A República do Chope
1 Capítulo 1 - Prologo
Quem já passou pela experiência de morar numa república universitária nunca esquece! O jovem que deixa a casa dos pais para morar numa espécie de conjugado com outros recém universitário chegados, distante de casa e de família, ganha mais liberdade e independência, mas tem de conviver com pessoas de hábitos diferentes e passa a ter certas obrigações. Nada que as estrondosas festas regadas as bebidas não compensem. Essa foi a alternativa perfeita do jovem Milo, 18 anos, que acabara de passar no vestibular para o curso de Educação Física, na Universidade de Atenas, a melhor da cidade e muito distante da sua, onde morava com seus pais. Não sendo um garoto de muitas posses, acabou optando com seu primo Aioria em ir para uma república. Era a melhor opção, apesar dos milhões de sermões que ouviu da mãe por estar estudando longe demais de sua família. Mas estava feliz. Iria arrumar um trabalho e se tudo desse certo poderia concluir seus estudos sem dar muitas despesas para os seus pais. Seu primo Aioria estava na mesma situação e, apesar de fazerem cursos diferentes, este estava matriculado no curso de engenharia civil, tinha optado por ficar na mesma república que seu primo.
- Aewww segura aê que as bibas estão descendo!!!! — Alguns garotos arruaceiros dentro do ônibus davam pancadas no veículo zoando com os primos.
- Vão tomar no cú, seus viados! — Aioria grita para os caras.
- Ihh a biba ta nervosaaaa!!! huahuahauhua!!! - Os caras continuam a provocar os dois.
- Pára com isso e desce logo! — Milo tentava descer do ônibus o mais rápido que o tanto de mala permitia
- Porra, pra que tanta mala! — Esbraveja Aioria. — Parecemos duas mulherzinhas!! Se você não acha ruim ser chamado de biba, eu acho!
- Coisas importantes! — Desceu finalmente olhando para os caras que assobiavam para eles enquanto o ônibus saía. — O que você queria com essa regata apertada e toda essa mala?
- Vai pro caralho você também!
- Você está estressado hein! Cara, estamos indo morar numa república, era pra você está mais animado e feliz!!
- Porra, um calor dos infernos, malas até dizer chega e um destino que nunca chega! Eu preciso é de uma gelada!
- Deve ter algumas lá na república. Sobras das festas de arromba! — Milo estava mais empolgado com as festas do que propriamente com a república. Aioria o olha com desdém, enquanto observa o espaço ao redor, um tanto vazio e abandonado, parecendo um subúrbio mal estruturado.
- Cara, você tem certeza que é aqui? — Perguntava Aioria meio perdido em meio a malas.
- Cuidado aí!! — Milo tentava, bastante atrapalhado, ajudar seu primo. - Tenho, olha lá. — Apontava desajeitado para um casarão de aparência rústica de dois andares.
- Alí? Cara, essa casa está caindo aos pedaços!
- Pô cara! Esse é o endereço. - Milo joga as malas no chão pegando um papel rasgado e amassado, olhando-o atentamente como se alí estivesse algo escrito em outra língua.
- Aqui! É esse o número mesmo! — Passa o papel para Aioria que mal vê.
- Hun é parece mesmo.
- É claro que é, besta! Eu nunca me engano!
- Até parece. — Desdenha Aioria, pegando as malas e indo na direção do prédio. Eles encontram uma senhora idosa saindo da casa, de cabelos grisalhos e aparência simpática.
- Olá, em que posso ajudá-los?
- Oi! Eu queria saber se aqui é a República do Chope? — Milo perguntou docemente.
- Ah sim. É aqui sim. Vocês são os novos moradores?
- Sim, somos. — Falaram juntos.
- Ah que bom! Meu nome é Gertrudes. Sou a dona e alugo a casa para os universitários.
- Ah ta.. — Eles se olham curiosos, o que passa despercebido pela senhora.
- Tenho essa casa e o bar alí da frente, quem cuida do bar é o meu filho, Aldebaran. Qualquer coisa que precisarem é só chamar lá, está bem?
- Ah ok, obrigado! — Cumprimenta Aioria.
- Ah, já tem um jovem lá dentro. A casa comporta até 10 moradores. Mas acho que esse ano não chegará a isso tudo. — Essa última frase ela disse mais para si do que para eles, se retirando do local. Eles se entreolham, animados.
- Obrigado! - Aioria grita para senhora que apenas acena com a mão. Milo já estava correndo para dentro da casa para conhecer o morador com quem dividiria a Republica. Chegando na casa foi logo colocando suas malas displicentemente pela sala enquanto olhava a decoração simples e rústica, bem contrastante com o ambiente moderno da cidade grande. Estavam num subúrbio de uma metrópoles, mas aquele ambiente lhes faziam lembrar o ambiente rural das suas cidades natal. Talvez esse fosse o intuito da dona Gertrudes, e eles gostaram muito. O escorpião foi andando devagar pela sala enquanto observava para ver os indícios do morador que já estava lá dentro.
- E aí, encontrou o cara? — Aioria vinha logo atrás carregando e jogando as malas no chão.
- Não. Deve estar no quarto. — Eles se olharam divertidos.
- Porra, meu irmão! O que é que tá pegando!! — Começou a gritar Milo dando tapas barulhentos em si mesmo.
- Que que você quer hein!!! — Aioria deu um tapa forte no braço de Milo, gritando, tentando chamar a atenção do colega. Milo não pensou duas vezes e jogou Aioria nas costas do sofá, que caiu para o chão fazendo um grande barulho. Milo riu alto da travessura, mas sabia que tinha exagerado na simulação da briga.
- Porra Milo, o que foi isso??? - Tentou se levantar desajeitado gritando com seu primo. Ainda estava sentado se apoiando no sofá quando sentiu sua boca ficar seca. Tivera a visão mais incrível de sua vida: O homem mais lindo que pudera ver ou imaginar estava bem a sua frente. Sua boca começou a abrir devagar como se estivesse passando um filme lentamente, observando aquela criatura de outro mundo o encarar com os olhos mais penetrantes que já vira.
- Eii, acorda aí! A pancada nem foi tão forte assim!!! — Gargalhou Milo, vendo a expressão do primo em cima do novo colega. Aioria parece ter despertado do transe com o comentário de Milo e se levantou rapidamente se ajeitando e ficando ao lado de Milo murmurando um “Cala a boca!" para ele.
- Oi. Eu me chamo Aioria. — Tentou ser simpático e natural enquanto tentava ignorar as risadas de Milo.
- Oi. Me chamo Mu.
- Você é estrangeiro? — Perguntou Milo.
- Sim, sou do Tibet.
- Ah poxa, que legal! — Aioria sequer disfarçava a empolgação com o colega.
- Se não se incomodam, eu já escolhi meu quarto.
- Ah não, você chegou primeiro. Tudo bem. São quartos separados? — Milo perguntou.
- Não, tem três camas no quarto que escolhi.
- Ah então vamos lá, vamos ver os quartos. — Se precipitou Aioria, tropeçando de cara no chão com a própria bagagem.
- Vai com calma ou assusta o garoto, primo! — Milo gargalhava enquanto Mu apenas o encarava sem graça. - A propósito, eu me chamo Milo!
- Prazer. Então vocês são primos?
- Infelizmente. — Murmurou Aioria enfezado, pegando as malas e indo para um dos quartos.
- Eii, assim fico magoadinho!!! — Milo gargalhou ainda mais acompanhando Mu que agora não segurava um singelo sorriso. — Nós somos primos sim! — Apoiou seus braços no ombro do mais novo amigo, que nada disse, mas ficara um tanto desconcertado.
- Se parecem. — Mu comentou simplesmente.
- É esse o quarto? Se importa que fiquemos no mesmo quarto? — Aioria comentou, vendo o riso sacana de Milo, ficando extremamente corado. - É espaçoso!
- É sim, não tem problema. — Mu apenas sentou na própria cama, enquanto os primos descarregavam suas malas.
- Quanta coisa! — Mu comentou ao ver o tanto de bagagem que Milo carregava.
- Milo parece uma moça quando o assunto é viagem! — Desforrou Aioria, vendo com encantamento risadas surgirem na face de Mu.
- Tenho que estar preparado.... — Milo se interrompeu ao ouvir vozes na sala. Os três se olharam curiosos.
- Vamos lá.... — Milo os puxou para ir até a sala para ver os novos colegas.
- E aê....!!! — Gritou Milo ao ver os dois que estavam na sala.
- Ah, olá!
- Ih, outro estrangeiro! — Comentou Milo, cruzando seus braços.
- Sim, me chamo Shaka, sou indiano.
- Como é? — Milo gargalhava deixando os outros dois sem graça!
- Sim, eu sei que minha aparência não mostra minha nacionalidade.
- É o primeiro indiano loiro que já vi! - Ria Milo.
- É uma longa história.
- Teremos tempo para ouvi-la. — Disse Mu complacente. — E você quem é?
- Me chamo Afrodite! Aii essa casa é tão bonitinha né.... - Disse com um tom tão delicado que todos se olharam desconfiados, mas nada disseram.
- Um dos quarto já está ocupado, mas tem outro. Acho que vocês podem ficar neles. — Aioria comentou.
- Ah sim. — Então os cinco se encaminharam para o quarto, onde os dois novos moradores se acomodaram.
- Então você também veio para estudar filosofia? — Perguntou Mu para Shaka, tendo sobre si os olhos atentos de Aioria.
- Sim.
- Eu também. Acho que estudaremos na mesma sala.
- Aê galera, olha o que eu achei na geladeira! Cervejas e Ices!!! — Milo vinha trazendo as bebidas.
- Não, eu não bebo. — Recusou Shaka.
- Como assim? — Milo achou que não tinha entendido. Quem na face da terra não bebia cerveja ou ice?
- Eu não bebo bebida alcoólica.
- Nem cerveja ou ice?
- Deixa de ser burro!! — Aioria deu um cascudo no primo. — Cerveja e Ice são bebidas alcoólicas!
- Mas porque?
- Nem todos são uns bêbados como você! — Provocou Aioria.
- Vocês parecem ter muita intimidade... - Comentou sacanamente Afrodite.
- Primos! - Responderam rapidamente ante a insinuação do outro.
- Ah legal! E são daqui? — Perguntou.
- Sim.
- Sabe de uma coisa..... eu sei que vai parecer meio clichê mas eu tive uma ideia pra gente se conhecer melhor!
- O que você está aprontando hein Milo? — Perguntou Aioria.
- Agente precisa se conhecer e nada melhor do que isso do que o jogo da verdade!
- O que é isso? — Shaka perguntou inocentemente. Milo praticamente caiu para trás de susto.
- Você não conhece essa brincadeira?
- Não..
- De que planeta você é?
- Índia. — Respondeu tranquilamente.
- Está bem, vou explicar. — Milo respirou fundo e se colocou no meio do grupo. - A brincadeira consiste de girar um objeto qualquer. Essa garrafa por exemplo. Nós a giramos e então quem foi apontado por ela deve fazer uma pergunta para quem for apontado pela outra ponta. A pessoa escolhe se fala a verdade ou se paga um desafio.
- Que desafio?
- Qualquer um que a pessoa quiser.
- Eu topo! — Prontificou-se Afrodite.
- E aí, todos topam? — Milo perguntou e todos aceitaram. Posicionaram-se até que Milo girou a garrafa.
- Aioria pergunta para... Afrodite.
- Verdade ou desafio?
- Verdade. — Aioria parou para pensar um pouco e se lembrou do episódio lá na sala e achou que esse seria o momento ideal para perguntar.
- Certo. Você já saiu com um homem?
- Sim. Eu sou gay. — Todos o olharam um tanto pasmados Afrodite falando aquilo naturalmente. Um clima um tanto tenso se instaurou na brincadeira até que Milo resolver rodar a garrafa de novo.
Continua...
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