A República do Chope

7 Capítulo 7 - Presente de espanhol


Notas iniciais
É gente, eu sei que demorei. Desculpem... Bom, os leitores que me acompanham na fic Manual de Sedução já sabem, mas para os que ainda não sabem, vou contar: Criei uma conta no twitter para que vocês não fiquem tão abondonados enquanto eu escrevo e possam acompanhar as atualizações. Assim não tenho que ficar me desculpando o tempo todo em todos os capítulos.. rs... Quem quiser me siga: http://twitter.com/#!/Bellechan2 Um grande beijo!!

Quando Camus encontrou aqueles três juntos percebeu que boa coisa não era. Aproximou-se devagar, percebendo que o loiro, que estava sendo agarrado pelos outros dois, estava na verdade sendo abusado pelos outros dois e então resolveu intervir. Sabia bem que se não o fizesse, algo pior aconteceria ao rapaz. Os veteranos que atacaram Milo eram alunos de sua antiga turma e seria fácil para ele dar uma punição exemplar, e eles sabiam disso. Por isso fugiram, deixando Camus com aquele garoto que agora estava no chão. Assim que se aproximou reconheceu-o como sendo aquele mesmo jovem que encontrou no bar uns dias atrás.

Sabia que provavelmente ele estava bêbado, tanto pelo álcool ingerido por vontade própria quanto pela quantidade ingerida nas brincadeiras. Bufou de indignação. Não conseguia entender como alguém poderia achar graça nisso.

- Ei, garoto! Está acordado? – Perguntou um pouco preocupado, se agachando e segurando em seu ombro. Milo respondeu algo indecifrável para ele, balançando a cabeça devagar e de forma negativa.

- Consegue levantar? Eu te levo para sua casa... — — O ruivo disse enquanto tentava erguer o escorpiano. Mas o garoto nada respondeu. Ergueu um pouco a cabeça dele, para ver seus olhos, inchados e vermelhos. Realmente estava muito bêbado, mas não tanto para um coma alcoólico.

A verdade não era que Milo estava bêbado demais para responder, e sim que não queria responder nada. Tanto pela vergonha de seu estado, quanto para tentar prolongar a sensação de estar nos braços daquele monumento ruivo que finalmente conseguiu reencontrar.

- Me diga onde você mora... – Camus pediu, vendo que ele não dizia nada. Milo entreabriu os olhos para encarar aqueles olhos brilhantes e aquelas ruguinhas de preocupação em sua testa e pensou que nenhuma situação poderia ser melhor do que a que está nos braços dele.

- Eu... eu... – Colocou a mão na boca, teatralmente, fingindo um mal estar e se agarrando ainda mais aos braços do professor. – Eu não estou me sentindo muito bem...

- Tudo bem, eu vou levá-lo ao hospital... – Camus foi interrompido pelo grito de Milo.

- Não!! – Milo praticamente gritou esquecendo-se de seu “mal-estar”. Percebendo a expressão interrogativa do francês, emendou: - Não precisa... eu só quero descansar. Amanha estarei novo em folha!! – Disse, sorrindo.

- Mas você disse que estava se sentindo mal... – O professor insistiu, estranhando a repentina melhora do rapaz. Milo ficou um tempo encarando o professor, numa busca mental rápida para uma resposta convincente.

- E estou... mas é só uma bebedeira normal. Não preciso de médico... – Disse, voltando a conter uma náusea inexistente.

- Está certo. Consegue levantar? – Camus perguntou, levantando-se e trazendo-o junto de si, que se aproveitou para se pendurar ainda mais no pescoço do professor, se arrepiando levemente com o delicioso aroma do perfume Frances do professor. Nesse momento se sentiu um pouco incomodado, pois era certo que em contraste ao ruivo, ele estava com um cheiro de posto de gasolina.

- Obrigado. – Disse ainda se apoiando ao professor.

- Vamos, meu carro está logo ali. – O aquariano disse enquanto escorava o loiro até seu carro. Pouco depois chegaram ao veículo e Milo se sentou no banco do carona, se sentindo um pouco enjoado e tonto. Assim que Camus entrou pelo lado do motorista, olhou para aquele garoto e achou que ele já estava melhor.

- Se sente melhor? – Camus perguntou e recebeu um sim com um gesto de cabeça. – Ótimo. Onde você mora... Qual é mesmo o seu nome?

- Milo...

- Milo, prazer. O meu é Camus.

- Prazer. – Milo deu um sorrisinho discreto, afinal já sabia o nome daquele bofe maravilhoso.

- Onde você mora, Milo?

- Logo ali na frente. – Apontou com a cabeça, um pouco desanimado. Não queria ter que sair de perto dele, ficaram tão pouco tempo juntos e nem sabia se teria outra oportunidade de ficar assim ao lado dele. Mas também se não fizesse nada, ele seria levado para casa e adeus oportunidade. – Mas eu não queria ir para a minha casa. – Disse, assim que Camus pôs o carro em movimento.

- Por quê? – Essa era a pergunta da qual Milo ainda não tinha conseguido uma desculpa decente.

- Ahh... errm.. bem... é que.. – Milo gaguejou, tentando achar uma resposta. – É que... eu estou passando mal, sabe... – Foi tentando dizer, massageando a própria nuca num sinal de nervosismo, mas para seu alívio, o próprio Camus lhe deu a desculpa que precisava.

- Você mora sozinho? Não tem ninguém na sua casa? – Ele perguntou, preocupado.

- É! Quer dizer, eu não moro sozinho. Moro numa república, mas acho que meus amigos ainda não chegaram e provavelmente estarei sozinho quando chegar. – Milo disse, sorrindo e satisfeito por encontrar uma boa resposta. Camus o encarou sério, estranhando aquela atitude. Ora ele parecia abatido pela bebida, ora ele parecia alegre como se não tivesse bebido uma única gota de álcool.

- Entendo. Mas então, não quer ir para o hospital e nem para sua casa. Para onde quer ir então? – Perguntou, ingenuamente. Não passava em sua cabeça que aquele garoto, que apesar de ser incrivelmente lindo, mesmo estando bêbado, estaria se atirando para cima dele. Mas Milo tinha em mente idéias nada castas, envolvendo ele, o professor e o seu apartamento. Ou casa, tanto faz. E ainda tinha vantagem de colocar a culpa no álcool, caso alguma coisa saísse errada.

- Ahh.... você... você mora sozinho? – Perguntou, ainda duvidando que fosse ele mesmo, Milo, quem estava realmente propondo algo assim para um desconhecido. Sim, porque apesar de tudo, Camus ainda era um desconhecido.

- Você quer vir para minha casa?! – Camus perguntou assustado, não acreditando que o outro fizera tal proposta.

- Desculpa, deixa pra lá. – Olhou pela janela, procurando a república e logo avistou. – Ali, eu moro ali. – Indicou para Camus parar o carro. Assim que eles encostaram, repararam que a grande casa estava escura, sinal de que realmente não tinha ninguém ali. Milo não sabia se agradecia ou não, já que pela reação do outro, duvidava que ele fosse levá-lo para casa.

- Realmente, parece que não tem ninguém. – Camus comentou observando a casa.

- Não tem problema, não quero incomodá-lo... – Milo disse desanimado, enquanto retirava o cinto.

- Espera. – Camus o segurou e o loiro o encarou. – Não é isso, é que... bem eu sou um estranho e você... não é seguro ir para a casa dos outros assim...

- Ah tudo bem, afinal qualquer coisa eu faço uma reclamação na diretoria da faculdade... – Milo riu um pouco da própria piada.

- Ahn? Como sabe que trabalho lá? – Assim que o ruivo perguntou, o loiro se tocou da mancada que deu.

- Ahh você me disse... – Mentiu.

- Eu não disse não.

- É claro que você me disse! Ora como eu saberia se você não tivesse me contado?! – Camus arqueou a sobrancelha, ainda mais confuso com aquela história.

- É isso que queria entender...

- Você me disse sim, nossa já esqueceu? Nossa, e eu é quem estou bêbado hein! – Milo blefou, suando frio de tanto nervoso.

- Está bem... mas você não pretende ficar ali sozinho, não é? Você não está bêbado?

- Estou... – Milo confirmou um pouco mais animado por ele ter trocado de assunto. Camus olhou para a república e suspirou em desânimo, não sabendo ao certo o que faria.

- Bom... então você passa a noite lá em casa e depois volta para cá. Está bem?

- Está bem... – Milo aceitou e eles partiram na direção da casa de Camus.

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Na manhã seguinte, os moradores da república estavam agitados. É que dois moradores de lá ainda não tinham voltado da festa: Afrodite e Milo. Shaka estava particularmente preocupado com Afrodite, já que viu quando ele saiu com aquele moreno estranho.

- Eles devem ter encontrado companhias muito boas... – Aioria comentou, olhando carinhosamente para Mu, que corou envergonhado. Shaka percebeu a troca de olhares entre os dois e sorriu.

- É, pelo visto eles não foram os únicos... – O indiano riu, ao perceber que agora os dois coraram. – Então... vocês se acertaram mesmo? – O ariano confirmou com a cabeça, se aproximando do leonino, que o acomodou em seus braços. – Hunnn... juízo hein crianças! – Shaka brincou, levando-os aos risos.

- Mas Shaka, como ficou aquela história do veterano? – Mu perguntou.

- O Saga não o encontrou. – Disse tranquilamente.

- O Saga? Já está íntimo assim? – Aioria caçoou.

- Palhaço! – Shaka ralhou, jogando um pedaço de pão nele. Mas ao final riu também. – Eu prometi que o ajudaria. Apenas isso.

- É... você está bem interessado nesse caso, ou seria no professor Saga hein? – Agora sim Shaka irritou-se um pouco e deu um tapa no braço do outro, que riu fingindo dor.

- Aiii... não precisa ser agressivooo!!! – Aioria reclamou, rindo.

- Meu interesse no caso é real! – Shaka indignou-se.

- Mas então, estão novamente sem provas? — O ariano perguntou novamente, tentando tirar a expressão irritada do loiro.

- Pelo visto sim. – Shaka disse, mas foi interrompido pelo som da porta se abrindo. Era Afrodite.

- Olá colegaaaassss!!! – Afrodite cumprimentou os colegas gritando e se jogou no sofá, com um sorriso largo no rosto.

- Ahh até que enfim! – Mu comentou.

- Nós aqui preocupados e ele aí, com essa cara de quem comeu e adorou. — Aioria riu zombeteiro. Afrodite gargalhou, jogando as madeixas para trás do sofá.

- Você nem imagina Oria!! – Se ergueu até eles e abraçou o ariano, que não aguentou e riu também.

- Você está animadinho hein... – O ariano comentou, vendo a alegria radiante do outro. Afrodite riu.

- Estou mesmo! Eu tive a melhor... ouviram bem? A ME-LHOR festa da minha vida inteira!!!

- Mas que festa? Você saiu ainda no inicio da festa... – Mu perguntou. Afrodite riu, apertando as bochechas do outro e se aproximando da boca dele.

- Eu tive uma festinha particular queridinho... – E deu um longo selinho no ariano, que ficou mais vermelho que um pimentão. Aioria, irritado, tratou logo de afastar o colega abusado de perto de seu namorado.

- Chega dessa intimidade toda aí Afrodite... – Comentou irritado. – Agora nós somos namorados e eu exijo mais respeito. – O leonino agarrou a cintura do ariano possessivamente, encarando a expressão jocosa do outro, que acabou caindo na gargalhada.

- Nossa... isso é sério? – Ao ver a confirmação de Mu, riu ainda mais. – Uau! Que rápido hein... já namorando? Pelo visto nossos colegas não perdem tempo mesmo!! – Riu e voltou ao sofá, deitando-se.

- Qual o nome do seu novo amigo? – Shaka perguntou, investigando.

- Carlo... – Afrodite praticamente suspirou ao dizer o nome dele.

- Carlo... e você sabia que ele é o tal veterano procurado pelos professores Saga e Camus? – Shaka perguntou se sentando no outro sofá.

- Hun... sério? – Afrodite perguntou, sem dar muita importância. – Ele não parecia tão malvado não... pelo contrário. Ele é tudo de bom!! – Afrodite riu ao se lembrar da sua festa particular.

- Espero que você tenha mesmo razão... - Shaka comentou, mas sua intuição estava alertando que tinha algo errado.

- Só falta agora o meu primo chegar... – Aioria comentou, para tentar quebrar o silêncio que ficou na sala. Mas foi só ele dizer isso que Milo entrou na sala, esbaforido.

- Afrodite!! – Milo chamou, gritando e assustando os amigos.

- Ai Milo... não precisa chegar desse jeito! – Shaka ralhou pelo modo escandaloso de Milo.

- O que aconteceu Milo, que cara é essa? – Aioria perguntou.

- Afrodite... você já viu lá fora? – Milo ignorou a pergunta do primo e foi logo até Afrodite.

- Viu o que Milo? Acabei de chegar... – Afrodite contou, não entendendo a expressão do amigo.

- O que tem lá fora Milo? – Shaka perguntou, preocupado.

- É melhor vocês irem lá ver... Afrodite... se prepara que não é boa coisa...

- Ai Minha Virgem, você está me assustando Milo, ai de você se não for nada... – Afrodite comentou se levantando e indo lá para fora junto com os colegas. Mas ao chegar à porta parou imediatamente, ficando cada vez mais pálido.

- Ai Meu Deus! – Foi a vez de Mu se assustar.

- Que merda... – Comentou Aioria. Mas Shaka não se assustou. Na verdade, previra que algo aconteceria, mas nada tão grave.

- Carlo... – Shaka suspirou e olhou para Afrodite, que estava com os olhos marejados.

- O que... o que é isso? – Perguntou, olhando para a imensa faixa em frente a sua casa, com uma foto gigantesca sua, nu e de quatro sendo possuído por Carlo, tirada na noite anterior. Olhou para a rua e viu as pessoas que passavam e olhavam para si, cochichando e rindo dele, algumas até apontando para ele.

- Olha... é ele! – Alguém comentou, apontando para Afrodite enquanto outros riam.

- Hunn... que bundinha gostosa hein. Eu também quero!! – Ouviu outra voz, vindo das pessoas na rua.

Afrodite imediatamente voltou para dentro, sendo acompanhado por seus amigos. Jogou-se no sofá e, chorando, deu um berro raivoso enquanto era consolado pelos amigos.

Continua...

Notas finais
N/A: Eu sei que esse triste episódio com Dite pode fazer parecer que a fic vai se tornar um pouco dramática, mas não é o caso. A minha proposta era trazer o tema do bulling nas escolas e universidades (belle assumindo seu papel social kkkk XD), que é um tema bem atual, mas vou tratar desse assunto de uma forma leve. E não se preocupe com o Dite. Ele levou um choque, mas logo ele se recupera e acreditem, a vingança dele será malígna kkkkkkkkkkkkkkk!!! XD Beijitos e até o próximo..