A República do Chope

6 Capítulo 6 - Noite intensa


Shaka estava conversando com Mu próximos ao bar quando viu Afrodite ser levado por um cara moreno e alto, mas como ele estava de costas, não conseguiu identificar, mas logo desconfiou do que se tratava. O loiro estava bem atento àquele cara que não parecia ser um calouro, como a maioria. Parecia ser um veterano, apesar de julgar que Afrodite não iria para muito longe com um desconhecido e ainda por cima veterano depois de saber o que ele tinha lhe contado a respeito das festas para calouros que ocorriam na cidade. Olhou ao redor, perdendo Afrodite de vistas, tentando achar algo de suspeito e acabou encontrando, um pouco distante de onde estava, os professores Saga e Camus, discretamente circulando pela multidão. Saga estava incrivelmente lindo com um roupa despojada, passando por universitário tranquilamente, ao contrário de Camus que tinha uma postura bem mais séria por natureza. Era incrível como aquele homem mexia com seu corpo.Ele era lindo, sim, mas algo mais nele o despertava sentimentos que o deixavam tonto. E isso é bem raro, trantando-se de Shaka.

- Procurando alguém? — Mu perguntou, percebendo os olhares apreensivos do loiro.

- Acabei de achar. — Shaka apontou discretamente com a cabeça para Saga e Camus e logo Mu entendeu o motivo da apreensão do loiro.

- Eles estão procurando o veterano?

- Sim, mas creio que não vão encontrar.

- Porque?

- Acho que Afrodite encontrou primeiro. Escute, procure Aioria e Milo. Eu vou falar com eles. — E assim Shaka sequer esperou a resposta do ariano e foi logo na direção de Saga. Percebeu que ele estava sozinho, o que indicava que eles resolveram se separar para procurar mais rapidamente. A cada passo que dava sentia algo dentro de si gelar e de repente estancou o passo ao vê-lo conversar com uma garota.

- Tudo bem Shaka. Não precisa ficar nervoso. Ele só está conversando com ela. Provavelmente está pedindo alguma informação. — Shaka pensou e, respirando fundo, esperou que ele se afastasse da garota para ir até lá. Olhou para os lados, procurando não sabia o que exatamente, só sabia que não queria ficar encarando-o, pois isso o fazia se sentir estranho. - Idiota! E como vai conversar com ele se não o encarar? Pense frio Shaka! - E pensando nisso resolveu voltar seus olhos na direção dele readquirindo a coragem e a confiança que lhe são característicos, mas quando viu que ele o tinha visto e que estava vindo na sua direção, toda a coragem se esvaiu por entre as pernas e se sentiu meio bambo. – Calma Shaka! – Pensou enquanto recitava mentalmente um mantra para acalmar-se.

- Olá Shaka. – Ele cumprimentou discretamente, mas com um sorriso que, em outra situação, Shaka poderia pensar que ele estava jogando charme.

- Olá professor Saga. – Tentou mostrar uma indiferença meio blasé típica de indiano metido a brahmin*, coisa que sabia fazer muito bem. – E o professor Camus?- Perguntou sem olhar diretamente para ele.

- Resolvemos nos separar. Viu algo suspeito? – Ele perguntou e Shaka hesitou. Apesar de desconfiar, não tinha certeza e seus princípios lhe diziam que ele não poderia acusar ninguém sem provas.

- Shaka? – Ele insistiu.

- Bem, não posso dizer que seja um suspeito. Apenas desconfiei de alguém, mas não tenho como saber com certeza, pois não o vi diretamente. – Disse, tentando ser o mais vago possível.

- Entendo. Mas então, se não viu diretamente, porque desconfiou? – Shaka olhou de rabo de olho e viu quando ele comprou uma cerveja enquanto perguntava sem muita preocupação.

- Intuição. – Respondeu simplesmente.

- Sei.... – Ele abriu a lata e bebeu um generoso gole, e depois ofereceu ao loiro.

- Eu não bebo. – Disse, recusando a bebida.

- Sério? Hunn... – Saga nada disse, mas Shaka percebeu uma expressão curiosa e diferente do que já tinha visto naquele homem. – Olha, não deixe de se divertir por causa disso, ok? Tudo bem que temos que encontrar Carlo, mas não quer dizer que não tenha que.. – Mas antes que Saga terminasse Shaka o interrompeu.

- Professor Saga. Tenha certeza de que estou me divertindo muito. – Disse, não convencendo a ninguém, e sabendo disso, complementou. – Eu não bebo mesmo, não preciso beber para me divertir. – Finalmente o encarou um tanto indignado, mas não sabia exatamente o porque. Saga apenas o encarou de volta, com um olhar enigmático que hipnotizou o indiano. Ficaram assim uns longos segundos.

- Se você está dizendo... – Saga praticamente sussurrou para o loiro sem desviar o olhar. Shaka prendeu a respiração e com dificuldade voltou a encarar a multidão, fugindo da intensidade daquele olhar. Ouviu-o soltar uma risada baixa e se arrepiou. Olhou de soslaio para ele e percebeu que ele voltou a tomar sua cerveja, com expressão divertida. O loiro ficou tentado imaginar o que se passava naquela cabeça, mas decidiu ficar quieto. Sua intuição estava alertando que este homem era mesmo um perigo.

Enquanto isso, Mu ainda procurava por Aioria e Milo, mas no meio da multidão, estava quase impossível de achar.

- Perdido? – O ariano ouviu aquela voz potente atrás de si e reconheceu de imediato, o que não evitou o susto.

- Aldebaran! – Levou as mãos ao peito se afastando, assustado.

- Desculpe, não quis te assustar! – O grandalhão se desculpou, rindo.

- Não, tudo bem. Eu estava procurando o Milo e o Aioria.

- Ah... então seus amigos te abandonaram? Que absurdo! – Mu riu.

- Aldebaran...

- Me chame de Deba... é assim que meus amigos me chamam....

- Está bem... Deba. Meus amigos não me abandonaram, nós apenas nos perdemos de vista.

- Ah então ainda bem que eu te achei não é? – O grandalhão riu alto. Mu teve certeza de que Deba já tinha bebido demais, e a festa mal começara. Depois que controlou o riso, Deba se aproximou do ouvido do ariano, sussurrando para ele. – Não é legal um calouro como você circular sozinho por esta festa. Alguém pode acabar te pegando... – Mu ficou um pouco desconcertado. Sentiu muita malícia na voz do grandão, mas resolveu ignorar.

- Ah é... por isso eu estava procurando meus amigos. – Disse, sem graça.

- E já encontrou! – Aldebaran praticamente gritou, estendendo os braços e apontando para si mesmo. – Pode ficar tranqüilo que eu vou te proteger dos veteranos.

- Ah valeu! – O mais novo riu, sem graça. Mas ficou ainda mais sem graça quando sentiu os braços de Aldebaran circundarem seu pescoço e seu bafo esquentar seu ouvido. Apoiou as mãos no peito de grandão, como tentativa sutil de afastá-lo.

- Saiba que os veteranos aqui podem ser muito sádicos... já ouvi histórias de calouros que receberam trotes humilhantes. É muito perigoso mesmo.... – Então ele se afastou para encarar o rosto do ariano, que apenas ria sem graça. – Tenho medo de pensar no que poderiam fazer com você... – Ele disse num tom tão terno que até assustou Mu.

- Ah o que é isso Deba! Assim parece que sou uma donzela indefesa... – Protestou Mu, empregando mais força para afastar Deba, inutilmente.

- Não é uma donzela... – Ele disse e voltou a se aproximar do ouvido do mais novo. – Mas vejo em seus olhos que é puro e inocente como raramente vi por aqui... por isso tenho medo. Não quero que perca isso... – Aldebaran tentou abraçar mais forte o ariano, que tentou reagir, sem muito sucesso.

- Ah... Deba, está me sufocando. – Provavelmente pela bebida, Deba perdeu a noção de força a ser empregada e acabou sufocando Mu.

- Com licença? – Ambos ouviram a voz um pouco irritada de Aioria, atrás do ariano. Afastaram-se para encará-lo.

- Aioria! Eu estava te procurando! – Mu disse, aliviado por ter sido solto do abraço daquele homem que mais parecia um touro!

- Sério? Ah, então que bom eu te achei não é mesmo? – O leonino disse amargo, queimando de ciúmes pela cena que acabou de presenciar. O ariano franziu o cenho, não entendendo o tom de voz dele.

- Você está bem? – Mu perguntou.

- Estou ótimo! Quer dizer.. talvez nem tanto quanto vocês dois não é?- Ironizou.

- Como assim? – Mu perguntou, mas antes que tivesse a resposta, ouviu uma sonora gargalhada do Deba. Ambos o encararam sem entender o que tinha dado nele.

- O Aioria... ah qual é cara! Você é muito engraçado quando fica com ciúmes!! – Deba disse entre risos, ignorando o rubor que se formou nos dois.

- Eu não estou com ciúmes, Aldebaran! – Respondeu de mal humor.

- É claro que está! Oh aí, a sua cara de cão bravo e morto de fome! – E continuou gargalhando, irritando ainda mais Aioria. Ele encarou Mu e se virou indo embora.

- Espera Aioria! – Mu não pensou duas vezes e seguiu o leonino, segurando seu braço.

- O que você quer? – Aioria estava tão furioso que não conseguia nem olhar na cara do ariano.

- Não fique chateado com ele, estava bêbado.

- Eu vi como ele estava bêbado!

- Eu estava te procurando e aí ele me encontrou..

- Estava me procurando? — Aioria agora encarou furiosamente para Mu, que se assustou com a reação do leonino. – E por acaso achou que poderia me achar na boca dele?

- O que... do que você está falando?

- Ora... não se faça de inocente. Eu vi muito bem vocês dois juntos!

- Ah sim! E o que você viu Aioria? – Mu agora estava realmente ofendido.

- Eu.. eu... vi vocês.... — Aioria desviou o olhar, se sentindo estúpido, mas não daria o braço a torcer. – Estavam abraçados!

- E daí?

- Como e daí? Olha Mu... não brinque assim... – Aioria tentou ameaçá-lo, mas a única coisa que conseguiu foi demonstrar ainda mais o seu ciúme. Mu sorriu.

- Aioria... o Deba só estava...

- Deba? Mas já está assim?

- Assim como? Os amigos dele o chamam de Deba.... deixa disso, Aioria!

- Ah e agora você é amigo dele!

- E qual o problema?- Eles se encaram fixamente enquanto Aioria sentia-se tremer de tanto ciúmes.

- Eu sei que ele gosta de você Mu... já percebi isso.

- Ah pára com isso! – O ariano já ia se afastar, mas sentiu as fortes mãos do leonino segurando-o pelo braço.

- Não brinca comigo!

- E quem disse que estou brincando?

- Você sabe muito bem o que eu sinto... – Ele sussurrou, fechando os olhos, tremendo pela tensão que estava sentindo. Ter Mu ali, tão perto era uma tentação que estava sendo difícil de suportar.

- Aioria...

- Mu... por favor, não fique... com ele... na minha frente.Aioria abaixou a cabeça envergonhado por admitir seus ciúmes, soltando-o e lambendo os próprios labios, tirando forças não sabe de onde para não agarrá-lo ali mesmo, certo de que se fizesse isso ele sairia de perto, revoltado. Mas ao contrário do que ele pensou, o ariano não foi embora, ficou apenas encarando-o com a respiração alterada. Aioria o olhou profundamente e então o viu dar um passo para trás. O leonino deixou que o desejo dominasse a situação e o agarrou pela cintura, puxando-o para si com força, levando sua mão a nuca dele, afundando seus dedos nos cabelos sedosos, massageando-os enquanto observava maravilhado a boca entreaberta, os olhos fechados e a respiração alterada daquele que desejou desde o primeiro instante que o viu. Não ficou muito tempo admirando e logo o puxou até sua boca para um beijo completamente ensandecido. O beijou com volúpia, sentindo o cheiro dele, o perfume inebriante que o enlouquecia. O leonino devorou os lábios de Mu, ávido pelo contato quente da língua do ariano, sugando toda sua doçura ácida com fome, com puro desejo. Apertou-o ainda mais contra si, rindo interiormente por ele estar correspondendo ao beijo em igual intensidade, gemendo entre o beijo, tão enlouquecido quanto ele próprio.

De longe, Milo observava, rindo, aquele beijo do primo com o ariano, sentindo-se feliz pelo primo. Animado e já levemente bêbado, levantou a própria cerveja num brinde pelo beijo, gritando palavras de incentivo, já se entregando a bebedeira. Rodou a festa inteira atrás do professor Camus, mas nada. Às vezes achava que este homem era na verdade uma alucinação, pois depois daquele primeiro encontro, nunca mais o viu. Mas logo espanava essa idéia louca, pois sabia que não tinha sido o único a vê-lo. Ele não seria o mala apaixonado por um cara que viu apenas uma vez, como disse o primo, então decidiu aproveitar a festa, mesmo que isso significasse levar vários trotes. Dito e feito, sozinho e “altinho”, foi um alvo fácil de várias brincadeiras dos veteranos, foi pintado em todo o corpo, obrigado a beber litros de chope, cerveja, ice e outra bebida que ele não conseguiu identificar. Sentiu algumas mãos o apalpando sem saber de quem era, mas não se importou muito, só queria brincar e se divertir junto com outros calouros e alguns veteranos.

A madrugada já tinha entrado faz tempo e a festa estava no seu fim e Milo ainda estava no meio da festa, sem saber onde estavam seus outros amigos. Agora, completamente bêbado, ficou vagando pela festa sem largar de sua latinha, até encontrar dois caras que também estavam bebendo e zuando. Milo poderia estar bêbado, mas ainda conseguia raciocinar e pelo olhar deles em cima de si, julgou que deveria sair dali o mais rápido possível.

- Calma aí cara! Pra onde “cê” vai? – Disse o mais alto dos dois, seguindo Milo.

- É... fica ai, vamos nos divertir!! – O outro disse e ambos riram, seguindo Milo.

- Eu vou pra casa... – Milo respondeu simplesmente, agora quase correndo, cambaleante.

- Ei, espera! – Um deles o segurou pelo braço, o fazendo tropeçar e cair, mas o mais alto o segurou nos braços.

- Ôôô... não cai não! — O homem gargalhava enquanto mantinha Milo em seus braços. Milo se sentia zonzo, mas se esforçou para se libertar daqueles braços, sem sucesso. – Merda, porque tinha que beber tanto? – Pensou, começando a temer pelo que poderia acontecer.

- O cara ta “mamadão”!! – O outro olhava com malícia para Milo, que mal conseguia manter-se em pé.

- Me deixem em paz! – Milo conseguiu bradar, sendo solto com um leve empurrão do cara que o segurava, caindo para trás se escorando num muro.

- Olha amigo, acho que você não tem condição de ir a lugar algum. – Riram alto. Milo tentou se erguer, apoiado na parede, mas uma vontade insuportável de vomitar lhe assolou e ele levou as mãos à boca, levando mais risos aos caras. Milo fechou os olhos com força, tentando segurar o que quer que fosse para dentro, até que sentiu ser levantado a força por um dos caras, chegando bem perto do corpo do outro, sentindo em seu baixo ventre algo duro que parecia ser a membro do outro e se desesperou, se debatendo.

- Me solte! – Bradou, tentando empurrá-lo, em vão.

- Hunn... acho melhor você relaxar.. – Ouviu outro cara sussurrar em seu ouvido, atrás de si lhe agarrando e esfregando sua ereção em sua bunda. Se desesperou ainda mais por não conseguir se libertar e começou a bradar com os caras, que apenas riam e se esfregavam nele como se ele fosse o recheio de um sanduíche. Olhou ao redor, mas estava completamente sozinho.

- Nem pense em gritar... a essa hora todo mundo já foi pra caminha. Mas não se preocupe, nós levamos você pra caminha também. – O que o estava segurando pela frente sussurrou lambendo seu rosto. Fechou os olhos com força, sentindo-se enojado, mas sem conseguir se libertar. O álcool o estava vencendo, fazendo-o ficar fraco diante daqueles caras e fechou os olhos, rezando para que algo acontecesse.

- Soltem-no agora mesmo! – Eles ouviram uma voz grave e alta ordenar e então os dois se viraram para ver quem era, menos Milo, que estava muito anestesiado para fazer algum movimento. Assustaram-se quando reconheceram o professor Camus.

- Professor Camus! O senhor ainda está aqui? – Soltaram Milo, que caiu no chão. Milo ouviu o nome de Camus e se esforçou para olhá-lo, vendo-o tão magnificamente lindo naquela postura altiva, séria, quase um super homem. Suspirou aliviado e apreensivo. Suas preces foram ouvidas. Estava aliviado, pois Camus o salvara. E apreensivo, pois Camus o salvara e sabia que seria alvo das piadas dos amigos pelo resto do ano. Resignou-se, cansado por tentar resistir aos caras e deixou-se cair no chão, sob a proteção dos olhares de Camus.

Continua...

Notas finais
N/A: Antes que me perguntem, demorei muito porque estou em épocas de provas. Não se se o cap ficou muito bom, principalmente a parte do Milo. Sei lá, era pra ter postado ontem e ontem teria outro fim, mas simplesmente não conseguia terminar o capítulo e então resolvi mudar. Sei lá se ficou bom, mas enfim... espero que gostem! * Brahmim - A casta de maior prestigio da índia (lembra do Lima Duarte em Caminhos das índias? pois é...). Não sei se está escrito certo, peguei no google (pra variar). Se estiver errado me avisem.