A Roda Da Fortuna
3 Visita
Notas iniciais
Capítulo 3 -Visita.
Os raios de sol entraram pela janela do sexto andar preguiçosamente. Alguns feixes de luz amarelada invadiram pela janela sem cortina e estacionaram sua magnitude no rosto daquela bela menina.
Rin abriu os olhos em virtude daquela claridade. Estava no seu quarto, deitada na cama de solteiro.
Levantou-se de forma preguiçosa, ainda sentia o corpo cansado pela noite anterior, tinha se surpreendido consigo mesma por ter conseguido dormir sossegada.
Pensou de novo naqueles olhos mel, naquela íris açucarada e misteriosa. Mais uma vez o frenesi e a vontade de sair correndo em busca de respostas. Desvendar cada mistério, um por um, sem pressa.
O quarto de Rin era bem simples e pequeno. Havia uma cama de solteiro encostado na parede marfim, um armário de mogno na outra, uma escrivaninha branca, um tapete pequeno ao lado da cama e uma janela comum de aço.
Rin olhou para o relógio encima da escrivaninha e ao ver a hora deu um salto. Já eram onze da manhã e não tinha feito absolutamente nada. Saiu correndo em disparada. Fazia tempo que não dormia tanto.
Arrumou-se como todo dia, foi até o banheiro para fazer a higiene matinal e prepara-se para um longo dia. Colocou um short laranja e uma blusa branca de ficar em casa. Estava pronta para começar.
Assim que pegou a vassoura escutou o telefone de casa tocar. Saiu correndo para atender, quase caiu de cara no chão, por sorte conseguiu equilibrar-se.
-Alô?
-Rin? Rin é você? –a voz do outro lado parecia preocupada.
-Kohaku?
-O que houve com você? Kagome me ligou ontem à noite, ninguém sabia onde você estava!
-Ah, eu esqueci de ligar ontem pra te avisar. –suspirou arrependida. –Desculpa, eu realmente esqueci. Não queria te deixar preocupado.
-Tudo bem, o que importa é que você está bem. –ele respirou aliviado.
-Como você está, Kohaku?
-Como acha que eu estou, Rin? –fez uma pausa. –Escuta, precisamos conversar.
-Kohaku, não temos mais nada pra conversar. Eu já tomei minha decisão.
-Mas Rin, ainda não compreendo! Não consigo aceitar isso! Não pode enfiar sua decisão goela a baixo sem me dar uma explicação.
-Eu já dei a minha explicação. –ela ficou incrédula. –Pelo jeito você é que não a ouviu.
-Não acredito naquela explicação. Não consigo me agarra a ela. Acho que aquilo não é o suficiente para se terminar um namoro de tanto tempo!
-Eu sinto muito, mas não posso falar o que você quer ouvir. O que eu falei é a verdade, se você não acredita, não há nada que eu não possa fazer.
-Rin...
-Eu preciso desligar agora, tenho muita coisa pra fazer.
-Há outra pessoa, não é?
-O que? –aquela pergunta a assombrou.
-Me responde! Há outra pessoa? –ele indagou com uma expectativa avassaladora. Ela podia sentir o fogo na sua voz.
-Não. –respondeu rápido. –Não há ninguém.
-... Nos falamos depois então.
-Está bem.
-Tchau.
E antes que ela pudesse responder, ele já havia desligado o telefone. Rin fitou o teto confusa. Não sabia o que fazer com Kohaku. Sua voz ao telefone estava degradante e mesmo que não o tivesse vendo, imaginava como ele se encontrava. Ficou chateada com aquela situação, mas o que poderia fazer? Seu relacionamento estava falido, e ela sabia que não era por culpa dele.
Já algum tempo não se sentia mais tão feliz, tão animada. Tudo havia ficado repetitivo de mais, comum de mais. A vida lhe era monótona, chata e previsível. Não sabia o que de fato faltava, o que sabia era que havia um enorme buraco, um vazio que precisava ser preenchido.
Num estalo ela voltou a si. Colocou o telefone no lugar e decidiu fazer outra coisa que certamente não envolvia arrumar a casa.
.....
Sesshoumaru já tinha acordado há muito tempo e já estava no escritório da sua casa atendendo a telefonemas e tentando, da sua maneira, não deixar de trabalhar. Tinha muito que resolver.
Ainda sentia dor, mas não se comparava com antes. Tinha tomado os remédios e estava com vários curativos espalhados pelo corpo. Ele não queria deixar-se abater pelo evento lastimável da noite anterior. Não queria ficar pensando no incidente.
Alguns movimentos ainda lhes eram doloridos. O simples fato de levantar era tortuoso. As costelas e o abdômen latejavam. Dormir tinha sido um desafio.
O escritório da mansão ficava num cômodo grande.
Havia uma mesa grande com um computador sofisticado encima. Móveis espalhados harmonicamente. Uma porta enorme de vidro que dava acesso ao jardim. Uma estante com diversos livros e poltronas acolchoadas.
Sesshoumaru estava atrás da mesa, sentado numa cadeira confortável que lhe recostava bem as costas. Ele analisava alguns papéis enquanto mexia no computador. Estava preso em seus assuntos como o pretendido. Queria ficar abarrotado de serviço para não pensar mais naquela jovem misteriosa. Não pensar mais nos olhos chocolates. Não queria admitir, mas estava ansioso para vê-la novamente. Estava a esperando chegar desde o momento em que abriu os olhos.
Ouviu batidas na porta de madeira escura. Elevou o rosto dos papéis.
-Entra.
A porta deslizou para o lado direito revelando o secretário careca e olhudo que usava um terno, calças e sapatos sociais preto. Uma blusa branca e uma gravata azul marinho.
-Senhor Sesshoumaru, tem alguém que quer falar com o senhor...
-Quem? –indagou com ansiedade. –É aquela menina de ontem?
-Não, senhor. –balançou a cabeça negativamente, estava apreensivo.
-Então quem é? –indagou confuso.
-É Inuyasha.
-O quê? –ele ficou incrédulo. –O que ele está fazendo aqui?
-Eu não sei... Quer que eu o mande entrar, senhor Sesshoumaru?
-Mande-o entrar.
Um rapaz jovem de vinte e oito anos adentrou o escritório com um sorriso na face.
E não veio sozinho, entrou também com Arurun, o Golden Retriever caramelo de olhos doces que pertencia a Sesshoumaru.
O jovem era bonito como o meio-irmão, mas de fato era diferente.
Inuyasha era possuidor de olhos castanhos escuros, quase negros. Cabelos pretos cumpridos que estavam presos num rabo de cavalo baixo.
Ele tinha um porte físico chamativo, era um pouco mais baixo que Sesshoumaru, mas ainda sim era alto. Usava uma camisa preta, um jeans comum e um all star nos pés. Havia uma revista enrolada como um rocambole embaixo do seu braço.
Inuyasha fazia carinho em Arurun que balançava o rabo contente e ficava pulando encima do rapaz o tempo inteiro.
-Calma, garoto! –ele riu. –Sesshoumaru não dá atenção a você não?
Sesshoumaru o olhou de cima a baixo assim como Inuyasha que não conseguiu prender o riso ao ver o meio-irmão naquele estado. Ele agachou-se ao lado de Arurun enquanto o cachorro deitava preguiçosamente esperando o mimo pretendido. Inuyasha continuava a rir enquanto acariciava aquele animal peludo que pouco a pouco se aquietava.
-O que aconteceu com você, Sesshoumaru? Alguém finalmente foi mais esperto que você e te arrebentou a cara? Ah! Como eu queria ter visto essa cena!
-O que é que você quer aqui? –ele indagou nervoso e acabou se retesando com uma fisgada bruta que sentiu na costela.
-Eu fiquei sabendo do que houve com você. Vim ver como estava e saber o que aconteceu. Só isso. –deu de ombros.
-Veio aqui só pra rir de mim? –ele sorriu irônico. –Bem se vê que a ocupação é algo que lhe falta, Inuyasha.
-Vim ver como estava, seu mal agradecido! –ele rosnou irritado. –Achei que estivesse de cama, morrendo, mas pelo jeito sua língua continua afiada. Humpf! Você apanhou foi pouco, então. Não fizeram o trabalho direito.
-Como ficou sabendo disso?
-Como eu fiquei sabendo? Como todo mundo ficou sabendo? Era isso que você tinha que estar se perguntando. –Inuyasha girou os olhos. –Algum jornalista o viu chegar todo arrebentado. Tirou foto e tudo! Agora sua cara está numa revista de fofoca. Não acredito que você não percebeu o flash da câmera. Estava em que mundo quando ele tirou a foto?
-Não acredito! Está brincando comigo! –ele levantou-se bruscamente o que o fez sentir mais uma vez a fisgada bruta.
-E a propósito, quem é aquela garota da foto? Eu nunca a vi antes.
-O quê? Me mostra essa revista, agora!
-Por que está tão nervoso, senhor Sesshoumaru? –falou irônico. –Anda fazendo algo que não deveria?
-INUYASHA!
-Eu hein, toma!
Inuyasha deixou Arurun um pouco de lado, levantou-se calmamente e jogou a revista de qualquer jeito encima da mesa do empresário que não perdeu tempo e a pegou sem hesitar.
E pra sua infelicidade, era mesmo verdade.
Sua foto estava num pequeno retângulo do lado direito da capa.
A foto foi tirada no momento em que Sesshoumaru estava sendo carregado pelos seus dois seguranças. Rin estava um pouco atrás olhando aquela cena.
Sesshoumaru folheou as páginas com urgência atrás da matéria. Queria ler o que tinham escrito ao seu respeito, rosnava de raiva antes mesmo de ver.
.........
Eventos inusitados do dia.
O empresário renomado Taishou Sesshoumaru, dono da maior empresa de eletroeletrônicos –A Empresa Taishou, foi visto na madrugada em uma situação nada convencional.
O empresário chegou num táxi por volta de 1:00 da manhã, acompanhado por uma mulher, que até então nos é desconhecida. Ele, por sua vez, apresentava ferimentos por todo o corpo.
Ao que tudo indica, o empresário se envolveu em uma confusão.
Segundo relatos, houve uma briga violenta entre o dono da empresa Taishou com três homens desconhecidos. O motivo teria sido por algo banal. O empresário teria se irritado por ter recebido um esbarrão e logo uma briga foi formada.
Pedimos esclarecimentos na delegacia de polícia, onde havia sido prestada uma queixa pelo secretário do empresário Sesshoumaru Taishou, conhecido como Jaken Tajima, mas nenhum dos policiais quis entrar em detalhes.
Pelo visto o senhor Taishou queria sigilo absoluto, mas não conseguiu escapar das lentes de nossa câmera.
Na foto, Sesshoumaru sendo carregado por dois seguranças enquanto uma jovenzinha misteriosa acompanha a cena.
...............
Sesshoumaru faltou rasgar a revista. Seu rosto ficou vermelho de tanta raiva. Agora tinha a certeza absoluta de que alguém queria destruir sua imagem. Armaram um plano perfeito e ele acabara caindo facilmente. Teve vontade de gritar e sair quebrar tudo, mas tentou se conter. Jogou a revista com violência encima da mesa e respirou fundo, precisava pensar.
-Por que se meteu nessa briga idiota? –Inuyasha indagou ainda sem entender.
-Seu imbecil, acha mesmo que isso é verdade? –ele rosnou. –Isso é mentira! Alguém inventou tudo isso! Não arrumei confusão com ninguém!
-O quê? –franziu a testa. –O que aconteceu então, Sesshoumaru?
-Tenho que fazer alguma coisa. –ele o ignorou. –Preciso tomar uma atitude.
-Convoque a imprensa, oras! –deu de ombros como se fosse óbvio. –Fale a sua versão.
-Onde está Jaken?
-Está na sala, no telefone.
-Mande-o vir até aqui. Eu preciso resolver isso o quanto antes. Quero saber o nome desse jornalista e desse fotógrafo também! Eu vou acabar com essa revista medíocre! Vou processá-los! Como ousam a colocar meu nome por ai? Estão achando que eu sou algum palhaço? Não se brinca com Sesshoumaru Taishou! Eles vão ver só!
-Antes de eu falar com Jaken, me conta. O que foi que aconteceu?
......
Rin estava parada na frente da mansão Taishou segurando um bouquet de flores amarelas e laranjas. Tinha ido até lá num impulso e agora, de frente para aquela enorme casa, não sabia se deveria entrar.
Quando pensou em ir embora, o segurança a viu. Era um dos que havia ajudado Sesshoumaru a entrar.
Ele era um homem alto e bem forte, mas tinha olhos pretos amáveis e um rosto simpático de quem é feliz e bondoso. Seus cabelos eram bem rentes e a barba semicerrada. Usava terno e gravata mesmo embaixo daquele sol quente. Mas aquilo não parecia arruinar com o seu humor radiante.
-Hei, senhorita! –ele a chamou.
Rin tentou fingir que não era com ela, fingir que não tinha escutado e seguir seu caminho, entretanto sabia que não teria coragem de virar as costas para aquele homem. Ela voltou-se para ele com um sorriso amarelo que ele tratou de retribuir.
-Você não é a garota de ontem? –ele indagou novamente.
-É... Sou. –assentiu sem jeito, sentindo-se uma idiota.
-O senhor Sesshoumaru está esperando pela senhorita. –ele sorriu. –Venha, entre.
-Tudo bem. Eu vou.
O segurança abriu o portão de grade para Rin que encolheu os ombros hesitante. Ele ficou confuso ao notar a falta de reação dela, a fitou como se não entendesse. O que ele mal sabia era que a mulher a sua frente estava num transe profundo, num confronto interior consigo mesma.
-Venha. –ele insistiu. –Pode entrar.
-Ah, claro!
Rin foi seguindo o segurança. O jardim da mansão Taishou era mais bonito pela manhã. O chafariz espichava água teatralmente. Rin pode jurar que quando olhou para ele viu um remoto arco-íris se formando por entre aquelas gotículas de água que bailavam por segundos no ar.
Mais uma vez sentiu-se pouco à vontade naquele lugar. Achou-se um caos, mal vestida de mais para estar ali. Usava um vestido veraneio azul marinho com detalhes em azul claro, as alças eram bem presas no pescoço deixando um pequeno decote e as costas completamente desnudas.
Sentiu olhos pousando sobre si, pensou que fosse só impressão. Mal sabia ela que os empregados a fitavam por de trás de janelas, cortinas e até mesmo de plantas.
Não eram olhares acusativos ou maldosos. Somente olhares de curiosidade.
Ela suspirou ao adentrar novamente aquele lugar.
O segurança a deixou do lado de dentro e pediu para uma empregada, que estava na porta, a levar até onde Sesshoumaru se encontrava.
Rin agradeceu a boa vontade do segurança que somente assentiu com um sorriso e saiu de perto.
A empregada, que já não era tão jovem, mas que possuía um rosto afável e delicado foi a conduzindo. Era uma mulher corpulenta, com bochechas coradas e olhos bem pretos. O rosto era bem redondo e os cabelos estavam escondidos atrás de uma toca preta. Ela usava um uniforme comum, típico de empregadas.
Rin segurava o bouquet contra o peito. Sentia uma expectativa, um frio na barriga que lhe corroia a alma. Não sabia o que deveras era aquilo, talvez fosse uma ansiedade misturada com um medo e uma pitada de tensão. Tudo isso junto dava alguma outra coisa que ela não estava querendo saber. Só desejava se livrar daquele incômodo. Teve receio de seu estômago se revoltar e doer como costumava acontecer quando ficava muito nervosa.
Pelos corredores ela pode ouvir os gritos de Sesshoumaru, os de um outro homem e os de Jaken que choramingava tentando apaziguar aquela situação. Rin parou subitamente com os olhos arregalados. A empregada corpulenta virou-se para trás com um sorriso nos lábios ao notar a hesitação da menina.
-Pode vir, senhorita.
-Não, é melhor não... Acho que não cheguei em uma boa hora.
-Besteira! –ela riu baixo. –Isso é normal por aqui. Sempre quando o senhor Inuyasha aparece acontece isso.
-Senhor Inuyasha?
-É. –assentiu. –O meio-irmão do senhor Sesshoumaru.
-Ah, sim.
-Venha, pode vir!
Rin resolveu obedecer e continuou a seguir a empregada de rosto redondo. Assim que chegaram perto da porta aberta, a empregada foi à frente. Andou em passos mais rápidos para anunciar a visitante.
Os homens nem prestaram atenção na sua presença silenciosa, continuaram a discutir. Mas a empregada acabou forçando uma tosse para chamar a atenção de todos que rapidamente calaram-se e a fitaram sem entender a sua intromissão.
-O que é, Izumi? –Sesshoumaru indagou impaciente.
-Há uma visita para o senhor.
-Se for algum jornalista o mande sair daqui! Eu não quero falar com nenhum desses cretinos!
-Você é mesmo um idiota, Sesshoumaru! –Inuyasha rebateu irritado. –Como espera que as pessoas saibam da verdade se não quer falar com a imprensa?
-Eu não vou ficar expondo a minha vida! É justamente isso que eles querem! Eu não preciso dar justificativas a ninguém, Inuyasha! –ele o fuzilou. –Eu não vou dar atenção a isso! Não vou me rebaixar por causa dessa revista patética!
-Por favor, senhor Sesshoumaru, mantenha a calma. O senhor não está em condições...
Rin entrou na sala no meio daquela confusão. Entrou de maneira receosa com um sorriso amarelo no rosto. Estava extremamente sem graça de aparecer por ali.
Todos os homens ficaram em silêncio. Só Arurun que levantou a cabeça e a fitou como se tivesse algum plano em mente. Inuyasha encarou o meio-irmão como se dissesse de forma maliciosa Ah, então é ela!
-Olá. –ela assentiu. –Trouxe essas flores para o senhor.
-Você veio afinal. –ele suspirou, parecia aliviado.
-É... Mas acho que não cheguei em boa hora. –ela coçou a nuca sem jeito.
-Não ligue pra isso. –Inuyasha riu e foi até ela. –Eu e Sesshoumaru somos assim mesmo. Isso é normal, não se sinta mal. Meu nome é Taishou, Inuyasha Taishou.
-Sou Takane, Rin Takane. Pode me chamar só de Rin.
-Então foi você que tirou meu irmão da enrascada? –ele riu incrédulo voltando a Sesshoumaru. –Essa foi uma ótima história.
-Inuyasha, não acha que já está na hora de ir? –Sesshoumaru o encarou nervoso.
-Eu vou embora mesmo! Mas primeiro, eu vou almoçar aqui. –ele deu uma piscadela para o irmão e abraçou a empregada corpulenta de lado. –O que tem pro almoço hoje, Izumi?
-Ah, tem muita coisa! –ela respondeu com um sorriso. –Tudo que o senhor gosta, certamente.
-Então eu vou ficar. –ele assentiu sorrindo.
-Inuyasha! –Sesshoumaru rosnou.
Rin ainda estava sem jeito, não estava acostumada a lidar com os irmãos Taishou. E assim que deu um passo para frente, Arurun colocou seu plano em prática. Saiu correndo em disparada e pulou encima da menina que acabou perdendo o equilíbrio e caindo no chão. Por sorte seu vestido não subiu muito, só o suficiente para deixar metade de suas coxas a mostra.
Rin caiu ao chão rindo com Arurun encima dela a intimando a brincar. Inuyasha não pode evitar de rir também. Sesshoumaru tentou correr para ajudar, mas a dor lancinante o impediu. Jaken ficou sem reação, mas logo recebeu um grito intimidador de seu chefe.
-Seu inútil! Vá ajudá-la!
-Sim, senhor Sesshoumaru!
Jaken assentiu assustado e assim que correu para socorrer a menina, ela já tinha soltado o bouquet no chão enquanto Inuyasha tirava Arurun de cima dela.
Rin sentou-se ainda rindo, agarrou o cachorro pela cabeça e o fitou profundamente com um largo sorriso no rosto.
-Você é danadinho, hein! Me matou de vergonha, cachorrinho!
-É, ele não é fácil. –Inuyasha assentiu rindo.
Inuyasha estendeu a mão para Rin que primeiro pegou o bouquet e depois aceitou a ajuda. Levantou-se calmamente e assentiu para o rapaz a sua frente.
-Obrigado.
-Não precisa agradecer.
-Desculpe, Rin. –Sesshoumaru balançou a cabeça negativamente. –Arurun não costuma fazer isso.
-Tudo bem. –ela riu. –Foi engraçado apesar de ter sido comigo!
Ela caminhou até ele lhe estendeu a mão onde se encontrava o bouquet, agora um pouco bagunçado pelo cachorro travesso. Sesshoumaru pegou sem hesitar.
-Obrigado.
-De nada. –ela sorriu. –Espero que o senhor tenha gostado.
-São bonitas. Parecidas com as do meu jardim.
-É, eu percebi. Depois que eu comprei as flores que me lembrei que o senhor já tinha um jardim enorme. Podia ter trazido algo melhor. –ela sorriu sem jeito.
-Não tem que se preocupar com isso. Não foi uma crítica. –ele suspirou. –Não queria que tivesse se incomodado com isso.
-Não foi incômodo.
-Izumi, coloque as flores num vaso.
-Sim, senhor! –a empregada assentiu.
Izumi correu até o empresário, pegou as flores da sua mão e rapidamente voltou-se para o lado de Inuyasha.
Inuyasha sorriu ao ver aqueles dois. Não demorou a puxar Arurun pela coleira e fazer um sinal para Izumi que compreendeu de imediato, queria deixar os dois sozinhos. Jaken foi o único que não notou o plano de Inuyasha que saiu sem fazer barulho junto com a empregada gorducha e o cachorro trapalhão.
Sesshoumaru fitou Jaken incrédulo por ele ainda permanecer ali. O secretário parecia avoado, pensando em coisas aleatórias.
-Jaken! –Sesshoumaru o interceptou de seus pensamentos.
-Sim?
-Nos deixe a sós. Preciso conversar com Rin, em particular.
-Claro, senhor Sesshoumaru.
Jaken saiu da sala em disparada e por fim deslizou a porta do escritório deixando aqueles dois seres sozinhos.
.......
Sesshoumaru dirigiu-se para sua cadeira atrás da mesa e fez um sinal com a mão direita para que Rin sentasse na cadeira a sua frente. Ela obedeceu sem pestanejar.
Rin sentiu o coração disparar. Aquele semblante mexia com ela. Sentiu-se pequena naquela cadeira confortável. Os olhos dele a intimidavam, não a deixava acumular palavras na boca. Era uma sensação esquisita. Uma impotência gigantesca, mas não era algo ruim de se sentir. Era bom, suave e avassalador, se é que essas sensações podem andar de mãos dadas.
Sesshoumaru também mantinha-se reticente o que não era de seu feitio. Ela o intimidava e isso era algo com que ele não estava acostumado a lidar. Tentou esquivar-se daquele sentimento, daquela fragilidade. Mas era algo difícil de fazer. Ela o botou contra a parede com um único olhar e sorriso singelo.
-Que bom que você veio. –Sesshoumaru começou tentando afastar aquelas ideias de sua mente. –Estava esperando você chegar.
-Como o senhor está se sentindo?
-Estou melhor. –assentiu. –Vou ficar bem, Shinji é um bom médico.
-Que bom. –ela sorriu. –Mas, o que o senhor quer comigo?
-Quero lhe dar uma coisa importante. –ele a fitou seriamente.
-Não precisa me dar nada. Eu vim aqui para dizer isso ao senhor e também para ver como estava. Não preciso de nada, eu fiz porque eu quis.
-Ora, por favor, não complique mais as coisas, está bem? –ele suspirou impaciente. –Como um homem de palavra e honrado que sou, não posso deixar essa história do jeito que está. Será que não compreende?
-Mas eu realmente não preciso de nada. Eu agradeço a intenção do senhor, mas eu estou bem do jeito que estou.
Sesshoumaru puxou um papel do bolso, era na verdade um cheque dobrado perfeitamente no meio. Ele estendeu a mão para ela que se recusou a pegar. O empresário girou os olhos um pouco irritado e acabou jogando o cheque na frente de Rin.
-Pegue. –ele falou como se tivesse a intimando.
-Mas eu...
-Por que você gosta tanto de me aborrecer? –ele indagou incrédulo. –Não faz diferença pra mim o que estou lhe dando. Isso é só um... Agradecimento.
Rin pegou o cheque ainda não gostando nada daquela história. Abriu o papel devagar e quase pulou da cadeira ao ver o valor. Seus olhos estavam arregalados, completamente abismados. Olhou os números três vezes para ter certeza de que era mesmo aquele valor e quando teve certeza começou a rir.
-Isso é alguma brincadeira? Como pode querer que eu aceite isso?
-Já falei que pra mim não faz diferença. Faça o que quiser com esse dinheiro, eu não me importo. Se quiser jogar pela janela, dar aos pobres, guardar para si, pra mim não faz diferença. Mas eu quero que aceite.
-Senhor Sesshoumaru, eu...
E antes que pudesse falar qualquer coisa ouviu seu celular tocar. Levou um susto, não imaginava quem poderia ser. Torceu para que não fosse Kohaku, aquela seria uma péssima hora para discutir uma relação, que para ela já estava mais do que resolvida.
Rin pediu desculpas e licença a Sesshoumaru que não se importou com aquilo. Ele mais do que ninguém não poderia se importar com alguém atendendo ao telefone no meio de uma conversa. Era mestre em fazer tal ato.
Rin olhou no visor e viu que era Kagome. Ficou confusa pela prima ligar, mas resolveu atender.
-Kagome?
-Rin! Não sabe o que aconteceu! –a voz de Kagome parecia agitada do outro lado da linha.
-O quê? –indagou preocupada. –O que houve?
-Sua foto saiu numa revista junto com Sesshoumaru! –ela falava quase sussurrando. –A imprensa está indo pra casa dele agora. Querem saber o que aconteceu.
-Como? –ela arregalou os olhos. –Está brincando?
-Não! É sério! Alguns jornalistas daqui saíram agora pouco. Dentro de minutos a casa dele vai estar rodeada de jornalistas. E é melhor você se preparar também, vão atrás de você assim que descobrirem sua identidade.
-Isso só pode ser uma piada. –ela suspirou aborrecida. –Isso não pode estar acontecendo comigo.
-Onde você está?
-Adivinhe...
-Está na casa dele? –ela abafou a voz no telefone, sabia que o jornal onde trabalhava era perigoso, havia sempre ouvidos a espreita de algum furo. –Não acredito! Você tem que sair daí agora, Rin!
-Eu vou fazer isso. Eu ligo depois.
-Tudo bem.
Rin desligou o telefone e assim que iria dizer a Sesshoumaru o que aconteceu, Jaken invadiu a sala com os olhos mais esbugalhados do que o normal. Tinha uma expressão de pavor na face que chamou a atenção dos dois seres que trataram de levantar.
Rin já imaginava o que era, acabou suspirando incrédula.
-Senhor Sesshoumaru, eles estão aqui!
-Do que está falando? –indagou preocupado.
-A imprensa! Estão por todos os lados! Eles querem falar com o senhor! Disseram que não vão sair daqui até falarem com o senhor.
-O que? Não pode ser... –Sesshoumaru arregalou os olhos.
-E agora, senhor Sesshoumaru? O que o senhor irá fazer?
CONTINUA...
Notas finais
Ufa! Ficou grande esse!
Mas achei bem divertido! O quê vocês acharam?
Espero que tenham gostado.
No próximo capítulo tem mais novidades.
Aguardem!
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