A Rosa De Masyaf
12 Erro
A Rosa de Masyaf
Erro
Através dos olhos de Ezio, Desmond assiste aos dias passarem em Constantinopla. O poder da Irmandade é lentamente restabelecido, esconderijos são recuperados, assassinos são recrutados e inimigos são mortos. Com objetivos próximos aos do príncipe Suleiman, o Mentor trabalha sob as direções do nobre, matando um alvo que não deveria morrer e então planejando uma viagem até Capadócia para reparar o erro. Antes de partir, o italiano decide visitar Sofia, aproveitar um pouco a companhia da bela e fascinante veneziana antes da longa jornada.
Ao entrar na livraria de Sofia, porém, Ezio é surpreendido com uma situação curiosa. A bela Sartor se encontra em sua mesa, lidando com alguns papéis. Ao lado dela, sentada em uma cadeira próxima, se encontra Anna, lendo. Curioso, o assassino se aproxima, mas sua presença não é percebida por nenhuma das mulheres. A jovem Auditore para a leitura e fecha o livro, dirigindo um suave sorriso para a mais velha.
– Mandarei esse livro para Antonio. – Anna diz – Tenho certeza de que ele irá gostar.
Antes que Sofia possa responder, a voz de Ezio captura a atenção das duas.
– Há uma grande chance de isso acontecer. – ele comenta com um fraco sorriso.
– Ezio! – Sofia chama se levantando e caminhando até o italiano – Bem vindo de volta!
– Eu farei uma viagem em breve, mas antes pensei em passar aqui para vê-la, Sofia. – um sorriso carregado de charme é oferecido pelo Mentor à livreira. Sofia sorri de volta em um misto de embaraço e lisonjeio. Anna percebe o pequeno flerte e apenas revira os olhos, colocando o livro que estava lendo em cima da mesa – E o que você faz aqui,piccola? – a pergunta é dirigida à Anna enquanto Ezio se afasta de Sofia e se aproxima da filha.
– Eu disse que não me envolveria em nenhum assunto da Irmandade, a menos que estivesse relacionado com as chaves de Masyaf. – a jovem Auditore responde – Portanto, tenho que achar com o que ocupar meu tempo livre, certo, padre?
– Pai?! – Sofia repete confusa e então olha para o Mentor – Você não me disse que tinha uma filha, Ezio.
Com a visão periférica, Ezio vê Anna tentando segurar o riso.
– Mi dispiace, Sofia. – o Auditore pede – Anna é realmente minha filha.
– Então você é casado? – a livreira questiona e o barulho de Anna engasgando tentando conter a própria risada ecoa pelo lugar.
– Não, eu não sou casado.
Sofia parece pouco convencida e um suspiro exasperado escapa por entre os lábios de Ezio. Engolindo a risada, Anna se levanta e se aproxima do pai, mas mantendo o olhar na veneziana.
– Ele não é casado, Madonna Sofia. – a ladra diz.
– E sua mãe...?
– Mia madre vive em Roma. – Anna responde, interrompendo a pergunta de Sofia – Ela e meu pai tiveram um... Caso... Quando jovens, que acabou resultando em mim. Mas eles nunca foram casados. – percebendo o olhar incrédulo que Sartor dirige à Ezio, a ladra respira fundo e decide deixar os dois a sós – Eu vou indo. Yusuf prometeu me ensinar a correr pelos telhados com a bico-de-águia. Voltarei mais tarde para pegar o livro,Madonna. – Anna se vira para Ezio e as sobrancelhas do assassino se juntam quando ele percebe os cantos da boca da filha tremerem no esforço para não sorrirem – Padre.
– Ezio? – Sofia chama após Anna deixar a livraria. A única palavra já é um extenso pedido por explicações.
– Ela disse a verdade. – Il Mentore responde – Eu conheci a mãe dela, Rosa, durante o tempo em que eu morei em Veneza muitos anos atrás. Sendo jovens e dados a atitudesapaixonadas, nós nos envolvemos.
– E então Anna nasceu. – Sofia completa.
– Sí. – Ezio confirma com um sorriso – Mas eu só fui saber sobre isso quinze anosdepois.
– O quê? Por quê? – a desconfiança deixa as feições da veneziana, dando lugar à surpresa e à curiosidade.
– Por causa da minha vida. – Ezio responde e o sorriso desaparece dos lábios do assassino – Rosa não queria que Anna fizesse parte da vida que eu tenho e, honestamente, eu entendo isso.
– Você ainda mantém contato com ela?
– Sí. – Ezio responde voltando a sorrir – Rosa é uma amiga querida e uma valiosa aliada.
Sofia sorri mais calma e se aproxima. Em silêncio, Ezio estica a mão, envolvendo a palma da veneziana. Olhares são trocados e mais nenhuma palavra precisa ser dita.
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Ao retornar para o esconderijo em Gálata em ordem de arrumar os últimos preparativos, Ezio vê Yusuf e Anna correndo pelos telhados e deslizando pelas tirolesas. A risada de ambos ecoando pelo vento faz com que um sorriso nasça nos lábios de Il Mentore. Após tantos anos, Ezio se sente satisfeito ao ver que a filha parece começar aaceitar a Irmandade.
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Ao deixar as memórias do Auditore, Desmond é surpreendido por uma súbita pergunta vinda do Sujeito 16:
– Você se arrepende de alguma coisa, Desmond?
– Como o quê? – o ex-bartender questiona se virando para o outro rapaz.
– Fugir. – Clay responde – Deixar seus pais e sua irmã para trás. Achar um emprego inútil e fingir que é produtivo. Como é passar sua vida inteira evitando as decisões difíceis? – há desafio na voz do assassino.
– Qual é. – Desmond diz tentando se afastar, mas tendo o caminho bloqueado por Kaczmarek.
– Você é um assassino, claro. – o loiro continua a pressionar – Mas não foi sua escolha.
– Você tem um ponto?
– Eu quero saber se você se arrepende de alguma coisa.
– Claro. – o mais novo responde ficando de costas e dando alguns passos sobre a areia – Eu gostaria de ter sido mais paciente com meus pais, queria ter escutado. E Lucy... Talvez as coisas tivessem sido diferentes se eu... Não tenho certeza.
– Obrigado.
– Pelo quê? – Desmond questiona voltando o olhar escuro para o mais velho.
– Por fazer sentido. – a voz de Dezesseis suaviza e ele abaixa o rosto, parecendo prestes a sumir, mas mudando de ideia no último minuto – Ela falava sobre você, sabia? Sophie. – ele completa voltando a levantar o olhar azul.
– Falava? – há ceticismo e esperança na voz do ex-bartender.
– Eu soube pelos outros assassinos que Sophie tinha um irmão. – Clay começa a explicar – Um irmão que tinha fugido anos antes. Então, um dia, eu perguntei a ela sobre você. Se ela guardava alguma mágoa de você. – um pequeno sorriso surge nos lábios do assassino ao perceber como suas palavras deixam Desmond ansioso.
– E o que ela disse?
– Que ela não guardava nenhuma mágoa. – uma pausa – Na verdade, ela me disse que parte dela ficou feliz por você ter fugido. Por você não ter que viver essa vida.
– Que vida? Do que ela estava falando?
– Saia daqui e pergunte para ela. – Clay responde e desaparece.
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Ao retornar de Capadócia após um tenso encontro com o tio de Suleiman e Grão-Mestre Templário, Ahmet, Ezio imediatamente se dirige para a livraria de Sofia. O auge da discussão com Ahmet havia sido a ameaça feita pelo príncipe à Sofia e o Auditore não está disposto a deixar que o templário tenha alguma chance de cumpri-la.
Entretanto, ao chegar à livraria, Ezio é recepcionado por um dos membros da Ordem. A posição rígida e controlada e os olhos vermelhos do rapaz fazem com que medo se infiltre no coração do Mentor. O italiano entra no estabelecimento, encontrando-o bagunçado, como se uma intensa luta tivesse acontecido ali. Ezio procura por Sofia, mas ao invés da veneziana, é Yusuf que ele encontra.
O jovem assassino se encontra sobre um comprido banco, uma adaga fincada nas costas. Sentindo a dor e a raiva se misturarem ao sangue, o Auditore se aproxima do amigo, retirando a lâmina e lendo o bilhete deixado junto a ela. Yusuf é deitado sobre a pedra e tem os olhos fechados.
– Você ganhou seu descanso merecido, irmão. – Ezio diz – Requiescat in pace.
Um ponto escuro chama a atenção do Mentor e, ao virar o rosto para ver melhor, Ezio encontra Anna caída no chão. Rapidamente, o Auditore se aproxima da filha, pegando-a e apoiando-a contra seu próprio corpo. Sobre o tecido negro da roupa da ladra, Ezio sente o sangue escapar dos ferimentos. Na face jovem, vermelho marca a pele macia.
Sincronizado, Desmond é capaz de sentir o desespero que congela o coração do experiente assassino e seu próprio coração. O ex-bartender se vê chamando pela ladra juntamente com Ezio, seu medo tão palpável quanto o do italiano.
– Anna! – Il Mentore chama – Anna!
– Hm... – um baixo gemido é toda a resposta que Ezio consegue, mas é o suficiente para acalmá-lo. E a Desmond também. Anna está viva.
O líder dos Assassinos olha para cima e encontra diversos irmãos o observando. Respirando fundo, ele volta a deitar a filha no chão, deixando-a sob os cuidados de uma assassina. Olhando nas faces conhecidas com convicção, o italiano diz:
– Irmãos. Irmãs. A cidade toda se levanta contra nós enquanto o assassino de Yusuf espera no arsenal, observando e rindo. Lutem comigo e mostrem para ele o que acontece quando se opõem aos Assassinos! – todos assentem e o mentor se vira para a assassina que se encontra verificando os ferimentos de Anna – Cuide dela. – Ezio ordena.
– É claro, Mentor.
Assim, Ezio e os assassinos seguem para o Arsenal onde uma sangrenta busca por Ahmet acontece. O Auditore consegue encontrar o príncipe, mas segura sua lâmina pelo bem de descobrir onde Sofia está. Ahmet propõe uma troca: as chaves de Masyaf por Sofia. Não há como Ezio não aceitar. Após uma breve conversa com Suleiman, que se encontrava escondido ouvindo a tudo, o Auditore se dirige com os assassinos para a Torre de Gálata na esperança de resgatar Sofia.
Ao chegar à Torre, Ezio entrega as chaves, mas Ahmet havia preparado uma armadilha. O Auditore escala até o topo pensando ser Sofia quem ele vê lá em cima sendo segurada por guarda, mas ao chegar ele vê o engano que cometeu. O Mentor mata o guarda e solta a prisioneira, percebendo então, lá embaixo, Sofia pendurada em uma árvore com uma corda no pescoço.
Usando um dos paraquedas projetados por Da Vinci, Ezio salta da Torre e chega até Sofia a tempo de soltá-la e evitar que ela morra sufocada. A partir desse momento, uma longa perseguição à Ahmet acontece e durante todo o processo, Ezio tem o auxílio de Sofia.
Depois de cair de paraquedas de um desfiladeiro com Ahmet o segurando pela perna, Ezio consegue recuperar as chaves de Masyaf e encurralar o príncipe. Porém é nesse momento que Selim, irmão mais velho de Ahmet e pai de Suleiman aparece e mata o irmão. Ezio tenta atacá-lo, mas é parado por Sofia. Selim aproveita a ocasião e deixa claro que se fosse por Suleiman, o Mentor seria morto naquele exato momento, mas que ele deve deixar Constantinopla e nunca mais voltar.
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Escuridão toma conta da mente de Desmond por um momento até que começa a se dissipar. O assassino pisca algumas vezes sentindo o corpo dolorido e a cabeça apoiada em algo macio. Ele sente dedos contornarem sua face e levanta o olhar, encontrando os olhos calmos e o sorriso carinhoso de Sofia.
– Madonna? – ele questiona e ao ouvir a própria voz, percebe que, dessa vez, está sincronizado com Anna.
– Como se sente? – a veneziana mais velha questiona em um tom suave.
– Bem. – a ladra responde e olha para o lado, encontrando Ezio sentado e mostrando a sacola onde as chaves de Masyaf estão guardadas.
– Vamos para Masyaf? – o Mentor responde sorrindo e segurando a mão da filha.
Anna apenas assente e aperta a mão que envolve seus dedos. Ansiedade e alivio brigam no coração da jovem veneziana. Finalmente ela irá para o castelo de Altaïr. Será que uma vez lá, ela poderá encontrar o que o antigo Mestre Assassino tanto tem tentado mostrar para ela?
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Desmond retorna para a Ilha do Animus, mas a encontra se desfazendo em pequenos pontos brilhantes, sumindo. A poucos passos de onde ele se encontra, está Clay. Dezesseis abre os braços, mostrando tudo o que está acontecendo.
– Está vindo... – ele diz, a perna direita brilhando tanto quanto o resto da ilha.
– O que é isso? O que está havendo?! – o ex-bartender pergunta.
– Isso é o fim, Desmond. O apagamento estava agendado. – Clay explica e ao redor deles tudo começa a brilhar mais, a desaparecer mais.
Dezesseis corre e abraça Desmond com força. Pego de surpresa, o mais novo não sabe como reagir.
– O que está fazendo?! – ele questiona.
– O que é um homem, além da soma de suas memórias?! Nós somos as histórias que vivemos! Os contos que nós mesmos contamos! (1) – é a resposta dada por Clay. O brilho no corpo do mais velho começa a se espalhar e ele começa a sumir.
– Não faça isso! – Desmond pede.
– Eu estou te salvando, seu idiota! Vai! – e antes de empurrar Desmond em direção ao portal, Clay sussurra – Diga a Sophie que eu fico feliz por ela ter sobrevivido. – ele empurra o ex-bartender mantendo-o em um círculo de luz que o protege – VAI! – é a última coisa que Dezesseis grita antes de sumir por completo.
Sem alternativa, Desmond volta a passar pelo portal e a sincronizar com seus antepassados.
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Dessa vez, Desmond encontra Ezio em Masyaf, acompanhado por Sofia e Anna. Os três sobem as escadas que levam à entrada da fortaleza e, no caminho, o Auditore explica sobre Altaïr, o castelo e os assassinos.
– Você mencionou um Credo mais cedo. – Sofia comenta – O que ele diz?
– Nada é verdade. Tudo é permitido. – Ezio responde e compartilha um sorriso com Anna.
– Isso é bem cínico. – a livreira diz.
– Seria se fosse uma doutrina. Mas é apenas uma observação da natureza da realidade. – o Mentor explica – Dizer que nada é verdade, é perceber que as fundações da sociedade são frágeis e que devemos ser os pastores de nossa própria civilização. Dizer que tudo é permitido, é entender que somos os arquitetos de nossas ações e que devemos viver com suas consequências, sejam elas gloriosas ou trágicas. (2)
O trio entra na fortaleza e enquanto ouve Sofia, Ezio observa a atenção com que Anna analisa ao redor, como se estivesse absorvendo cada detalhe e cada sensação provocada pelo lugar.
– Arrepende-se de sua decisão? De viver como um assassino por tanto tempo? – Sofia pergunta e as palavras da italiana trazem a atenção de Anna de volta ao pai. Il Mentore percebe isso e também o eco das perguntas feitas pela ladra há muitos anos.
– Não me lembro de ter tomado essa decisão. Essa vida... Ela me escolheu. – Ezio responde olhando nos olhos azuis de Anna – Durante trinta anos, servi a memória de meu pai e de meus irmãos e lutei por aqueles que sofriam a dor da injustiça. – enquanto o assassino fala, Sofia percebe que a resposta para sua pergunta não é dirigida a ela, mas não se atreve a interromper. Ela sente que há algo especial nessas palavras, uma ligação entre Ezio e Anna — Não me arrependo desse tempo, mas já é hora de viver por mim mesmo e esquecê-los. Esquecer tudo isso.
Anna sorri e volta a caminhar, seguindo por um corredor lateral até a entrada de uma escadaria que leva para os andares inferiores da fortaleza. Ezio e Sofia a seguem.
– Então esqueça. – Sofia diz tocando o pulso do assassino – Vai ficar tudo bem.
Eles seguem pelas escadas até uma porta e através dela por mais escadas até encontrarem a porta da biblioteca de Altaïr. Anna se aproxima e toca o metal, contornando os desenhos esculpidos. O Auditore percebe que o corpo da filha treme levemente.
– O fim da jornada. – Ezio diz e Anna dá um passo para trás.
– O que vocês esperam encontrar atrás dessa porta? – Sofia questiona enquanto observa o italiano colocar as chaves nos locais certos.
– Respostas. – Anna responde.
– Conhecimento acima de tudo. – é a resposta de Ezio – Altaïr era um homem culto e um ávido escritor. Ele construiu esse lugar como um depósito para toda sua sabedoria. Ele viu muitas coisas em sua vida e descobriu muitos segredos, tanto perturbadores quanto estranhos. Um conhecimento que levaria homens comuns ao desespero.
– Isso não o preocupa? – Sofia pergunta.
– Sofia, já deveria saber. Eu não sou um homem comum. – Ezio responde fazendo a filha rir.
A porta é aberta e o Mentor se aproxima de Sofia para se despedir.
– É melhor você sair daí de dentro vivo. – a livreira diz tocando o peito do assassino – Vocês dois. – ela acrescenta olhando para Anna.
Ezio e Anna, então, seguem para a biblioteca lado a lado. O mais velho carrega uma tocha e, com ela, acende o caminho. Ao finalmente atingirem a biblioteca propriamente dita, pai e filha tem uma surpresa.
– Nada de livros... Nem sabedoria... – Ezio diz se aproximando da cadeira colocada no centro, onde um esqueleto com as vestes de um assassino descansa – Apenas você,fratello mio. – o Auditore se ajoelha e, ao seu lado, ele pode ouvir os soluços de Anna -Requiescat in pace, Altaïr. – Il Mentore pega a última chave, que começa a brilhar intensamente revelando a última memória do grande Altaïr.
Quando a memória de Altaïr se despedindo do filho e escondendo a Maçã se esvanece, Ezio segue até onde ele viu que o antigo assassino escondeu seu Pedaço do Éden. Por um breve momento, o assassino tem vontade de tocar a Maçã, mas se controla.
– Não. Você fica aqui. – ele diz, chamando a atenção de Anna, que se encontra ajoelhada aos pés do esqueleto de Altaïr, marcas de lágrimas desenhadas na face jovem – Já vi coisas suficientes para uma vida inteira. – o artefato começa a brilhar, envolvendo todo o lugar em sua luz dourada – Desmond? – Ezio chama.
Ele está falando comigo? O assassino moderno pensa surpreso.
– Já ouvi seu nome uma vez antes, Desmond, há muito tempo. E agora ele fica na minha mente como a imagem de um sonho antigo. Não sei onde você está ou de que modo pode me ouvir, mas eu sei que está me ouvindo. – o Auditore começa a se desfazer de sua armadura e de suas armas, deixando-as no chão – Vivi minha vida da melhor maneira possível, sem conhecer seu propósito, sendo arrastado para frente, como uma mariposa em direção a uma lua distante. E aqui, finalmente descubro uma verdade estranha. Que sou apenas um condutor de uma mensagem que ilude minha compreensão. Quem somos nós, que fomos abençoados de tal forma a compartilhar nossas histórias dessa maneira? A falar através dos séculos? Talvez você responda todas as perguntas que fiz. Talvez você seja aquele que fará esse sofrimento valer algo no final.
– Desmond? – Anna questiona familiar demais com o nome.
A ladra se levanta e caminha até onde o pai está, próximo ao compartimento que guarda a Maçã. Ezio faz menção de explicar, de dizer onde ouviu esse nome e por que diz tudo o que diz, mas Anna não espera para ouvir. A veneziana estica a mão, pegando a Maçã. Nesse momento, o brilho aumenta e Desmond sente como se agora fizesse parte de tudo isso e não estivesse como um mero espectador. Ele olha para frente, voltando a olhar para a face que o tem assombrado desde Monteriggioni. A face que é ao mesmo tempo igual e diferente da de Sophie. Mas Anna não é Sophie. As duas são muito diferentes, Desmond percebe isso agora.
– Você. – a ladra diz – Tem sido sempre você. – ela faz uma pausa e o ex-bartender tenta questionar, mas perde a oportunidade – Todo esse tempo, era a você que ele queria me levar. – as palavras de Anna apenas confundem Desmond. A italiana olha para a Maçã e em seguida de volta para o assassino – O que eu vi... O que eu deveria achar e mostrar a você... Ainda não é agora. Mas você deveria saber que isso nunca vai parar.
– O que...? – Desmond começa a perguntar, a mão erguida e tocando a Maçã. Ao sentir o metal do artefato, todas as palavras morrem nos lábios do assassino.
– Isso nunca vai parar. – Anna repete – Essa guerra nunca vai terminar, mas você tem uma escolha. Todos têm. E algumas escolhas levam a caminhos que não estavam programados, a trilhas que não foram vistas. Escolhas constroem a realidade, Desmond. Você abriu a metade de um caminho. E, talvez, agora a outra parte se abra.
– Do que você está falando? – Desmond pergunta, mas uma onda de energia deixa a Maçã acompanhada de uma voz.
– Não! – a voz diz e Desmond a reconhece. Ele já a ouviu antes. Em Monteriggioni e depois no Coliseu. Juno. – Isso não estava programado! – ela diz – Isso não foi previsto!
– Alguns erros são bons. – Anna diz voltando a atrair a atenção do assassino moderno e um medo frio invade o peito de Desmond quando ele vê as linhas vermelhas que escapam do nariz e por entre os lábios de Anna – Mas erros sempre sofrem. – a ladra se desequilibra e Desmond a segura. Pela primeira vez, ele pode tocá-la. – Construa seu destino, Desmond, sem medo. – ela diz com a cabeça apoiada no ombro do rapaz – Siga em frente. E, quando o momento chegar, eu vou te mostrar o caminho.
A Maçã escapa dos dedos de Anna e ela cai. Imediatamente, a luz some e Ezio corre até a filha. Atônito, Desmond pode apenas observar enquanto o Auditore envolve a ladra nos braços e um fantasma de branco se aproxima.
– Mi dispiace. – Anna pede tentando sorrir para Ezio – Diga à madre que ela estava certa, eu não vou voltar para casa. – lágrimas caem dos olhos do Auditore direto na face da veneziana e se misturam as que ela mesma deixa cair – Mas diga a ela que eu a amo. Eu amo vocês dois, padre. – os olhos de Anna se fecham e o Mentor abraça a filha com força.
– Requiescat in pace, Anna. – ele sussurra contra o cabelo negro.
O fantasma de branco toca o ombro de Ezio em um toque reconfortante e então se dirige até o ex-bartender. O Filho de Ninguém (3) também toca o ombro de Desmond.
– A mensagem para você ainda não foi totalmente entregue. – Altaïr diz.
Um segundo depois, a biblioteca some e Desmond se encontra conversando com um homem da primeira civilização. Júpiter. Esse homem mostra o destino que acometeu a Terra muitos milênios atrás, deixando-a destruída e praticamente desabitada. Ele pede para que Desmond siga até onde eles, da primeira civilização, trabalharam e falharam e, ao mesmo tempo, ele mostra onde esse lugar fica. Ele mostra o caminho.
E Desmond o segue.
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