A Realidade Das Coisas
2 A segunda vez que abri os olhos
Notas iniciais
Amatas abriu os olhos e pôde sentir o cheiro de natureza e a grama sobre as suas pernas. Se levantou e estava em um enorme campo. O campo ia além da linha do horizonte e não possuia vegetação alguma além da grama e de uma enorme árvore que ficava um tanto quanto distante. Sob a sombra da árvore, estava deitada uma mulher. Cabelos longos e negros, e Amatas teve certeza de tê-la visto antes. Imediatamente lembrou-se da mulher que havia sido devorada por Erabem. Teve certeza de que era a mesma mulher. E correu de encontro a ela.
Assim que ela ergueu o rosto, abriu um sorriso e se colocou de pé e, quando Amatas estava próximo o suficiente, ela o recepcionou com um abraço. Acabou por selar os lábios nos dele, apenas por um momento, e então disse:
– Eu pensei que você não viria mais, Jeffrey.
– Jeffrey? Mas, eu sou Amatas... — E o rapaz tentou se afastar dela, mas ela mantinha os braços ao redor do pescoço dele, impedindo-o de sair dali. A mulher deu uma risada de leve.
– Você sempre com suas histórias de louco, não é? — E ela riu mais um pouco antes de continuar — Você é o Jeffrey, o Jeff, meu namorado.
– Você... você está morta... Ele... Ele devorou você ! — E Amatas finalmente conseguiu se afastar da mulher.
– Jeff, você está me assustando... — Ela se aproximou e segurou firme na mão dele — O que está acontecendo? Teve mais um daqueles sonhos novamente?
– Não, Catherine. — Amatas se lembrou do nome repentinamente. Voltou a se afastar — Você... Eu tenho certeza... Você estava morta.
Amatas sentiu medo e começou a correr. Ele havia se preocupado com ela, isso era verdade, mas sabia que mortos não voltavam a viver. E correu desesperado enquanto ela tentava alcançá-lo, sem sucesso. O sol começava a se pôr, dando um tom alaranjado ao céu. O clima ficava mais frio e, mesmo sentindo um certo medo, Amatas se arrependeu de ter se afastado.
Amatas viu uma estaca de madeira presa ao solo, e um corpo empalado sobre ela. Os cabelos compridos cobriam o rosto dela e ele se aproximou. Afastou os cabelos do rosto dela. Era Catherine. Saltou para trás e caiu no chão, assustado. Se colocou de pé e começou a correr, procurando voltar para onde estava antes. no caminho viu mais duas, três estacas de madeira que antes não estava lá. E todos eles com Catherine empalada.
Não importa para onde corresse, a quantidade de estacas apenas aumentava e logo se viu cercado delas, entrou em pânico. Catherine caminhava por entre as estacas com um rosto sem expressão. Ela estava de mãos dadas com uma criatura branca, alta e esguia. Com pregos no lugar dos dedos, a mão dele perfurava a mão de Catherine. A criatura deixou a mulher na frente de Amatas e, sem soltá-la, ficou ao lado dele:
– Quem é você? — Amatas perguntou.
– Hapesiel, príncipe da Ira. E essa mulher na sua frente é o seu obstáculo.
– Obstáculo?
– Ela é o que te prende a esse lugar. Mas eu estou aqui pra lhe ajudar, eu sou seu amigo. E lhe digo que precisa matá-la. — Uma adaga enferrujada apareceu na mão de Amatas.
– Matá-la? mas, ela... Ela se importou comigo.
– Ela quer que você acredite nisso. se você não matá-la, ela vai te matar.
O rapaz olhou para a adaga e em seguida para o olhar de Catherine, e percebeu que não era um olhar sem expressão. Era um olhar sem esperança. E ele se sentiu conectado a ela mais uma vez. Perfurou o peito de Hapesiel com a Adaga, e a criatura emitiu um longo grito agudo. Um prazer percorreu todo o corpo de Amatas. Perfurou o peito dele mais uma vez. E outra. E outra. Finalizou perfurando a cabeça de Hapesiel. Tirou a adaga dele e guardou consigo. Hapesiel caiu de joelhos no chão. O chão tremeu e em seguida tudo ao seu redor desapareceu, com excessão de Catherine, que mantinha um olhar mais feliz, apesar dos ferimentos na mão.
Amatas segurou a mão de Catherine, e parecia entender aos poucos a sua própria existência:
– Não deixarei que façam mais nada a você, Catherine.
Amatas, relembrando experiências passadas, fechou os olhos.
Fale com o autor