

_ Três! — O comando foi dado em um sussurro rápido e urgente.

Num movimento coordenado, nos movemos, rápidos como sombras, agindo com a precisão de um único corpo.

Corremos.

Desviamos pelas ruas estreitas, nossos passos rápidos, mas silenciosos. A adrenalina se espalhava por minhas veias enquanto o som dos nossos passos batia surdo no asfalto, abafado pela urgência da fuga.

Sabíamos que, se falhássemos, seríamos capturados, talvez não vivos para contar a história.

Itachi, com sua agilidade inumana, guiava nossos passos com uma calma impressionante.

Eu o seguia de perto, sentindo o peso da nossa situação em cada respiração, cada movimento. Nossa única chance era se mantermos juntos e rápidos.

O mundo lá fora continuava, inconsciente do que estava acontecendo sob seus olhos.

Até que tudo parou... O som da nossa corrida se dissipou, e a cidade que antes parecia cheia de pressa e perigo agora estava estranhamente silenciosa.

Não havia mais ninguém, o que me fez perceber que havia algo mais no ar. Uma presença além de Frosh, algo que eu não esperava, algo que eu temia.

_ Vou procurar eles, você vai direto para o distrito, tudo bem? — A voz de Itachi soou clara e determinada, mas com um toque de preocupação.

Sabia que ele estava certo. Não poderia me arriscar mais. Ele faria o que tinha que fazer, e eu...

Eu precisava seguir em frente. Acenei para ele, sentindo um breve, mas significativo beijo em minha testa.

Com um último olhar para mim, Itachi desapareceu, sua corrida rápida como sempre, me deixando apenas com a visão fugaz de suas costas se distanciando no horizonte.

Uma sensação estranha me invadiu. A solidão, misturada à ansiedade do que estava por vir, tomou conta de mim.

_ Pensei que quisesse falar com ele, senhor Hokage. — Falei, cortando o silêncio da rua deserta.

Minha cabeça se virou instintivamente, e lá, parado na penumbra, estava o Sandaime Hokage. Sua presença imponente parecia moldar a própria noite ao seu redor.

O choque foi imediato. O Hokage... Ele não deveria estar aqui. Não agora. Não nesta hora.

Sabia que ele era mais do que apenas o líder da aldeia, sabia o que ele representava, o poder e a sabedoria que o cercavam.

Mas a visão dele agora, aqui, naquela rua deserta, me fazia questionar o que ele queria, o que ele sabia, e como ele estava envolvido neste momento.

Hesitei por um segundo, mas logo endireitei as costas, sentindo o peso da situação pesar ainda mais sobre mim. A pressão de estar na presença do Hokage não era algo que eu podia ignorar.

Ele apenas me observou por um momento, seus olhos gentis, mas calculistas, como sempre.

Não disse nada, mas seu silêncio parecia falar mais do que palavras poderiam expressar.

_ Pensei que não tivesse os olhos amaldiçoados, mas vejo que eles existem. — Desativo meus olhos, fazendo o Hokage se aproximar. _ Seus dons não passaram despercebidos por mim, senhorita.

_ Você estava na floresta vigiando o Naruto. — Acenou. _ E me viu usando meus olhos para treinar, descobrindo o real poder deles.

_ Pode viajar por dimensões e ver visões. — Sorriu, alisando a barba branca. _ Mas sei que não é apenas isso que seus olhos fazem. — Ele sabe demais.

_ O que o senhor quer? Sei que não pediu para a ANBU ir atrás de nós à toa. — Sorriu e observou o céu claro.

_ Quero que faça parte da minha escolta. — Franzi o cenho. _ Você não será da ANBU, será algo além e que só receberá minhas ordens.

_ Então o que serei?

_ Um fantasma. — Sabia que deveria seguir esse caminho para vencer o Itachi, para contornar a ordem do massacre.

Mas... era isso que minha mãe não queria para mim e sei que não prometi, e que devo aceitar essa proposta, mas...

Suspirei, aceitando meu destino.

_ Receberá as roupas e máscara. — Acenei. _ E receberá treinamento para isso, começa amanhã. — Tudo bem, poderia fazer isso.

───※ ·❆· ※───

O dia começava a clarear, ainda tímido sob um céu nublado, como se o sol estivesse hesitando em aparecer.

A atmosfera era densa, cheia de uma tensão invisível, como se algo grande estivesse prestes a acontecer.

Estava no campo de treinamento do Esquadrão das Sombras, meu novo lar, um local onde as sombras se tornavam mais do que apenas escuridão; elas se tornavam uma extensão de quem nós éramos ou, melhor dizendo, do que estávamos sendo moldados para ser.

Eu me alongava, os músculos tensos e prontos para o que viria.

O peso do dia anterior ainda pesava sobre meus ombros, mas agora, tudo parecia pequeno diante do que estava em jogo.

"Um fantasma..."

A palavra ressoava em minha mente como um eco, uma sentença que, de certa forma, havia aceitado.

Teria que ser um espectro para atingir meus objetivos, para desafiar os destinos que já estavam traçados para mim.

O som dos outros membros do esquadrão ao meu redor era quase imperceptível.

Suas silhuetas mascaradas se moviam de maneira coordenada, suas presenças como sombras que se confundiam com a escuridão ao nosso redor.

Nós éramos fantasmas, invisíveis e imortais, feitos para passar despercebidos, para fazer o que ninguém mais poderia.

O instrutor se aproximou, sua figura erguendo-se como uma sombra ao meu lado.

Ele era alguém que conhecia bem as regras desse mundo silencioso e cruel.

_ O treinamento começará agora.

Sua voz era grave, sem emoção, e o tom de sua fala não deixava espaço para dúvidas: a dor, o cansaço, a perda – tudo isso fazia parte do processo.

Olhei ao redor, para os outros membros do esquadrão, e vi o mesmo brilho de determinação em seus olhos, apesar das máscaras que ocultavam suas expressões.

Todos estavam ali, não para sobreviver, mas para servir, para fazer o que os outros não podiam ou não queriam.

O que estávamos prestes a fazer não era apenas uma missão – era um teste de nossa lealdade, de nossa resistência.

Fechei os olhos por um momento, sentindo a pressão do momento em meus ombros.

A memória do Hokage e suas palavras ainda pesavam na minha mente. Ele me queria ali, entre eles, nas sombras, fazendo parte de algo muito maior do que eu imaginava.

E eu não podia mais voltar atrás. Tinha que seguir em frente. Não havia outro caminho.

Você será capaz de lidar com isso, Sukui.

Respirei fundo, tentando afastar o medo e a dúvida, concentrando-me na sensação da terra fria sob meus pés e no vento suave que passava entre as árvores.

O som de nossos passos ecoava pelo campo de treinamento, cada movimento mais preciso que o anterior.

O instrutor deu o comando para começarmos, e logo o campo de treinamento se encheu de movimento.

Cada golpe, cada movimento, parecia uma dança silenciosa, um teste de resistência física e mental.

O treinamento era rigoroso, implacável, mas não havia espaço para fraqueza. Eu não poderia parar agora.

Este era o meu novo destino. E a partir deste momento, começaria a me tornar aquilo que o Hokage e o esquadrão das Sombras esperavam de mim: um fantasma, sem nome, sem história, sem passado. Apenas uma sombra no mundo.

E aceitava esse destino, pois a única coisa que importava agora era o que eu precisaria fazer para garantir que Itachi não pudesse destruir tudo o que ainda havia de precioso para mim: ele, nosso relacionamento e o nosso clã consumido pela dor e pela traição.