A ROSA CELTA

13 Capítulo 12 - TRAIÇÃO...


Notas iniciais
♥Olá, galerinha amada do bem!!!! Desculpem a demora. São muitas coisas para dar conta neste final de ano e isso reduz meu tempo de escrita, pois sou professora. Mas, agora, fic entrando na reta final e eu entrando em férias! Obrigada pela paciência e pelo carinho!♥

Minos abriu os olhos de forma lenta, sentindo-se plenamente consciente do seu corpo, mas ainda assim parecia flutuar entre o sonho e a realidade. A umidade em suas costas revelava que estava nu e ainda deitado em meio àquela natureza exuberante. Olhou para o lado e viu-se sozinho.

Onde estava Albafica?

Por alguns segundos, achou ter sonhado, mas a prova de haver desfrutado do sexo intenso e prazeroso com o jovem druida permanecia em sua pele.

Por Zeus! Já está quase amanhecendo e eu ainda deitado aqui, neste lugar. Pensou, levantando rápido e procurando as suas roupas.

Foi então que as notou dobradas e sobre elas uma rosa cujos espinhos haviam sido arrancados. Tocou a flor e viu a inscrição feita sobre a pedra limosa:

Nos encontraremos em breve.

Os dedos longos contornaram as letras da caligrafia perfeita e um sorriso brincou nos lábios do oficial romano. A lembrança da noite, impregnada de prazer e magia, atingiu-o direto no coração. Precisava resolver logo as pendências e assumir a sua posição como governador. Quando isso acontecesse, tudo estaria resolvido e poderia viver aquele amor cuja força o atingira muito além do que ousara sonhar.

Vestiu as roupas, rapidamente e encontrou seu cavalo pastando, calma e mansamente.

— Vamos, meu amigo. Temos que chegar rápido. – disse, enquanto afagava a cabeça do animal e se preparava para montá-lo.

Olhou em volta e toda aquela paisagem pareceu fixar-se em seus olhos. Ainda estranhava aquela sensação de completude, como se fizesse parte do lugar e de tudo que ali estava. Sentia o zumbido dos insetos, o som da água, o perfume das rosas... Como era possível perceber no próprio corpo, tanta beleza e tanta vida?

— Está no seu sangue!

A voz melodiosa fez Minos virar-se de imediato. A imagem de uma mulher com olhos semelhantes à de uma águia deixou-o de sobreaviso.

— Quem é você e como chegou aqui sem que eu percebesse?

— Me chamo Marin, oficial Minos. E... esta floresta foi meu lar por bastante tempo. Ouso dizer que, mesmo depois de alguns anos terem se passado, ainda faço parte dela.

Com o cenho franzido, Minos encarou-a dentro dos olhos.

— Você é uma sacerdotisa?

— Sim, eu sou.

Sem saber o que dizer, o oficial esperou que a mulher falasse. Sabia que estava em um território sagrado e não só porque Albafica o dissera, mas porque sentia na pele a energia do lugar e uma percepção diferente ao contemplar cada pedra, flor e até mesmo a água cristalina. Porém, como ela continuou observando-o, resolveu falar:

— Sei que estou em um local que vocês consideram sagrado, mas já estou indo embora. – disse ele.

Marin tocou-o no braço, a mão delicada e firme fazendo-o parar e fitá-la.

— Você não é, somente, romano. Por isso, é capaz de sentir a beleza do sagrado neste lugar e no amor que sente por Albafica. – disse ela.

— Como sabe disso? Você não me conhece.

Um sorriso distendeu os lábios rosados da sacerdotisa.

— E você, se conhece?

De imediato, Minos relembrou a conversa com seu pai. Fizera a pergunta guardada desde a infância e recebera a resposta. Uma resposta curta e evasiva: Sua mãe foi uma mulher forte. Na verdade, continuava ignorante quanto à sua origem e não ousara continuar com o assunto. Não havia mais a necessidade de buscar respostas no passado. O presente, com suas exigências e desafios, era o seu objetivo.

— Sou romano. É só o que preciso saber. – respondeu, seco e direto.

— Será? A ancestralidade tem mais poder que imaginamos.

Os olhos violáceos se estreitaram e Minos segurou forte, o braço de Marin.

— Eu não sei o que pretende, mas vou avisando que não sou um tolo ignorante que pode ser amedrontado por profecias.

Marin sorriu, olhando para a mão que a segurava.

— Suas mãos... Quando fez amor com Albafica, sua alma e a dele ficaram ainda mais ligadas. Você viu, não é? Os fios da Teia da Vida fizeram com que experimentasse uma completude, jamais sentida. Não tema, Minos de Griffon... Todos nós temos o nosso lugar nessa imensa e luminosa teia.

Minos arregalou os olhos quando viu, novamente, aqueles filamentos luminosos saindo do seu corpo e a materialização de duas mulheres diáfanas e luminosas a sua frente. Uma delas, ele reconheceu de imediato: Bridget, a vó de Albafica. A outra, não soube identificar, porém seu coração se aqueceu quando ela lhe sorriu e algo pareceu se abrir dentro do seu peito.

Ambas ergueram as mãos e o oficial romano viu-se cercado pela luz que emanava delas. Ele caiu de joelhos com a força daquela energia e tentou resistir, mas a mão delicada e estendida em sua direção o fez permanecer onde estava.

— Confie no amor, *permita que a beleza que amamos seja o que fazemos. Existem centenas de maneiras de ajoelhar e beijar o chão... — disse a mulher mais jovem.

O tom de voz parecia longínquo e ainda assim, ensurdecedor como se estivesse dentro da sua mente. Zonzo, Minos desprezou a ajuda de Marin e levantou-se sozinho indo em direção às imagens que evanesciam com os raios de sol infiltrados por dentre a copa espessa das árvores antigas. Aquela experiência, diferente da que vivera com Albafica, lhe causava tensão e comoção extrema. Tentou tocá-las, mas não havia nada para ser tocado. Como a bruma, tudo se dissolveu até não sobrar mais nada.

O que significava tudo aquilo? Bridget e aquela desconhecida que lhe causava sensações profundas e intensas. Seria ela, a sua mãe? Mas o que uma romana fazia junto de uma inimiga? A não ser que...

— Aquela mulher... aquele espírito...

— Sua mãe não era romana, ela pertencia a uma tribo selvagem de outras terras. Ela lutou pela liberdade e, contra tudo o que ela achava ser o certo, amou seu pai, mesmo ele sendo o inimigo. E lhe deu um filho, você.

O oficial sentiu o rosto úmido. Lágrimas escorriam pela sua face, sem que ele se percebesse que estava chorando. Nunca derramara uma lágrima sequer, nem quando fora deixado por seu pai, nem quando sofrera as restrições e violência dos treinamentos espartanos com seu avô. Mas, agora, parecia que tudo virara de cabeça para baixo, seu peito estava oprimido e as emoções afloravam impiedosamente.

— Chega! – gritou mais para si mesmo que para a sacerdotisa que o observava.

— Vá em paz, oficial. Não tema, deixe que seu coração e não a sua mente, o guie daqui para frente.

Minos não conseguia pensar com clareza, suas emoções e suas percepções estavam misturadas, causando-lhe ansiedade. Ele deixou o lugar sem olhar para trás e, enquanto cavalgava, buscava o controle que lhe era característico, porém sem sucesso. Então olhou para trás, para a imensa paisagem composta de uma beleza de tirar o fôlego. Fechou os olhos por um instante, relembrando a sensação de poder e paz ao ter Albafica em seus braços. Amava aquele homem com todas as forças e não permitiria que esse amor lhe fosse tirado!

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Pandora estava inquieta. Hades havia saído para fazer uma oferenda a Plutão e também mandar sacrificar um touro em honra à Mitra, o deus persa cujo culto foi absorvido pelos romanos e do qual ele fazia parte há algum tempo. E ela, após ter feito suas tarefas, estava livre para caminhar pela casa enorme sem nada para fazer. Desejava ir até às termas, mas para isso teria que encontrar um servo ou até mesmo o belo tribuno chamado Radamanthys. Andou a esmo, observando as esculturas em mármore e os vasos ornamentados com gravuras exibindo heróis e deuses. Aquele lugar era luxuoso e reproduzia, perfeitamente uma domus romana dos nobres.

Ao passar por um aposento, ouviu rumores e deixou-se levar pela curiosidade. Algo dentro de si dizia para passar reto e outra voz a desafiava para não fazê-lo. Por fim, cedendo à excitação causada pelo inusitado, ela continuou e deparou-se frente à porta entreaberta...

Uma cena insólita encheu seus olhos, como se estivesse frente a um banquete permeado de delícias e do erotismo comum aos nobres romanos, algo que sempre lhe fora negado por Hades. No entanto, agora via-se participando, mesmo que indiretamente, do que lhe fora proibido: o tribuno Radamanthys estava nu tendo um soldado, em seus braços em seus braços e o beijava com uma voracidade contagiante... Suas entranhas se apertaram fazendo-a experimentar um formigamento pelo corpo. Seus mamilos enrijeceram e ela sentiu a umidade quente revelar-se em seu sexo.

De repente, uma secura na boca e o descompasso da sua respiração, a fazia questionar o que estava acontecendo consigo. Já havia visto soldados fodendo pelos cantos dos acampamentos militares, mas aqueles dois desfrutavam de algo mais que o sexo desesperado antes ou depois de uma batalha. Havia uma paixão genuína nas carícias e troca de olhares. E o modo como o tribuno marcava aquele soldado com suas mãos ágeis e experientes a fazia desejar o mesmo para si.

Por alguns instantes, imaginou o calor que parecia emanar das peles... Sorriu e ofegou como se estivesse entre eles. Os olhos violáceos ficaram escuros, as pupilas se expandiram e algo selvagem e primal, despertou dentro de si.

Radamanthys deixou a boca de Valentine no instante em que ouviu o ruído baixo. Mesmo em uma situação de intimidade como aquela, sempre se mantinha em alerta como um bom soldado devia fazer.

Entretanto, antes que o tribuno reagisse àquela invasão de privacidade, Pandora revelou-se, como se algo ou alguém a tivesse empurrado na direção dos dois. Ela entrou no aposento e abriu a túnica, deixando-a deslizar por sobre os ombros, expondo a nudez do seu corpo delicado e com algumas cicatrizes.

Os seios pequenos, como os de uma menina, exibiam mamilos rosados e túrgidos, a cintura fina era encimada por costelas que subiam e desciam ao som da respiração ofegante, o triângulo escuro entre as coxas desenhadas e musculosas era tão sedoso quanto os seus cabelos e a pele alva, quase transparente a fazia parecer uma ninfa...

Toda ela avançava e não havia temor em seu andar. Os dois ficaram imóveis, enquanto ela caminhava na direção deles como se a deusa Vênus tivesse descido o Monte Olimpo e possuído aquele corpo feminino.

Firme, ela tornou-se uma oferenda viva aos dois e quando se deitou entre eles, não houve necessidade de palavras. O ar se tornou denso e erótico, solidificando-se e transformando-se em algo quase corpóreo. Os olhares febris se reconheceram e se tornaram um...

— Pandora... – murmurou Radamanthys.

A jovem tocou-lhe os lábios com os dedos calejados e sorriu.

Valentine ficou com uma expressão confusa que logo se desfez quando ela tocou-lhe os lábios também, mas desta vez com os seus.

— Vocês dois... E eu... – sussurrou ela e nada mais foi dito.

Pandora fervia em sensações, consciente de Radamanthys e de Valentine em cada nível possível... Da rigidez e do calor do corpo do tribuno, da autoridade do beijo, da forma como introduzira a língua entre os seus lábios à ousadia de Valentine a sugar-lhe os seios, as mãos deslizando em suas coxas, os dedos penetrando sua intimidade...

Como um instrumento tocado a duas mãos, ela vibrou e gozou entre lágrimas e gemidos, experimentando toda a sorte de carícias, despertando a fêmea aprisionada sob a couraça da guerreira.

Sensível e inchada devido ao clímax, Pandora gemeu alto quando Radamanthys a penetrou com força e estremeceu ao sentir o falo gotejante de Valentine em seu rosto e lábios. Ofegante, sua boca se abriu e envolveu o membro túrgido do soldado, enquanto era invadida, cada vez mais forte e profundamente, pelo tribuno.

Os movimentos intensos compunham uma sinfonia erótica entre os três, Valentine gemia tendo seu falo sugado e procurava a boca de Radamanthys, beijando-o sôfrego, enquanto ele penetrava Pandora num frenesi pulsante e ensandecido.

O aposento logo se tornou quente e abafado com os cheiros de suor, de sêmen e das peles com seus aromas peculiares...

Em um crescendo, a união dos corpos que mais parecia um só organismo, explodiu em orgasmo, desespero e loucura. Valentine grunhiu, derramando-se no interior quente e úmido da boca de Pandora. Radamanthys o acompanhou, estocando uma última vez, sentindo jorrar dentro da jovem todo o seu prazer. A jovem guerreira sentiu-se preenchida e inundada, estremecendo convulsa e gritando em êxtase, tendo dois homens em seu corpo numa possessão total.

O som da sua voz rouca somou-se ao esplendor ardente daquele domínio selvagem e ela agarrou-se aos dois, ofegando e gemendo com o sêmen de um molhando os seus lábios e o do outro escorrendo por entre as coxas... Em uníssono, as bocas se uniram em beijos lascivos e entrelaçaram as línguas, descortinando o sabor de cada um...

Embalada pelos dois corpos, Pandora deixou a cabeça pender para ambos os lados e, com seus olhos estreitos e sonolentos ela absorveu a deslumbrante visão dos corpos nus de Radamanthys e Valentine, sentindo que entre eles ainda restava um latejar primitivo e insatisfeito...

Com os olhos brilhando ela fitou os dois, segurou-lhes pelo queixo e sussurrou com um misto de devassidão e ternura:

— Podem foder... eu gosto e me excita...

Radamanthys passou a língua nos lábios, arquejante e suado. Valentine sorriu, aproximando-se dos lábios do tribuno para molhá-los com a ponta de sua língua. Como que hipnotizados, os dois obedeceram à ordem de Pandora, enquanto ela sentia seu corpo lânguido ser tomado por uma deliciosa mistura de luxúria e paz...

Pandora admirava o corpo do tribuno e fascinada, esquadrinhou os ombros e o peito largos, o abdômen sólido, as coxas longas e musculosas. Os pelos em torno da virilha eram mais escuros e sua ereção comprida e grossa pulsava impaciente, mais uma vez.

Fascinada, ela passou a língua nos lábios rubros de tantos beijos quando viu Valentine abrir-se para Radamanthys sem reservas, levantando o rosto para beijá-lo e apartando as pernas para acolher o tribuno sobre si.

Radamanthys segurou em concha o rosto do soldado e fitou seus olhos com extasiada agonia, enquanto ele cruzava as pernas em torno da sua cintura e movimentava o corpo sedento pela posse...

Valentine moveu as palmas pelo peito de Radamanthys até alcançar os mamilos e acariciá-los com os dedos e depois com a boca. Contraindo o rosto, pelo prazer do toque, o tribuno rangeu os dentes, embalando-se contra ele, pressionando o falo túrgido na entrada estreita e penetrando-o numa graduação excruciante, profunda e lenta.

Levantando os quadris para apressá-lo, Valentine foi recompensado com um gemido rouco e cavernoso que emergiu das profundezas da garganta do irmão. Músculos ondularam e retesaram... As peles suadas roçavam uma na outra em um ritual ardente fazendo-os sentir na carne, prazeres que também atingiam a alma...

Radamanthys quase saiu de dentro de Valentine para projetar-se mais forte e fundo, arrancando gemidos entrecortados e roucos, fazendo-o se contorcer sob o seu corpo. Ao olhar para baixo e ver seu falo entrando e saindo, enquanto o soldado arqueava o quadril para recebê-lo, era de um erotismo visceral deliciosamente estarrecedor.

Valentine movia-se junto, tomado por uma febre insuportável e uma sensação de que estava se dissolvendo em chamas... Ser possuído pelo homem que amava, embora jamais tivesse dito, era vida e morte, prazer e dor... E quanto mais fundo o tinha dentro de si, grunhia mais de prazer que de dor e sentia que a vida pulsava em cada nervo, em cada respiração e, principalmente, em seu coração... Enlouquecido de prazer e sentindo o cavalgar do clímax, abraçou-se ao tribuno, enquanto ele o preenchia. Emaranhando os dedos nos cabelos e levando a boca aos lábios de Valentine, Radamanthys começou a se mover furiosamente dentro dele, tocando-o nas profundezas de seu corpo fazendo-o gritar, enquanto ele também sentia o intenso prazer de ser aprisionado pela cavidade quente e apertada do soldado.

Ao gozar, Valentine gemeu alto e Radamanthys que ainda o beijava, engoliu o som em seus lábios, sentindo o prazer quente molhar seu corpo, enquanto se desfazia dentro dele, sentindo as coxas apertando-o, a pulsação do orgasmo engolindo seu falo e se expandindo em todas as partes de seu corpo...

Quando os tremores cessaram, Radamanthys continuou deitado sobre Valentine por um longo tempo, ainda dentro dele. Saboreou a violenta fusão de seus corpos suados e dos corações que batiam acelerados... Então deslizou para o lado, abraçando-o e também Pandora. Fechou os olhos e sentiu uma estranha paz... Olhou para seus dois amantes adormecidos e sorriu, tomado por uma euforia insólita.

Horas depois, Radamanthys despertou com barulho de passos e vozes. Pandora e Valentine também acordaram, colocando-se em prontidão e saltando da cama. O tribuno os acompanhou, afastando os lençóis e notando os resquícios do sexo inusitado. Pensou na barreira que sentira ao penetrar Pandora e agora a confirmação do sangue misturado ao sêmen. Olhou para a jovem que se limpava com os lençóis e, em seguida, se vestia com rapidez.

— Pandora... você era virgem.

A jovem mordeu o lábio, sorriu e encarou-o sem nenhum constrangimento.

— Sim, eu era. – disse ela ajustando a túnica.

— Porque não me disse? – questionou Radamanthys, também se vestindo com pressa.

— E porque eu faria isso?

— Eu teria feito de outro jeito... Não tomei cuidado, fui bruto e devo tê-la machucado.

Pandora suspirou e revirou os olhos.

— Não seja bobo. Eu quis, exatamente como foi. Sempre imaginei como seria foder sem nenhum limite e sentindo o mesmo prazer que um homem sente.

Com o cenho franzido, o tribuno sorriu e balançou a cabeça. Valentine já estava à porta quando viu um dos servos vindo em sua direção.

— O que está acontecendo? – perguntou o soldado.

— O general Hades está chamando a todos, inclusive os soldados da Décima Segunda Legião. – respondeu o servo.

Chegando no exato momento em que a movimentação dos soldados mostrava o preparo para a formação de expedição, Minos franziu o cenho ao reconhecer Hades pronunciando ordens de comando. Apressou o passo para encontrar o olhar de seus homens e os de seu pai que o fitou com uma expressão fechada.

— Onde estava? – perguntou o general mais velho.

— Tratando de assuntos pessoais. Porque convocou os meus homens? – falou Minos enfrentando o olhar do pai com a mesma animosidade.

— Apenas ordenei que se mantivessem preparados para a sua chegada. Disse-me que iria caçar os rebeldes, ainda nesta manhã. Meus homens chegaram e estamos em prontidão para a batalha.

— Deixe-me vestir o elmo e saímos, imediatamente. – respondeu Minos.

Hades assentiu e sinalizou para Pandora, que já trazia consigo os mapas daquele lugar. Ao lê-los, marcou para si os locais mais propícios às emboscadas e fugas. Quando Minos retornou, ambos postaram-se frente aos seus homens e explicaram as táticas de combate.

Radamanthys ofereceu sua guarda pessoal para que acompanhassem os dois generais e sorriu discreto para Valentine que se mostrara grato pelo oferecimento. Para o soldado, a honra de batalhar junto de dois grandes generais era um presente inestimável e a atitude do tribuno o fez amá-lo, ainda mais.

Quando a única coisa visível era a poeira levantada pelos cascos dos cavalos, o tribuno recolheu-se, indo direto ao altar consagrado ao deus Marte e ali fez um sacrifício para que seus amigos tivessem sucesso, mesmo sabendo que o deus da guerra tinha apetite por sangue, independente de ser amigo ou inimigo...

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Albafica sentia-se diferente ao transpor o reluzente manto branco que cobria folhas e arbustos quando deixou Gleann Aon Tuairisceán antes do nascer do sol. Fitara o rosto adormecido de seu amado com um amor profundo e a certeza que seu coração pertenceria a ele por toda a eternidade. Quando o deixou, estava consciente e seguro de amá-lo, não importando o rumo dos acontecimentos.

Olhou para a fumaça espiralada que escapava das chaminés da aldeia dos Lopocares. A imagem de sua avó lhe sobreveio à mente, fazendo-o lembrar do ímpeto da matriarca e todas as suas tentativas de torná-lo um instrumento à serviço do clã. Então, como um raio, a compreensão atingiu-o com uma força inexplicável, fazendo-o experimentar o verdadeiro significado do seu papel no destino de todos.

Sabia o que fazer com uma clareza jamais sentida em seus vinte e um anos. Não era mais um menino, era um homem feito e, detinha em sua posição, a difícil tarefa de conduzir as questões de seu povo com retidão e sabedoria. Aquela era a sua terra e não a profanaria, sendo submisso, e aceitando o domínio pela fome e pela violência. Era o momento de fazer valer sua herança de sangue.

Inspirou fundo e dirigiu-se à pequena cabana cuja porta se abriu no instante em que desceu do cavalo. Um homem vestido num manto de lã marrom saudou-o e o convidou para entrar.

— Então, a que devo a honra da sua visita, meu senhor? Por favor, sente-se. – disse o homem mostrando uma cadeira forrada de pele animal.

O jovem druida sorriu, aceitando a hospitalidade.

— A honra é minha por ser recebido em sua casa. Chamo-me Albafica e pertenço ao clã dos Brigantes. Gostaria de falar-lhe sobre o futuro do nosso povo.

— Reconheci o bracelete, jovem druida. Eu me chamo Vougan, mas, não sei como posso ajudá-lo. Há muito tempo, meu clã foi dizimado pelos romanos, sobrou pouca gente, a maioria composta de mulheres e crianças. Os guerreiros que sobreviveram juntaram-se às tribos selvagens do norte.

— Eu sei. Mas, não estou à cata de guerreiros para uma rebelião. Estou procurando pessoas sem medo que possam acompanhar-me em uma negociação com os romanos.

O homem franziu o cenho, mostrando não entender o plano de Albafica.

— Perdoe-me a ignorância, mas como podemos negociar com quem nos domina a ferro e fogo?

Albafica sorriu.

— Eu explico. Mas, antes, diga-me, os Lopocares ainda fabricam as melhores espadas da Bretanha?

Um brilho de orgulho luziu nos olhos claros de Vougan.

— Sim, está olhando para um ferreiro, meu senhor.

— Possui uma espada que eu possa usar?

— Mas é claro! – respondeu o homem.

— Então, por favor, mostre-me.

Tomado pela excitação, o homem levou Albafica até o local da forja. Havia várias espadas esperando a finalização, mas uma chamou a atenção do jovem druida. Era uma espada longa, cujo punho parecia duas hastes entrelaçadas, culminando em um pomo arredondado, semelhante a um botão de rosa fechado.

— Quero esta.

Vougan levou as mãos aos cabelos, passando-as pela testa que exibia algumas gotículas de suor. A expressão alegre cedendo a outra que evidenciava frustração.

— Esta foi um erro, meu senhor. O tempo da têmpera passou e ela perdeu o fio. Não serve para matar.

Mais uma vez, Albafica sorriu.

— Pois para mim, ela é perfeita.

O ferreiro ficou confuso. Sabia que os druidas e seus aprendizes gostavam de falar por enigmas, mas aquele, em especial, o estava deixando inquieto e temeroso.

— Mas... Uma lâmina sem fio é como uma árvore que não produz frutos, meu senhor. Ela se torna inútil e até mesmo, perigosa.

Ignorando as palavras do ferreiro, Albafica continuou:

— Prepare-a para mim e mande chamar os homens e as mulheres das outras aldeias próximas. E, por favor, faça-o rápido, ainda hoje nos encontraremos com o nosso destino.

Vougan assentiu, sem compreender aquelas palavras. Em seu íntimo, se perguntava que espécie de poder possuía aquele jovem druida que o fazia obedecê-lo com gentileza e sorriso tímido.

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O primeiro encontro dos Pictos com as duas grandes legiões de Roma foi alardeado pelo som da trompa, instrumento que os romanos usavam para atacar e mover as tropas de forma estratégica. Combinados a ela, os cascos dos cavalos faziam tremer a terra e abriam caminho para o conflito eminente...

Conduzindo sua montaria, Minos ergueu a espada e liderou, junto com seu pai, o primeiro ataque ao pé da montanha. Algol descera com toda a sua força, abrindo caminho com a mesma ferocidade das outras vezes, tendo ao seu favor o conhecimento do lugar e a ajuda de outras tribos selvagens que se recusavam a aceitar o domínio romano.

No meio daquele caos, com flechas voando, espadas se chocando e cavalos empinando, Minos visualizou o picto e começou a abrir caminho na sua direção. Ele bloqueou o golpe de muitas espadas, porém a fumaça dos nichos de palha incendiados que eram arremessadas pelos pictos lhe irritava os olhos e as narinas, atrasando o seu avanço e obrigando-o a defender-se.

As duas legiões se arremessaram contra os pictos como se fossem abelhas letais, porém os selvagens tinham suas estratégias, explorando as possibilidades de avançar e recuar em um terreno que conheciam muito bem.

Algol combatia feroz e, mesmo se recuperando dos ferimentos recentes, conseguia abater vários soldados experientes apenas com a força selvagem de quem não temia a morte e nem ninguém. De vez em quando, seus olhos buscavam os de Minos em meio à batalha com um brilho assassino. Esperava com fervor o momento de aniquilar o general romano e de expor sua cabeça em uma lança.

Hades se incumbira de perseguir aqueles que recuavam, dando-lhes uma morte rápida e eficaz, sua tropa não deixava passar ninguém e era eficaz em destruir aríetes e outros instrumentos de guerra.

O som ensurdecedor do choque das armas ajudava a compor a cena trágica em meio à natureza do lugar. Golpes eram trocados com fúria, deixando um rastro de carne, sangue e morte. Os pictos lutavam bravamente, mas a experiência bélica das legiões romanas começava a estabelecer a sua primazia.

As estratégias romanas eram superiores, porque a liderança era obedecida sem questionar. Não era, apenas, uma questão de força e vontade. Era uma organização criada para vencer e aniquilar que se mostrava como um organismo vivo e centrado nas hierarquias de comando.

Já os pictos, apesar de escolher os homens mais bravos e fortes como líder, eram impetuosos e se deixavam inflamar pelo calor da batalha, desprezavam o cuidado consigo e lançavam-se com um destemor ensandecido que tanto podia matar com eficiência, quanto ser morto pela própria insensatez.

Dando uma olhada panorâmica pelo campo de batalha, Minos percebeu que as forças de Algol estavam se esgotando. Uma satisfação brilhou em seus olhos violáceos, era o momento em que cumpriria seu juramento de acabar com a vida daquele picto maldito, vingando a matriarca dos Brigantes e terminando com aquela revolta impertinente.

A trompa foi tocada e ele elevou a mão, ordenando o cerco final ao inimigo. No entanto, quando virou seu cavalo para concluir aquele embate, sentiu seu coração gelar e todo o seu corpo estremecer. Arregalando os olhos, viu aquele que mais amava surgir com uma tropa de homens e mulheres, postando-se ao lado do inimigo.

— Albafica... – murmurou sentindo o peito apertar e o coração esmigalhado pela evidente traição.

Notas finais
*Permita que a beleza que amamos seja o que fazemos. Existem centenas de maneiras de ajoelhar e beijar o chão... (frase retirada de um poema do poeta Rumi) ♥ Bom fim de semana a todos e, mais uma vez, obrigada pela presença, seja através de reviews ou presença silenciosa revelada pelos contadores. Vocês imprimem energia e vida à fic e me fazem feliz!