A República do Chope

8 Capítulo 8 - Descobertas na madrugada


Notas iniciais
Perdoem o atraso!

Afrodite imediatamente voltou para dentro, sendo acompanhado por seus amigos. Jogou-se no sofá e, chorando, deu um berro raivoso enquanto era consolado pelos amigos.

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Estavam todos muito chocados com a brincadeira de péssimo gosto que fizeram com Afrodite. Mu sentou no sofá e acolheu a cabeça do pisciano em seu colo, acariciando-lhe os sedosos cabelos tentando acalmar o amigo que chorava copiosamente, tanto de raiva quanto de vergonha. Enquanto isso, Aioria correu de volta a rua para retirar o cartaz e tentar descobrir exatamente quem o colocou ali. Shaka estava em pé pensativo enquanto observava o pranto e o carinho dos amigos e mais distante um nervoso Milo tamborilava os dedos na bancada que separava a cozinha da sala.

- Shaka... eu preciso falar com você. – Milo sussurrou para o indiano chamando sua atenção para que ele viesse ao seu encontro e se afastasse de Dite para que ele não ouvisse o que diria.

- Diga. – Suspirou consternado enquanto se aproximava.

- Eu... bem... essa noite, eu estava na casa do Camus. – Milo começou a dizer hesitante e Shaka o olhou um tanto incrédulo, mas paciente.

- Milo, não é uma boa hora para falar do seu romance...

- Não! Espere, me escute! – Interrompeu o mais velho. – Eu estava lá e ouvi uma conversa estranha do professor Camus com o professor Saga!

- Natural... são amigos. – Shaka não entendia onde ele queria chegar.

- Eu acho que eles sabiam que isso iria acontecer! Com o Afrodite!

- Como? Milo... conte-me isso direito.

- Foi assim...

Flash Back

Nem podia acreditar que estava mesmo indo para a casa do ruivo e muito menos que tinha feito a proposta para passar a noite lá. Estava se sentindo como se tivesse um iceberg dentro da barriga, mas ainda assim animado por estar perto dele e mais ainda por Camus ter concordado em levá-lo para casa. Era preciso fingir uma bebedeira suficiente par manter o professor por perto, mas ao mesmo tempo não a ponto de parecer um bêbado chato. Foi pensando assim que apoiou a cabeça na porta do carro, um pouco encolhido tentando observar discretamente o professor enquanto ele estava dirigindo concentrado.

Camus por sua vez estava ficando intrigado com o tanto que o garoto olhava, e até divertia-se quando votava seu olhar para ele e o loiro disfarçava pessimamente. Se ele não estivesse bêbado, poderia achar que ele estava interessado em si. Se bem que o auto convite para passar a noite em sua casa era muito suspeito. Tudo bem, o garoto era lindo, muito lindo, e não iria se importar em se aproveitar um pouquinho do garoto. Bom, o único problema é que o loiro ainda era um garoto, e o pior, pode vir a se tornar seu aluno! Não seria nada ético se envolver com um aluno. Apesar de que um pouco de divertimento sem compromisso não poderiam ser consideradas um envolvimento. Ou não?

- Milo? — O loiro quase pulou de susto quando ouviu aquela voz grossa o chamando. Esteve tanto tempo pensando em como seria estar tão perto dele e agora que estava não sabia o que fazer.

- Oi?

- Você está matriculado em qual curso?

- Educação física. — Camus pareceu relaxar um pouco. Bom, pelo menos ele não seria o professor do loirinho. O ruivo então aproveitou o sinal vermelho para olhá-lo de cima a baixo como se estivesse analisando seu corpo, constrangendo Milo, que se ajeitou melhor no carona sentindo o coração acelerar.

- Então está explicado. – Ele disse, sorrindo.

- Como?

- Seus músculos são bem definidos. Você deve fazer muitos exercícios. – Sorriu ainda mais ao ver o constrangimento do outro. Milo por sua vez não sabia onde enfiar a cara. Apenas concordou com um gesto de cabeça, se recriminando mentalmente por estar agindo como uma menina assustada. Mas também nunca tinha feito algo parecido, nunca foi tão atirado e agiu por puro impulso quando fez aquele pedido ao Camus e agora não sabia como agir.

Fim do Flash Back

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- Milo... vamos cortar os detalhes da história e ir para a parte que interessa? Depois você conta o seu romance! – Shaka interrompeu a narrativa do escorpião já impaciente para saber por que Milo disse que Saga sabia de tudo.

- Está bem! Continuando... – Suspirou frustrado pela interrupção.

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Flash Back

Depois de ter tomado banho e vestido a roupa que o aquariano emprestou, sentou-se no sofá comendo um pedaço de sanduíche deixado por ele. O ruivo estava no seu quarto fazendo sei lá o que deixando o loiro um tanto frustrado. Não era exatamente para comer sanduíche que tinha se convidado para a casa dele.

- Milo... – O ruivo voltou para a sala trazendo consigo um travesseiro e um cobertor. – Fique com isso, caso sinta frio. – O loiro pegou o agasalho ainda de boca cheia, se atrapalhando com o sanduíche que estava em sua mão.

- Obrigado. – Conseguiu dizer enfim.

- Você se sente melhor? – Camus perguntou ainda de pé observando a expressão do outro. Milo o encarou e pigarreou, como para ganhar tempo enquanto pensava sobre o que deveria responder. Se dissesse que estava bem, ele sairia dali e não teria adiantado nada ter ido para lá, mas por outro lado se dissesse que estava mal, então ele ficaria ali e por mais que isso o irritasse, estava se sentindo intimidado pela altivez do ruivo. – E então? – Camus insistiu.

- Ahnn... errr... mais... mais ou menos. – Disse desviando o olhar e massageando a própria nuca.

- Como assim?

- É que... eu ainda estou meio tonto e enjoado. – Disse por fim, afinal isso não era uma mentira. Estava mesmo se sentindo enjoado.

- Entendo. Tenho certeza que uma boa noite de sono será suficiente para se recuperar. – Camus disse e o loiro concordou com a cabeça.

- Obrigado por me deixar vir para cá. – O loiro tentou puxar assunto vendo que o outro ameaçou ir embora.

- Não tem problema, não poderia deixá-lo na sua casa sozinho do jeito que estava.

- Ahh é... – Riu sem graça. – Mas mesmo assim eu queria agradecer.

- Tudo bem. Não se preocupe com isso, agora descanse. – Milo apenas ouviu-o dizer e sair educadamente e vendo seu plano ir por água abaixo.

- Ahh... professor Camus? – Chamou e o ruivo se virou esperando o que o loiro diria. – Ahh... – Milo ficou observando-o e tentando achar alguma coisa para dizer, acabou falando a primeira coisa que veio em sua mente. – A.. bem.. a sua casa... é muito bonita. – Sorriu, tentando esconder o nervosismo. Camus apenas o encarou arqueando uma sobrancelha, tentando entender o comportamento do rapaz. O escorpião, sentindo o olhar analítico sobre si, acabou se encolhendo no sofá, envergonhado, recriminando-se por sua total falta de jeito para manter um cara perto de si.

- Obrigado garoto. – Camus riu fechando os olhos. Milo se incomodou com o “garoto” frisado por ele e acabou suspendendo a respiração com o que ouviu depois. – Qualquer coisa estarei no meu quarto. – Milo o viu se dirigir para o quarto e ficou sem reação diante da resposta dele. Voltou a se acomodar no sofá e lá ficou pensando no que deveria fazer. Aquela proposta do Camus poderia ser levada tanto para um lado mais malicioso quanto mais inocente. Mordeu o lábio inferior, tentado a ir até lá, mas incerto quanto ao que faria. Queria muito estar perto do ruivo, será que ele o acharia atirado demais?

- Bom, eu já estou aqui não é? E como diz o ditado: ajoelhou tem que rezar... – E foi com esse pensamento que, depois de alguns minutos pensando no que faria, o loiro se levantou no sofá na ponta dos pés e se dirigiu devagar até o que parecia ser o quarto dele. Quando chegou ao corredor, viu que uma das portas estava entreaberta e com uma luz acesa. Resolveu espiar. Aproximou-se cuidadosamente da porta e olhou por entre a fresta, tendo que levar a mão a boca com o que tinha visto.

Fim do Flash Back

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- Ele estava pelado? – Perguntou um atento e curioso Shaka.

- Espera! Deixa-me terminar de contar!! – Bradou Milo, voltando à narrativa.

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Flash Back

Milo sentiu suas pernas fraquejarem quando viu o lindo ruivo somente com uma toalha em volta da cintura. Provavelmente deve ter tomado um banho enquanto se decidia se vinha vê-lo, mas agora ele estava lá, arrumando alguma coisa que estava na cama, passeando por seu quarto sem notar os olhares fixos que o escorpião lançava para ele. Aquele peito definido, as costas igualmente definida coberta por aquela pele alva e emoldurada por alguns fios vermelhos que caiam displicentes de seu rabo de cavalo. Mordeu o lábio inferior ao notá-lo pegando uma calça de moletom. Seu coração disparou ao pensar que ele poderia... fazer exatamente o que estava fazendo agora, deixando-o com uma agonizante ereção mal disfarçada pelo short. Camus retirou a toalha e deu uma visão espetacular de suas nádegas brancas, roliças e perfeitas para o loiro que praticamente babava com o que via.

Um toque na campaninha, porém, retirou Milo do seu transe, assustando-se sentindo o sangue descer para os pés. Percebeu que Camus também ouviu e começava a vestir rapidamente a calça e se preparava para sair do quarto. Meio desesperadamente e atrapalhado, saiu correndo e pulou em cima do sofá rapidamente se cobrindo com cobertor e fechou os olhos fingindo que dormia. Logo notou que Camus já estava na sala, mas a adrenalina impedia que relaxasse ante ao susto.

- Oi, Saga. Entra. – Ouviu Camus dizer. Então era o professor Saga que tinha feito uma visita.

- Mas que horário estranho para uma visita. – Pensou Milo, considerando que já era tarde da noite. Mas como eles ficaram em silêncio de repente, Milo arriscou abrir um dos olhos e o que viu o deixou atordoado. Saga e Camus se beijavam intensamente, com o visitante com as mãos na bunda de seu ruivo. Fechou novamente os olhos ao perceber que o beijo cessou.

- Boa noite Camus. – Saga o cumprimentou com um olhar sacana e então se virou dando de cara com o loiro dormindo no sofá. – O que é isso? – Perguntou ao ruivo com ar de ironia. – Não sabia que estava catando menininhos... – Riu da cara enfezada do outro.

- Deixa de pensar besteira Saga... Ele estava bêbado e então o trouxe para casa, pois ele estava sozinho.

- Ahh que bonitinho... e o aquariano de bom coração resolveu ajudar o loirinho gostosinho levando-o para sua casa e para cuidar bem gostosinho dele, não foi garanhão? - Saga perguntou irônico enquanto sentava no outro sofá, rindo muito.

- Deixe de falar bobagem! – Camus ignorou a piada do outro.

- Hunn... ele é bem gostosinho mesmo, mas pedofilia é crime, você sabe né? – Lançou a retórica reparando no sono do loiro.

- Ele não é menor de idade. – Camus respondeu e logo corou violentamente com a gargalhada que Saga soltou. – Fica quieto, assim você vai acordá-lo! – Ralhou o outro, sem reparar no meio sorriso que apareceu também em Milo.

- Ok, ok... se ele não é menor, então você pode aproveitar. – Tentou controlar a risada, deixando o ruivo sem graça.

- E porque veio aqui, não acha que está tarde? – Camus perguntou.

- Sim, eu peço desculpas. Sei que você é todo metódico quanto a isso, mas é porque realmente é importante.

- O que aconteceu?

- Parece que Carlo vai fazer mais uma de suas brincadeiras de mau gosto. Ele foi visto levando consigo um garoto mais andrógino para um lugar mais a ermo e, parece que estavam muito empolgados.

- Pensei que tivéssemos avisado a todos os calouros que tomassem cuidado na festa.

- É, mas parece que alguns não assistiram ao aulão inaugural. Aqueles garotos da república do chope chegaram tem pouco tempo.

- Mas essa não é a república onde mora o loiro indiano?

- Sim... – Saga riu um pouco mais malicioso. – Eu não sei o que aconteceu, mas tenho certeza que o loirinho avisou a galerinha dele.

- Então eu não entendo...

- Vai ver o loirinho não tem tanta credibilidade assim e ignoraram o aviso dele...

Fim do Flash Back

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- Como é? Eu não tenho credibilidade? Ele disse isso mesmo? – Shaka ralhou indignado.

- Disse, mas me deixa terminar!

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Flash Back

- De qualquer forma essa testemunha será importante para pegá-lo. – Camus ponderou.

- Pelo menos isso... – Saga concordou.

- Quem são as testemunhas?

- Uns alunos também veteranos. Já estou em contato com eles.

- Ótimo! Dessa vez ele não escapa! Amanha mesmo quero falar com eles. – Camus pediu.

- Está certo... – Saga levantou-se e aproximou-se felinamente do outro, que apenas o encarou de volta. – Então... o que vamos fazer agora? – Perguntou se insinuando para o ruivo, que o afastou com as mãos.

- Agora você vai para sua casa, Saga...

- O que?

- Isso mesmo, vá para sua casa. Estou muito cansado. – Disse se afastando.

- Sério?! O loirinho aí te deixou tão cansado assim? – Brincou com a recusa pouco frequente do amigo amante.

- Ahh não é nada disso! Só estou cansado, não estou afim de sexo hoje. É tão incrível assim alguém não estar com disposição? Trabalhei muito hoje e estou cansado! – Camus desabafou.

- Nossa! Tudo bem ruivo, eu já vou então! – Saga levou as mãos para o alto, mostrando rendição. Encaminhou-se devagar até a porta e, ao chegar, voltou seu olhar para o aquariano. – Ei, Camus? Não vá se apaixonar pela criança hein...

- Você também, pensa que eu não sei do indiano?! – Devolveu o ruivo e Saga riu sacana, saindo e deixando um Camus pensativo.

Fim do Flash Back

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- E foi isso o que eu ouvi. – Milo terminou de contar vendo a expressão plácida no rosto do indiano. Ficou incomodado com ele que apenas fechara os olhos, pensativo, sem nada dizer. O loiro, impaciente, acabou bradando com ele. – Shaka! Fala alguma coisa droga!

Mas antes que Shaka pudesse falar alguma coisa, Aioria e Aldebaran chegaram da rua com os cartazes na mão.

- Acho que consegui retirar tudo. – Disse Aioria, um pouco esbaforido.

- Deixa isso comigo. – Shaka pediu, pegando as coisas das mãos do leonino e do taurino.

- O que vai fazer? – Aldebaran perguntou.

- Temos que juntar todas as provas contra aquele canalha, não é mesmo? – Shaka disse.

- Não importa o que façam... – Afrodite finalmente saiu do colo de Mu e, sentado no sofá, olhou os amigos com olhar feroz. – Eu vou matar aquele desgraçado.

- Calma Afrodite, não faça as coisas com a cabeça quente! – Mu tentou apaziguar. Mas Afrodite não queria saber, estava louco de raiva e queria sua vingança.

- Nada do que me disser vai me fazer mudar de ideia Mu. Eu quero a minha vingança! – Afrodite então se levantou caminhando lentamente até o banheiro.

- Acho melhor você ficar com ele, Mu. – Aldebaran disse enquanto se aproximava do ariano. – Ele parece ter se acalmado perto de você. – Disse sorridente sentando-se ao lado do ariano, enfurecendo Aioria. – Você tem muito jeito para acalmar as pessoas. – Disse, mas o ariano mal teve tempo de responder, pois o leonino logo o levantou do sofá, puxando-o pelo braço e o abraçando pela cintura.

- Isso, fique com ele então, meu amor! – Aioria frisou bem a parte do “meu amor”, desafiando com o olhar o touro que apenas o encarava de volta, sorridente.

- Certo, eu vou lá. – Mas antes que Mu fosse ao encontro dele, Aioria o agarrou num beijo quente e molhado na frente de todos, constrangendo o mais novo. Todos na sala ficaram em silêncio, assistindo aquela demonstração de posse do outro. O ariano depois de um tempo conseguiu enfim se libertar dos braços do namorado e foi até o banheiro ao encontro de Dite, enquanto seu namorado travava um duelo de olhares com Deba.

Continua...