A Realidade Das Coisas
3 Retorno
Notas iniciais
Amatas se viu mais uma vez diante da escuridão. Estava sozinho. Com a adaga ainda na mão, ele começava a correr assim como havia feito antes. Para ele, parecia claro o que deveria ser feito. A sua existência parecia ter um motivo. A luz se aproximava e ele a atravessou. O que veio em seguida não o surpreendeu dessa vez: Completa escuridão.
Catherine estava no alto, amarrada por uma corda, assim como da primeira vez. Amatas gritou:
- Erabem, vamos ! Aonde está você?
Foi quando um tremor sobre o chão invisivel fez com que Amatas caísse no chão. Erabem ia se revelando lentamente. Tudo exatamente como da primeira vez, mas agora Amatas sabia o que fazer. Erabem fora lentamente revelando seu gigantesco corpo monstruoso. Amatas sentia pressa, o sangue fervendo em suas veias.
Assim que Amatas o viu, saiu correndo na direção dele. Atitude que a principio parecia ter surpreendido Erabem, mas depois percebeu o quanto estava errado. Erabem esticou um dos seus braços lançando um soco na direção de Amatas, que conseguiu desviar e fez com que o monstro desse um soco sobre o chão. A mão gosmenta da criatura não sofreu dano algum.
A atitude de Erabem, entretanto, serviu para que Amatas fosse em frente com o ataque, e ele se pendurou sobre a enorme perna da criatura, e começou a escalar. Apesar do corpo ser um tanto quanto escorregadio, Amatas conseguia fazer certo progresso.
Erabem então lançou a mão mais uma vez na direção de Amatas, mas o mesmo pulou nas costas da criatura e fez com que ele acertasse a sua própria perna. Quando Amatas se colocou sobre as costas da criatura, começou a esfaqueá-la rápida e repetidamente, mas parecia não causar um arranhão sequer sobre aquele corpo. Erabem falou, com calma:
- Você é insignificante.
E então o monstro se jogou de costas no chão. O piso invisivel abaixo de Amatas era quebrado e ele era lançado para o nada uma outra vez. Erabem havia o chamado de insignificante, mas insignificante Amatas não era. Pôde não trazer a morte da criatura, mas dessa vez conseguira impedir a morte de Catherine.
Amatas fechou os olhos.
Quando os abriu, estava no meio do espaço. Flutuava tranquilamente no meio do nada, já estava acostumado com a sensação. Via todas aquelas estrelas queimando e via, logo a sua frente, um enorme planeta. Era o planeta Terra, e ele também queimava. Olhou para a sua mão e a sua adaga ainda estava lá.
- Amatas — uma voz falou repentinamente. Olhou ao redor e não viu ninguém, mas falavam com ele.
- Quem é? — Amatas questionou.
- Eu sou Arael — Era uma voz feminina, uma voz que trazia uma certa calma. — Eu sou a força de vontade. Eu sou o futuro.
- Quem eu sou?
- Você, Amatas? Você pode ver esse planeta queimando? Esse é o planeta em que você vive. Você, seu hospedeiro e todas as pessoas que se importam com os dois.
- Posso...
- O lugar em que você estava antes não quer que você sobreviva, Amatas. E eu também não. Se você sobreviver, esse é o futuro que aguarda o seu planeta. Você quer que isso aconteça? — A adaga na mão de Amatas começou a queimar
- Eu quero sobreviver... Eu quero sobreviver ! — Amatas gritou pela primeira vez.
- Você não se importa com essas pessoas, Amatas?
- Eu não me importo. Eu não me importo. Eu.. Não me importo.
- Você pode acabar com o sofrimento de todas elas agora, se você tiver força de vontade.
A adaga, que antes era enferrujada, agora parecia nova. Ele teve vontade, e a arma se tornou em uma arma de fogo que fosse forte o suficiente para destruir o planeta decadente com apenas um tiro. Se preparou para atirar e a imagem de Catherine veio a sua mente, ele recuou.
- Não deixe que o sofrimento deles continue, Amatas. Você precisa ter força de vontade, só assim... Vai salvá-la.
E Amatas atirou.
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