Notas iniciais
Ah! Enfim, saiu o último capítulo do epílogo, esse dia agitado dos nossos meninos!! rs
Então, me perdoem pelo atraso terrível, eu tive problemas sérios de saúde na minha família. Queria agredecer a KitsuneKiki pelo grupo do face Saint Eternity que me ajudou a me levantar e ter inspiração para escrever, aos meus amigos que encontrei por lá, que mesmo sem saber dos meus dramas, sempre me fizeram rir, compartilhando momentos especiais. Vocês foram anjos em minha vida, mesmo sem saber, muito obrigada!
Queria agradecer também a Mel Dark e a Shall, e pedir mil perdões pela demora, agradecer pela paciência e pelo carinho que sempre me dedicam, e pedir desculpas por ter dado mil prazos e não ter cumprido a maioria... E especialmente a Mel que me ajudou betando esse capítulo! Muito obrigada mesmo!!
Ai... xD Enfim, me perdoem por todos os atrasos. Mas não tenham duvida, eu vou terminar todas as minhas fanfics, mesmo que demore!
Espero que gostem desse final! Beijos e até!

Na casa de Camus, o almoço seguia tranquilo. Milo estava estranhamente silencioso, certamente seu pai falara algo para ele. Bufou contrariado, teria que ter uma conversa muito séria com o pai.


Papai, eu não quero isso. Não gosto! – O menino Hyoga rejeitou seu prato de comida.


Coma, você precisa comer para crescer e ficar forte. – Camus pediu suavemente.


Mas é muito ruim! – O menino fez uma careta e afastou o prato.


– Por favor, Hyoga. Faça um esforço... – Pediu, mas o loirinho o desobedeceu afastando ainda mais o prato, fazendo manha. Camus suspirou. A verdade é que não estava com cabeça para isso. Logo deixou o menino com a tia, que se incumbiu de fazer o menino comer.


O que você tem? – Milo, percebendo o estado do namorado, perguntou num sussurro.


Nada. Não sou eu quem devia perguntar isso? O que meu pai lhe disse para deixá-lo assim tão quieto?– Milo corou um pouco antes de responder e, claro, Camus percebeu.


Nada... Ele só me contou algumas histórias de quando você era criança.


– Só isso mesmo?


– Uhum... – O ruivo calou-se. Aquela não era nem a hora e nem lugar para insistir.


– Vocês estão sabendo dos amigos do Carlo? Ou melhor, os ex-amigos dele? – Cris, o sobrinho de Camus, perguntou.


– Que amigos? – Milo perguntou.


Aqueles, do episódio com o Dite.


– Não, o que houve?


– Foram flagrados agredindo um calouro. E quando foram checar, descobriram que eles já tinham fichas criminais por pequenos delitos. Agora estão presos e sabe se lá quando sairão. Estão muito enrolados porque ficou constatado que eles só atacavam gays... Então, já sabem né?!


– Até que enfim! Já estava mais do que na hora desses safados pagarem pelo que fizeram, tanto ao Dite quanto às outras vítimas deles! – Milo desabafou.


– E o que eles alegaram em suas defesas? – Camus perguntou.


– Pelo que sei, disseram que estavam só brincando e que não tinham intenção de praticar nenhum crime.


– Eles nunca têm intenção de nada... – O escorpiano comentou com ironia e revolta.


– E você, Cris, acha que isso pode prejudicá-lo? – O ruivo perguntou preocupado com o sobrinho.


– Não, eu já quitei minhas dividas com a polícia antes mesmo deles serem descobertos. Pra mim não pegou muito, pois eu não tive uma participação ativa, então como ainda colaborei com a polícia, eu acabei sendo liberado. Vou ter que ajudar num orfanato por uns meses, mas só isso.


– Eu entendo... Fico aliviado por você estar livre de tudo isso. – Camus comentou com um doce sorriso.


Bom, e porque não deixamos essa conversa baixo astral de lado? Temos aqui uma presença ilustre que ainda não conheço muito bem... – Comentou a tia Adriene. – E então, Camus? Porque não apresenta o seu namorado formalmente? – Ela tinha a estranha capacidade de deixar o seu ruivo constrangido, coisa que era difícil acontecer, pensava Milo. Mas até que estava gostando, era interessante descobrir esses pontos vulneráveis no tão sério namorado.


– Milo, família. Família, meu namorado Milo. – Camus apresentou, visivelmente sem paciência. – Mas eu já os tinha apresentado antes. – A resposta foi um pouco grosseira, até exagerada talvez, mas se deixasse Adriene tomava conta da situação de um jeito muito insuportável. A senhora não se importou com a leve irritação do sobrinho e sorriu gentilmente para o loiro.


É um prazer, Milo. Apesar de já conhecê-lo, ainda há aqui membros que você não conhece. Deixemos o irritadinho do meu sobrinho de lado... Eu sou Adriene, tia do Camus, eu sou irmã desse simpático senhor ao meu lado. – Disse de forma irônica, fazendo o bom senhor revirar os olhos e Milo sorrir. – Esse pequeno príncipe aqui é o Hyoga, filho do Camus.– Assim que foi apresentado, Hyoga se encolheu na mesa, timidamente. – Ele não mora conosco, e sim com a Natássia, irmã da mãe dele.


E a mamãe mora numa estrelinha! – O loirinho comentou apontando para cima, mesmo sem entender exatamente o que aquilo significava.


– Sim, meu anjo...– A senhora acariciou os cabelos do menino antes de continuar. – Bem, esse rapaz bonito aqui é o Cris. Meu filho. – Disse orgulhosa, fazendo Milo arquear discretamente uma sobrancelha. Percebendo a confusão, Camus se aproximou do ouvido do namorado, aproveitando-se da distração dos outros para explicar.


Cris é filho adotivo dela... Chegou à nossa casa bem pequeno, da idade do meu filho, e resolvemos adotá-lo.


Então ele não é seu sobrinho de verdade...?


– Não, só de consideração mesmo.


E por acaso precisava de toda essa apresentação? Assim o menino vai achar que somos um bando de chatos metódicos...! – O pai de Camus reclamou. Não foi difícil perceber que os irmãos adoravam um provocar o outro.


Somos educados. É assim que se apresenta! – Justificou-se a senhora.


Ah sim, a conhecida e bem trabalhada metodologia da apresentação à família da Dona Adriene! – O homem ironizou. – Não ligue rapaz, ela é uma louca, mas não faz mal... – Sussurrou para Milo, que sorriu.


– Chato...– Adriene murmurou. — Não é porque você não segue as regras da boa etiqueta que agora virei louca...! — Emendou.


Vocês dois querem parar de agir feito duas crianças mimadas! – Cris reclamou.


Olha como você fala com a sua mãe, moleque! – O senhor repreendeu o adolescente. – Você não está dando educação para ele! Meu neto e meu sobrinho no caminho da má educação... – Reclamou, ranzinza.


Papai, o vovô disse que eu sou um menino mau! – Hyoga reclamou fazendo careta para o avô.


Ok, já chega. Podemos comer em paz agora? – Camus interveio, fazendo-os se calarem, enfim. E agora Milo entendia porque o ruivo demorou tanto para apresentá-los. Eles eram loucos de pedra, divertidos, mas completamente loucos e não entendia como o certinho do Camus tinha saído daquela família. – E você, Hyoga, não seja um menino mau e coma logo a sua comida! – O ruivo ralhou sem paciência.


Calma, meu filho. Não fale assim com o garoto, ou vai traumatizá-lo... – Adriene recomendou.


– Já passando a mão na cabeça do garoto...– O senhor provocou.


– Pare de provocar pai! — Camus disse ao seu pai e depois se virou para a tia. — Só o estou educando... Agora podemos comer em paz? – Bufou contrariado. Um silêncio constrangedor se instaurou antes que Adriene retomasse a palavra.


– Tudo bem, acalmem-se! Não vamos brigar por tão pouco... viu?! – Deu um abraço forçado no irmão. – Já acabou, está tudo resolvido. Hoje é um dia especial onde finalmente conhecemos o namorado de Camus... – Disse apontando para o sem graça escorpião.


– Finalmente mesmo... – O pai do ruivo murmurou, mas não lhe deram ouvidos. Ou melhor, todos menos um, afinal Milo tinha entendido perfeitamente o que o senhor havia dito. E mesmo que não tivesse ligado uma coisa na outra, o bom e velho senhor fazia questão de lembrá-lo, piscando de forma inusitada para ele durante todo o almoço. É, não tinha jeito! O senhor encasquetou com esse negócio de greve de sexo e... pra falar a verdade não parecia assim tão má ideia. Era fato que Camus escondia um fogo descomunal sobre aquela capa de gelo, e talvez pudesse aproveitar disso para arrancar alguma reação mais amorosa do ruivo.


– O que foi, Milo? Está tão quieto... – Camus logo percebeu a expressão pensativa do namorado.


Ah, nada não... – Disfarçou com um sorriso.


– Tem certeza, você está estranho desde a conversa com meu pai...


– Não, ele não falou nada...


– Mesmo? Então porque ele está piscando daquele jeito pra você? Convenhamos que meu pai é tudo menos discreto! – Riram discretamente.


Ele é uma figura, ainda não acredito que ele é seu pai! – Milo comentou divertido.


É, às vezes também duvido... – Murmurou pensativo, mas logo voltou a olhar o loiro. – Mas e então?


– Então o que? – Perguntou fingindo inocência no que Camus respondeu com um estreitar de olhos. – Já disse que não é nada demais, ele contou mais algumas coisas e só... – Desviou o olhar.


– Certo, se você diz. – Rendeu-se, mas pouco convencido. – Pare de olhar desse jeito para o meu namorado, pai. Daqui a pouco vou pensar que você o está paquerando! – Camus disse naturalmente, num tom leve de brincadeira.


Olho mesmo, ele é bonito, jovem, se você não cuidar, tem quem cuide, meu filho! – Se fosse outra pessoa juraria que seu pai estava cantando seu namorado. Arqueou a sobrancelha, ignorando o vermelho estampado no loiro e disse:

Pois quem disse que eu não cuido?


Ninguém... Só estou falando! – Disse num tom de aviso, erguendo os braços de forma rendida.


Depois disso o almoço prosseguiu com relativa tranqüilidade. O papo seguia sobre amenidades, aparentemente tudo estava certo. Mas Camus sabia que não. Era inteligente o suficiente para saber que algo estava martelando na mente de seu loirinho e sabia perfeitamente quem tinha colocado a caraminhola na cabeça do namorado. Por isso teve tanta relutância em apresentar Milo aos seus pais. Conhecia-os muito bem para prever esses tipos de coisa.


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Apesar de estar com a cabeça avariada pela ressaca, Shaka rapidamente percebeu que seu namorado estava enrascado. O olhar daquela senhora era quase assassino e por um momento ele pensou que ela iria avançar neles!


Saga!!! – A mulher gritou descontrolada, e depois voltou para o sofá, numa atitude totalmente imprevisível. O geminiano pensou que ela fosse fazer um escândalo, mas ela apenas voltou para a sala. O casal se entreolhou, não tinha mais jeito. Definitivamente não era desse jeito que Shaka queria se apresentar para a família do namorado, mas o imprevisto aconteceu e agora teria que encarar aquela situação. Enquanto Saga se dirigia para a sala conversar com os pais, Shaka voltava para o quarto, tentar ficar mais apresentável.


Errr... eu vou deixá-los conversando sozinhos. – Aldebaran falou, percebendo o flagra, saindo da sala e indo até Shaka.


– Pai, mãe, aquele é o Shaka. – Saga começou. Era um adulto, e enfrentaria aquela situação como tal, apesar das circunstâncias.


Ah! Então aquele é o menino responsável que mora numa república, Saga! Realmente, eu percebi o quão responsável ele é! –A mãe proferiu irritada. O pai de Saga estava inexpressivo. Então Saga simplesmente sentou no sofá, respirou fundo, e começou a contar a sua história com Shaka.


Dentro do quarto, Shaka estava atônito na frente do guarda roupa, acompanhado por preocupados Aldebaran e Alef.


– Shaka, amigo... você está bem? – Perguntou o grandão.


– Ai por Buda! O que eu faço? – O loiro tombou angustiado na cama.


– Calma, Shaka! Também não é nenhum fim do mundo!– O moreno tentou acalmá-lo.


– Não?! Não?! A mãe do Saga é pior que bruxa! Já estragou diversos relacionamentos dele! Ela vai infernizar nossa vida, vai achar que eu sou um irresponsável, um pervertido! Estou perdido!– Desesperou-se.


Calma!! Primeiro que você não é nada disso!


– Mas olha o meu estado, Aldebaran! – Olhou para si mesmo! Droga, mas que merda foi fazer?!

– Ok, você está.... err... diferente!


– Estou um trapo! Um lixo! Estou pior que pinto no lixo!– A forma desesperada do sempre tão centrado indiano levou um riso até mesmo em Alef, o caso de Deba.


– Olha Shaka... Ela pode até ser esse monstro todo, mas eu tenho certeza que ela vai te aceitar... –O rapaz enfim falara uma frase inteira, surpreendendo até mesmo Aldebaran, mas este por outros motivos.


– Do que está falando, Álef!? -O moreno perguntou.


– Ora, se ela aceitou o pai, porque não aceitaria o filho, o genro...– Ele dizia despretensiosamente, enquanto sentava na cama.


Explica isso melhor, garoto! O que você quer dizer com isso?! – Shaka indagou, curioso. O rapaz olhou para Aldebaran, como se pedisse permissão.


Fala logo o que sabe Alef! – O taurino explodiu.


– Ok, ok! Eu falo! –Respirou fundo antes de começar.– Bom, acontece que o pai do professor Saga é um antigo dançarino de boate GLS, a mesma que eu trabalho, inclusive. – Shaka arregalou os olhos.


– Como... como é?! –Olhou para Deba que somente corou, mas nada disse.


É isso mesmo que você está pensando! O pai do Saga era stripper. E, pelo que sei, ele era o melhor e... mais requisitado!


– Requisitado?! Como assim requisitado?! -O loiro indagou, incrédulo.

– Ora, loirinho. Acho que não preciso explicar essas coisas a você! –Álef disse, ajeitando os próprios cabelos.


– Foi por isso que ele ficou todo nervosinho quando te viu... –Aldebaran recordou-se.


– Sim, foi.

– E a mãe dele sabe disso? –O indiano perguntou.


– É claro que sabe... Eles se conheceram na boate! –Comentou como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, mas não era! A mulher pagava de beata santinha a torto e a direita!


– Como é que você sabe de tudo isso? – Aldebaran inquiriu, confuso.


– Porque ele ainda aparece por lá, de vez em quando...


O QUE?!! – Tanto Shaka quanto Aldebaran praticamente gritaram de susto.


– O que foi gente?! – O garoto se assustou. Por que eles estavam agindo daquela forma?


Desgraçada, filha da mãe! – O indiano pacífico explodiu, deixando os amigos atônitos.


– Não grita, Shaka! Provavelmente o Saga nem saiba, e provavelmente nem vai saber... –O indiano respirou fundo. Os amigos tinham razão, não seria por ela ser uma hipócrita que ele deveria se rebaixar. Não, iria mostrar quem era o Shaka.


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O almoço foi ótimo, tia... – Camus agradeceu com um abraço apertado, enquanto Milo segurava Hyoga no colo.


Ah meu sobrinho! Obrigada você por ser esse sobrinho fofo! – Ela sorriu, devolvendo o abraço.


Tá, já chega! Chega que ele ainda é meu filho! –O homem mais velho aproximou-se do ruivo, segurando a cabeça do filho com ambas as mãos.– Meu filho... –Calou-se por um segundo. – Não deixe o galeto loiro escapar! –Camus riu. Há muito tempo não ouvia aquela expressão, mas ficou feliz porque essa era a comprovação de que Milo fora muito bem aceito.


– Pode deixar... –Sorriu, afastando-se para pegar o filho no colo, dando um abraço apertado e notando um olhar estranho entre seu pai e Milo, mas nada disse. Pelo menos por enquanto.


O casal se despediu da família de Camus e então saíram da casa, entrando no carro do ruivo, que não perdeu tempo e logo inquiriu o loiro, antes mesmo de dar partida no carro.


– E então, Milo?! Não vai me dizer o que meu pai lhe disse?!


Nada...


– Milo! Sabe que não gosto quando me esconde as coisas...! –O mais novo bufou contrariado.


– Está bem, Camus! O seu pai... –Pigarreou, constrangido.– Ele me deu uma sugestão para... melhorar nosso relacionamento.


– O que?– Camus arqueou a sobrancelha.– Como assim? Você reclamou de mim para ele, foi isso?


– Não, claro que não!


– Então...?


– Acontece que o seu pai simplesmente percebeu o seu jeito comigo... Ele te conhece bem! –A voz saiu um pouco incomodada.


– Milo, não me enrola e me explica direito essa história! –O loiro suspirou mais uma vez.

– Ele falou de você, do seu jeito frio... para que eu não te abandonasse por isso.... – Camus riu de canto, levando uma das mãos à coxa de Milo.


– Frio, eu?! Não, pelo visto ele não me conhece...


– Sim, frio. E não é disso que ele estava falando. –O loiro retirou as mãos do ruivo de sua coxa, encarando-o seriamente. – Ele fala sentimentalmente... Fala a verdade, Camus! Depois de um ano de namoro, quantas vezes você disse que me ama?!


– Ahhh... como assim? O que quer dizer?! –O ruivo riu nervoso.


– Você sabe muito bem o que quero dizer!– Ralhou.


– Ok, eu não sou muito de ficar falando, mas eu sou assim, mas reservado nesse aspecto. Você me conheceu assim, lembra?!


– Lembro, mas... um ano Camus! Um ano e sei lá, duas vezes você disse que me amava! É muito pouco, eu preciso de mais! –O ruivo fechou os olhos, tinha que ser o pai para colocar minhocas na cabeça do loiro.


– Foi o meu pai, não foi?! Ele encheu a sua cabe...


– Não Camus! É você! Ele só constatou um fato! E eu acho que ele tem razão!

– No que? –Arqueou a sobrancelha novamente, desconfiado.


– Greve de sexo, Camus! Com você, tarado do jeito que é, só mesmo com greve pra ver se dá jeito! –Ele falou com raiva, mas quase riu da cara que o ruivo fez. Ele ficou branco e segurou firme o volante do carro. Putz, não é que o velho tinha razão? Agora o francês ia surtar!


– Não fala isso nem de brincadeira! –A voz dele saiu até fraca, e Milo não conseguiu segurar um riso.


Pois falo sim! Você me trata como se só quisesse sexo! Eu não sou um brinquedo sexual, Camus!– Reclamou.


– Isso não é verdade... Eu não te trato assim.


– Ah não?! Você muitas vezes me trata como se eu fosse um objeto sexual sim e isso magoa!


– Ah..! E você estaria comigo se acreditasse nisso?


– Sim, porque... eu te amo! Mas não vou agüentar isso o tempo todo! – Camus engoliu em seco.

– Não... olha, olha pra mim. – O ruivo pegou nas mãos do loiro, olhando fundo em seus olhos. – Milo, eu amo você! É sério, amo você com todo o meu coração!– Declarou-se. Eles ficaram em silêncio por um tempo, e o escorpião se segurava para não cair na gargalhada.


Tudo isso só para não ficar sem sexo?! – Perguntou com um sorriso debochado que irritou Camus.


– Qual é, Milo?! Você sabe dos meus sentimentos por você, apesar de não falar muito... Esse é meu jeito! Você me conhece!


– Sim, eu sei, mas eu queria que me dissesse mais vezes, que eu não tivesse que recorrer a esse tipo de artifício que seu pai sugeriu. –O ruivo bufou contrariado, se endireitando pronto para dar partida no carro.


– É claro que eu te amo... Muito. Você mudou a minha vida, sabe disso. Não sei por que duvida... – O ruivo disse sério.O loiro apenas sorriu de canto, divertido. Não precisava mais do que aquilo. Conhecia o seu ruivo e sabia que ele estava sendo sincero.

– Eu também te amo, ruivo.O escorpiano declarou-se, sorrindo, aproximando-se para um lento e apaixonado beijo. Separou suas bocas, mas ainda ficou muito próximo dos lábios deliciosos do namorado, rindo sacana. Camus estreitou os olhos, o que seu loiro estava pensando? – Sabe, olhando você aqui nesse carro, com essa boca gostosa assim, eu bem me lembrei da nossa primeira vez... – Eles riram.

– Depois o safado que só pensa em sexo sou eu... – Mordeu o lábio inferior de Milo, provocando.

– E é mesmo, senhor Junior... – Sussurrou e não se agüentou caindo na gargalhada com a cara que o ruivo fez.

– Não acredito que meu pai contou... – Ele estava vermelho como um pimentão, e o escorpião o achou a coisa mais adorável do mundo, mas não conseguia para de rir.

– Ah, amor! Porque nunca me contou?! Achei tão fofo você ser o Camus Junior! – Acariciou a face corada e contrariada do namorado, que apenas o encarou envergonhado.

– Isso não é nada engraçado. Prometa que não contará a ninguém! Promete, Milo. – Pediu, quase implorando. Milo mordeu o lábio inferior.

– Só se você prometer que vai dizer que me ama todos os dias... – Riu ao ver o namorado revirar os olhos e dar partida no carro.

Oui, Milo. Je t'aime... Je t'aime... Je t'aime... – E foi praticamente recitando durante todo o percurso até a república...


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Na república, Saga tentava convencer os pais de que seu relacionamento com Shaka era sério, e que o adolescente, apesar da idade, não era um irresponsável e nem ele era um pervertido aproveitador de menores. A conversa estava indo de mal a pior, até que o loiro indiano entrou na sala impecavelmente vestido. Quem o visse, sequer imaginaria que ele estava com uma baita ressaca há poucos minutos. Até Saga se assustou, porque a diferença era gritante.


– Boa tarde... – Logo se sentou no sofá elegantemente, ao lado do namorado. – Desculpe a situação constrangedora de mais cedo.


Ahh Shaka, você está bem? – O geminiano perguntou, acompanhando os pais nos olhares surpresos.


– Claro, estou muito bem. Aliás, queria me desculpar pelo incidente agora há pouco, eu cheguei tarde de uma festa e acabei me excedendo na bebida. Mas já está tudo bem... – Sorriu doce para Saga. – E os senhores? Saga ofereceu uma água, um suco?

– Err... não. – Com o flagra, o geminiano tinha se esquecido desses detalhes.


– Eu não quero nada! Eu só quero ir embora! – A mãe de Saga ralhou, nervosa. O loiro estava surrealmente diferente. Não tinha passado nem vinte minutos desde que o flagrou como um bêbado em fossa. Considerou que o garoto só podia ser pior do que pensava. Mas Shaka não estava disposto a ter seu relacionamento posto em xeque, por isso logo pediu:


Por favor, senhora... Espere! – O loiro chamou a mãe do seu namorado, certamente se a convencesse a aceitá-lo, tudo estaria bem. – Não queria que ficasse com uma má impressão a meu respeito. Eu entendo a sua preocupação, o seu filho namora um garoto praticamente, mas... Eu garanto que não é o que está pensando. Nem eu quero me aproveitar do seu filho, nem o seu filho quer se aproveitar de mim. Isso eu garanto. – Ela parou para encarar o jovem, ainda com ar um tanto pedante demais. Se fosse outro, certamente teria acabado com ela ali, mas... Saga...


– Amor, eu acho melhor... – O pai de Saga tentou intervir, mas foi logo cortado.


Rapaz, eu nunca tive a menor duvida de que o meu filho jamais se aproveitaria de você ou de quem quer que seja.


Mãe! – Saga certamente não deixaria que aquela senhora que se achava ali destratasse seu namorado.


Tudo bem, amor... – Shaka interveio. – Entendo a sua preocupação, mas garanto que não se trata disso, eu venho de uma rica família da Índia. A senhora não sabe, mas venho de uma família tradicional e com posses na Índia, eu não preciso vir aqui para a Grécia para me aproveitar de ninguém. – A senhora o encarou por longos segundos antes de responder:

– Eu jamais disse que era o que faria...

– Sim, eu sei. Eu apenas estou me mostrando para vocês, não quero que se preocupem com meu relacionamento com o seu filho, e acreditem que nós estamos juntos de verdade e nos amamos.

– Eu acredito, meu filho. – O pai do geminiano riu, fazendo o casal rir junto. A senhora fora a única a ficar em silêncio, mas somente por alguns segundos.


Eu não sabia... Da sua família!

– Sim, senhora. Se a senhora quiser eu posso pedir a eles para virem aqui, eles costumam me visitar nas férias...

– Não precisa... – Finalmente ela se pronunciou, respirando fundo. – Eu não tenho porque duvidar de você, rapaz. – E realmente não, afinal não é qualquer jovem que aparece tão bem vestido logo de manhã. É claro que ele estava tentando impressionar, especialmente depois do vexame de poucos momentos atrás, mas o que impressionava era ele ter e saber como impressionar, e isso só demonstrava que ele estava dizendo a verdade. – Não se preocupe tanto com o que eu vi mais cedo, você é novo, é normal. – Os três a encararam confusos.

– Err... mas, então... está tudo bem? – Saga inquiriu desconfiado da própria mãe.

– É claro que está tudo bem, meu filho. Porque não estaria? – Ela deu de ombros, ignorando os olhares inquisidores. – Mas bem, nós realmente precisamos ir. – Ela olhou para o marido, que concordou. Shaka não pôde evitar o pensamento de como aquele homem era... “obediente”. Será que Saga também seria assim tão obediente?


– Ah, eu... eu levo vocês até o hotel... – O geminiano se prontificou a levar os pais até o hotel e não recebeu nenhuma objeção do namorado. Não, pelo contrário, o loiro queria era se livrar deles de uma vez, já que a fera da mãe dele parecia ter sido amansada.Despediram-se com um beijo e saíram.


Esperou que eles saíssem para finalmente se jogar no sofá da sala, de olhos fechados e expressão cansada. Somente sentiu o peso do corpo do amigo Aldebaran balançar todo sofá e então abriu os olhos, encarando o grandão. Teve que rir da cara dele.

– Pelo visto deu tudo certo...

– É, sim. Como previ, a mãe dele me aceitou bem depois de saber da minha... origem!

– Coitado do Saga... – Deba pronunciou antes que o quarteto Afrodite, Carlo, Mu e Aioria chegassem, com caras fechadas demais para quem iriam se divertir.


– O que aconteceu? Que caras são essas?! – Shaka perguntou, estranhando. Sabia que Dite iria para um motel, será que Carlo não deu conta?! Achou engraçado porque os quatro bufaram praticamente ao mesmo tempo.


Não queremos falar sobre isso... – o ariano se pronunciou por todos, e aquilo era estranho, mas deixou para lá, aquele dia estava agitado demais pro seu gosto. – E você, melhorou?

– Nada que uma boa sogra não resolva! – Deba gracejou, fazendo o loiro rir.


Se aquilo é boa sogra eu quero ir pro inferno! – Comentou aos risos. Pouco tempo depois chegou Camus e Milo para completar o time.


Ei, pessoas! Como foi o dia de vocês?! – O loiro chegou bem animado.


– Não queremos falar sobre isso... – Milo encarou o primo, confuso. Mas pela cara dos quatro, era melhor não insistir.


– Estou bem melhor da ressaca, obrigado. – Shaka sorriu contido. Milo passou o braço por cima do ombro do amigo, feliz da vida.


Eu estou ótimo, obrigado! – Comentou fazendo todos rirem e olharem para um envergonhado Camus.


– Milo, menos por favor... – O aquariano foi para a cozinha evitando os olhares. Os amigos então sentaram praticamente grudados no sofá e poltrona, amontoados.


– Cara, vocês acham necessário isso? – O indiano se incomodou pelo aperto, mas os outros nem ligaram. Estavam cansados e... céus, que dia!


– Afrodite!! Você não sabe o que eu descobri! – Milo quase saltou do lugar.


O que, sua bicha louca!?

– Sabe aqueles caras que fizeram aquela pataquada com você?! Foram presos!

– O que? – Quase todos se assustaram, menos Camus.


– Sério, parece que fizeram outra merda e foram pegos!

– Graças! Foram tarde... – Aioria comentou. Dite deu de ombros.

– Estou nem aí pra eles... Mas foi bem feito. – O pisciano comentou, deixando todos em silêncio. Fase difícil, mas foi legal, porque os uniu ainda mais, principalmente quando estavam chegando à faculdade, eram calouros e tudo assustava, tudo era impressionante e novo e tiveram que passar por grandes provações. Tiveram que se unir praticamente contra todos, e acabaram por formar uma família. É... a família da República do Chope...



Fim

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!