Notas iniciais
Obrigada meninas por me acompanharem nessa fic.
Adorei receber a visita de vocês por aqui.
Um grande beijo. =D

Capítulo 2 -Efeito.

Rin caminhava com dificuldade enquanto ajudava Sesshoumaru a andar. O plano era simples: levá-lo ao hospital e depois ligar para algum familiar informando todos os detalhes. Mas Sesshoumaru não queria ser levado para hospital nenhum, preferia ir para casa e de lá ligar para seu médico particular em quem tinha a maior confiança. Rin acabou cedendo aos caprichos do homem, tratou de pegar um táxi.

Parou o primeiro que viu e fez com que Sesshoumaru entrasse no banco de trás. Enquanto ela se direcionava para o banco da frente para deixá-lo mais confortável atrás.


O taxista achou suspeito aquele homem todo ferido no seu carro. Fitou Rin com desconfiança que logo fechou o semblante para ele.

–O quê o senhor está esperando? Vamos logo.

O taxista ainda desconfiado com aquela situação deu início a partida sem fazer mais nenhum comentário. Sesshoumaru havia dito a Rin como fazer para chegar. Deu a ela todas as coordenadas para que repassasse ao motorista e se tivesse qualquer dúvida, ele a ajudaria.

Mas não foi necessário. Rin sabia chegar ao bairro que ele havia lhe dito, isso porque lá ficava o restaurante em que Kohaku insistia em levá-la.

Sesshoumaru puxou do bolso um celular bem pequeno. Procurou com dificuldade o número de seu médico e quando por fim encontrou apertou o botão para ligar.

Na terceira chamada uma voz fraca atendeu ao telefone monotonamente.

–Sesshoumaru?

–Shinji, preciso que vá até a minha casa imediatamente.

–O quê aconteceu com você? –a voz do outro lado parecia preocupada. –Está com uma voz esquisita.

–Faça o que eu falei.

–Está bem, chegarei em poucos minutos.


Assim que desligou o celular, Rin virou-se para trás surpresa pela presença do aparelho. Franziu a testa confusa e logo seus olhos se encontraram. Ela sentiu-se um pouco sem graça, por tê-lo encarado daquele jeito do nada, mas não pode evitar.

–Não levaram o celular do senhor?

–Não... Eu lembrei dele agora. Estava no fundo do bolso.

–Ah, claro. –assentiu.

...

Assim que o táxi parou na frente de uma enorme mansão, Rin arregalou os olhos completamente pasma. Seria ali mesmo? Virou-se para trás rapidamente e antes que perguntasse se estavam no local certo, Sesshoumaru assentiu.

Rin puxou algumas notas de dentro do bolso e pagou ao taxista que pareceu aliviado por se livrar daqueles dois. Fazia pouco tempo que trabalhava no ramo e não queria atrair problemas logo no início da carreira.

Rin saiu do táxi rapidamente, deu a volta e abriu a porta do carona, de onde puxou um homem completamente dolorido e machucado. Ela fitou o motorista como se pedisse ajuda, mas este fingiu que nem havia visto.

Logo, ela franziu o cenho com raiva, aquele pouco caso que ele fizera a irritou completamente.

–Hei, você! Motorista!

–O quê é? –ele respondeu ríspido.

–Por que não ajuda?

–Porque eu não sou enfermeiro e já fiz o meu trabalho! Tenha santa paciência!


O motorista arrancou com o carro deixando aqueles dois seres em pé. Rin rosnou com raiva, não conseguia acreditar naquela indiferença.

–Que idiota! Eu devia ter chutado aquela lata-velha!

Sesshoumaru deixou um sorriso escapar dos lábios, um sorriso ligeiro. Aquela menina era realmente impressionante.

Rin não demorou muito com sua expressão de raiva que sumiu tão rápida como o motorista de táxi. Ela logo abriu um sorriso gentil e fitou Sesshoumaru.

–Bom, chegamos. Eu vou ajudar o senhor a entrar.

–Não será preciso.

–Mas...


E foi só o empresário dizer aquela frase para dois seguranças saírem correndo de dentro da mansão e irem até o seu encontro. Rin ficou abismada com aquela agilidade, quando deu por si, ele já estava sendo carregado pelos dois brutamontes que passaram os braços de Sesshoumaru em seus robustos ombros, cada um de um lado.

–Senhor! O quê aconteceu? –um dos seguranças indagou surpreso.

–Não é hora pra isso.

–Vamos levá-lo ao hospital. –disse-lhe o outro.

–Não. Já mandei Shinji vir até aqui. Me levem para dentro.

–Agora mesmo, senhor.


Rin ficou observando toda aquela cena, iria se despedir, mas logo desistiu e virou-se para ir embora. Assim que deu os primeiros passos, Sesshoumaru gritou para ela e como recompensa sentiu uma enorme dor na costela que o fez se retesar.

–Rin!

–Sim? –ela voltou-se para ele.

–Entre, por favor.

–Obrigada, mas é que eu preciso ir pra casa agora...

–Entre. –ele insistiu. –Peço para o motorista levá-la até a sua casa.

–Não precisa, eu...

–Vamos ficar até que horas no portão? –ele girou os olhos irritado. –Faça o que eu falei.


...


A mansão dos Taishou era algo impressionante.

A começar pelo enorme jardim bem cuidado de grama verde. A decoração era algo fantástico. Havia um chafariz no coração do jardim, de onde esguichava água límpida e cristalina. Não faltavam flores das mais curiosas e mais belas.

A fachada da mansão era de um tom pastel. As janelas de madeira, que estavam por todos os lados, anunciando inúmeros quartos, eram brancas como as nuvens fofas.

A mansão estava com algumas luzes acesas, tanto do lado de fora como do dentro. Assim que Sesshoumaru viu seu carro ficou surpreso. Ele não tinha sido levado, assim como suas outras coisas. Isso só confirmou a sua suspeita de que alguém queria ter lhe dado uma lição. Mas saber quem era, certamente era tarefa complicada. Havia tantas pessoas que lhe queriam mal. Apontar um nome era como apontar para uma das estrelas no céu.


Entraram finalmente dentro da casa.

O chão da sala era revestido por um piso espelhado bem desenhado, um parquet legítimo de cor arenosa. Havia um sofá preto no centro que parecia ser muito confortável. Um tapete felpudo branco e uma pequena mesa de centro.

Um televisor parecia estar encaixado perfeitamente na enorme estante de madeira branca que era belíssima e decorada com algumas estátuas abstratas.

Havia um quadro de um navio na parede alaranjada e uma escada de mármore preto no canto.

No teto, um grande lustre pendia como numa cascata e iluminava todo aquele aposento. As cortinas de um branco quase transparente balançavam como numa dança mística quando o vento por elas passava.


Rin ficou impressionada com a riqueza e a sofisticação do local. Não conseguiu deixar nenhuma palavra escapar da boca, temeu ter sido mal educada por ficar olhando daquele jeito para a casa dos outros, mas foi mais forte do que ela. E também, não era um olhar de cobiça... Era de admiração e espanto.


De repente, de um dos corredores, o secretário careca e falastrão apareceu e levou um tremendo susto ao ver o seu chefe naquele estado deplorável. Arregalou os olhos que já eram arregalados e pôs-se a tagarelar sem parar.

–O quê aconteceu? Meu Deus! Senhor Sesshoumaru! O quê fizeram com o senhor?


Os seguranças nem se deram o trabalho de parar, continuaram a carregar Sesshoumaru escada acima enquanto o secretário ia tagarelando sem parar palavras nervosas e desesperadas. Ele nem havia percebido a presença de Rin que ficou sem saber se seguia ou continuava na sala.

Por via das dúvidas resolveu ir atrás da única pessoa que conhecia, em termos. Subiu as escadas juntamente com todos.


Assim que chegaram no segundo andar, os seguranças foram guiando Sesshoumaru até o seu quarto que ficava na terceira porta.

Eles entraram sem cerimônia.


...


A suíte do senhor Taishou era enorme e bela.

Não dava para se ver o chão, visto que, este era completamente coberto por um tapete macio da cor baunilha.

As paredes eram azuis. Azul marinho bem forte. Parecia que as paredes tinham acabado de serem pintadas.

Havia uma cama de casal duplo, coberta por um edredom cinza. Um criado mudo ao lado da cama com um abajur encima.

Um armário de mogno escuro ocupava uma parede inteira.

Havia dois sofás nos cantos e uma porta de vidro que dava aceso a varanda.

Um armário cheio de CD’s e com uma aparelhagem de som moderno.

E outra porta no sentido contrário que devia dar para o banheiro.


O quarto era luxuoso, impregnado de estilo e sofisticação.

Sesshoumaru era um homem de muito bom gosto e que não tinha pena de gastar sua enorme fortuna.


Os seguranças o levaram até a sua cama e com muito cuidado deitaram o senhor que tentava disfarçar ao máximo seu semblante de dor. Os seguranças pediram licença e se retiraram a pedido de Sesshoumaru.

Ficaram no quarto Jaken e Rin, que sentiu-se completamente deslocada.

O secretário correu até ficar ao lado de Sesshoumaru, ainda não tinha notado a presença da mocinha.

–Senhor Sesshoumaru, não era melhor ir para um hospital? Pode ter quebrado alguma coisa.

–Eu é que vou quebrar você se não parar de falar. –o encarou seriamente.

–Mas, senhor Sesshoumaru!

–Eu já falei com Shinji, Jaken... Ele está vindo pra cá.

–Ah, claro, senhor Sesshoumaru! Foi uma boa ideia.

–Eles não levaram nada, não é?

–Não senhor. –assentiu. –Eles só o levaram...

–E o motorista?

–Está bem também. Só ficou assustado. Mas eu já avisei a polícia, tenho que ligar de novo para avisar que já encontramos o senhor.

–Peça pra outro fazer isso. Preciso de você pra outra coisa.

–Pode falar.

–Quero que leve Rin até em casa.

–Rin? –ele indagou confuso. –Quem é Rin, senhor Sesshoumaru?

–Sou eu. –ela falou com um sorriso sem graça.

–Ah! –Jaken levou um susto ao vê-la.

–Não acredito que não a tinha visto com esse olho enorme. –Sesshoumaru ficou incrédulo.

–Desculpe, senhor Sesshoumaru! É que eu fiquei preocupado com o senhor e...

–Jaken! –ele o chamou irritado. –Ela está esperando!

–Sim, sim claro! –Jaken a fitou sem entender. –Vamos, por favor.

–Tudo bem. –ela assentiu ainda com um sorriso amarelo.

–Rin. –Sesshoumaru a chamou com seriedade.

–Sim? –ela voltou-se para ele curiosa.

–Passe aqui amanhã... Há uma coisa que precisamos acertar.

–Como? –indagou franzindo o cenho.

–Até amanhã. –cortou o assunto.


Rin ficou sem entender, mas antes de insistir no diálogo, pensou melhor e desistiu. Tinha que ir pra casa o quanto antes. Kagome aquela altura já deveria ter chamado a polícia.

Assentiu para Sesshoumaru e saiu logo em seguida com Jaken.


...


No estofado de couro do banco de trás, Rin ia em silêncio. Jaken estava ao seu lado se mordendo de curiosidade para saber quem era aquela menina e qual era a sua ligação com o seu chefe. Não conseguia prender a língua entre os dentes, sua curiosidade estava o matando, tirando o ar de seus pulmões.


Rin fitava as ruas vazias. Era tão tarde...

Queria estar tão preocupada com Kagome como a prima possivelmente estava com ela, mas não conseguia. Não conseguia pensar na prima se descabelando. Só conseguia pensar naquele misterioso homem... Em seus olhos claros, na pele marfim. No seu hálito, no perfume...

Ah, como desejava tirá-lo da mente! Ele a torturava mesmo sem ter consciência disso. E aquilo com certeza era estranho, e soava mais estranho ainda para ela.

Ficou atordoada quando sentiu o pulso acelerado e a vontade de não ter ido embora e sim de ter permanecido ao lado dele, descoberto mais sobre ele... Queria saber de tudo, mas também de nada.

Conhecer. Era isso que esperava que acontecesse.

Ela o queria conhecer, saber de tudo, de todos os detalhes de sua vida.

Seus segredos, seus medos, suas vontades, seus desejos... Tudo!

Essa vontade instintiva a horrorizou.


–Rin, não é? –Jaken bem que tentou ficar calado.

–Sim, senhor. –ela o fitou saindo do transe.

–Desculpe perguntar, mas como conheceu o senhor Sesshoumaru?

–Ah! Na verdade eu não o conheço. Eu só o ajudei.

–Ah, então foi você que o levou para casa?

–Foi. –assentiu. –Foi isso.

–Quanto você gastou de táxi? –Jaken pegou a carteira do bolso e foi a abrindo. –Que eu acerto com você.

–Por favor, não. –ela ficou sem graça e colocou a mão encima da carteira de Jaken. –Guarda o seu dinheiro. Eu fiz porque quis, não pedi nada em troca.

–Mas eu só vou estar devolvendo, o senhor Sesshoumaru não vai gostar nada dessa história de você não querer. O que eu vou dizer pra ele, Rin?

–Diz a verdade, oras. –ela deu de ombros. –Diz que eu não quis e pronto.

–Você vai acabar me comprometendo, menina.


...


O Doutor Shinji era um homem interessante. Devia ter a mesma idade que Sesshoumaru e também era herdeiro de uma grande beleza singela.

Seus cabelos grisalhos penteados para trás e os olhos de um negrume profundo chamavam a atenção das enfermeiras e médicas no consultório que ele trabalhava há vinte anos.

Ele, um homem de altura mediana e sorriso fácil, era o melhor amigo e confidente de Sesshoumaru desde os tempos da faculdade.

Shinji usava uma roupa comum. Camisa azul marinho, calça jeans larga e tênis preto. Por cima do corpo usava um jaleco branco aberto que ia até os joelhos, e segurava na mão direita uma maleta de couro preta.


Assim que penetrou no quarto de Sesshoumaru levou um susto que o fez fechar o sorriso e correr até ele em passos largos. Depositou a maleta de qualquer jeito no tapete felpudo e o encarou incrédulo.

–O quê significa isso? Entrou em alguma briga?

–O quê? –Sesshoumaru girou os olhos. –E eu sou homem de entrar em briga? Por favor, Shinji.

–O quê aconteceu? Foi um assalto então?

–Shinji, eu preciso de um médico agora e não de um curioso.

–Claro, claro! Eu vou ajudar você. –assentiu.


Enquanto Shinji analisava Sesshoumaru com seus aparelhos modernos, o empresário ia contando tudo que lhe aconteceu. Mesmo que às vezes perdesse o fôlego quando sentia uma dor lancinante.

–Sesshoumaru, devia ter ido ao hospital.

–E pra quê? –ele o fitou. –Pra que eu iria ao hospital se tenho o melhor médico da cidade? Não seja ridículo.

–Tem que parar de achar que eu posso resolver tudo. Podia ter quebrado algum osso, ou precisado engessar. Eu não carrego tudo na minha maleta. Quando você me ligou achei que fosse alguma gripe forte ou coisa assim.

–Você resolveu, não resolveu? –indagou impaciente.

–Você não tem jeito. –balançou a cabeça negativamente com um sorriso nos lábios. –Não tem nada de grave com você. São só dores musculares, se tomar os remédios que irei te passar ficará tudo bem. Tome um banho que depois farei uns curativos em você.

–Ótimo.

–Já avisaram a polícia?

–Já. Um dos empregados fez isso.

–Vai prestar queixa?

–Pra que? Não vão descobrir quem foi, Shinji. Eu não vi o rosto de ninguém, não vi a placa do carro deles e nem ao menos tenho a quem acusar. Como eles vão começar uma investigação às cegas? Só irei perder o meu tempo indo até lá.

–Não acho bom você esquecer esse assunto.

–Não vou esquecer, isso seria quase impossível. Só não quero passar a minha manhã numa delegacia imunda a troco de nada. Se ao menos eu tivesse alguma pista... Mas nem isso eu tenho.

–Se eu fosse você, eu iria mesmo assim.

–Esse é um dos motivos de você ser Doutor Shinji e eu o Empresário do ano. –ele falou debochado.

–O empresário do ano arrebentado. –ele retribuiu ironicamente. –Mas me conte outra coisa...

–O quê?

–Cadê a mocinha? –ele sorriu de forma sarcástica. –Não vai me apresentar a sua heroína?

–Jaken foi levá-la em casa junto com o motorista. –Sesshoumaru voltou a seriedade.

–Ela foi assim mesmo de mãos abanando? Eu sempre soube que você não era um homem caridoso, mas por Deus! Ela salvou a sua pele e você não deu nada em troca?

–Não seja idiota. –ele rosnou irritado. –Eu pedi para que ela viesse até aqui amanhã.

–Ah, agora sim é o Sesshoumaru que eu conheço.

–Acha mesmo que iria ficar devendo favor aos outros?

–Não, com certeza não. –ele o fitou com os olhos travessos. –Ela é bonita?

–Por favor! –ele girou os olhos irritado. –Que importância isso tem?

–Ah, então ela é bonita! –ele riu de escárnio. –Sesshoumaru... Você é cheio de surpresas.

–Cala essa boca.


...


O motorista parou na frente de um prédio grande que parecia ter diversos andares.

A fachada do prédio era de um azul claro e os portões grandes e intimidadores, que mais pareciam lanças enfileiradas, estavam pintados de preto.

Jaken torceu o nariz para aquele lugar. Não porque fosse feio, mas porque não era um lugar que estava acostumado, desde que se juntara a Sesshoumaru, a frequentar.


Rin sorriu aliviada. Finalmente tinha chegado em casa e poderia explicar tudo com calma a prima. Ela voltou-se para Jaken que a fitou.

–Obrigado, senhor Jaken. É aqui mesmo.

–Tudo bem.

–Boa noite.

O secretário assentiu no mesmo momento em que a menina desceu do carro. Assim que fecharia a porta, ele a segurou a fazendo ficar confusa.

–Rin, apareça amanhã.

–Eu vou sim. –ela falou sem ter realmente certeza se iria aparecer.

–Então está bem.


Jaken fechou a porta por dentro enquanto Rin assentia para o motorista e agradecia.


...


Dentro do apartamento 602, havia uma morena sentada no sofá da sala, ela já usava a camisola rosa de seda. Uma caneca de chá quente preenchia a sua mão direita.

Kagome é uma mulher de profundos olhos castanhos e herdeira de uma beleza singela. Seus cabelos lisos estavam soltos e pediam pelos ombros. Seu corpo esbelto era bem moldado e chamativo.

Mas mesmo que fosse a mulher interessante que parecia ser –e de fato era –Não tinha namorado e nem um pretendente a vista. Passara muitos anos de sua vida com o ex-namorado Houjo que apesar de ser uma pessoa boa e solícita, não era a pessoa certa. O namoro que quase rendeu casamento foi interrompido pela própria.


Assim que a fechadura da porta deu sinal de vida, Kagome ergueu-se num solavanco e repousou a caneca na mesa de centro. Soltou um suspiro de alívio assim que viu a prima adentrar a casa com um sorriso torto no rosto.


–Cheguei! –ela começou.

–Por onde andou o dia inteiro? –ela cruzou os braços aborrecida.

–Desculpe, Kagome. Eu tentei avisar, mas fiquei sem bateria no meu celular.

–Eu liguei pra todo mundo, ninguém te viu o dia inteiro! Kohaku também está te procurando e...

–Kohaku... –ela suspirou desanimada, de repente lembrou-se de seus próprios problemas.

–Rin, me conta. O quê está acontecendo?

Rin sentou-se no sofá macio ao lado da prima. O apartamento era confortável, mas definitivamente não era grande. Possuía a sala, onde elas estavam. Uma cozinha minúscula onde só dava o fogão, a geladeira, o armário pendurado na parede e a pia para lavar a louça.

E também dois quartos pequenos e um banheiro.

Não se encontrava luxo e sofisticação como na mansão Taishou, mas era bem arrumado e decorado pelas duas. Elas gostavam dali. A vizinhança era boa e tinham total liberdade. Era um bom lugar para se viver.


–Meu Deus! –Kagome soltou a exclamação. –Não acredito que se arriscou desse jeito!

–Nem eu... Na hora eu não pensei em nada, Kagome. Eu só pensei em ajudar aquele homem.

–E se ele fosse um bandido ou pior e se ele é um bandido!

–Não, ele não é não. –ela riu balançando a cabeça negativamente. –A não ser que ele faça parte da Yakuza. Ele falou que se chamava Sesshoumaru Taishou. Esse nome me soa familiar, acho que...

–Taishou? Sesshoumaru Taishou você disse? –Kagome arregalou os olhos incrédula.

–Sim, foi isso que eu falei. Por que? Você o conhece?

–Claro que sim! Eu escrevi uma matéria sobre ele algum tempo atrás. Esse homem é um empresário muito famoso. –falou deslumbrada.

–É, pelo jeito é ele mesmo. –assentiu. –Ele não tinha uma casa, Kagome, ele tinha uma mansão imensa! Sem falar que foi o motorista particular dele que me trouxe aqui.

–Eu imagino. Ele é um homem muito influente. Não acredito que ajudou um desses figurões! Só você mesmo. –ela riu balançando a cabeça.

–É, devo concordar. Ele falou para eu voltar amanhã, mas eu não sei não, Kagome. Acho que não vou.

–E por que não? –indagou sem entender.

–Não sei. O quê ele quer comigo? Já o ajudei, isso não é suficiente?

–Vai ver que ele quer te agradecer de algum modo. Talvez queira te recompensar.

–Ah, não! Eu não quero nada! –falou franzindo o cenho. –Não quero nada de ninguém, Kagome. Eu já falei até mesmo pro secretário dele isso. Eu fiz o que fiz de coração, porque eu quis fazer. Ele não precisa me dar nada em troca.

–Rin, se eu fosse você eu iria até lá.

–Por isso que você é a jornalista cobiçada e eu a artista chata que gosta de jazz e melancia. –ela riu caçoando. –Não acho que seria bom eu ir... Não vou conseguir aceitar nada.

–Ah, Rin! Como você é boba. –ela riu. –Mas vai sim. Pelo menos pra saber como ele está. Se ele quiser oferecer alguma coisa, diga que não quer e explique os seus motivos. Pelo menos faça o que ele está te pedindo. Eu o entendo de algum modo. Ele só quer te agradecer que mal tem nisso? Ora, vamos. Não seja teimosa.

–Está bem, você me convenceu! –ela suspirou cansada. –Eu vou então.

–Ótimo! –sorriu satisfeita.

–Sabe Kagome... –ela baixou os olhos, tentava encarar qualquer objeto inanimado.

–O quê?

–Esse homem de alguma forma me pareceu familiar. Como se eu já o conhecesse de muito tempo.

–Ah, ele é famoso. –deu de ombros. –Já deve tê-lo visto nos jornais ou até mesmo na televisão.

–Não. Você não entendeu. Foi como se eu já o conhecesse, como se já tivéssemos nos falado, nos visto pessoalmente. Sabe, foi uma sensação esquisita. Era como se eu soubesse tudo e nada. –ela finalmente a fitou. –Foi uma sensação intensa. Senti como se aquele nosso encontro não fosse algo acidental, como se fosse para acontecer.

–Rin, por favor, –ela balançou a cabeça negativamente. –diga pra mim que não está encantada por ele.

–Eu não sei, Kagome. –teve de admitir dando de ombros. –Não sei o que senti e nem o que estou sentindo agora. A única coisa de que tenho certeza é que esse homem, o senhor Sesshoumaru, me causa um frenesi. É como se eu não fosse eu mesma quando estou ao lado dele.

–Rin... –franziu a testa. –Não quero que se magoe.

–Eu também não. Esse também é um dos motivos para eu não querer mais voltar naquela casa. Não sei como será o nosso reencontro. –ela sorriu, parecia de animação, mas era puro martírio. –E mesmo que eu esteja doida pra ir, transbordando de expectativa e anseio, não consigo acreditar que isso será bom pra mim. Você sabe, Kagome que não estou passando por um momento muito bom... Não quero me ferir mais.

–Eu sei. –ela acariciou os cabelos da prima suavemente. –Mas acho que você precisa ir. Precisa saber no que esse encontro vai dar. Acha que seria melhor viver na dúvida? Você precisa saber, precisa revê-lo para ter certeza ou pelo menos ter um caminho. Tem que enfrentar isso. Às vezes não é nada, foi só uma sensação esquisita que você está confundido. Você teve um dia cheio, passou por uma experiência difícil com o Kohaku. Você não tem certeza de nada ainda, Rin.

–Você tem razão... Vai ver que eu confundi tudo na minha cabeça... –ela suspirou. –Disse que falou com o Kohaku hoje, como ele está?

–Ele não parecia nada bem no telefone, mas ficou preocupado com você. Eu não sabia que você iria terminar com ele, me desculpe. Se eu soubesse nem tinha telefonado.

–Tudo bem... Eu vou ligar pra ele.

–Faz isso sim. Ele gosta muito de você, Rin.

–Eu sei...

–Mas e então? A que horas você vai encontrar o senhor Taishou? –ela sorriu animada.

–Não sei. –deu de ombros sorrindo. –Talvez depois do almoço.

–E ele é bonito, não é?

–É. –assentiu rindo de leve. –Ele é muito bonito.

–Se você ousar sair da casa dele e não me ligar logo em seguida, eu juro que quebro sua câmera fotográfica!

–Eu vou contar. –ela riu e logo levantou-se do sofá. –Mas agora eu vou dormir... Amanhã eu tenho um dia cheio pelo visto.

–É, tem mesmo. –concordou levantando-se também.

–Só espero que tudo acabe bem...

–Vai sim. Tudo vai dar certo, eu garanto.

–Mansão Taishou, aí vou eu!


CONTINUA...