Notas iniciais
A partir desse capítulo, começa a parte de Assassin's Creed III. Já aviso que essa parte será mais focada no presente e menos nas memórias revividas por Desmond. Não há muito o que seja relevante para o enredo dessa história nas vidas de Haytham e Connor.

A Rosa de Masyaf

Retorno

Desmond abre os olhos e se depara com as faces um pouco embaçadas de Shaun, Rebecca e William. A presença do mais velho surpreende o assassino, que não esperava encontrar o pai ao acordar. Com ajuda, o ex-bartender senta no Animus, sentindo o braço direito formigar e, ao olhá-lo, vê linhas azuis brincando sobre sua pele como se acompanhasse o brilho que emana da Maçã colocada em um canto.

– Eu sei o que nós temos que fazer. – Desmond diz, mas sem realmente ouvir. Há eco demais na mente do assassino. Eco de vozes e faces que ele sabe que nunca esquecerá.

Os quatro descem da van, seguindo para o local que eles esperam que seja a entrada para uma construção feita pela Primeira Civilização. Olhando ao redor, Desmond reconhece a região como sendo aquela mostrada a ele por Júpiter. Lembrar do homem, o faz recordar de Altaïr, da ponte construída através do toque do sírio para que ele pudesse encontrar com um Daqueles Que Vieram Antes. E lembrar sobre o Grande Mestre é um caminho certo para lembrar sobre Anna.

Desmond para por um momento e leva a mão ao rosto, esfregando os olhos. Ela morreu e não há nenhuma novidade nisso. Ele sabia que ela estava morta, ele a via como um fantasma! Então por que dói tanto pensar nela? Lembrar como ela morreu. Nos braços de Ezio. Ferida pela Maçã. E, quando o momento chegar, eu vou te mostrar o caminho. As palavras de Anna, o que elas significam? Como ela pode mostrar algo a ele se ela está morta há cinco séculos?

E Clay. O assassino mais velho deu a vida para ajudar e proteger Desmond. Ele morreu meses atrás, mas ainda assim é diferente pensar nisso e lembrar-se de como ele desapareceu junto com toda a Ilha do Animus. Pessoas morreram para ajudá-lo a abrir um caminho. Você abriu a metade de um caminho. As palavras de Anna, ele não consegue tirá-las da cabeça! Diga a Sophie que eu fico feliz por ela ter sobrevivido. O pedido de Clay, ele poderá realizar? Agora, fora do Animus, de volta à vida de assassino, Desmond poderá voltar a ver a irmã?

– Você está bem, filho? – ele ouve William perguntar e assente, voltando a caminhar. Tudo o que aconteceu... Como ele deveria lidar com tudo que viu, ouviu e, principalmente, sentiu?

Tentando afastar todos os seus pensamentos, Desmond se aproxima da parede pichada e coloca a Maçã em um círculo vazado. Uma luz dourada envolve a caverna seguindo pelas linhas que deixam o círculo e envolvendo toda a caverna.

– “Em outro momento, Alice desceu atrás dele, sem sequer pensar como poderia voltar a sair de lá.”

Desmond ouve as palavras de Shaun, mas mantém a atenção focada no caminho que se abre. Mais uma vez, o assassino se lembra das palavras de Anna, da italiana dizendo que ele abriu metade de um caminho. Era a isso que ela se referia, a esse caminho? Ou a outro, outra trilha que ele ainda tem que descobrir?

Os quatro assassinos seguem pelo corredor recém-aberto e então chegam até outra porta, aberta com a Maçã. Esse novo corredor dá acesso a uma alta e larga caverna. Encontrando um fragmento brilhante no chão, o ex-bartender o pega e o coloca em um compartimento que ele julga ser o correspondente. Uma luz azul se espalha pelas rochas, revelando uma complexa construção e uma porta no centro. O Templo Daqueles Que Vieram Antes. O local que Júpiter queria que ele fosse. Agora, só resta saber por quê. O que esse lugar tem de especial.

A chave. Desmond ouve e sua visão se torna embaçada. Você tem que achar a chave.

– Filho?

– Senhor? – o assassino ouve e sente uma mão em seu ombro. Ele vira o rosto e tudo parece girar.

– Lá vamos nós de nós. – o ex-bartender murmura caindo inconsciente.

xACx

– Desmond? – a voz de Rebecca é ouvida através do sistema de comunicação do Animus.

– Você nos ouve? – William pergunta.

– Sim. O que aconteceu? – Desmond responde voltando a se acostumar com a sensação de estar na máquina.

– O Templo causou um efeito de sangramento. Você colapsou e entrou em um estado de fuga. – o assassino ouve o pai explicar.

– Então, naturalmente, você me colocou no Animus em vez de... Não sei... Verificar se eu estava bem?

– Você não estava em perigo. – o líder dos Assassinos responde – Além disso, o Templo parece se comunicar com você e eu não queria arriscar cortar a comunicação. Pelo menos, não até descobrirmos o que pretende.

– Certo. Claro.

– Filho, eu...

– Não, está tudo bem. – Desmond diz – Eu entendo. E sei o que eu estou procurando. É uma chave. Não faço ideia de onde esteja... Acho que é por isso que ela iniciou o efeito de sangramento.

– Ela?

– Juno, pai. Ela está... Falando comigo.

Tendo a conversa se encerrado, Rebecca faz alguns testes com a ajuda de Desmond. Uma vez que confirmam que as novas atualizações não causam erros ou afetam Desmond, o assassino entra em sincronização com um novo ancestral. Haytham Kenway.

A primeira sessão nas memórias de Haytham é breve, pois o ex-bartender dessincroniza em intervalos de poucos minutos. Tentando diagnosticar o porquê isso acontece, Rebecca percebe que a mente de Desmond se encontra cansada e se sente sobrecarregada retornando tão cedo ao Animus. Com essa informação, todos decidem que é melhor que Desmond descanse um pouco antes que outra sessão possa ser feita.

Um pouco relutante, o rapaz aceita, mas antes decide comer algo, já que faz um tempo desde que seu corpo teve contato com alguma comida de verdade. Enquanto Desmond come, Rebecca continua a fazer testes no Animus e Shaun começa a pesquisar sobre Haytham e as pessoas que ele encontrou durante o tempo que Desmond pôde estar nas memórias dele. William, por sua vez, observa como o filho come em silêncio, o olhar distante e pensativo.

– No que está pensando, filho? – o assassino questiona.

– Em algo que eu ouvi enquanto estive em coma no Animus. – o rapaz responde sem olhar para o pai e colocando o lanche de lado.

– E o que seria? – William questiona cruzando os braços.

– Alguém falou comigo através do sistema de comunicação do Animus. – Desmond responde se levantando – Me disse para sair daquela máquina, para acordar. Me disse que eu era forte, que eu conseguiria.

– Não fui eu. – Rebecca diz sob o olhar questionador de William.

– Nem eu. – Shaun completa.

– Foi Sophie. – Desmond esclarece – Minha irmã.

– Isso é impossível. – William diz se virando para o filho – Sophie não esteve conosco em nenhum momento.

– Eu a ouvi. – o ex-bartender rebate – Eu sei que era ela, eu reconheci o jeito dela na voz que falava comigo. – um momento se passa em silêncio – Ela parecia ferida. Tossia demais.

– Eu não sei como é possível que você tenha ouvido a voz de sua irmã, Desmond. – o líder dos Assassinos diz – Ela não esteve conosco. Mas não se preocupe, Sophie está bem.

– Ela sobreviveu, certo? – Desmond questiona, mas não espera uma resposta, caminhando para o local onde eles arrumaram os sacos de dormir.

xACx

Eu preciso ir. Antes que o papai acorde. Ele não pode saber que estive aqui. Com os olhos fechados e deitado sobre um dos sacos de dormir, Desmond se lembra das palavras de Sophie. Ela falou com ele escondida, mas por quê? Que problema poderia ocorrer se o pai deles soubesse? Ele não consegue entender. Lentamente, o cansaço mental começa a dominá-lo e o assassino se entrega a escuridão do mundo dos sonhos. Sonhos que mais se assemelham a pesadelos.

Desmond sonha com paredes pintadas de vermelho. Olhos azuis nublados e opacos. Memórias fragmentadas de épocas passadas. Luzes douradas e azuis. E frases ditas em uma voz antiga, falando sobre erros. Por horas, Desmond ficou virando sobre o saco de dormir, atormentado pelas imagens e pelos sons. Suor molha a pele morena e uma memória o faz acordar. A memória de uma ladra morta nos braços do pai.

– O quê?! – a pergunta escapa pelos lábios do rapaz sem que ele controle.

O assassino assume uma postura sentada, as mãos sobre os olhos e os cotovelos apoiados nos joelhos dobrados. O que foi tudo isso? Um efeito colateral do efeito de sangramento?

– Você deveria se acostumar. – uma voz diz chamando a atenção de Desmond – Ainda há muito para você descobrir.

O rapaz afasta as mãos dos olhos e o que ele vê faz seu coração parar por um segundo.

– Não pode ser... – Desmond murmura.

– Olá, Desmond. – a mesma voz cumprimenta.

– Clay.

Notas finais
Por favor, deixem comentários. Críticas e sugestões são sempre bem vindas. Obrigada.