A República do Chope
21 Capítulo 21 - Uma rodada de pizza e nada mais
Mas já era tarde demais. Aioria já chegava e antes mesmo de ir para casa, resolveu ir até o bar, esperando encontrar o namorado, mas definitivamente não da forma que encontrou: Aos beijos com Aldebaran.
– MU!!! – Aioria gritou assustando Deba e o ariano, que se separaram imediatamente.
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Só depois de ouvir o grito de Aioria foi que Mu conseguiu se soltar dos braços de Deba, empurrando-o. Ele se virou encarando o namorado e sentiu seu coração falhar uma batida observando atônitos os olhos marejados e magoados do leonino.
– Aioria... – O ariano murmurou para si mesmo, temendo o pior.
Mas ele não estava com seus olhos voltados para si. Não, ele encarava o seu chefe, que mantinha-se frio diante daquela situação. Tinha que fazer alguma coisa, precisava fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. O que diria numa situação dessas?
– Aioria... – Diante daquele estado letárgico de todos, foi Deba que iniciou o discurso, aproximando-se do rapaz atônito um pouco adiante. – Olha, eu queria dizer que a culpa não é dele... — A intenção dele era se explicar, e era verdade quando disse para seu amigo e funcionário que não tinha intenção de atrapalhar o romance deles. Mas, infelizmente, Deba não teve tempo para concluir e logo Aioria acertou um soco na cara do gigante, que pego desprevenido, cambaleou para trás até o balcão onde se encontrava o ariano.
– Eu vou acabar com você! – Vociferou completamente dominado pela raiva, e então o leonino partiu pra cima de Deba, desferindo vários golpes no grandão, que de início apenas se esquivava e tentava se defender.
– Pare com isso Aioria! Deixa eu me explicar! – Deba gritou, sem reagir aos socos, apenas se defendendo como dava. Mas nada parecia parar o furacão enraivecido. O ariano vendo a cena correu até o namorado assim que o viu desferindo os golpes e o abraçou tentando pará-lo.
– Pare com isso, amor! – Gritou o mais novo, sem sucesso. A tentativa de apartar a briga, porém, irritou anda mais o leonino que sem controle dos próprios atos, se livrou dos braços em sua cintura e acabou acertando a face do namorado com um soco violento. O ariano tombou para trás e quase caiu no chão, enquanto levava as mãos à face quente. Mu encarou o namorado com espanto e em seus olhos marejados, a dor e a mágoa pelo golpe.
A cena se desenvolvia muito lentamente na cabeça de Aioria. Ver o que fez com Mu o deixou ainda mais enraivecido e na sua cabeça só passava os motivos dele estar defendendo Deba, pedindo para que parasse.
– Por quê? – Sussurrou a pergunta tão magoado que fez o coração do ariano se apertar, mas antes que pudesse falar qualquer coisa viu Deba se aproximar e acertar um soco em Aioria, que acabou caindo no chão.
– Parem com isso! – Mu gritou, mas foi ignorado.
– Como ousa bater nele? – Deba perguntou indignado, vendo-o se erguer.
– Cala a boca seu idiota! — Vociferou derramando lágrimas, voltou a atacar Deba com socos, que agora também enraivecido pelo ataque ao ariano, respondia com socos e chutes, armando uma confusão ainda maior que aquela protagonizada por Carlo.
Dona Gertrudes, mais uma vez, presenciou aquela briga no bar assim que chegou e da mesma forma que antes, não poderia intervir. Pediu ajuda aos clientes e com muito custo conseguiu apartar a briga. Porém, o estado dos garotos a assustou. Eles estavam muito machucados, sangrando e cheios de hematomas, e mesmo assim continuavam tentando um acabar com o outro. Ela temeu naquele momento, pela raiva e ódio que via nos olhos dos garotos, que se eles não fossem afastados naquele instante, algo pior poderia acontecer.
Rapidamente afastaram os garotos, enquanto o ariano permanecia parado no mesmo lugar, vendo a movimentação e sentindo-se culpado e ao mesmo tempo com raiva por Deba tê-lo feito passar por aquilo. Pediu que o deixasse em paz, mas ao contrário, o roubou um beijo e agora estava naquela situação, temendo que não tivesse mais a chance de estar junto do namorado.
Aioria sequer olhava para ele. Afastado de Deba, ele apenas recebia os primeiros cuidados de algumas pessoas que estavam lá, enquanto fervilhava em sua raiva. A imagem daquele beijo nojento não saia de sua cabeça.
– O que aconteceu aqui? – Milo aproximou-se com Shaka e Dite, quando foram avisados do que aconteceu.
– Aioria? Você está bem? – Dite perguntou assustado ao ver o amigo naquele estado. O leonino apenas confirmou com a cabeça, sua garganta ainda estava entalada e a vontade de chorar que sentia naquele momento o humilhava, forçando-se a manter-se de cabeça baixa, para não encarar o agora ex-namorado.
– Mu, você está bem? – Shaka, percebendo que o amigo não estava nada bem se aproximou. O ariano confirmou que não estava bem, mas deixando claro que não queria falar. Sua atenção estava voltada para o leonino, apesar de ele ignorá-lo completamente. Ele sabia que estava se controlando para não fazer algo pior.
Depois de um tempo, Milo conseguiu convencer o primo a ir para o hospital ver os ferimentos, quem sabe precisaria de pontos. O ariano quis ir junto, mas pelo olhar frio e raivoso de Aioria, preferiu ficar. Milo foi junto com o primo, enquanto ele seguia para a república com Shaka e Dite.
– Meu Deus! Eu não entendi nada! Porque eles brigaram daquele jeito!? – Dite perguntou, assustado com o estado que os amigos ficaram. O ariano sentou-se no sofá junto de Shaka, que já imaginava o que tinha acontecido.
– Você beijou o Deba? – Shaka perguntou, fazendo Dite arregalar os olhos, mas nada falar.
– Não! – Mu voltou sua atenção para o indiano, tentando se explicar. – Eu fui conversar com ele, como você me sugeriu. Eu estava falando para ele que ele deveria se comportar, porque nós tínhamos namorados e isso daria problema. Eu pedi a ele que se afastasse um pouco. Ele disse que não queria atrapalhar o meu namoro, mas que queria muito um beijo meu. Eu tentei me afastar, mas foi mais rápido que eu. Eu nunca imaginei que ele fosse me roubar um beijo! Eu tentei evitar, mas ele é mais forte que eu, e quando eu vi o Aioria já tinha presenciado tudo. – Suspirou levando as mãos à cabeça. – Foi tudo muito rápido!
– Calma... – Shaka tentou confortar o amigo, que se via bastante alterado. Dite foi até a cozinha e pegou um copo com açúcar para ele.
– Ele nunca mais vai querer olhar na minha cara! – Concluiu o ariano, entristecido.
– Não, Mu. Ele apenas está com muita raiva agora. Você vai ver, vão cuidar dos ferimentos dele e acalmá-lo. E quando ele voltar, você poderá explicar tudo isso pra ele. – Shaka tentou amenizar a situação.
– Aqui, sua água. – Dite ofereceu e o ariano aceitou, bebendo tudo de uma vez. Shaka não disse nada, mas via-se pela cara do amigo que ele estava cobrando explicações, principalmente pelo outro beijo que Aioria não presenciou.
– Eu não sou esse pervertido que você está pensando, Dite... – Mu falou, percebendo a expressão confusa de Dite. – Eu vou te contar...
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Na manhã seguinte, Aioria já estava de volta e um estranho silêncio dominava o ambiente, que há essa hora costumava ser bem agitado. Assim que se encontraram para o café da manha, Mu tentou conversar com o leonino, mas ele parecia bem determinado a ignorá-lo. Aceitando o conselho de Shaka, o ariano resolveu esperar que ele se acalmasse para depois conversar e foi assim que não conseguiu saber para onde ele estava indo, só pôde vê-lo sair de casa junto de Milo, sabe se lá para onde.
O pisciano, já a par dos motivos dos beijos e tentando amenizar o clima e a tristeza evidente do amigo, tentava a todo custo convencê-los a ir para a choppada. Mas parecia que somente ele estava animado para a festa.
– Qual é Shaka? Porque você não vai? Eu sei que Aioria, Milo e Mu estão na maior fossa, mas e você? Que eu saiba você não brigou com o professorzinho lá... – Dite tentava convencer o indiano a ir.
– Não tem nada a ver, Dite. Eu não bebo, o que vou fazer numa choppada? – Shaka tentava mostrar os motivos que o desanimavam a ir. — Além do que, muito provavelmente eu não conhecerei ninguém lá...
– Justamente por isso! Você precisa se enturmar mais! Fazer mais amizades! Conhecer novas pessoas!!
– Dite... realmente não estou interessado. Além do que não quero deixar o Mu aqui sozinho.
– Mas podemos levá-lo conosco! Será ótimo para ele não ficar nessa fossa enquanto Aioria esfria a cabeça. – Animou-se. Shaka olhou para o ariano, que estava deitado em sua cama.
– Não, não estou em clima pra isso... — Negou à pergunta tácita do indiano.
– Ah por favor, gente! Eu preciso estar lá e eu não posso ir sozinho! Eu não vou dar conta de encarar o Carlo lá sozinho! – Fez cara de pidão.
– Mas como você sabe que o Carlo vai estar lá? – Shaka perguntou sentando na ponta da sua cama, virado para os amigos.
– Eu acho que vai. É uma festa importante, tradicional, sabe? Todo mundo vai à choppada do terceiro ano! E não acho que ele vai perder essa chance de se mostrar pra todo mundo.
– E o que você pretende fazer lá? – Shaka perguntou.
– Vou lá mostrar que estou bem, que estou ótimo! Quem sabe até pegar um bofe maravilhoso! – Sorriu com seu plano. Mu suspirou.
– Não tem problema, Shaka. Vai com ele, eu vou ficar bem. – O ariano pediu.
– Não, não vou deixar você sozinho. Ou vamos os três ou eu não vou. – Shaka determinou, não deixaria o amigo na deprê sozinho. Dite suspirou e sentou na própria cama, olhando emburrado para o loiro indiano. E nesse tempo, o telefone tocou e Shaka logo se prontificou a atender.
– Alô?
– Alô, Shaka?
– Professor Saga... – Logo reconheceu a voz. Ouviu-o rir no outro lado da linha.
– Oi... bom dia! Como vai?
– Bom dia. Estou bem e você?
– Muito bem, obrigado! Eu sei que é cedo para ligar, mas é que eu queria saber se você tem algum programa para hoje?- Shaka franziu o cenho, ele realmente estava disposto a conquistá-lo.
– Estava pensando em ficar em casa mesmo, talvez estudando um pouco.
– Você sabe que hoje é a choppada do terceiro ano?
– Sei sim... Mas eu não bebo, então realmente não tenho interesse em ir. Você vai?
– Ah, é uma pena! Sim, eu vou todo ano. É sempre muito divertido. – Ele deve pegar todo mundo que dê bola pra ele, Shaka complementou mentalmente.
– Imagino... – Suspirou enfadado. – Bom, eu realmente não tenho interesse em ir, então eu estava fazendo uma coisa aqui e... – Shaka fez menção de que desligaria o telefone, e então Saga interrompeu:
– Bom, mas se você preferir podemos ir a outro lugar. O que acha?
– Mas você não disse que iria à choppada?
– Sim, iria. Mas se você não quer, não tem problema. Eu quero sair com você hoje, Shaka.
– Saga... eu... – Shaka hesitou.
– Não me diga que não pode. – Ouviu-o rir sedutor do outro lado da linha e mordeu o lábio inferior. – Você disse que ficaria em casa... – Argumentou.
– Sim, são meus planos. Acontece que um amigo meu brigou com o namorado e está um tanto depressivo e eu não quero deixá-lo sozinho aqui. Até porque, para falar a verdade, estou me sentindo um pouco culpado pela briga deles.
– Você tem alguma coisa a ver?
– Mais ou menos... – Massageou a nuca, lembrando-se do episódio do beijo.
– E você não pode pedir para alguém ficar por você? Por favor, Shaka, não vou te roubar pelo dia inteiro!
– Na verdade, não. Talvez o Dite, eu e Mu estaremos em casa, mas eu não sei ainda, acho que Dite vai à choppada. – Eles ficaram em silêncio um tempo, até que o loiro ouviu-o suspirar pesaroso.
– Está certo, não vou insistir. Mas, eu posso ir te fazer uma visita rápida mais tarde?
– Claro, pode sim.
– Bom, então estarei aí mais tarde. Tenha um bom dia.
– Uma boa choppada para você.
– Não, eu não vou mais...
– Por quê?
– Sem você não tem a menor graça ir para festas. Vou ficar por aqui mesmo, talvez pedir uma pizza para o almoço, assistir a um filme velho na TV, sozinho e abandonado... – Gracejou e Shaka sabia que ele estava fazendo isso, mas involuntariamente acabou sorrindo.
– Sei... – Demonstrou sua descrença.
– Eu sei que você não acredita em mim, mas até um Dom Juan pode acabar se apaixonando...
– E é o que você é? Um Don Juan apaixonado? – Por essa Saga não esperava e a pergunta feita tão diretamente o fez engasgar com seja lá o que ele estivesse bebendo, fazendo com que o loiro risse.
– Você gosta de me constranger, não? – Perguntou ouvindo o riso dele. – Foi só uma forma de dizer. – Shaka sorriu. Mesmo por telefone, sabia que ele deveria estar feito um pimentão.
– E o que você realmente quis dizer com essa “forma de dizer”?
– Que você não precisa ser tão desconfiado quanto as minhas ações. Não é porque você me considera um Don Juan, que flerta com todo mundo, que eu não possa realmente querer ter algo legal com você. Eu posso estar sendo sincero nas minhas intenções.
– Eu não duvido da sinceridade das suas intenções. A grande questão é saber realmente qual a sua intenção. Porque quer me conhecer melhor? – Sabia que estava forçando a barra, mas se realmente tinha interesse em ficar com ele, teria que ter certeza das intenções dele.
– Está querendo me arrancar uma declaração de amor, Shaka? – Saga riu.
– Não, eu só quero a verdade.
– Bom, a verdade é que você mexe muito comigo, como nenhuma outra pessoa e eu realmente gosto da sua companhia. Não posso te fazer juras de amor, eu preciso te conhecer melhor para realmente dizer se o que sinto por você é paixão ou fogo de palha. Qualquer coisa além disso seria mentira da minha parte. – A sinceridade dele surpreendeu o indiano, que sem mais ter o que dizer, apenas concordou:
– Tem razão, não pode mesmo. – Eles ficaram alguns segundos em silêncio.
– Bom, eu vou deixar você cuidar do seu amigo. Até mais tarde e um beijo pra você.
– Até... – Shaka desligou o telefone, mas permaneceu no mesmo lugar, observando o telefone e pensando nas palavras de Saga. Será que ele estava mesmo sendo sincero? Suspirou e voltou para o quarto. Não teria respostas ali e de fato ele tinha razão. Só o conhecendo melhor poderia dizer qualquer coisa.
– Quem era? – Dite perguntou deitado ao lado do ariano.
– Saga. – Respondeu simplesmente, sentando na cama em que eles estavam, aos pés dos amigos. Dite arqueou a sobrancelha.
– E o que ele queria?
– Marcar um novo encontro.
– Sério?! Que legal!
– Sim, ele disse que vem aqui mais tarde.
– E para onde vocês vão?
– Para lugar nenhum. Ele quis ir à choppada, mas eu neguei. Então ele disse que passará aqui mais tarde.
– Meu Deus! Mas seria perfeito! Iríamos todos juntos! – Dite animou-se.
– Mas o Mu não quer ir...
– Ahh vamos Mu! Você não pode ficar nessa fossa, logo o Aioria volta e você explica tudo a ele.
– Mas o problema é esse! E se ele não quiser me ouvir?
– Ele vai te ouvir! Ele está com raiva agora, é natural. Mas quando ele se acalmar, vocês vão conversar e vai ficar tudo bem. – Dite argumentou.
– Eu prefiro ficar e esperar por ele. Não quero que ele apareça e descubra que fui a uma choppada sem ele. Ele já é muito ciumento, vai ficar mais ainda...
– Mas e se ele ficar o dia inteiro fora? – Shaka perguntou.
– Não tem problema, eu espero. Mas vocês não precisam ficar, é sério gente! Eu vou ficar bem. – Shaka e Dite se entreolharam, não seria nada fácil convencê-lo a sair um pouco.
*Algumas horas depois*
– Shaka! Shaka! – A voz aguda de Dite podia ser ouvida por toda a casa e logo o indiano foi até a sala ver o que ele queria.
– Pára de gritar! Vai acordar o Mu! – Reclamou, mas acabou estancando o passo ao ver quem estava na sala. – Saga?
– Oi Shaka.
– Pensei que só viesse mais tarde.
– Ah sim, mas depois eu pensei: Vocês estão em casa sozinhos e sem nada para fazer, eu estava em casa sozinho e sem nada para fazer. Bem, porque não podemos ficar em casa sozinhos e sem nada para fazer juntos? Pelo menos poderíamos conversar. Até trouxe o nosso almoço. – Disse erguendo a pizza. Dite riu.
– Infelizmente não poderei fazer companhia e comer essa delícia de pizza com vocês. Eu estou indo me arrumar. Vou à choppada do terceiro ano. – Comentou com um sorriso sacana.
– Eu sugiro que aceite a pizza. Lá não tem muito que comer para matar a fome. – Saga comentou e Dite aumentou o riso.
– Não tem problema, eu já fiz uma boquinha. – Disse e foi em direção aos quartos, não sem antes piscar para Shaka, que acabou corando.
– Eu não esperava que viesse tão cedo. – Comentou enquanto o via depositar a pizza na mesinha de centro.
– Resolvi fazer uma surpresa. Você gosta de pizza né? – Perguntou só para se certificar, mas duvidava que alguém não gostasse de pizza.
– Gosto. – Respondeu simplesmente enquanto ia para a cozinha pegar os pratos e talheres.
– E o seu amigo que estava deprimido?
– Ele está dormindo. Na verdade, você chegou atrasado. Nós já almoçamos.
– Ah que droga! – Lamentou-se. Shaka sorriu.
– Mas não tem problema, eu como a pizza com você. – Saga sorriu animado, era um bom sinal.
– Você tem algo para beber ai?
– Água. – Eles riram.
– Bom, então eu vou lá no bar comprar umas cervejas.
– Não, compre refrigerantes.
– Ah é, esqueci que você não bebe. Já volto. – Saga disse e praticamente correu até o bar para comprar a bebida, enquanto Shaka arrumava os pratos e copos na mesinha. Pouco tempo depois ele já estava de volta.
– Prontinho. – Depositou as bebidas na mesa e sentou-se no chão ao lado do loiro. – Dite já foi? – Perguntou como quem não quer nada.
– Não, aquele lá demora muito para se arrumar. Não sei nem o que tanto arruma.
– Ele parece mesmo ser muito vaidoso. – Depois disso engataram num papo descontraído, comendo e conversando sobre amenidades, até Dite aparecer e se despedir.
– Ele só está indo por causa do Carlo. – Shaka comentou assim que ele deixou a casa.
– E o Carlo vai?
– Não sei, mas Dite tem convicção que sim.
– Hunn... bom, vamos mudar de assunto? – Pediu.
–E sobre o que quer conversar?
– Bom, podemos conversar sobre você. Eu te contei muito sobre mim no nosso outro almoço.
– Não tenho muito que falar sobre mim. Minha vida não é tão animada quanto a sua. – Saga riu.
– Animada?Não acho que posso dizer isso, agitada seria o termo mais correto. Eu tenho trabalhado muito.
– Você tinha comentado.
– Sim, mas e você? É indiano mesmo? Porque veio para cá?
– Sim, sou indiano, mas só porque nasci lá, pois meus pais não são. – Preferiu não comentar muito sobre seus pais e Saga preferiu não aprofundar.
– Ah então está explicado esses cabelos dourados. – Comentou tocando em uma mecha.
– Sim. E eu vim fazer intercambio. Eu sempre quis estudar filosofia e aqui é o melhor lugar para isso.
– E está gostando?
– Sim.
– E como é morar numa republica, com tanta gente diferente?
– É interessante. É muito bagunçado e é preciso ter muita paciência, mas... eu gosto dos meninos. Não tive problemas com eles.
– Eles é que tiveram problemas com o lado de fora, não é?
– É. Mas isso também ajudou para nos aproximar. Estamos mais unidos talvez por causa disso. É uma amizade legal as que fiz aqui e realmente espero levá-los para o resto da minha vida.
– Isso é muito bom! Eu gostaria de ter feito amigos assim também.
– O professor Camus não é seu amigo?
– É diferente, somos amigos, mas não assim como você é deles.
– Entendo...
– E... você já namorou? – Shaka, que comia um pedaço de pizza, o encarou. – Se quiser não precisa responder, só estou querendo te conhecer.
– Namorei. Mas terminamos antes de eu vir para cá. Mas sinceramente eu não quero falar sobre isso. – Pela forma séria que ele adotou depois desse assunto, Saga resolveu deixar esse conversa para uma outra hora. Então eles voltaram a comer até o loiro ligar a TV para verem juntos um filme velho.
Continua...
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