A República do Chope
2 Capítulo 2 - Será que ele é?
“- Certo. Você já saiu com um homem?
- Sim. Eu sou gay. — Todos o olharam um tanto pasmados Afrodite falando aquilo naturalmente. Um clima um tanto tenso se instaurou na brincadeira até que Milo resolver rodar a garrafa de novo.”
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- Tem algum problema nisso? – Afrodite perguntou, sentado em uma das camas, franzindo o cenho e se apoiando nas próprias pernas, observando o constrangimento dos colegas.
- Ah... claro que não! – Milo se adiantou em dizer.
- É que vocês fizeram uma cara... tive a impressão de que não gostaram de saber que sou gay.
- Não é isso! – Aioria se intrometeu. – Só ficamos surpresos com a sua...- Aioria olhou para os colegas gesticulando bastante com a mão, como se pedisse ajuda para achar a palavra correta.
- A sua naturalidade em se assumir para nós. – Shaka o ajudou.
- Isso! Exatamente isso! – Dava para ver a expressão de grande alívio de Aioria, que voltou a encarar Afrodite com um grande sorriso.
- Não vejo problemas em me assumir, afinal não estou fazendo nada de errado. – Comentou com um sorriso de canto, voltando a posição normal e ajeitando os próprios cabelos.
- Ah mas não tem mesmo.... é só que não estamos acostumados. – Aioria riu um pouco antes de voltar à brincadeira. – Bom... gira aí a garrafa Milo.
- Mas antes eu queria perguntar uma coisa, só para evitar novos constrangimentos... – Afrodite interrompeu, mordendo a lábio inferior, com uma expressão travessa no rosto. – Posso?
- Ah... é claro. – Aioria disse e os outros concordaram.
- Bem, eu queria saber se sou o único gay nessa sala. – Afrodite riu de canto, se divertindo com o constrangimento dos colegas. – Vamos lá pessoal! Deixem a timidez de lado! Sei que mal nos conhecemos, mas vamos morar juntos um bom tempo, temos que nos conhecer bem, não acham? — Os outros se entreolharam e Milo deu um risada sacana, quebrando o silêncio
- Você tem razão Afrodite! É Afrodite né? – Afrodite confirmou com a cabeça. – Bem, eu... eu ainda estou descobrindo isso. Tive uma aventura com uma única garota no passado, mas.... eu não sei – Mordeu o lábio inferior enquanto dizia.- Eu me sinto atraído por homens... apesar dessa garota ter mexido comigo. Acho que devo ser bi.
- Entendo... – Afrodite riu para Milo
- Ou seja, o Milo é um pervertido tarado! – Aioria brincou, levando os outros a gargalharem.
- E você Aioria? É um pervertido tarado também? – Afrodite lançou um sorriso sedutor para o leonino, que ficou sem graça.
- Não, sou só homossexual mesmo. – Disse rapidamente olhando para Um, que sequer percebeu o olhar do leonino.
- Ele não gosta desses termos.. – Milo explicou. – Quer enfurecê-lo? Chame-o de gay ou de bicha! – Milo explicou para os colegas.
- Mas porque? – Afrodite perguntou.
- Porque as pessoas as usam de forma ruim, negativa. – Aioria explicou.
- Sei... E você... Shaka? – Afrodite continuou com sua entrevista particular.
- Sou homossexual, porém evito a penetração anal. – Disse calmamente o indiano.
- E o que isso significa, indiano? Que você gosta de ser ativo? – Milo perguntou curioso.
- Costumo avisar sobre os riscos da penetração anal, pela orientação do Tantra. – Respondeu ignorando a pergunta sobre sua posição em relação aos parceiros.
- Que? – Milo ficou sem entender, se aproximando mais de Shaka.
- Você pratica o sexo tântrico? – Afrodite surpreendeu-se.
- Sim. Segundo o tantra a penetração anal distende os músculos anais causando perda da energia.*
- Ah isso é! Perde-se muita energia!! – Afrodite gargalhou levando todos a rir também. – Mas... como você faz... quando está com outro na cama? Não há penetração?
- Procuro compensar a perda de energia de outras formas. – Shaka respondeu.
- Estou curioso para saber quais seriam essas outras formas de compensação... – Milo falou com genuína curiosidade, apesar do tom ter saído um tanto malicioso.
- A compensação não é sexual, mas traz muitos prazeres com certeza.
- Quem sabe um dia você não possa nos ensinar...sobre o sexo tântrico e também como compensar. – Afrodite pediu manhosamente.
- Eu também quero aprender!! – Milo pediu animado.
- Seria um prazer. – Shaka se levantou indo em direção a Milo que apenas arregalou os olhos vendo aquele homem todo indo em sua direção. Todos ficaram olhando para eles surpresos e curiosos com o que o indiano faria.
- Ahnn o que está fazendo? – Milo perguntou quando o viu sentar-se na cama ao seu lado e pegando em sua nuca.
- Você não quer que eu te ensine? – Sussurrou em seu ouvido passeando de leve suas mãos na nunca do escorpião, acariciando-o.
- Ahn... mas aqui? Agora? Wooowwwww!!!! – Milo gritou ao sentir os dedos lhe apertarem a nuca num ponto estratégico, que levou seu corpo a uma pequena convulsão, fechando os olhos firmemente, arqueando o peito, abrindo a boca e franzindo o cenho numa careta estranha que levou os outros a gargalharem.
- Não se preocupe, será rápido. Relaxe. – Disse tranquilamente, enquanto Milo se contorcia todo, fazendo mil e umas caretas.
- Se continuar assim ele vai acabar gozando! – Aioria disse, mal conseguindo ficar de pé de tanto que gargalhava.
- Mas ele nem está duro! – Afrodite riu e lançou um olhar para o membro de Milo, dedilhando o pênis do escorpiano por cima da calça e verificando que este estava mole.
- Ahh Espera Shaka... woowwww!!! – Milo já não sabia mais o que fazer. Sentiu os dedos de Afrodite, mas nada conseguiu fazer. Uma energia elétrica forte arrebatava e convulsionava o seu corpo, numa sensação parecida com o orgasmo. Seu corpo reagia, sua cabeça pendia para os lados forçando expressões estranhas em sua face para tentar aplacar a sensação, sem que ele tivesse algum controle e ao mesmo tempo que ele sentia que poderia gozar, sentia que uma grande calmaria estava por vir. Seus braços e pernas esticaram deixando aquela energia passar rápido enquanto ele fazia mil e uma caretas. E então Shaka parou de massagear aquele ponto tão estranho, dando alívio ao escorpião, que simplesmente tombou na cama, cansado.
- Como se sente? – Shaka perguntou para um esbaforido Milo. Com uma respiração pesada, com o peito subindo e descendo rápido, elevou um pouco a mão, balançando-a para responder.
- “To” legal, “to” legal! – Respondeu com a respiração ofegante e olhos arregalados para o teto. Aioria poderia se mijar de tanto rir vendo o primo naquele estado só por causa de uma massagem na nuca.
- Agora sua energia vital está circulando mais fácil por seu corpo, se sentirá bem melhor agora. – Shaka disse para Milo (que permanecia deitado), voltando a ficar ao lado de Mu, que até então só ficou calado observando tudo. (e rindo de Milo)
- Nossa! Impressionante! – Afrodite estava maravilhado. – Você me ensina? Não agora!! – Gritou vendo Shaka insinuar que levantaria. – Depois...
- Como quiser...
- Enfim!! – Pigarreou Aioria, tentando tirar Mu e Afrodite do fascínio por Shaka. – Onde paramos?
- Agora é a vez do Mu!! – Afrodite falou animado.
- Isso mesmo! – Aioria confirmou sorridente. – E então Mu?
- Eu.... eu não sei. – A timidez do rapaz era nítida.
- Como assim? Você ainda está se descobrindo? – Perguntou Afrodite.
- É por aí... – Mu olhou para Afrodite nervosamente.
- Mas você se sente atraído por... homens? – Aioria perguntou meio temeroso com a resposta.
- Pára de cair matando Aioria, já falei que vai assustar o garoto!! – Milo tentou gritar, mas ainda estava cansado demais. – Ái!! Gritou quando sentiu um beliscão na perna.
- É... bem... na verdade não. Nem por homens e nem por mulheres. – Mais murmurou do que falou deixando Aioria perplexo, levantando-se rapidamente.
- Como assim? – Perguntou Aioria exasperado.
- Ahh eu não acredito! – Afrodite deu um grito alto e agudo que assustou a todos. – Não vai me dizer que.... – Olhou para Mu com cara de quem acabou de ver um bebê. O Ariano apenas confirmou com a cabeça, mordendo o lábio inferior. – Ahhhh que fofo!!! – Afrodite deu mais um grito levantando-se e se colocando entre Mu e Shaka, abraçando o ariano. Aioria e Shaka se olharam achando estranha aquela situação.
- Do que vocês estão falando? – Perguntou o leonino já sentindo pontadas de ciúmes.
- Quantos anos você tem? – Afrodite perguntou para Mu ignorando a pergunta do leonino.
- Fiz 18 semana passada. – Ele respondeu baixinho.
- Ah que bonitinho!!! – Afrodite apertou as bochechas do outro como se fosse uma criança, sorrindo amplamente, deixando Mu vermelho de vergonha. – Ele não é uma graça todo vermelhinho, Aioria? – Fez uma retórica deixando o leonino sem graça, mas sequer esperou a resposta e já se pronunciou novamente, falando com o envergonhado ariano. – Mas você não precisa se preocupar com isso! Não tenha pressa! Você tem todo tempo do mundo!! – Foi dizendo como se fosse o pai.... ou melhor, a mãe de Mu.
- Mas que raios! Querem logo me explicar o que está acontecendo???- Aioria explodiu sentindo o ciúme crescer violentamente dentro de si, mas quando viu os olhares curiosos e inquisidores para si, logo abrandou o tom de voz. – Ah, quer dizer... é que estou curioso.
- Ora Aioria.. não parece óbvio? – Ele olhou para o leonino como se a resposta fosse óbvia. – O Mu é virgem.
Ao ouvir essas palavras, Aioria sentiu gelar-se todo por dentro e, perdendo as forças nas pernas, caiu sentado na cama onde estava Milo, que imediatamente se ergueu um pouco, se apoiando nos cotovelos e de boca aberta.
- O.. o que? – Aioria nem conseguia pensar. Mu virgem? Sua cabeça literalmente parou com a informação. – O que quer dizer com virgem?
- Como o que quero dizer? Ele é virgem ué.... virgem, nunca transou, nunca trepou, nunca queimou a rosca, nunca sentou no kibe e nem mesmo afogou o ganso! É isso o que quer dizer ué.... O que mais seria? – Afrodite disse enquanto gesticulava com ar debochado, não acreditando que o leonino fizera esse tipo de pergunta. Aioria e Milo ficaram encarando-o incrédulos, até que o escorpião externou aquilo que estava passando na cabeça dos dois, principalmente na de Aioria.
- Danou-se....!
- O que você disse Milo? — Perguntou Afrodite não dando muito atenção ao que ouviria.
- Nada não... — Milo suspirou se deixando cair na cama e rindo um pouco, olhando de lado para o primo. — Alguém busca água pro meu primo? — Até então ninguém tinha reparado, mas o leonino estava completamente pálido.
- Nossa Aioria! O que aconteceu? - Perguntou Afrodite, achando que a qualquer momento ele desmaiaria.
- Eu vou buscar a água. — Shaka prontificou-se indo até a cozinha.
- Está tudo bem? – Mu perguntou preocupado.
- Aham. – Aioria nem conseguiu responder com palavras, de tão chocado que estava.
- Não se preocupem.. é assim mesmo, quando ele leva um susto fica assim.Mas logo ele fica bom de novo. – Milo falou deixando Mu ainda mais sem graça, já conseguindo sentar-se.
- Cala a boca! – Aioria deu um cascudo no primo, que apenas se defendeu rindo.
- Pois saiba que não há motivo nenhum para sustos! – Afrodite alfinetou. – Nem todos tem que ser uns tarados que só pensam em sexo como vocês!
- Ei! – Aioriase indignou. – Não é nada disso!! Não sou um pervertido! – Falou mais para Mu do que para Afrodite.
— Tudo bem Aioria, eu entendo. – Disse Mu, afinal já estava acostumado com esse tipo de reação. – Eu sei que é considerado tarde mas...
- Não! — Aioria interrompeu, levando os olhares para cima de si. – Não existe tempo para o amor. Nunca se é novo ou velho demais para amar.... – Ele declamou olhando firme para Mu, que apenas devolveu o olhar, envoltos num clima de romance.
- Ei Aioria! Ele é virgem e não uma mocinha de conto de fadas! – Shaka disse fazendo com que todos caíssem na gargalhada! Mu ficara sem graça e rira também, mas achou fofo o que ele disse. Aioria apenas ficou sem graça pegando e bebendo toda a água de uma vez.
- Temos um problema, a dispensa está vazia. – Shaka disse, despreocupadamente.
- O que? – Afrodite perguntou.
- Não tem comida. Eu não sei, mas acho que precisamos ver isso logo. Agente vai ter que fazer um racha para comprar comida. – Disse já pegando algumas notas de dinheiro, sendo acompanhado pelos demais.
- Eu acho que dá. Agente podia ir lá no bar da dona Gertrudes. Deve ter algo para comer lá. – Disse Milo.
- Ah sim, ela disse que o bar dela também vende comidas. – Mu se antecipou. – Ela é a dona que aluga a republica.
- Então vamos para lá! – Levantou-se animado Milo, se sentindo revigorado.
- Nossa!! Parece que o tratamento de Shaka lhe fez muito bem hein... – Brincou Aioria, com malícia. Recebeu um olhar felino do primo de volta.
- Não melhor do que você terá que dar para um certo virgem.... – sussurrou para o primo, mas logo saiu correndo rindo com o leonino ao seu encalço, tentando dar-lhe mais cascudos.
- São umas crianças! – Shaka disse se referindo aos primos e os outros concordaram.
Quando chegaram ao bar, de aparência rústica, mesas retangulares com alguns arranjos de palha dava um ar interiorano para o ambiente amadeirado. Logo identificaram o grande armário em forma de gente que se mostrava imponente entre os clientes. Os cinco se aproximaram de balcão onde o outro estava atendendo uma linda moça com cabelos loiros.
- Ah oi!!!! – A voz imponente e grave do homem se fez presente como um trovão. – Vocês devem ser os novos moradores da república, certo?!
- Somos... – Disseram juntos.
- Muito prazer! Eu sou Aldebaran!
- Ah, então você é o filho da Dona Gertrudes! – Lembrou-se Milo.
- Ah! Já conheceram mamãe?
- Sim, ela disse que se precisássemos poderíamos vir aqui. – Contou Milo.
- Ah Claro, claro!! – Dizia de forma agitada e acelerada enquanto passava um pano no balcão. – E vocês precisam de alguma coisa?
- Sim, precisamos abastecer a dispensa e pensamos se aqui vocês vend.... – Shaka foi imediatamente interrompido pela voz imponente de Aldebaran.
- Mamãããããeee!!!! Mamãããããeeee!!!!!! – Aldebaran gritava escandaloso por sua mãe enquanto os colegas se seguravam para não rir da cena daquele armário gritando por sua mãe.
- Não se preocupem, ela logo vem atender vocês... – Aldebaran tentou apaziguar os ânimos dos clientes pela demora “da mamãe”, como se eles estivesses mesmo nervosos pela espera. Estavam mais é se divertindo pela forma como aquele touro gritava pela mãe.
- Ohhhh mamãããeeee!!!!
- Calma Debaaa, já estou indo! – A doce senhora chegou sorrindo para o clientes.
- Oh mamãe, eu já disse para não me chamar de Deba na frente dos clientes!! – A senhora sequer deu bola para o filho e logo se direcionou aos rapazes.
- Então, imagino que queiram comprar mantimentos.
- Isso... – Milo disse com um sorriso, sentando-se no bar.
- Bem, me acompanhem. O mercado é aqui atrás. – Ela foi e Mu, Shaka e Aioria acompanharam a doce senhora para as compras, enquanto Milo e Afrodite ficaram no bar com Aldebaran. Quando este se afastou um pouco Milo perguntou para Afrodite.
- Você acredita mesma na história do garoto ser virgem?
- E porque não?
- Ah sei lá.... eu não... – Milo parou imediatamente de falar ao ver a criatura que na sua opinião só poderia ser um ser celestial de cabelos ruivos, longos e levemente ondulados, caindo sobre a camisa social preta. A visão dos Deuses realmente.. Ficara tão obcecado com a figura e a encarava tão descaradamente que sequer notou que Afrodite e Aldebaran o olhavam divertidos.
- Ele é o professor Camus Verseau*. – Aldebaran contou para ver se Milo saía do transe.
- O.. o que? – Milo perguntou embaraçado.
- Ele é o professor Camus Verseau. Da faculdade que vocês vão fazer. Ele é professor de literatura francesa acho...
- Ah entendi. – Milo voltou a olhar aquela criatura e percebeu que ele estava acompanhado por um bela loira.
- Aquela loira é...?
- Ele tem saído com ela ultimamente, mas não sei se é namorada. – Deba foi sincero, ignorando o olhar curioso de Afrodite sobre si.
- Ihh Apaixonou-se! – Afrodite gargalhou vendo o colega olhar fixamente para o ruivo, que realmente era uma perdição. — Esquece amigo! Aquele lá parece ser macho mesmo! Do tipo que até o lado feminino é sapatão! - Gargalhou ainda mais com o comentário. Milo apenas mordeu o lábio inferior, completamente perdido por aquela figura exótica e linda!
Continua...
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