A República do Chope

25 Capítulo 25 - Mistério revelado



Você quer um pedido formal não é?– Milo sorriu mais amplamente. — Ok, Milo. Você gostaria de namorar comigo? — O loiro sorriu contente e pulou no pescoço do ruivo, num abraço apertado, para logo depois beijá-lo apaixonada e escandalosamente, fazendo os clientes do bar assoviar e aplaudirem enquanto eles sorriam e se entregavam a essa nova e encantadora fase de suas vidas.

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Já de madrugada, quando as ruas desertas e as luzes apagadas davam o ar solitário, Afrodite finalmente apareceu. Ele pensava que, chegando àquela hora, não encontraria ninguém e assim poderia fingir que nada tinha acontecido e, principalmente, não teria que explicar seu rosto marcado pelas lágrimas que derramou desde que deixou a choppada.

Mas não foi isso o que aconteceu. Shaka, ainda animado demais por conta dos últimos acontecimentos, não tinha conseguido dormir e com isso permanecia na sala ouvindo música em seu ipod enquanto os outros dormiam. Por isso, Dite se surpreendeu quando ligou a luz da sala e o encontrou deitado no sofá, olhando-o com uma expressão de quem acabou de pegar alguém no flagra.

– Achei que não voltaria mais para casa hoje... – Shaka comentou levantando-se indo até ele, mas de repente parou. – Afrodite... – Murmurou assustado ao reparar melhor nos olhos vermelhos e inchados. – O que houve? – O pisciano não disse nada, apenas o encarou mais atentamente e, como se fosse impelido por uma força maior, se jogou nos braços do amigo e chorou muito. O indiano o abraçou e sem entender aquela crise de choro, o levou até o sofá e sentou-se com ele, esperando que ele se acalmasse.

Meia hora depois e um copo d'água com açúcar e Dite já estava um pouco mais calmo nem chorava mais. Foi só então que Shaka tentou descobrir o que tinha acontecido.

– Mais calmo? – Dite confirmou com a cabeça. – Então... Por que essa choradeira toda? Por causa do Carlo?

– Você já sabe? – Dite perguntou com voz manhosa.

– Sim, o Milo nos contou assim que chegou...

– Foi tudo tão estranho, sabe... – Dite começou a explicar, manhosamente. – Quando eu fui pra lá, eu esperava que fosse encontrá-lo, mas... como eu poderia imaginar que ele fosse fazer aquilo?! Como imaginar que ele me faria uma declaração? Eu fiquei tão... tão chocado!

– É realmente, é estranho mesmo...

– Pois é... e depois de tudo o que aconteceu, de tudo o que ele me fez, ele fica atrás de mim, dizendo que gosta de mim?! – Via-se na expressão do pisciano o quanto ele estava confuso.

– Dite... você já parou pra pensar que ele pode ser inocente mesmo? – Dite arregalou os olhos e o encarou confuso.

– O que? Que história é essa, Shaka? Esqueceu o que ele me fez? – Perguntou enxugando o rosto com as mãos. Shaka desviou os olhos, respirando fundo. Sabia dos sentimentos do amigo, sabia também da vingança perpetrada, pois tão logo chegou Milo o contou sobre a declaração em forma de música de Carlo. Tudo bem que prometera a Saga que ficaria calado, mas será que deveria mesmo se calar, fazendo Dite se arriscar a perdê-lo? — Shaka? Você está sabendo de alguma coisa?– A hesitação e a dúvida estampada na cara do loiro fez Dite desconfiar de imediato e ao indiano suspirar.

Dite... eu não esqueci, é só que não acho que devemos julgá-lo sem de ter provas... e se ele for inocente?

– Eu não acredito! — Shaka suspirou pela declaração.

– Então porque o choro?

– Por que... porque eu pensei que eu fosse me sentir bem depois de me vingar... — Concluiu tristemente.

– E não foi o que aconteceu? — Dite negou com a cabeça.– Está arrependido?

– Eu... eu não sei, estou confuso. Estou tão confuso... - Disse colocando as mãos à cabeça. Shaka respirou fundo, pensativo. Depois de alguns minutos em silêncio, Shaka se decidiu.

– Sabe... o professor Saga está começando a trabalhar com a hipótese de ele ser inocente... ou parcialmente inocente.

– O... o que?

– É uma história meio confusa...

Me conte agora, Shaka!– A forma categórica de Afrodite não deixou nenhuma outra opção e se Shaka pensava em desistir, não poderia mais.

É que... bom, parece que esse tipo de coisa já vinha acontecendo e não era só o Carlo... havia um grupo. E esse grupo meio que rachou, o Carlo saiu ou ele foi expulso... alguma coisa assim. E estão achando que esse grupo rival dele, fez isso pra prejudicá-lo.

– E você só me conta isso agora? - Dite estava indignado.

– O Saga pediu silêncio e...

– Ah sim... e porque ele te contou, então?

– Ele... ele queria a minha ajuda... — Shaka ficou desconcertado com a pergunta.

Ah tá... ele queria era te levar pra cama, isso sim! Por isso ficou nessa ladainha... — O pisciano estava tão revoltado que não media a voz. — Ele contou e pediu silêncio pra mais alguém ou foi só contigo?

Não, que eu saiba ninguém mais sabe... E pare de ser irônico Dite, estou só tentando ajudar!

Me escondendo algo tão importante?!? Você só pode estar de brincadeira!– Dite se levantou irritado. Shaka suspirou, reconhecendo o erro. — Se ele for inocente eu cometi a maior injustiça e tudo porque você não me contou algo tão... tão sério e importante!!

Me desculpe... eu não devia ter te escondido isso... - Shaka pediu, envergonhado. Dite bufou, cruzando os braços e parando perto da bancada da cozinha.

Se ele for inocente... alguém fez aquilo pra atingi-lo também? Expondo-o?– Perguntou tentando entender, depois de um tempo em silêncio.

Talvez... ainda não se sabe.

Se isso for verdade, ele não vai me perdoar nunca... – Comentou amargo, com os braços cruzados. Mas depois emendou. — Quer saber? Foda-se... ele é o maior chave de cadeia, só dá problema! É melhor assim... – Disse e foi para dentro, tentando esquecer, tentando não pensar na merda que tinha feito enquanto Shaka permanecia no sofá, angustiado pela situação complicada que sem querer ajudou a construir.


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Muitos dias se passaram sem que Carlo fosse visto na faculdade. Todos os alunos, amigos e conhecidos pensavam que ele estivesse longe por causa da humilhação que Afrodite o fez passar na choppada do terceiro ano, situação que acabou se espalhando como vento por todos os cantos do campus e do bairro, se tornando o assunto mais comentado desde o ocorrido com Dite.

E era exatamente isso que o pisciano queria. Que ele fosse o assunto do momento, tal como aconteceu com ele. Que todos o olhassem e sentissem pena dele, ou zombassem, ou o humilhasse para que sentisse na pele tudo o que ele sentiu. Afrodite precisava dessa vingança para recuperar sua auto-estima, sua alegria de viver. Mas não foi o que aconteceu.

Ele esperava que, com sua vingança, começasse a se sentir melhor, mas não se sentia melhor. Ao contrário, sentia-se amuado, triste, em dúvida se a vingança foi realmente o melhor a se fazer. Ele sabia bem que o que mais o atormentava era a culpa e a pontada de arrependimento. A sensação de que por alguns míseros segundos, se transformou numa vertente do que eles eram e faziam. Sua vingança o fez se transformar numa cópia mal feita daquilo que ele tanto criticou e, talvez por isso, se sentisse cada vez pior.

Shaka também não estava bem. Todas as vezes que olhava para o rosto amuado de Afrodite lembrava-se de que, talvez se ele não tivesse se calado, Carlo não teria passado por aquela humilhação e Dite não estaria se remoendo pelo que fez. E se a confirmação de sua inocência vier, a situação piorará terrivelmente. Nunca se sentiu tão culpado como agora e a atitude de Dite em ignorá-lo também não ajudava. O loiro queria muito explicar-se, mas o pisciano não queria conversa. Estava irredutível e magoado pelo indiano não ter confiado em si e contado logo tudo o que sabia.

Alheios a todo esse drama, Aioria, Mu e Milo seguiam para a aula animadamente. Tanto Milo já sabia da primeira vez do primo com o ariano quanto os outros dois já sabiam do namoro oficial entre o escorpião e o professor Camus. E era nesse clima de revelações e boas novidades que eles seguiam tranqüilos para a faculdade sem notar a cara de enterro dos outros dois amigos. Apenas o ariano reparou que os amigos não estavam muito felizes.

Gente... vocês sabem o que aconteceu com eles? – Mu perguntou referindo-se a Shaka e Dite discretamente. Conversavam baixo para que Dite e Shaka não ouvissem, já que eles os seguiam logo atrás.

Não... – Aioria não tinha reparado nada até então, mas depois que o namorado falou, percebeu que Dite estava quieto demais. – Mas agora que você falou... realmente eles estão muito calados...

Será que ainda é por causa daquele assunto? – O ariano sondou, referindo-se a Carlo. Os primos deram de ombro, não sabiam mesmo o que estava acontecendo. – E aquele garoto, Milo, o Cris? Falou mais alguma coisa? – Perguntou.

– Não... eu nunca mais o vi.

– Vocês acreditam mesmo que o Carlo pode ser inocente? – Aioria perguntou desconfiado. – Eu não gosto daquele sujeito!

– Eu não sei, mas o Camus me confirmou a história que ele contou. E sabe... até faz sentido porque se ele era assim mesmo, tipo implicante com todo mundo, é bem capaz que alguém quisesse fazer algo assim com ele, pra se vingar dele! – Milo ponderou. – Mas o que mais me preocupa é: Se isso for verdade, meu Deus! O Dite pegou muito pesado com ele e... sei lá, vocês sabem que o Dite gosta do cara né... Sabem o que isso significa?! – Comentou sussurrando.

– Ah, mas o Carlo vai ter que entender... Aquela brincadeira de mau gosto não dava margem para dúvidas. – Mu tentou ajudar o amigo.

Ele me pareceu orgulhoso demais para aceitar o que o Dite fez, mesmo sendo culpado. Que dirá sendo inocente... – Aioria considerou fazendo Mu suspirar condescendente.

– Deve ser por isso mesmo então... eu nunca o vi tão amuado! – O ariano disse com verdadeiro pesar.

Mas ele sabe da história, de que acham que Carlo é inocente? – Aioria perguntou.

Deve saber, ou então porque ele estaria com essa cara? – Milo perguntou retoricamente.

E vocês repararam que o Shaka também não está com uma cara boa? – O ariano comentou sussurrando, pois os amigos estavam próximos.

Será que aconteceu alguma coisa com ele e Saga? – Aioria se perguntou.

– O Shaka deve saber de alguma coisa porque ele estava planejando alguma coisa pra descobrir toda essa história do Carlo. – Milo recordou-se que Shaka estava atrás da verdade.

– Será que eles sabem de alguma coisa e não nos contaram? – Foi Aioria quem perguntou.

Pode ser... – Milo concordou dando de ombros. Eles ficaram uns minutos em silêncio, refletindo. Depois Mu quebrou o silêncio para comentar:

Ei... vocês sabiam que o aniversário do Dite está próximo?

É? Não sabia... – Aioria disse.

– Sim, vai ser por esses dias. Bem que podíamos aproveitar e fazer uma festa surpresa pra ele lá na república. O que acham? – Mu sugeriu.

Ótima idéia! – Milo animou-se. Aioria riu.

Ter álcool é o suficiente pra você achar tudo uma ótima idéia, não é Milo... – Brincou fazendo-o o rir.

Bom, eu vou falar com a Dona Gertrudes. Está fechado, então? – Mu começou os preparativos para a grande festa surpresa de Dite.

Fechadíssimo! – Milo sussurrou animado. Enquanto eles chegavam animados, Dite percebe uma movimentação estranha no meio do pátio da faculdade.

O que é aquilo? – Dite perguntou.

– Não sei... vamos ver. – Chamou Milo, indo na frente até o grupo.

Quando chegaram perto, perceberam que o grupo de estudantes observava atentamente a portaria de um dos prédios da faculdade.

O que aconteceu? – Aioria perguntou para uma morena, que estava mais perto de si, que também olhava a portaria.

– Eu não sei, cheguei agora também. Mas parece que teve uma briga feia aí dentro... Deve ser coisa do grupo do Carlo... – A garota respondeu sem tirar os olhos de portaria. Aioria e os amigos se entreolharam, confusos. Mas não demorou muito para alguns professores se adiantarem na frente dos alunos, tentando acalmá-los.

– Já está tudo esclarecido, não precisam se preocupar. Voltem para a aula imediatamente. – Um homem que parecia ser professor de lá comunicou, pedindo que os alunos se dispersassem.

Mas como assim? Como fica essa situação? – Um dos alunos perguntou num tom indignado.

– Ele está bem, tanto ele quanto Edward. Será transmitido um comunicado oficial, mas por agora saibam que tudo já foi esclarecido e os culpados serão punidos. Todos serão responsabilizados na medida de seus atos. – O professor disse calando os alunos. Nesse meio termo apareceu o professor Saga e, olhando por entre os alunos, viu Afrodite e o chamou.

– Afrodite? Venha até a sala dos professores, por favor. – Dite sentiu um frio na espinha quando todos os alunos pararam para olhá-lo. Ele hesitou um pouco, mas com o apoio dos amigos, se encaminhou até a sala dos professores.

Assim que chegou se deparou com algumas pessoas que ele nunca tinha visto e, sentado segurando uma compressa de gelo, Carlo. Os olhares se encontraram por alguns instantes e ambos estremeceram, fazendo Dite estancar o passo, constrangido, observando aquelas pessoas o olhando, algumas com caras de poucos amigos.

– Por favor, me acompanhe. – Saga pediu o levando para uma salinha mais reservada. O pisciano o seguiu em silêncio, completamente tenso.

Senta... relaxa. – Pediu enquanto sentava em sua mesa. Afrodite tentou rir.

É difícil relaxar agora... o que aconteceu? – Perguntou enquanto sentava. Saga respirou fundo e comprimiu os lábios, pensativo.

Bem, acho que já sabe por que está aqui.

Bom, creio que seja por causa do Carlo...

– Sim, nós chegamos aos verdadeiros culpados, responsáveis por aquele incidente no qual você foi envolvido. – A forma como ele falou deixou Afrodite comovido, tenso, ansioso, uma mistura incoerente, mas intensa de sentimentos que o deixaram com os olhos marejados.

– E... e então?

Afrodite, antes de você vir estudar aqui, já estava acontecendo coisas que não deveriam acontecer. No começo eram trotes leves de veteranos contra calouros, mas as coisas começaram a evoluir perigosamente levando a reitoria a tomar uma atitude contra essas atitudes. Foram estipuladas algumas regras, como por exemplo, a proibição de brincadeiras que ofendessem ou denegrissem de qualquer forma a moral dos alunos. Nós conseguimos controlar esse tipo de comportamento aqui dentro da faculdade, porém um grupo de estudantes começou a se comportar inadequadamente fora do recinto da faculdade.

– Sim, eu sei... — Dite apertava nervosamente sua bolsa contra seu colo, enquanto ouvia atentamente o que Saga dizia.

– Só que, devido ao grande nome da nossa faculdade, o número de estudantes cresceu e com isso a quantidade de pessoas de diferentes tipos, estilos e culturas, gerando um grande aproveitamento tanto para alunos quanto para a própria faculdade, porém alguns alunos não gostaram. O que antes eram apenas trotes, começaram a se tornar brincadeiras com cunho preconceituoso, até que se formou um grupo específico que praticava apenas o que eles chamavam de elitização da faculdade. Eram brincadeiras com o fim determinado de perturbar tanto uma pessoa a ponto dela não querer mais permanecer na faculdade.

– Tipo... grupo que fazia bulliyng?- Dite lembrou-se imediatamente de Shaka, que já tinha comentado sua desconfiança sobre isso.

Sim, eles praticavam bullying com outros alunos. Afrodite, esse grupo agia intencionalmente para atingir um determinado grupo, gays e estrangeiros, com brincadeiras ofensivas com o objetivo de denegrir a moral dessas pessoas na faculdade a ponto delas não desejarem mais ficar aqui. Foi o que aconteceu com você... Bom, na verdade eles não tiveram tempo de fazer algo pior com você porque já estávamos na cola deles, porém houve casos realmente sérios, teve um aluno ano passado que chegou a tentar suicídio devido às brincadeiras que acabaram se tornando generalizadas entre todos os alunos. Na verdade, quando o grupo obtém o apoio de outros alunos, as conseqüências são terríveis. As ações se tornam generalizadas fazendo com que a vítima acredite nas ideias preconceituosas que são difundidas nesse meio.

Que horror... – Dite sentiu-se enojado com a história. — O... o Carlo fazia parte?– Fez a pergunta que mais o atormentava.

Sim, ele não só fazia parte como era... digamos... o líder do grupo.– Saga fez uma pausa, entendia o sentimento de repulsa que estava estampado no rosto do pisciano. — Porém, no seu caso específico, ele é sim inocente. — Emendou fazendo Dite arregalar os olhos e gelar completamente.

Como assim, ele é inocente?– Perguntou sentindo um temor muito grande.

Bom... acontece que, em função do que aconteceu com esse rapaz que tentou suicídio, o Carlo começou há tomar um pouco mais consciência, assim eu penso. O fato é que, segundo os depoimentos, ele percebeu que estavam exagerando e quis parar de praticar tais atitudes e tentou convencer o grupo disso, mas não conseguiu. Algumas pessoas concordaram com ele e outras não. Porém, essas pessoas não gostaram do que ele fez, de tirar pessoas do grupo, e então, como vingança, resolveram fazer aquele trote com vocês dois.

Mas espera... eles sempre faziam isso... porque dessa vez seria um trote contra ele?

Porque... o Carlo... ele não gosta muito de envolver sua imagem com gays. Na verdade, a sua opção sexual somente ficou exposta até o seu caso. Até então ninguém o via como gay... – Dite ficou extremamente chocado. E não sabia o que pensar... era tudo confuso demais.

Isso... mas... — Atordoado, ele não conseguia formular uma frase coerente.

É meio precipitado dizer que ele tinha preconceito com gays, mas é possível. Ninguém entende a cabeça daquele garoto, ele está sempre fazendo alguma coisa que te deixa confuso. Não dá pra dizer... No entanto, agora está comprovado que no seu caso ele é também vítima, pois a brincadeira foi no intuito de agredi-lo.

– E o que vai acontecer... com eles? — Dite perguntou enquanto enxugava com uma mão uma lágrima que caía sem seu controle.

– Os responsáveis pelo bulliyng, não só com você, mas também com outros alunos, serão expulsos da faculdade, e também analisaremos junto ao jurídico para tomar outras medidas cabíveis, já que isso envolve preconceito de toda ordem.

– E quanto ao Carlo?

– Bom... ele será responsabilizado também, na medida de seus atos. Nós iremos nos reunir ainda para analisar o caso dele.

– Entendi... Mas como vocês descobriram isso?

– Carlo entregou tudo, confessou. E tudo o que ele disse bate com as informações das nossas testemunhas. Depois eles tiveram uma briga bem feia aqui, inclusive pode ser que você ainda encontre algum deles, não ande sozinho por esses dias. É perigoso.

– Porque ele confessou?

– Isso eu não sei dizer. Só ele mesmo pode te dizer isso... — Saga disse e Dite calou-se por um tempo. Depois se levantou e sem falar nada, saiu da sala. Não agüentava mais aquele lugar, por isso saiu sem falar nada. Queria realmente voltar para casa e descansar. Não encontrou Carlo na sala dos professores, já tinha saído. Talvez fosse até melhor, ele não queria ver e nem falar com ninguém. Por isso foi a passos vacilantes para fora do prédio. Os amigos da república, que esperavam do lado de fora, viram quando ele saiu e logo se adiantaram para falar com ele, mas Dite não queria falar. Ele queria manter-se quieto, até porque sua mente estava dando voltas e mais voltas, nem mesmo pensar estava conseguindo.

– Eu quero ir pra casa...

– Eu vou com você. — Mu se prontificou, mas Dite recusou.

– Não precisa, vai para sua aula. Eu quero ficar sozinho. — E foi assim que o pisciano saiu da faculdade, completamente aturdido, direto para a república. Ele não tinha vontade de ir para lá, queria mesmo era voltar para sua casa, mas não deixaria a faculdade por causa daqueles idiotas. Não mesmo! Mas ainda assim precisava descansar, pôr a sua mente no lugar, pensar e decidir o que fazer. Saga também saiu e viu quando Dite simplesmente deu as costas e foi embora, matando aula. Mas não o recriminou. Ele entendia o lado daquele jovem.

Como ele é teimoso! Falei para não andar sozinho... – Comentou quando viu Shaka se aproximar.

Porque ele não pode andar sozinho?– O indiano perguntou chamando a atenção do geminiano para si. Saga o encarou docemente e sorriu, acariciando carinhosamente a sua face.

Vá para a sua aula, depois eu te conto.

Mas... – Shaka iria protestar, mas Saga não deixou.

Vá! Não quero ser responsável por você matar sua aula. Não se preocupe, depois conversamos. Eu contarei tudo o que quiser saber.– Sorriu malicioso e piscou um olho, levando um rubor na face do loiro. Depois deu as costas e saiu, ainda sorrindo.

E então?– Milo perguntou depois que Saga saiu.

Não sei... ele não disse nada. – Shaka cruzou os braços, contrariado.

É muito mistério para um dia só... – Aioria comentou.


Continua...

Notas finais
N/A: Fanfic caminhando para o final! Esse é o penúltimo, o próximo o último e depois teremos um epílogo. Esse epílogo é uma bobagem tosca que nada acrescenta para a história, mas que eu penso que vou gostar de escrever rs XD
Beijos e obrigada por todos os reviews até aqui! Até o próximo!