A República do Chope

20 Capítulo 20 - Rompimento e desilusão


Notas iniciais
Gente, uma nota de esclarecimento: O Carlo é sim o Máscara da Morte. E sim, eu sei que ele é italiano no anime, mas eu mudei a nacionalidade dele por achar o espanhol mais bonito. Talvez não tenha sido a melhor escolha, afinal no final das contas não fez tanta diferença e só serviu para deixá-los ainda mais confusos, mas enfim...
É errando que se aprende rsrsrs....
Beijoss!!

O pisciano entrou e começou a vasculhar. A louça pela metade, deu a certeza de que Milo estava fazendo merda. Prosseguiu, mesmo com o som alto, até chegar ao quarto do mesmo. Quase caiu para trás com a cena que presenciou: Camus e Milo abraçados e aparentemente dormindo no chão do quarto, e nús. Ou melhor, Milo trajava o avental. E só.


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Enquanto isso, o ariano seguia para o bar, tentando não encarar diretamente o seu chefe. Para sua sorte, o bar estava cheio e Deba visivelmente atarefado, e então pôde ir até o banheiro dos funcionários e trocar sua roupa pelo uniforme antes de falar com ele. Mas quem ele queria enganar? Pensou. Não faria a menor diferença ir falar com ele com suas roupas normais ou com seu uniforme. Estava sem coragem, sem jeito, e sem a mínima idéia em como dizer aquilo a ele. Mas teria que encarar aquilo de frente e o quanto antes melhor.

Voltou para o balcão e respirou fundo. Achou melhor conversar com ele depois do expediente. O bar estava realmente muito movimentado e não teria como conversar com ele minimamente sem ser interrompido, então resolveu atender ao pessoal do balcão. Não levou nem dez minutos e viu um fantasma que reconheceu como sendo seu amigo Dite entrar no bar sem olhar para ninguém e sentar-se a sua frente.

O que aconteceu? – Perguntou preocupado com a cara pálida como um fantasma de Dite. – O que o Milo estava fazendo? – Preocupou-se ainda mais. Será que é algo sério?

Ele tava... tava lá... fazendo as coisas... – O pisciano mal podia acreditar na cena grotesca que tinha presenciado. Não é todo dia que você vê “seu” professor pelado no meio de sua casa e ainda com seu amigo igualmente pelado.

Tava o que?

Eles... estavam fudinndo... – Murmurou baixinho, sentindo certa ânsia ao lembrar-se.

– É o que?

– Transnnnando... – Murmurou ainda mais baixinho, meio inteligível, corando e se encolhendo.

– Fala mais alto Dite! Eu não estou escutando... – Mu irritou-se.

– ELES ESTAVAM TREPANDO, CASSETE!! – Acabou gritando, irritado pela insistência do amigo, que arregalou os olhos. O bar, que antes estava movimentado, parou para encarar o garoto. Dite engoliu em seco e olhou para os clientes que o observavam em silêncio.

– Err.. eu... eu vou indo... – Acabou dizendo morrendo de vergonha e levantou-se.

Aonde você vai?? – Mu perguntou, preocupado.

– Vou cuidar da minha vida! – Disse enfezado e com vergonha sequer olhou pra trás. O bar agora continuava olhando para o ariano que ficou olhando atordoado para onde Dite tinha ido. Percebendo que o movimento ainda não tinha voltado ao normal, acabou irritando-se.

E vocês!? Vão cuidar das suas vidas também! Vão, vão!! – Reclamou vendo que os clientes meio que obedeciam e seguiam para suas mesas. Suspirou. Que mico! Passou as mãos pelo rosto, tentando afugentar o constrangimento. E assim não percebeu a presença de Deba aproximando-se. Ouviu-o pigarrear e então voltou seu olhar para trás, encarando o chefe de braços cruzados.

Tudo bem que são meus amigos, mas assim não dá né... – Recriminou.

Desculpa chefe. Isso não vai mais se repetir.

Tudo bem... err... Mu... quem tava trepando? – Acabou perguntando. Estava muito curioso. Mas acabou deixando pra lá ao ver o olhar reprovador do mais novo. – Ahhh deixa pra lá... ao trabalho!! – Disse disfarçando a curiosidade e seguindo para atender mais mesas.


Afrodite seguiu seu caminho pelas ruas do bairro, pensando em tomar vergonha na cara e ir procurar emprego. Mas antes tentou ligar novamente para Shaka, mas não conseguiu. Suspirou, queria falar com ele sobre a choppada, mas ele não atendia a porcaria do telefone. Milo estava naquela situação e Aioria e Mu estavam trabalhando. Ou seja, estava completamente sozinho. Bom, teria que esperar até a noite para falar com os amigos. Estava completamente distraído quando percebeu a presença de Carlo.

– Ah meu Deus do céu! Não é possível, eu joguei pedra na cruz!! – Reclamou ao vento, cruzando os braços e passando pelo canceriano que estava encostado numa parede, numa posição sexy na verdade, mas que não lhe interessava mais e por isso seguiu seu caminho.

– Yo vine hablar com usted... – Justificou-se seguindo Dite logo atrás dele.

– E o que você quer? Repetir pela enésima vez que você é inocente? – Perguntou debochado, olhando por cima do ombro, mas sem se virar para falar com ele.

– Y si digo que si? Que Le dirias?

Diria que não acredito. Assim como disse nas outras milhões de vezes! – Rosnou.

– Pero no entiendes? No ves?

– Não vejo o que Carlo?- Finalmente cede a vontade e se vira, encarando-o.– Que você é um idiota, um patife, um calhorda imbecil e...

–Y por qué debería estar aquí, entonces? – Perguntou suavemente, interrompendo-o e fazendo com que o pisciano estremecesse.

É você quem tem que dizer…– Disse. Carlo o encarou por um tempo e segurou em seus braços e olhando bem fundo nos olhos dele, prosseguiu:

– Yo no hice... aquilo. Que... es hás preparado para mi. Una... una armadilha! Yo no soy um santo, yo já hice cosas que non me orgulho, pero... com usted... com usted era diferente. Yo no haría com usted...

– E... você acha que eu vou acreditar nisso? – Perguntou tentando manter a voz o menos tremula possível.

Acredite... no tengo ninguna razon para justificarme ante usted... lo más que puede pasar con me es sea... expulsado... pero, no me importa la universidad... nem los falsos amigos que hices aqui... pero me importa lo que usted piensa de mi.

E por quê? Se você não se importa com nada e nem ninguém, porque minha opinião importa? – Praticamente sussurrou a pergunta, surpreendendo-se com os olhos marejados de Carlo.

– Porque usted es especial, diferente... – Sorriu timidamente e Dite pensou tê-lo visto corar, mas acabou fechando os olhos para não fraquejar. – Yo no hice aquilo com usted, era uma armadilha para mi... Lo siento porque se enredó em algo preparado contra me.

– Armaram pra você? Pelo visto você não é muito querido...

– No, no soy... Pero quem hes eso tambien no es...

– O que posso dizer além de “bem feito”? Você deve ter merecido!

– Sí... pero yo no estoy me importando com eso... lo problema es usted... no queria que le acontecesse... eso. – Sussurrou acariciando levemente a face do pisciano.

Não quer que eu acredite que está apaixonado, não é? – Disse de forma debochada, mas não desviou da carícia.

No puedo decir. Nunca estive enamorado, pero lo que siento por usted es diferente... no puedo decir lo que es..

– Diferente?

– Sí... yo nunca me he sentido nada igual, es diferente a todo lo que he tenido, pero es especial... – Carlo disse e, segurando o rosto tremulo de Dite, aproximou sua boca roçando na dele, deixando escapar uma lágrima. – Usted es tan... autentico! Sincero... diferente... especial! – Sussurrou antes de aprisionar a boca de Dite num beijo terno e cheio de carinho.Afrodite assustou-se, mas acabou se deixando levar momentaneamente pelo beijo tão diferente do que trocou com Carlo no dia da festa dos calouros. Ele o abraçou e beijou tão carinhosamente que isso o deixou ainda mais confuso. Tentava se convencer a todo custo que ele não passava de um canalha, mas essas atitudes, esse carinho todo, nada disso fazia sentido. O que isso tudo significava? Não negava que estava com muita saudade daquela boca, daquele gosto, daquele toque, mas uma voz, que parecia a voz do Shaka, gritava em sua cabeça para não confiar, para se afastar. Mas como diante daquele beijo... o beijo? Afrodite imediatamente empurrou Carlo, que ficou sem entender. Com lágrimas nos olhos, olhou por todos os lados procurando alguém ou alguma câmera.

Então era isso? Toda essa conversa mole é pra me levar pra cama? Onde estão seus amigos, hein?

– O que... no! No es nada deso! – Carlo ficou até indignado pela acusação. Depois de tudo, de ter aberto o seu coração, como pode?

– Eu não acredito em nada do que você disse, está me ouvindo! Nada! – Gritou e saiu correndo, deixando o espanhol completamente atônito.

*2 horas depois*


Shaka estava chegando à república quando percebeu o som absurdamente alto. Entrou na sala e foi direto até o rádio para desligá-lo.

– Mas quem deixou esse rádio tão alto!? – Murmurou para si mesmo e virou-se para a cozinha, estancando o passo de susto. Arregalou os olhos para ver se estava vendo direito e sim, estava vendo um homem só de toalha com a geladeira aberta. Não sabia quem era, pois só a toalha envolta na cintura e a perna peluda davam pra ser vista e definitivamente não era nenhuma perna conhecida.

Mas tão logo ouviu, ou melhor, deixou de ouvir a música, o homem na geladeira gritou o nome de Milo, achando que quem desligou o som fora o seu loirinho.

– Já acordou Milo? – Gritou e levantou-se revelando seu rosto para um chocado Shaka.

– Pro... professor Camus? – Murmurou completamente atônito.

– Ahh... é você Shaka? Desculpe-me, eu estava com fome... – Disse encarando um pasmado loiro. – Bom, eu... eu já vou indo. Tenho que dar aula ainda hoje... Boa tarde Shaka. – Disse e se dirigiu um pouco constrangido até o quarto.

Boa tarde... – Shaka murmurou enquanto simplesmente caía no sofá, num misto de surpresa e incredulidade. Ficou ali, meio sem jeito, sem saber o que fazer. Estava com vontade de ir lá para dentro, tomar um banho, estava cansado e queria descansar. Mas não iria lá, não com o professor Camus seminu lá dentro. Então esperou, mas não muito. Alguns minutos depois o professor voltou para a sala, devidamente vestido e acompanhado de um Milo vestido apenas com um short preto e uma camisa do tipo “mamãe sou forte” branca, que por sinal era de Aioria.

Olha Shaka, desculpe-me te fazer passar por isso. É que eu pensei que ir até a cozinha rapidinho não teria problemas, não imaginei que iria encontrar mais alguém. – Desculpou-se pela situação constrangedora.

Ahn... tudo bem. Não se preocupe. – Tentou amenizar a situação, mas Camus percebeu o olhar que ele lançou para Milo, numa expressão que era quase uma ameaça de morte. E pela forma como o garoto se aninhou em seu braço, soube que tinha colocado o loiro numa situação ruim.

– Eu realmente queria me desculpar. Essa situação é tudo culpa minha. Eu vim aqui para levar o Milo até a faculdade, mas ele não tinha aula hoje, então acabamos ficando por aqui mesmo. Eu que sugeri a ele. – Naquele momento ele sabia que suas palavras não surtiriam o efeito desejado, mas pelo menos tinha tentado. – Bom, agora eu realmente tenho que ir...

– Ahh claro, então... tchau. – Shaka disse em despedida, um tanto frio e constrangido. Nesse exato momento Afrodite chega se deparando com o professor e Milo.

– Ahh oi... – Dite não escondeu a surpresa e o constrangimento, o que deu a certeza a todos eles que o casalzinho tinha sido flagrado mais de uma vez.

Oi Afrodite.

– O que é isso? – Miloperguntou vendo o panfleto da choppada em cima da bancada. – Choppada do terceiro ano.

– Ahh isso é meu. O Thor disse que amanha vai ter a choppada do terceiro ano. Estou pensando em ir. Parece que a faculdade toda vai...

– Todo ano eles fazem... – Camus comentou.

Então parece que vai ser animada! Eu também vou!! – Eles se olharam constrangidos, mas nada disseram. Depois de uns segundos silenciosos, Camus voltou a falar, agora para se despedir:

– Bom, eu realmente tenho que ir... Boa tarde para vocês. – Despediu-se e Milo o levou até a porta. Assim que se viram sozinhos, Dite e Shaka se olharam.

Nem fale nada Dite... – Shaka fugiu do assunto e se foi para o banheiro. O pisciano suspirou e sentou no sofá, esperando o escandaloso amigo escorpião.

Na porta da república, os dois pareciam recém namorados, mas não oficialmente, com risinhos e brincadeiras. Milo estava radiante e apesar de saber que estava pisando num terreno perigoso, Camus também se sentia muito bem.

– Então... quer dizer que essa choppada acontece todo ano? – Perguntou como quem não quer nada.

Sim, acontece todo ano. Já virou tradição, inclusive.

Hunn... e você já foi? É legal? – Perguntou sondando.

Já, é legal, acho que você vai gostar. – Camus riu.

Você gostou, então...

– Sim, gostei. Porque todas essas perguntas? – Continuou sorrindo.

– Ah... porque dependendo da sua resposta eu estava pensando de nós dois irmos juntos. – Tudo bem, Milo sabia que, ao acompanhá-lo na choppada, Camus estaria praticamente oficializando um namoro, mesmo que ainda não tivessem conversado a respeito. E talvez estivesse avançando o sinal, e talvez estivesse a julgar pelo semblante sério recém adquirido do ruivo, mas isso um dia iria acontecer, afinal eles já estavam ficando há duas semanas. Já estava na hora de definir o que estava acontecendo entre eles, ou pelo menos definir para eles mesmos e essa história da choppada foi perfeito para Milo tentar uma conversa desse tipo.

– Ahh... Milo, eu acho que não vou poder ir...

– Por quê?

– Ahnn bem, é que eu terei um compromisso amanha e... bom, eu não quero atrapalhá-lo por lá.

– Como assim atrapalhar? – Milo realmente não tinha entendido onde Camus queria chegar, mas não gostou nada do tom que ele usou.

– É... eu não quero atrapalho. Acho que devemos ter nossas vidas independente do que está acontecendo entre nós. Você pode querer sair com outras pessoas e comigo lá...

– Espera aí... como assim? Eu não vou querer sair com outras pessoas. Eu estou com você. – Milo sentiu-se realmente irritado por essa insinuação.

– Sim, você está comigo, mas não quer dizer que não possa ficar com outros. – Milo realmente não estava acreditando no que estava ouvindo. Então ele queria um relacionamento aberto? Então quer dizer que, se ele estava liberado para ficar com outros, estava se liberando para ficar com outro, talvez Saga.

– Eu não acredito nisso... você... você ainda fica com o professor Saga? – Camus arqueou a sobrancelha.

– Como soube do meu relacionamento com Saga?

– O teu relacionamento... – Aquela pequena frase disse tudo para Milo, mesmo que não tenha sido exatamente aquilo que Camus queria dizer.

– Bom, de qualquer forma, eu não estou mais com o Saga. Ele agora só pensa no seu amigo indiano.

– E vocês só não ficam por causa disso, não é? – Perguntou extremamente magoado, tentando esconder as lágrimas.

Como assim, do que está falando?

Olha Camus... você não tem que ir? Já está tarde. – Pediu, pois queria curtir aquela dor aguda que sentia no peito sozinho. Bem que seus amigos tinham lhe avisado. Camus olhou no relógio de pulso e constatou que ele estava certo.

– Você tem razão, mas depois a gente vai conversar. – Deu um selinho em Milo, que não recusou, mas também não retribuiu e foi embora. E só depois que o viu desaparecer de vista que se permitiu chorar entrando rapidamente dentro de casa.

Dite o esperava na sala e logo viu Milo entrar correndo lá para dentro. Até tentou chamá-lo para uma conversa, mas o escorpião se trancou no quarto, e praticamente ficou incomunicável. Era certo que alguma coisa errada tinha acontecido.

– Mas o que foi que aconteceu? – Murmurou para si mesmo.

O que foi? – Shaka saiu do banheiro e deparou-se com Dite parado no meio do corredor.

O Milo saiu todo romântico para levar o professor Camus até a porta e depois voltou correndo e se trancou no quarto. – Dite explicou.

– Ou eles brigaram ou ele esta com vergonha do que fez... – Shaka não deu muita importância e foi para o próprio quarto.

Você também viu? – Dite o acompanhou.

Quando cheguei me deparei com Camus na cozinha só de toalha. Olha a cena! Nós temos que falar sobre isso, isso aqui vai virar um pardieiro se cada um trouxer seus parceiros para cá.

Verdade. Eu ainda vi coisa pior, quando eu cheguei, ele estava praticamente dormindo no chão do quarto e pelados... até que a bunda do Camus é bonitinha. – Shaka fez cara feia para Dite.

– Poupe-me dos detalhes, Dite...

– Está bem. – Riu.

– Você pode se virar? Eu quero pôr as minhas roupas.

– Ok, desculpa... – Dite riu e se virou. – Shaka, onde você estava? Tentei falar contigo e nada!

– Acabou a bateria do meu celular.

– E onde você estava esse tempo todo?

Com o professor Saga.

O que? – A surpresa foi tanta que ele acabou virando-se quase flagrando Shaka desnudo. – Ahh desculpa... – Corou um pouco. – Bundinha bonita... – Pensou consigo mesmo.

– Por que a surpresa? – Shaka perguntou casualmente.

– Como por quê? Você não estava com aquele papo de “ai, ele é um safado, não quero nada com ele!”?

– Sim, eu não quero nada com ele.

– E mesmo assim tem “encontros” com ele? Ah Shaka, eu não entendi isso....

– Eu não tive um encontro. Está bem, até acredito que na cabeça dele tenha sido um encontro, mas não pra mim.

– E pra você foi o que então? – Perguntou completamente descrente das palavras do amigo.

– Eu dei uma chance dele se redimir, pelo que ele me fez na outra vez que fomos almoçar. Ele disse que quer me provar que não é o cachorro que eu penso que ele é... Já pode virar.

– Hunn.... sei... – Comentou malicioso e se voltou para encarar o amigo.

– Não começa Dite...

– Eu não estou falando nada... – Levantou as mãos em rendição. – E ele se redimiu?

– Ele não foi abusado nem nada, mas ele não está agindo normalmente, então não sei se posso considerar assim.

– E o que vocês conversaram?

– Na verdade ele falou mais do que eu. Ele falou da família dele, do trabalho, da amizade com o professor Camus...

– E você não falou nada de você?

– Muito pouco.

– Aii... como você é difícil hein! – Dite riu. – Escuta, tenho uma novidade para você. Sobre o Carlo... – Dite olhou sério para Shaka, e o loiro indiano percebeu um brilho misterioso nos olhos do amigo. Arqueou a sobrancelha, sentando na cama para ouvir a novidade.

O dia passou e já no fim de expediente no bar, Mu já estava exausto. O bar esteve uma loucura e estava louco para ir para casa e descansar. Trocou seu uniforme e já estava se dirigindo para fora do bar quando viu Deba conversando com um rapaz. Respirou fundo, apesar de cansado, não queria ficar protelando a conversa que teria com ele e então resolveu esperá-lo. Alguns minutos depois Deba entrou novamente e se deparou com seu mais querido funcionário o esperando. Abriu um amplo sorriso e perguntou:

– Ainda está aí?

– Eu estava esperando você. Precisamos conversar... – Mesmo sem jeito, manteve a postura firme.

– Não acha que é cedo para pedir aumento? – Deba brincou rindo, fazendo o outro rir também.

– Não é sobre isso...

– Hunn... e é sobre o que? – Perguntou enquanto ia para dentro do balcão. O ariano o seguiu.

– Sobre... sobre nós dois. – Deba o encarou surpresa. Ele estava com a atenção voltada para o balcão, mas com tais palavras, teve que parar e dedicar toda a sua atenção a ele.

– Continue... – Incentivou vendo que ele ficou travado.

– Bem... é que... eu estou namorando e você também... e não sei quanto a sua namorada, mas o meu é muito ciumento.

– Eu sei... – Disse lambendo os lábios. – Eu o entendo perfeitamente. – Disse sensualmente fazendo Mu corar.

– Então... – Pigarreou. – Eu queria que você... que nós fossemos mais... err... tentarmos agir de forma que não cause ciúmes. – Dizia escolhendo palavra por palavra. Deba sorriu, pegando no queixo do ariano e erguendo a cabeça dele para que o encarasse.

– Não se preocupe. De forma alguma quero atrapalhar o seu namoro. – Disse suavemente, tranqüilizando o mais novo.

– Ah ótimo! Isso é muito bom! – Sorriu. – Ahh, bom eu acho que... que podemos evitar esses... esses tipos de toque.... – Disse se referindo a mão grande que ainda estava em seu queixo.

– Ah sim, desculpe. – Mas não retirou a mão. – Mu... eu... não sei como dizer isso, mas... eu me sinto tão atraído por você. Eu não quero atrapalhar o seu namoro, mas eu queria tanto, mas tanto um beijo. Apenas um... – Sussurrou aproximando a boca da do funcionário que recuou um pouco, afastando-se.

– Chefe, eu... eu realmente acho que temos que evitar isso.... Você tem namorada, sabe? Aliás... não é legal isso, quer dizer, você tem uma namorada e agora fica me pedindo um beijo!?

– Sim, eu tenho namorada e a adoro, com certeza. – Explicou voltando a se aproximar, enquanto o ariano recuava até encontrar o balcão e ser encurralado. – Mas eu me sinto atraído por você. Não tenho como evitar, e é por isso que queria logo um beijo, porque talvez assim, quando eu provar o gosto da sua boca... – Aproximou-se da boca do outro, que virou o rosto. — ... talvez essa loucura que eu sinto, esse desejo, esse fogo, talvez... esse fogo apague!

– E se não apagar? – O ariano perguntou voltando a encará-lo.

– Só tem um jeito de saber... – E dizendo isso enlaçou a cintura do outro e capturou-lhe a boca, num beijo roubado de tirar o fôlego. O ariano foi pego de surpresa e com as mãos empurrando o ombro do chefe, tentava evitar o beijo, principalmente ali na frente de um bando de gente. Infelizmente ele era bem mais fraco e suas tentativas de fugir do agarre dele eram inúteis. A única coisa que pensava naquele momento era Aioria e que ele não merecia que falassem que ele o estava traindo.

Mas já era tarde demais. Aioria já chegava e antes mesmo de ir para casa, resolveu ir até o bar, esperando encontrar o namorado, mas definitivamente não da forma que encontrou: Aos beijos com Aldebaran.

– MU!!! – Aioria gritou assustando Deba e o ariano, que se separaram imediatamente.



Continua...