A República do Chope
28 Epílogo - Parte II
Notas iniciais
Enquanto isso, na casa de Camus, a família conversava animada. Hyoga, filho do ruivo, brincava chamando por seu pai que, saudoso, dedicava a maior parte de sua atenção ao menino. Milo, por outro lado, mantinha-se atento e muito curioso nas histórias que o pai de Camus contava...
– Estou falando... Ele era muito arteiro! Eu não pude acreditar quando vi aquilo, mas era ele mesmo que estava lá, estatelado no chão e chorando muito. Eu sempre dizia que ele ainda cairia, mas não me ouvia, só queria saber de ficar subindo nas árvores e nos telhados, até o dia em que caiu e fomos todos desesperados para o médico, com ele todo quebrado! – Contava o senhor, recordando-se da infância do ruivo.
– Eu nunca poderia imaginar que o Camus fosse assim, tão levado quando criança. – Milo riu olhando para o namorado, divertido. O ruivo meneou a cabeça, vencido, pegando o filho no colo para levá-lo ao quarto.
– Não acredite em tudo o que ele diz, Milo... É um gozador! – Disse antes de levar o menino.
– Estou mentindo?! – Perguntou para o filho que somente riu. O homem, no entanto, não se deu por vencido e, aproximando-se do escorpião, sussurrou:
– Ele não gosta do que digo, mas é verdade. Ele está muito diferente, principalmente depois que ficou viúvo. Eu não sei... Antes ele era alegre e brincalhão, não sei bem o que houve...
– O que quer dizer com isso? Que ele nunca esqueceu a esposa? – Milo perguntou, preocupado e enciumado.
– Não, meu jovem. Ele nunca a amou verdadeiramente...
– Então?
– Tenho certeza dos sentimentos de meu filho por você, mas eu não sei, talvez seja a idade... – Considerou. Milo riu.
– Mas Camus não é tão velho assim...
– Sim, mas aqui... – Apontou para a cabeça. – ... ele é um velhote mais velho que eu! – Riu. – Mas nada do que você não possa consertar... – Sorriu malicioso. Milo arqueou uma sobrancelha, confuso.
– Como assim?
– Ora, garoto. Vai me dizer que não o percebe distante, frio? – O loiro, surpreso, não respondeu de imediato, mas corou. Era estranho ter aquela conversa, mas percebeu que através dela poderia conseguir dicas para mudar o jeito do Camus consigo, e era realmente o que queria.Pigarreou antes de responder:
– Eu acredito no amor dele...
– Eu já disse que isso não é o problema... – O pai de Camus disse um tanto impaciente. – Só que meu filho tem dificuldades para administrar relacionamentos mais sérios. Conheço meu filho o bastante para saber que não você deve estar muito satisfeito. – Milo hesitou um pouco.
– Então... o que me sugere...?– Perguntou constrangido, mas curioso. O senhor se aproximou o encarando seriamente, como se lhe fosse revelar um importante segredo, coisa que deixou Milo apreensivo e ansioso pelo que ele diria.
– É simples, meu jovem... – Aproximou-se ainda mais como se lhe fosse contar um segredo e, depois de olhar para certificar-se de estarem sozinhos na sala, continuou: — Greve de sexo! – Milo engasgou na mesma hora, completamente surpreso.
– O que?! – Perguntou ao recuperar o fôlego, segurando a vontade de gargalhar, ainda incrédulo com o que ouvira.
– Estou falando muito sério, meu rapaz! – Disse, um pouco indignado com a expressão divertida de Milo. – Eu sei que Camus é meu filho, mas eu o conheço e sei que ele é praticamente uma vedete no cio! – Depois dessa, o loiro não conteve o riso. – Estou falando sério, rapaz!
– Eu sei, eu sei! É só que... — É claro que sabia que ele falava a sério, e era exatamente isso que o encabulava.
– Pressione usando a sua maior arma, vai ver como ele ficará pianinho aos seus pés...– Sussurrou antes de Camus voltar para a sala com o sorridente Hyoga.
– O que estavam cochichando aí? – O ruivo perguntou inocentemente. Estranhou o fato de Milo estar absurdamente corado. — O que você aprontou, pai? – Perguntou, pois já o conhecia bem e se o namorado estava daquele jeito, algo ele tinha feito.
– O que? Não fiz nada... eu hein! Só estava tendo uma agradável conversa com meu genro! Não é, meu jovem?
– Ah... é sim! Está tudo bem, amor! – Milo respondeu, tentando conter o constrangimento.
– O almoço está na mesa!!– A tia gritou da cozinha.
– Até que enfim, estou verde de fome! – O homem levantou-se, ignorando o olhar inquisidor de Camus. -Vamos Milo, vamos almoçar!– Chamou.
– Está tudo bem mesmo? – Perguntou para o namorado.
– Ah claro amor, está tudo ótimo!– Respondeu com um sorriso amarelo, seguindo o sogro.
– O vovô ta com cara de quem fez caquinha...– Hyoga disse no ouvido do pai, rindo. Camus olhou para Milo e para o pai e teve que concordar com o filho. Alguma coisa seu pai tinha dito...
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Eles mal chegaram a confortável suíte do motel Kalabansas e já se atracavam como loucos, completamente perdidos em desejos e amores. Era impressionante como o fogo entre eles não tinha diminuído mesmo depois de um ano de namoro. Ao contrário, sentiam arder cada vez as chamas daquela paixão!
Dite riu com o próprio pensamento, totalmente brega, com a boca ainda colada a do namorado. Agarrou-se ainda mais a Carlo, sugando sua língua e deixando-se queimar pelas mãos grandes que alisavam seu corpo por inteiro. Suas bocas só se desgrudaram para percorrer caminhos tão bem conhecidos pela pele, ainda que fosse viciante o contato íntimo da boca gostosa, arrancando a camisa de Dite no caminho.
Os arfares e gemidos sussurrados denunciavam o prazer que sentiam quando estavam juntos, se amando e se provando com a mesma fome da primeira vez. Ansioso, Carlo jogou-se na cama com Dite embaixo de si, agarrando-lhe as coxas firmes e as colocando em sua cintura, bem do jeito que gostava, ofegando com seus membros se roçando e o gemido baixo que escapou da boca de sua paixão.
– Mi pasión! Eres tan caliente! – Sussurrou contra a pele de Dite, aproveitando-se para beijar e sugar o pescoço sensível do arrepiado pisciano.
– Ahhhnn amor! Você é tão gostoso! – Sussurrou em resposta, arrancando a camisa do namorado, expondo o tórax bem definido. – Vem cá, vem! – Puxou-o novamente para si, querendo aproveitar ainda mais do contato da pele dele contra a sua.
O loiro adorava aquelas preliminares e Carlo sempre se saía muito bem, provocando-o dos jeitos mais caliente possível! Sempre ficava a mercê dele, de sua boca, de sua pele, de seus toques, de seu amor, e desta vez não seria diferente. Ou pelo menos achava que não...
Um ranger estranho fez os amantes pararem com a sessão de provocação em que estavam. Eles permaneceram abraçados, mas atentos ao som misterioso.
– Você ouviu? – Dite sussurrou para o namorado.
– Sí... – Olhou para os lados, mas como não ouviu nada, voltou a beijar o namorado. – Debe ser nuestra cama!– Dite riu, abraçando-o mais. Sim, deve ser a própria cama que estavam...
– Hunnn... não é a nossa cama! – Reclamou, jogando o namorado para o lado. – Fique quieto e ouça! – Pediu, desconfiado.
– Que es? Estamos solos aqui!– Carlo respondeu, apoiando-se com os cotovelos na cama. Mas ainda assim ficou quieto, como Dite pedira. Ficaram em silêncio, tentando ouvir mais daquele som estranho.
– Ohhhh..!! – O pisciano ergueu-se da cama, revoltado.
– Eu não acredito!– Carlo também ouviu, mas sua reação foi uma sonora gargalhada. – Você ri?!
– Mi amor! Que querias? Estamos em um motel! Lo casal se divierte bien! Debíamos hacer ló mismo, han? – Disse com a voz mais enrouquecida possível!
– Sim, mas eu vim aqui justamente porque não quero ouvir e muito menos ser ouvido por ninguém! – Reclamou cruzando os braços.
– Ahhh fodaa!!! – Gemeram mais uma vez e bem alto dessa vez, deixando Dite ainda mais enfurecido.
– Eu vou ligar para a recepção! Ou eles param ou nós teremos que sair desse quarto! — Disse já ligando para a recepção.
– Hã? Quieres que elos parem la foda?!? – Carlo perguntou num misto de incredulidade e divertimento. Mas o loiro sequer o ouviu.
– Oi? É da recepção? Eu estou com um probleminha aqui... É que o casal vizinho ao nosso quarto está gemendo muito alto e está nos incomodando. Ok, muito obrigado. – Desligou o telefone e olhou vitorioso para o namorado, que se mantinha deitado com os braços atrás da cabeça.
– Sí... – Sorriu de lado provocador.Dite novamente se levantou, ainda podia ouvir o casal, mas poucos segundos depois eles pararam. – Hunn... onde estávamos? – Perguntou maliciosamente, subindo na cama e ficando de pé, em cima de Carlo. Devagar ele desceu, provocando, até sentar-se no membro de Carlo, que mordia o lábio inferior.
– Bingo! Ponto para mim! – Disse sorrindo maliciosamente para o namorado ao notar que o som vindo do outro quarto sumia, sem saber quem eram os ocupantes do quarto vizinho.
– Eu não acredito! – Aioria reclamou, desligando o telefone, ainda deitado. Não acreditou, bem na hora em que estava a fazer um oral bem gostoso em Mu, aqueles idiotas do quarto ao lado resolveram reclamar do barulho, onde eles pensam que estão? Hotel cinco estrelas?
– O que foi, amor? – Perguntou confuso, estranhando a raiva repentina do namorado.
– Ligaram da recepção. Disseram que o vizinho está reclamando do barulho. Vê se pode!? – O ariano corou.
– Nossa! Será que eu me exaltei e gritei demais?! – Perguntou já morto de vergonha.
– Não, amor! Você não tem culpa de nada! Nós estamos num motel, ora! O que eles queriam que fizéssemos num motel? Corrente de orações?! — Reclamou, já completamente “murcho”.
– Calma, amor! Vai ver nós exageramos... – O ariano tentou apaziguar os ânimos do namorado.
– Humpf! Eles vão ver o que é exagero! – Murmurou, voltando-se a deitar na cama. – Amor, vem cá, vem... – Pediu enquanto se tocava, olhando sensualmente para o ariano.Mu desconfiou daquele olhar, conhecia-o bem, mas resolveu atender ao pedido do seu amor. Lentamente foi se abaixando até chegar ao pênis do namorado. Ele gemia tão baixinho e gostoso que se acalmou e abocanhou o membro semi desperto do namorado.
– Ahhhhhhhhhh!!! – Gritou bem alto, para todo mundo ouvir, principalmente o pessoalzinho do quarto ao lado, assustando o ariano. – Isso amor! Chupa bem gostoso!!! – Gritou novamente, rindo da própria voz. Queria era ver!
– Aioria! – Mu ralhou, assustando-se com o grito exagerado do namorado.
– Ah, amor! Ta tão bom, uma delícia, continua vai... – Pediu sensualmente, disfarçando. Ainda desconfiado, o ariano atendeu o pedido e voltou a sugá-lo.
– Isso foi de propósito! – Dite, que antes estava deitado sob o corpo de Carlo, ergueu-se revoltado, ajoelhando-se na cama, encarando a parede de onde os sons vinham. – Eles estão nos provocando!! – Reclamou apontando para a parede e olhando enfezado para o namorado.
– Parece que si... – Se arrastou abraçando o pisciano por trás. – Entonces... por que no ló hacemos como ellos? – Provocou, mordiscando-lhe a orelha. Estava pensando em outras coisas, mas logo percebeu que o loiro tinha entendido outra coisa...
– Ohhh meu amorr!!! Isso!!! Mete mais!!! – Gritou com um sorriso safado.
– Que estás haciendo? – Carlo perguntou, arqueando a sobrancelha, confuso.
– Eles que começaram! – Sussurrou para o namorado, voltando a gritar. – Vai amor! Ahhhhh!!! – Remexeu-se na cama, fazendo-a ranger. Carlo revirou os olhos, às vezes ele era tão infantil!
– Viu o que você fez?! – O ariano se irritou de vez. Parecia que o quarto ao lado tinha entrado na “guerrinha de gemidos” com Aioria. Resultado: Tarde quente e romântica indo pro buraco!
– Eu vou resolver isso! – O leonino, percebendo que se as coisas continuassem desse jeito, perderia sua tarde, resolveu ligar para a recepção. – É da recepção? Olha, queria reclamar aqui do barulho. Estão fazendo muito barulho, vê se escuta! – Colocou o fone do aparelho perto da parede onde ainda se ouviam os gritos. – Está ouvindo? Pois é... Ok, então. Obrigado. – Desligou, olhando nos olhos do irritado namorado.
– Estás loco, amor!– Carlo riu baixinho, divertido com as peripécias do outro.
– Por isso que me ama! — O pisciano gracejou.
– Sí... Es por eso que te amo... – Avançou no namorado, jogando-o na cama. – Ahora, dejáme mostrarte como se hace... (deixe-me mostrar como se faz) – Sussurrou com um sorriso safado.
– Sim! Vem, amor! – Dite provocava, gemendo alto.– Me mostra como se faz! Quero gemer bem... – O toque do telefone, porém,o interrompeu. Irritados, atenderam.
– O que? Mas eles é que começaram! – Reclamou, revoltado. – Ahn? Outros quartos estão reclamando também? Bom... mas vocês tem que falar com o quarto ao lado também... Ok, tudo bem. – Dite desligou o telefone, frustrado e constrangido.
– No fue uma buena idea, uhn?
– Foram eles que começaram! E continuam, olha aí! – Reclamou manhoso, ainda ouvindo gemidos. – Perdi totalmente o clima! – Reclamou, cruzando os braços.
– Viene aqui... Yo te ayudo! Vem a ver como estoy caliente... – Carlo se insinuou todo para cima do namorado, que o afugentou.
– Não consigo, eles me desconcentram! – Carlo bufou.
– Voy a resolver eso de mi forma! – O canceriano ergueu-se da cama e deu um soco tão forte na parede que ela chegou a tremer, fazendo os gemidos pararem imediatamente. – Mira...? – Disse com um sorriso de lado.
– Nossa, amor! Como você é forte... gostei muito disso... – O pisciano sentiu um fogo subir pelas pernas, vendo seu amado exalando virilidade naquela atitude impetuosa. Carlo riu sedutor, agarrando seu amado pela cintura e o beijando intensa e apaixonadamente. – Hunn... o que será agora? – O beijo fora novamente interrompido por outra ligação. Irritado pela interrupção, Dite atendeu ao telefone. – Alô! Sim... O que? – Talvez a reação tenha sido exagerada, mas era uma característica muito forte do pisciano essas reações acaloradas, principalmente quando vinham com a surpresa, como agora. – Pois então os mandem tomar no cu em silêncio! – Desligou na cara da recepcionista.
– Que hás passado? – Carlo perguntou, rindo do palavrão e da cara de raiva do namorado.
– Ora, vê se pode!? Pediram para não ameaçarmos os barulhentos ae! – Reclamou, cruzando os braços e batendo os pés impaciente. Carlo não se aguentou, caiu na gargalhada.
– Entonces tienem miedo de mi golpe... – Vangloriou-se.
– É, pois é! Funcionou bem até demais! – Sentou-se na cama, contrariado. – Ah quer saber, perdi o tesão! Vamos embora! – Contrariado, começou a pegar suas coisas.
– Ah, pero fue tan divertido...! – Dite revirou os olhos ao vê-lo sorrir sacana e deitar-se na confortável cama.
– Então fica ae dando uma de voyeur! – Reclamou, se aprumando todo e caminhando em direção a porta.
– Espere! Amor! – Carlo ergueu-se rapidamente e alcançou o namorado. – Bueno... Vamos a ir! – Rendeu-se. O pisciano sorriu vitorioso, agarrando-se ao seu braço e depositando um selinho no namorado.
– Ainda podemos curtir hoje, mas não aqui. – Sussurrou ao piscar para ele. Carlo suspirou, sempre fazia as vontades de seu amor. Mas não se importou, ele era adorável quando ficava com aquele sorriso sacana nos lábios.
– Dite!?? – Ouviu Aioria quase gritar quando se deparou com ele e Mu, ao abrir a porta.
– Aioria? Mu? O que estão fazendo aqui? – O pisciano arregalou os olhos.
– Espera, espera, espera ae! Vocês são os doidos que estavam nesse quarto? – O leonino perguntou algo que era óbvio, já que eles estavam saindo do quarto. O ariano corou e desviou o olhar.
– Sí... es exactamente o que piensas, amigo. Casi un... como puedo decir...? Casi un surubão conosco! – Disse com seu tom mais malicioso, deixando os amigos super constrangidos.
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Saga disfarçava, mas interiormente estava sentindo-se extremamente ansioso. Apesar de controlar-se bem, estava relativamente preocupado. Não por Shaka, já que o namorado era o exemplo de genro de qualquer pai gostaria de ter. Sua preocupação eram seus pais, mais especificamente sua mãe, uma mulher extremamente perfeccionista e, ele diria, maluca. Mas não devia se preocupar, ao contrário. Tinha certeza que Shaka encantaria qualquer um.
Ele só não esperava que aquele fosse um péssimo dia para uma visita, ainda mais surpresa. Ele sabia da festa que teve na república, mas não pôde ir já que tinha ido buscar seus pais no aeroporto e passara o dia com eles. Aquele evento, porém, não preocupou o geminiano, até por saber da responsabilidade do loiro indiano. Uma visita como aquela só reforçaria a boa escolha que fez e poderia provar isso de uma vez por todas. Por isso, nunca passaria na sua cabeça fazer uma visita surpresa pudesse ser uma má ideia.
Mas aquele dia estava sendo diferente para os garotos, e Saga devia saber que quando tudo está dando certo, é porque algo está prestes a dar errado...
–Você tem certeza disso, meu filho? Eu não acho educado visitar as pessoas sem avisar... –Assim que a mãe de Saga desceu do carro, começou sua análise minuciosa do local. O bairro era humilde, com um bar perto e uma praça ao longo da rua. A casa que da república estava bastante descuidada. Bem agradável para adolescente, imaginou.
– Imagina, eu namoro o Shaka há um ano. Não temos mais essas coisas... – Saga desconversou. – E então, o que acharam?
– É pobre... – O pai comentou, após uma rápida olhada pelo local.
– O que queria de um bairro de adolescentes? – A mãe perguntou, irônica.
– Não é um bairro de adolescentes... – Bufou levemente. – Mas enfim, vamos entrar?– Pediu, notando que a casa estava silenciosa. Eles seguiram em silêncio e tocaram a campainha.
– Você não disse que não tinha “essas coisas” com seu namorado de um ano?! –A mãe provocou. O geminiano revirou os olhos.
– Ele não mora sozinho, mãe...– Respondeu sem paciência. Logo a porta foi aberta para a surpresa de todos. Aldebaran, com seu típico sorriso, os atendeu.
– Oi professor! –Cumprimentou, apertando forte a sua mão.O porte enorme do moreno, aliado a um short preto minúsculo apertado e a regata branca também apertada davam a impressão de que ele era o personagem central de alguma casa de stripper. Coisa que foi logo notada pelos pais de Saga. – Entrem!
– Aldebaran, o que faz aqui? Onde está o Shaka? – O geminiano perguntou, desconfiado.
– Ele está lá dentro... E eu, bem... é uma longa história! – O grandão sorriu. – São seus pais?
– Sim.
– Prazer. – Cumprimentaram-se. – Bom, vou chamar o Shaka, já volto. — Disse antes de ir para o quarto.
– Ele é morador também? – O pai de Saga perguntou.
– Não, ele é filho da Dona Gertrudes, dona do bar aqui da frente. –Respondeu, enquanto sentavam no sofá. Eles não tiveram que esperar muito, pois logo Deba percebeu que Shaka ainda estava mal e não tinha a mínima condição de ser apresentado a quem quer que fosse.
– Ah, ele está tomando banho... Daqui a pouco ele está aqui. – Desconversou ao voltar para a sala, sentando logo depois.
– Bom, mas e então, Deba. O que aconteceu com você? – Saga perguntou.
– Ah... eu tive uns problemas. Mas depois eu conto... – Deba riu alto e descontraído, disfarçando.
– Meu jovem, desculpe a pergunta, mas não acha que essa roupa está... err... curta e apertada demais?– A mãe do professor perguntou. O moreno olhou para a própria vestimenta, de uma forma um tanto cínica demais, e depois voltou seu olhar para a distinta dama a sua frente.
– Não, não... eu gosto assim mesmo!– Disse, convicto, sabendo que não enganava ao professor. Mas Saga sorriu de toda forma, preferia não saber da verdade agora.
– Amor... eu não achei aquele xampu de ervas doces... – Apenas enrolado numa toalha, visivelmente recém saído do chuveiro. E definitivamente não era o tal namorado. O pai de Saga se ergueu ao encontrar novamente aquele par de olhos castanhos, abismado. – Ops... – Álef murmurou, reconhecendo o senhor a sua frente.
– Você...? – O homem murmurou, fazendo os presentes desconfiarem.
– Conhece, papai? – Saga perguntou.
– Ah, claro que não nos conhecemos. Nunca o vi antes... – O rapaz logo respondeu, esgueirando-se para o banheiro novamente.
– De onde o conhece? – A senhora perguntou, ainda mais desconfiada que os homens.
– Não, eu me enganei... Nunca vi o rapaz. – Desconversou, mas visivelmente constrangido. – Err... meu filho, posso lhe falar um instante?
– Claro, pai. – Foram até a cozinha para uma conversa particular, enquanto Deba fazia companhia para a mãe de Saga.
– Álef é meu namorado... – Deba sorriu respondeu a pergunta que os olhos esticados da senhora claramente fazia. Ela, no entanto, sorriu contidamente, pouco convencida de que o garoto era apenas isso.
– O que foi pai?
– Esse rapaz... é amigo do seu namorado? –Perguntou, visivelmente desconfortável.
– Na verdade, eu nunca o vi. Por quê? O que está acontecendo pai? – Perguntou. O senhor hesitou um pouco, mas finalmente revelou.
– Este rapaz é um stripper de uma casa gls! –Sussurrou, fazendo Saga arregalar os olhos e rir.
– É o que? O que está dizendo? –Perguntou contendo um riso.
– Stripper, Saga. Um rapaz que ganha a vida rebolando pelado para os outros!! –Respondeu impaciente. O geminiano lambeu os lábios, divertido.
– Eu sei o que é stripper!
– Então... Eu tenho certeza!
– Pai...- Saga controlou a vontade de rir, disfarçando ao olhar para a mãe na sala. – Considerando que esteja certo, como você sabe? –Arqueou a sobrancelha.
– Ora... eu... bem, eu vi num panfleto. Desses que entregam na rua! –Gaguejou, envergonhado.
– Sei... –Demonstrou toda a sua incredulidade.
– Bom, mas o que ele está fazendo aqui? Como assim o seu namorado é amigo de um stripper?!
– Primeiro que ele não é amigo do Shaka, tenho certeza. E segundo, qual seria o problema se fosse? –O geminiano inquiriu, fazendo o pai bufar.
– Vou fingir que não ouvi essa sua pergunta... –Disse contrariado, voltando para a sala. Saga meneou a cabeça e voltou para a sala. Antes, porém, encontrou o seu lindo e loiro namorado no corredor, indo até a sala com cara de... zumbi de fantasma!
– Err... Deba, por favor, faça sala para os meus pais, eu já volto...– Disse indo até Shaka.
– Pode deixar!– Deba riu, puxando assunto com a mãe do professor, que agora não parecia assim tão metida.
– Amor... que bom que veio!– O loiro logo se aninhou nos braços do namorado, abraçando-o forte e escondendo o rosto na curva de seu pescoço.
– O que aconteceu, meu loiro? Você está bem?– Perguntou, fazendo carícias nas costas do namorado.
– Eu não estou muito bem, mas estou melhor agora com você aqui...– Disse e sorriu, beijando o pescoço de Saga.
– O que você tem?
– Bebi demais na festa de ontem...– Respondeu manhoso. – Culpa do Milo e do Dite. –Emendou, fazendo o namorado arquear uma sobrancelha.
– Você está bêbado, Shaka?– Perguntou temeroso, que péssima hora ele resolver se embebedar!
– Não... agora não. Só estou de ressaca. Mas estou melhor, já disse.– Ergueu os olhos para encarar os dele, acariciando sua face carinhosamente. Saga o encarou seriamente, não parecia bêbado, nem tampouco sóbrio. Trouxe o rosto do namorado mais para perto para analisar melhor, preocupado. — Hunn... estou bem!– Reclamou manhoso, fechando os olhos aproveitando o calor dos braços do amado.
– Mas não parece, o que te deram?
– Água, um suco horroroso, e um remédio para descansar...
– O que? Te deram calmante?– Shaka sorriu ante a preocupação dele.
– Eu estava muito mal, mas não, acho que era para enjôo e outro para dor de cabeça. –Saga suspirou, definitivamente não dava para apresentá-lo aos pais nesse estado. – Amor, você ainda não me deu nem um beijinho desde que chegou... –Disse manhoso novamente, e antes que ele falasse qualquer coisa, o agarrou ainda mais, beijando a boca do namorado de forma faminta e sem nenhum pudor. Saga gemeu surpreso dentro do beijo, segurando-o firme em sua cintura, dando uma estabilidade ao corpo mole do loiro. Não esperava aquela reação impetuosa, definitivamente ele não estava em seu estado normal.
– Shaka... amor... acho melhor você ir para o quarto descansar. –Disse ofegante pelo beijo.
– Uhum... porque não vem comigo...? –O convite descarado era extremamente raro no loiro. E aquele olhar inflamado de paixão ainda mais, fazendo o geminiano estremecer e sentir a boca seca. Era um convite e tanto, mas ele estava mal e ainda tinham seus pais na sala.
– Você precisa descansar amor... – Shaka riu ao perceber na voz aquela rouquidão que tão bem conhecia.
– Hunnn... eu sei, eu quero descansar... – Aproximou do ouvido do outro, sussurrando de forma provocativa, sentindo-se leve e sem aquele pudor que sempre o deixou contido. – Quero descansar com seu corpo sobre o meu...– Pediu, provocando e gostando disso. Saga arfou e fechou os olhos. Ver Shaka tão solto e desinibido era estranho, mas muito excitante.
– Não faça isso, amor, não me provoca assim... – Pediu tentando controlar-se.
– Porque não, amor? Estou tão mal que não te provoco desejo...?– Perguntou, esfregando-se no professor, que suspirou e gemeu baixo novamente.
– Não é isso... claro que não!
– Então o que é?
– É que... ahnn.. meus pais estão aqui. – Respondeu ofegante. Shaka parou com seus toques assim que o ouviu.
– Seus pais? – Perguntou curioso.
– Sim, os trouxe para vê-lo, onde mora, e perceberem de uma vez por todas que você é um homem responsável, e perfeito para mim, apesar da sua idade. – O loiro sorriu docemente. – Por isso não podemos fazer isso agora, apesar de eu estar completamente louco para te levar lá para dentro e te fazer meu... –Disse voltando a atacar a boca gostosa do namorado.
– Mas o que é isso?!– Ouviram inesperadamente, assustados, logo se separaram.
– Mãe!– Saga murmurou, tentando recompor-se, mas era impossível. Fora pego no flagra e de um jeito que não dava para negar, suas calças não o deixavam mentir.– É assim que pretende apresentar-me o seu tão jovem e responsável namorado?!– Cruzou os braços, irritada.
Continua...
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