A ROSA CELTA

12 Capítulo 11 - À FLOR DA PELE...


Notas iniciais
♥Olá, galerinha amada do bem!!!! Desculpem a demora. São muitas coisas para dar conta neste final de ano e isso reduz meu tempo de escrita. Mas, como sempre, agradeço os comentários intensos, seja favoritando, seja a leitura silenciosa no celular. Um agradecimento especial para ♥Lichan,♥ DiteMasck, ♥Sidhe e ♥delencei!!! Prometo responder os reviews de vocês com muito carinho e agradeço a presença especial de vocês!

O ar ficou mais frio e úmido, após o pôr do sol. Podia-se ouvir o som dos insetos noturnos e dos pássaros retornando ao ninho no interior da floresta. A lua cheia elevou-se no horizonte banhando os campos com a sua pálida luz prateada e foi neste cenário que Albafica, ignorando que tinha sido visto pelos romanos, juntou as rédeas e incitou o cavalo a prosseguir.

Pensando na decisão tomada, enquanto descia a colina, o jovem druida estava atento aos sinais que o levavam por caminho pouco conhecido até Gleann Aon Tuairisceán, o Vale Sem Retorno. Aos olhos comuns, aquele lugar era apenas mais uma floresta entre tantas existentes na Bretanha. No entanto, ali, entre carvalhos antigos e salgueiros, poder-se-ia adentrar outros planos e, até mesmo, conversar com os mortos.

A cada passo, Albafica recordava o dia em que fora levado por um Druida do clã dos Lopocares e lá deixado para ouvir a voz das árvores sagradas. Havia se passado muito tempo, desde então e, agora, ele retornava não como um menino, mas como um homem.

Após algumas horas, o círculo sagrado das árvores se revelou. Albafica desmontou, deixando seu cavalo solto para pastar na relva macia, enquanto seguia na direção do som que se assemelhava ao trovão e quebrava o silêncio da noite revelando-se nas águas de uma grande cachoeira. Conhecida como Véu das Fadas, ela despontava majestosa, cercada de pedras, heras, teixos e rosas.

Ag beannú mé tú, Banríon Sióg Sióga (Eu vos saúdo, Rainha das Fadas)— falou o jovem druida abrindo os braços e posicionando-se em frente à queda d’água.

As águas pareceram dançar ao som da voz do druida e o perfume das rosas se acentuou. Ali crescia a Rosa diabolus... Selvagem, venenosa e bela, a flor destacava-se em meio ao cenário luxuriante e protegido dos olhares.

Albafica tocou-lhe as pétalas com a ponta dos dedos e aproximou-se da cachoeira, desnudando-se com toda a reverência que aquele elemento pedia.

Denuded mé ar na eagla agus Bow síos i os comhair do mhórdhacht (Eu me desnudo de todos os medos e me prostro frente a tua grandeza)

Ditas as palavras, o jovem abriu os braços e caminhou em direção à queda d’água, recebendo-a em seu corpo. O impacto forte da água em sua pele chegava a doer, trazendo uma energia que fluía da terra e da água, conectando o druida àquele espaço-tempo onde a natureza reinava soberana...

Por um longo tempo, Albafica ficou embaixo da água, conectado aos cheiros, aos sons e ao poder daquele lugar. As palavras que ouvira quando criança, se repetiram como um eco aprisionado no tempo e espaço: “O homem pertence à grande teia da natureza, a vida é uma sucessão de novas experiências e descobertas. Resistir ao ciclo natural é entregar-se à morte. Haverá um tempo de difíceis escolhas para todos nós. Mas, se guiar-se pelo amor, você saberá o que fazer.”

Por um longo tempo, o jovem druida absorveu e relembrou as lições do passado, até o momento em que seus olhos se abriram e ele o viu...

Minos...

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Radamanthys saudou Hades e Pandora com cortesia e discrição. Não era homem de mesuras exageradas ou o tipo de bajulador que existia de sobra na corte romana. No entanto, estava diante de um herói lendário, o famoso general que conseguira muitas vitórias sobre inimigos poderosos e lhe cabia mostrar-se contente por ser digno de tal honra em sua casa.

— Ave, tribuno Radamanthys. – Hades o saudou. – Espero que tenha recebido a mensagem comunicando a minha vinda.

— Sim, general. Sejam bem-vindos a minha casa. – disse ele com um sorriso educado e olhando para Pandora que permanecia com o olhar fixo nele.

O tribuno não deixou de notar que a jovem ao lado do general vestia-se como um soldado. Possuía um corpo esguio e delicado, embora alguns músculos estivessem em evidência devido à vida militar. Mas, o que mais lhe chamou a atenção foram os olhos violáceos e vivos que pareciam perscrutar tudo e todos com uma agudeza própria dos jovens.

— O senhor tem termas aqui? – perguntou Pandora.

— Sim, domina. Ordenarei que uma serva os leve até lá, devem estar cansados desta viagem longa. – respondeu Radamanthys.

Hades replicou em tom neutro.

— Em primeiro lugar, o dever, tribuno. Já nos familiarizamos com o líder do clã dos Brigantes. Achei-o um tanto desafiador. Gostaria de um relatório completo sobre ele e sobre a situação do seu clã. Também soube da morte do governador Públio e desejo saber de todos os detalhes.

Radamanthys manteve a expressão séria que foi desviada para Minos que chegava com o semblante fechado.

— Salve, Radamanthys. – disse o jovem oficial.

— Seja bem-vindo de volta, meu amigo. Chegou em boa hora. – respondeu o tribuno.

Hades olhou para os dois, encontrando descontração em Radamanthys e agressividade em Minos. Seu filho não escondia a contrariedade, embora, durante o trajeto em que tinham feito juntos, se esforçasse para assimilar a sua presença ali.

Radamanthys contou sobre o acidente do governador, fez um rápido relato sobre as boas relações com o clã dos Brigantes e as ações isoladas dos rebeldes que se opunham ao domínio romano. De vez em quando, ele fazia uma pausa para observar as reações do general que, no entanto, se mantinha impassível.

— Nero está preocupado com as rebeliões e deseja que Coria tenha um governador romano o mais rápido possível. Vejo uma distância grande entre o seu relato e o que encontrei ao chegar. O jovem druida não me pareceu um aliado e fomos atacados por um grupo de rebeldes. Temo que suas ações, até aqui, não tenham trazido os resultados esperados.

— Creio que a sua visão dos fatos se restringe a uma primeira impressão, general. Se a sua missão é certificar-se que Coria tenha um governante romano, pode considerá-la concluída. Quanto aos rebeldes, amanhã empreenderemos a caça definitiva aos pictos, principal reduto rebelde. Quando terminarmos com eles, os restantes não serão problema. Entretanto, o líder dos Brigantes é assunto meu. Ele perdeu alguém importante, sua avó, que foi assassinada pelos Pictos devido a ter-se mantido nosso aliado e eu dei a minha palavra que ela seria vingada. – cortou Minos, se manifestando. – Respeito a sua posição como embaixador de Nero, mas como futuro governador devo mostrar a essa gente que tenho, não só o poder, como a força necessária para mantê-lo. Pode unir sua tropa a minha para batalhar contra os rebeldes, mas deixe as negociações sob minha responsabilidade ou todo o trabalho que tivemos para manter o controle da Bretanha será desperdiçado.

— Parece muito seguro desta aliança, mesmo após o meu relato sobre sentir certa resistência no líder druida. – disse Hades.

— O senhor é desconhecido aqui, apesar da fama, general.

— Isso não justifica o enfrentamento. Afinal, não somos aliados? – rebateu o general mais velho.

— Os celtas são orgulhosos e sua conquista se deu após muitas batalhas. Ameaçá-los nunca foi uma boa tática.

Hades franziu o cenho.

— Tribuno, Pandora, podem nos deixar às sós por um momento?

— Claro. – respondeu Radamanthys.

Pandora, apenas obedeceu sem proferir nenhuma palavra.

Estando frente a frente com seu filho, o general retirou a espada e o elmo. Em seguida, sentou-se na cadeira de couro e encarou Minos.

— Creio que antes de tudo, temos que estabelecer as bases da nossa conversa. Está claro o seu ressentimento a meu respeito e isso turva a sua visão.

Minos sorriu, sarcástico. E quando falou, sua voz estava firme, imperturbável.

— Superestima sua importância em minha vida, general. Não há ressentimento envolvido e sim descontentamento pela sua interferência. Minha tropa é qualificada e eu já estabeleci bases de negociação com os Brigantes. Confrontar o líder deles sem ao menos saber da situação foi um ato precipitado que pode ter posto por terra o que já havíamos conseguido. É isso que me incomoda e, de certa forma, me surpreende. Sempre foi tão frio e imperturbável, atitudes que, neste momento, seriam muito bem-vindas aqui, ao contrário do que apresentou, até agora.

Enquanto falava, o jovem oficial olhava dentro dos olhos do pai. A cada palavra dita, percebia o estreitar dos olhos, fato que mostrava o quanto Hades estava considerando o que ouvia.

— Só estou aqui, porque Nero me enviou. E o que vi aqui, além da confirmação da morte do governador Públio, me faz crer que a sua ação neste caso não está sendo firme como exige a situação. – disse o general.

— E quais ordens, especificamente, ele lhe deu? Porque se era, apenas para que eu considerasse ocupar o cargo de governador, não era necessário todo esse aparato, nem a sua interferência no que já estava em andamento. E quanto à firmeza, os clãs sabem muito bem as consequências de desafiar o Império Romano. Tanto sabem que, o maior deles, tornou-se nosso aliado.

— Ele deu ordens específicas para que eu assumisse a repressão aos rebeldes e exterminasse todo aquele que se opusesse a ocupação. Nero quer a Bretanha sob controle e homens de confiança em cargos de comando. Ele o considera capaz, Minos.

— Eu sei. Mas, parece que você não concorda. Deixou um menino e encontrou um homem tão capaz quanto você. Um homem que você não conhece e não faz questão de conhecer, pois prefere seguir suas impressões.

— Não estamos aqui batalhando para ver quem é o melhor, Minos. Há muitas coisas em jogo além da nossa história pessoal. Nós representamos a autoridade de Roma e isso está acima do nosso passado.

— Será, pai?

A menção da palavra pai reverberou dentro de Hades. A dureza e a fleuma que lhe eram características sofreu um abalo, como se fosse uma rachadura na superfície de uma pedra de mármore. Ele inspirou e desviou o olhar.

— Eu também não convivi com meu pai, mas isso não impediu que eu reconhecesse as habilidades e competências dele como um guerreiro. Você se tornou um homem capaz e um soldado eficiente.

— Eu sempre me perguntei o que minha mãe diria. Não tenho nenhuma lembrança dela.

— Sua mãe morreu, logo após o seu nascimento.

Com o rumo da conversa tornando-se mais íntimo, Minos permitiu-se perguntar o que nunca havia feito:

— Como ela era?

A imagem de Alanna voltou à mente de Hades. A semelhança da mulher que ele amara, com a mãe de Minos, não era física. Havia algo na postura imponente e no olhar penetrante de Alanna que evocava lembranças mais profundas de Norah. Era como se ela tivesse se revelado, espiritualmente, junto daquela mulher e isso o perturbara.

Ele e Norah não haviam se conhecido de forma romântica. O encontro fora violento, após uma invasão de sua tropa a Península escandinava. Seus soldados estavam sem mulheres há muito tempo e, embora alguns tivessem seus amantes, outros preferiam as mulheres e agiam com selvageria, possuindo-as à força.

Uma jovem mulher o atacara e cuspira em seu rosto. Porco romano! Onde está a sua honra? Enfrente-me e deixe as mulheres e crianças em paz!

A cena não durara mais que alguns minutos, ambos se encarando com animosidade... De repente, um clarão cortou os céus, seguido por um trovão quase ensurdecedor. Tudo ficou estático, carregado...

— Dê-me a espada. — Ele ordenara, fria e calmamente, após limpar o rosto com as costas da mão.

— Nunca! – respondera Norah, apertando ainda mais o punho da espada.

O general romano sentira um misto de raiva e admiração. Não era comum encontrar uma mulher que o enfrentasse e aquela, além de surpreendê-lo, lhe despertara algo há muito adormecido: o desejo.

— Não tem escolha, mulher! Sou mais forte e vou matá-la se não baixar a espada.

A jovem ficara imóvel, perscrutando o rosto viril, a espada firme na mão pequena.

— Mande seus homens pararem! Ordene que deixem as mulheres em paz e eu... Eu servirei a você!

Com uma expressão de escárnio, ele continuou a encará-la. Podia desarmá-la com facilidade, mas queria ver até onde ela iria...

— Já que quer me servir, dê-me a espada e dispa-se. Quero ver seu corpo...

A expressão da jovem mudou. Ela ficou imóvel, encarando os olhos frios e cruéis do general. Então, lentamente, deixou cair a espada. Em seguida, o traje rústico que ela usava, também caiu ao chão revelando um corpo esguio e voluptuoso. A pele clara estremeceu e os seios pequenos despontaram como montes suaves à espera da carícia de um amante. Não havia vergonha ou hesitação no ato. Os homens murmuraram, extasiados, alguns fizeram piadas maliciosas e tocaram os genitais.

Hades elevou a mão, silenciando-os. A visão daquele corpo causou-lhe sensações que ele desconhecia, até então. Ele retirou o manto escarlate que vestia e cobriu-a, os olhos fixos nos dela que, em nenhum momento, desviaram dos seus.

— Deixem as mulheres em paz! Aquele que violar uma mulher será enforcado.— disse ele.

Um silêncio ensurdecedor caiu sobre todos. As mulheres juntaram suas vestes e os soldados se afastaram. Hades puxou Norah pelo braço como se estivesse tomando posse de uma cidade sitiada. Entretanto, mais tarde, quando a possuiu, o fez sem a violência habitual com que um conquistador agia com uma mulher inimiga.

Nenhum dos dois estava preparado para as sensações que ambos desfrutaram com este ato. O general viu-se num turbilhão de emoções que desconhecia e Norah perdeu sua virgindade experimentando o êxtase junto ao homem que acreditava odiar. Nada fazia sentido e nada os preparou para o desfecho do que haviam vivido em uma noite.

Ao amanhecer, os dois se separaram e não trocaram nenhuma palavra. Estabelecidas as bases do domínio, o general seguiu em frente e a jovem guerreira ficou para trás, guardando em seu ventre uma nova vida.

Um ano mais tarde, quando ele retornou, Norah estava morta e um menino lhe foi apresentado. “Tome, ele é seu filho. Norah me pediu para esperá-lo e lhe entregar o menino. O nome dele é Minos. Agora, também posso me encontrar com meus ancestrais.”— disse a velha curandeira.

Ele não sabia se voltaria, mas Norah sabia. E ela lhe dera um filho!

A criança era diferente, um menino que continha em si a força e o sangue de duas culturas. Seu filho!

Acostumado aos rigores da vida militar, jamais pensara em formar uma família. E agora que já tinha um herdeiro, continuava firme no propósito de manter-se livre. Voltaria à Roma, criaria o menino até a idade certa de entregá-lo ao homem que o tornaria um guerreiro único. Essa seria a sua herança para o seu filho. A única herança que jamais lhe seria tirada!

— Sua mãe foi uma mulher forte. – disse Hades com um suspiro. – E agora, se me dá licença, preciso descansar um pouco.

Minos assentiu e, assim que seu pai lhe deu as costas, deixou a casa.

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Gotas frias, escapadas da cachoeira, misturaram-se ao ar da noite, brilhando e molhando o corpo nu de Albafica cercando-o com uma atmosfera sensual cujo cenário se descortinava em uma paisagem exuberante, permeada de aromas noturnos exalados por flores exóticas e do som da água que vertia sob a luz da lua, parecendo a queda de pequeninas estrelas...

Os olhos de Minos eram os de um homem faminto e admirado da beleza alva do corpo a sua frente. Quando deixara a casa de Radamanthys, sua mente voltara-se para o lugar onde vira o druida cavalgar. Precisava vê-lo, senti-lo, estar com ele...

Albafica sentiu um arrepio que mesclava prazer e ao mesmo tempo receio. O desejo era recíproco, intenso e inegável, mas não esperava que o oficial romano o procurasse depois do último encontro, embora ansiasse por isso, experimentando aquela violenta contradição dentro de si.

Estavam parados frente a frente, sem se tocarem, apenas se olhando e esses olhares eram como carícias ousadas e excitantes. Foi então que o romano, ao sentir a hesitação de Albafica, tomou-o nos braços, o peito tomado de pingos d'água e, mesmo assim, quente.

— Não consigo me afastar de você. Minha mente me avisa, me ordena, mas meus sentimentos são mais fortes que a razão. – disse Minos junto aos lábios daquele que amava.

O jovem druida deixou-se abraçar, os lábios entreabertos recebendo o hálito quente de Minos.

— Eu também não consigo. Te quero tanto... tanto! – confessou Albafica.

O oficial romano olhou-o com carinho e intimidade, o brilho da paixão cintilando nos olhos violáceos e reverberando na forma como o jovem druida retribuiu o olhar. As gotículas de água corriam pelo rosto de Albafica e cintilavam em seu peito, acrescentando um brilho novo à pele alva e aos mamilos que se eriçavam. Como carícias seguiam numa viagem alucinante pelo ventre plano, até chegar ao falo túrgido que despontava como um aríete.

— Você é tão lindo... e fica, ainda mais, quando excitado. – sussurrou Minos tocando os lábios entreabertos de Albafica com os dedos.

O druida sentiu o rosto quente e estremeceu ante ao toque e ao elogio e então sentiu os lábios de Minos tocar os seus bem devagar, o beijo lento e profundo como se o romano estivesse fazendo amor com sua boca, enquanto as mãos acariciavam os mamilos, tornando-os mais rígidos.

Aos poucos, os lábios experientes do oficial foram provando cada centímetro daquele corpo tentador, fazendo o druida ouvir-se gemer e render-se ao ataque sensual que parecia incendiar seu corpo.

Unido a Minos num abraço forte e transbordante de toques e reconhecimento, Albafica fitou, mais uma vez, os belos e profundos olhos do romano e ambos reconheceram o significado daquela entrega.

— Não se mova... – pediu Albafica.

— Por quê? – perguntou Minos franzindo o cenho.

— Quero olhá-lo... guardar cada detalhe do seu rosto. — disse Albafica esquadrinhando com os dedos, a face viril e fascinante do romano.

Minos sorriu e beijou-o com delicadeza. Depois desceu a boca pelo ventre do druida, sorvendo a água que se depositara no umbigo e na pele até chegar ao falo e lambê-lo demoradamente, enquanto suas mãos alisavam as coxas torneadas e as nádegas redondas.

Ao sentir o calor da boca do oficial em seu membro, da sensação da língua acariciá-lo em lugar tão íntimo, Albafica gemeu rouco e oscilou para trás, sendo mantido no lugar pelas mãos fortes de Minos.

O oficial lambeu e sugou, roçou os lábios e os dentes de forma lenta e provocante, até sentir o estremecer de Albafica que arfou sacudido por um orgasmo rápido e violento. Minos captou a exata vibração do clímax que sacudia o corpo de Albafica e deliciou-se com seu sabor, seus gemidos e seu grunhido estrangulado que escapara, sem controle, da garganta.

Tremendo, Albafica ofegou e segurou os cabelos fartos de Minos, atraindo-o para si. Seus lábios tremiam e seus olhos estavam inebriados e febris de êxtase. Então foi a vez dele atacar a boca do oficial e sorver da saliva e do próprio prazer, deixando-se inundar por aquela paixão e sentir a língua de Minos buscar a sua...

Totalmente entregues um ao outro, Albafica lambia a boca, o queixo e o peito de Minos, esfregando-se no oficial romano como se seu corpo adquirisse vontade própria e necessitasse de algo mais, uma necessidade urgente e quase selvagem de fundir-se a ele, de senti-lo dentro de si.

Minos também queria, sempre ficava enlouquecido quanto tinha Albafica em seus braços. Sua respiração estava ofegante, suas mãos despiram a túnica com pressa, quase a arrancando... Jogou o corpo contra o de Albafica com desespero e luxúria, sentindo o glorioso atrito de pele contra pele, a frieza da pele alva e molhada contra o calor da sua... Passou um braço em volta dele, puxando-o para mais perto e apertou a boca contra o rosto belo e deslizou até tomar-lhe, novamente, os lábios e beber da língua ávida na sua...

As sensações despertadas já formavam um verdadeiro redemoinho de desejo entre os dois. Minos foi levando Albafica até uma pedra coberta por uma espécie de limo aveludado. No caminho, sentiu o espetar de um espinho, mas não ligou. Suas mãos continuaram correndo por todo o corpo do jovem druida, seus dedos longos e talentosos explorando a curva das axilas, apertando os quadris e deslizando sobre os mamilos rijos, enquanto seus lábios, língua e dentes provocavam a carne sensível e ardente de Albafica fazendo-o entreabrir os lábios e gemer, agarrando-se a ele com desespero.

Albafica ainda conseguia pensar no quanto aquela boca sabia provocar prazer. Desde os beijos profundos, em que a língua dele mergulhava quase em fúria, buscando a sua, até agora em que ele a deslizava por todos os centímetros de sua pele num lento e tortuoso assalto ao seu corpo, arrancando tremores, deixando rastros, fazendo-o arder e gemer alto.

Como eu amo este homem... Pensava ou dizia? Não conseguia saber, apenas sentir enquanto a boca de Minos continuar a explorá-lo cada vez mais profundamente. De repente, estavam deitados na pedra e Albafica sentiu as mãos fortes agarrando as suas nádegas em concha e erguendo-o na direção da boca exigente, quente e úmida que, novamente, executava movimentos de vai e vem em seu falo, num ritmo lento e alucinante. Com um gemido de prazer, viu Minos abandonar o falo e mordiscar a parte interna de sua virilha, chupando e lambendo todo o seu baixo ventre, insinuando a língua em sua entrada, fazendo-o contorcer os quadris.

O jovem druida compreendeu e afastou as pernas trêmulas. Mantendo a conexão do olhar, Minos tocou o rosto e os lábios do amante e deslizou para o aconchego cálido daqueles quadris. Ergueu-se enquanto Albafica se apertava contra ele, e ardorosamente se empurrou para o interior do corpo dele como se ali fosse o seu lar.

Ofegaram juntos quando a estocada provocou prazer e dor em cada célula e ficaram com os olhos fechados em saborosa cumplicidade, até que a pulsação da cavidade invadida e do falo que a adentrava, estivessem em perfeita sintonia.

Assim que o ritmo se estabeleceu, Minos se afastava e mergulhava repetidamente dentro do corpo de Albafica, ouvindo os gemidos entrecortados, guiado pelas mãos, boca, olhar e o sibilo do ar que escapava por entre os dentes alvos...

O jovem druida sentia-se como se fosse derreter cada vez que Minos inundava-o com suas estocadas lentas e profundas, o corpo agitando-se ao sentir um prazer tão intenso e uma ânsia que preenchia seu corpo de um prazeroso tormento.

O prazer se acumulava em ambos os corpos até não haver lugar para mais nada e continuava crescendo, transbordando de suas peles para aquele mundo de magia e, ao mesmo tempo de realidade e calor.

Minos continuava movendo-se para dentro de Albafica, sentindo-o efervescer e seu falo roçar-lhe a pele, túrgido, pulsante e quente. O prazer sentido pelo romano era intenso e único e ele agarrava-se a Albafica com força, suas mãos apertando o corpo alvo e imprimindo marcas na pele, sua respiração alterada e seu olhar úmido depositando-se, totalmente, sobre o amante...

Os gemidos e ofegos se intensificaram, os movimentos dos quadris entraram no ritmo forte de avanço e recuo, chocando-se como ondas de um mar em fúria. Minos sentia seu falo pulsar e desejar tocar Albafica ainda mais fundo, enquanto o druida projetava-se de encontro ao corpo do romano, acolhendo-o, desejando ser um só com ele.

Albafica gemeu sentindo-se envolver pelos tremores do gozo, seus olhos em agonia e sua boca abrindo-se para sorver o ar. As águas se agitaram e as rosas exalaram um perfume forte. A noite pareceu adquirir vida em cada sombra e em cada respiração.

— Você é meu... Albafica... Meu para sempre... – disse Minos também sentindo o orgasmo abarcar todo o seu ser.

O corpo de Albafica moveu-se convulso, seus lábios se abriram e sua cabeça foi lançada para trás, enquanto Minos também sentia o corpo retesar e o gozo cavalgá-lo como se estivesse possuído por um encantamento...

Então, subitamente, houve uma explosão de calor e luz em tons profundos de azul e roxo, tecendo fios que uniam os corpos, no exato momento, em que Minos derramou-se dentro de Albafica e o druida sentiu seu sêmen jorrar quente no corpo do oficial romano.

Não eram, apenas, sexo e prazer, era uma fusão total de amor e êxtase que transbordava, cobrindo-os, possuindo-os além da carne, do suor e do desejo. Abraçados e ofegantes, ambos estremeciam e compartilhavam da magia única que se mostrava ali, quebrando o paradigma que dizia ser impossível a união entre um celta e um romano.

Albafica olhou Minos nos olhos. Ofegante, acariciou os cabelos desalinhados do oficial recebendo um olhar, também intenso do amante.

— O que aconteceu entre nós... Meu corpo ainda está pulsando e eu sinto... Sinto este lugar em mim. – disse Minos.

O jovem druida tocou os lábios do romano com ternura.

— Estamos na floresta sagrada... Aqui, nos tornamos parte da grande Teia da Vida.

Atordoado, Minos levou a mão ao rosto de Albafica e o druida percebeu uma gota de sangue no dedo indicador do amante. Tomando a mão forte na sua, levou a língua até o pequeno ponto avermelhado, colhendo-o em sua boca.

— Você se feriu... Há muitos espinhos aqui, devido às rosas diabolus. Elas são belas, mas venenosas.

— É por causa do veneno que eu vejo fios luminosos saindo dos meus dedos e uma luz envolvendo meu corpo e o seu? Estou morrendo, é isso?

— Não, você não vai morrer, apenas, compreenderá. — Albafica fechou os olhos e abraçou Minos com força.

— Adoro quando me abraça assim... Tudo o mais parece loucura. A única certeza que tenho e compreendo é que, em seus braços, sentindo o seu corpo junto ao meu, nada mais importa. Eu te amo, Albafica.

— Eu também amo você, Minos... – disse o jovem apertando-o ainda mais em seus braços.

Minos sorriu sentindo o coração de Albafica e o seu batendo tão forte quanto o rugido daquela cachoeira. Então, encostou os lábios no pescoço do jovem e falou:

— Vou ser o governador de Coria e você governará ao meu lado.

Notas finais
♥ Boa semana a todos e, mais uma vez, obrigada pela presença, seja da forma que for. Vocês imprimem energia e vida à fic.