A ROSA CELTA

11 Capítulo 10 - NO LIMIAR DA DÚVIDA...


Notas iniciais
♥Olá, galerinha amada do bem!!!! Mais um capítulo neste pequeno feriado no meio da semana. E, como sempre, agradeço os comentários intensos, seja favoritando, seja a leitura silenciosa no celular. Tudo sempre é justo e perfeito e eu agradeço a presença especial de cada uma!

“Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
Forte, cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco
...”

A noite havia caído como um manto no esconderijo picto nas montanhas. Algol acordou, notando Aiacos ao seu lado e percebendo que ele estava nu. Estreitou os olhos, sabendo que não haviam feito nada devido ao seu ferimento, porém vê-lo assim, exposto, daquela forma, fez com que seus sentidos experimentassem um ligeiro tremor. A cena refletia o passado, quando o havia tomado como amante, apenas para satisfazer as necessidades do corpo.

— Por que está desse jeito? – perguntou ele, ao perceber que Aiacos acordava.

— Porque gosto de sentir o calor do seu corpo... – respondeu o jovem se aproximando.

O líder picto se deteve na superfície dura do peito e os mamilos escuros do jovem prostituto que mostravam excitação e engoliu em seco ao se deparar com o súbito ímpeto de baixar a cabeça e sugá-los como fizera muitas e muitas vezes...

Como se lesse a mente do amante, Aiacos aproximou-se ainda mais e antes que Algol pudesse abrir a boca para protestar, ele o puxou para si e o beijou mordiscando o lábio inferior e instando-o a abrir a boca.

Afaste-se! Gritou uma voz no fundo da mente de Algol. Ele não queria estreitar, ainda mais aquele vínculo, porém seu corpo ansiava por consolo, por prazer e ele entreabriu os lábios e mergulhou fundo com a língua, misturando a sua à de Aiacos. Entregando-se àquela boca tão conhecida e tão ardente, capaz de fazê-lo esquecer da dor, da traição e de Albafica que evanescia, cada vez que se entregava ao desejo e possuía Aiacos...

O beijo tornou-se voraz e profundo com Algol mergulhando os dedos nos cabelos sedosos de Aiacos, enquanto ele apertava o corpo junto ao seu e roçava o falo túrgido em sua virilha. As roupas do picto iam sendo arrancadas sob o toque forte de Aiacos que não deixava de envolvê-lo em seus braços fortes. Suas mãos passavam pela cintura, depois abarcavam as nádegas para levar Algol bem junto de sua ereção e provocá-lo.

Enquanto Algol fechava os olhos sob aquele ataque sensual e inesperado, Aiacos sugava a curva do pescoço do picto e depois descia até os mamilos enrijecidos, fazendo-o sentir o hálito quente em sua pele pulsante e varrendo qualquer tentativa de autocontrole do mais velho.

Entregue, o líder picto rendeu-se ao ataque experiente de Aiacos, estreitando aquele contato. Excitado, deslizou os dedos na pele firme das coxas, acima e ao redor até que suas mãos fortes abarcaram as nádegas, trazendo Aiacos para si. O jovem se afastou, fazendo o picto franzir o cenho. Porém, em seguida, levantou uma das pernas de Algol e a colocou sobre seu ombro, lambendo-o intimamente e tomando seu falo inteiro dentro da boca.

Exaurido de todas aquelas sensações de prazer e, também, do ferimento recente, Algol jogou a cabeça para trás e arqueou as costas, arfando rouco e apertando as peles do catre em desespero.

Aiacos o acariciava sensualmente, deixando seus dedos longos deslizarem pela parte interna da virilha, arrancando dele um gemido alto e longo. Então, como se estivesse liderando uma tortura prazerosa, introduziu a língua, naquela dança erótica, umedecendo sua entrada e fazendo-o contrair-se de prazer.

Não gostando daquele descontrole que experimentava, Algol ainda pôs as mãos nos ombros de Aiacos para afastá-lo, mas ele começou a sugá-lo e ele ficou com os joelhos trêmulos. Agarrou-se, então, à cabeça do mais novo e seus dedos se enroscaram nos cabelos escuros e sedosos, apertando-o junto a si, estimulando-o a continuar apesar de, em sua mente, gritar para que ele parasse.

Ele já percorrera aquele caminho antes e, muitas vezes. O resultado era sempre o mesmo, fome pelo corpo de Aiacos e a possessão feroz que começava a lançá-lo no pântano dos sentimentos sem controle.

Vencido, ele abriu mais as pernas e deixou que o jovem prostituto o levasse ao gozo e Aiacos o provou e saboreou, golpeando sua boca com a língua e deixando-o rijo, novamente. Então, o jovem conduziu o falo pulsante para dentro de si, deixando o picto envolto numa torrente de prazer que parecia não ter começo, nem fim.

Aiacos movia-se com força, cavalgando-o, o olhar carregado de luxúria, o suor escorrendo pela pele...

— Eu sou seu... – o jovem murmurou. – E serei para sempre. – completou antes de estremecer, indicando que estava quase gozando.

As palavras retumbaram na cabeça de Algol e ele experimentou, mais uma vez, aquela emoção nova que o fazia se entregar por completo, enquanto lançava a cabeça para trás gemendo alto e rouco ao sentir Aiacos tão quente e apertado, pulsando ao redor de seu membro.

Ambos arquearam o corpo, fundindo-se num erotismo veemente e inexorável. Todos os músculos do corpo de Algol ficaram tensos e ele elevou os quadris várias vezes, usufruindo do delicioso prazer de estar mergulhado dentro do corpo ardente de Aiacos tocando-o tão fundo que os gemidos de prazer se tornaram sólidos e palpáveis como o suor vertendo pelas peles em brasa...

Então o orgasmo veio, arrastando-os, envolvendo-os... Um grunhido gutural vindo de Algol integrou-se ao ofego soluçante de Aiacos e ambos caíram exaustos. Nenhum dos dois falou, apenas ficaram deitados, lado a lado e acalmando as respirações.

Aiacos sabia que Algol logo se afastaria, então fez menção de levantar e surpreendeu-se ao sentir a mão forte do picto em seu braço.

— O que foi? – perguntou ainda sentindo o coração disparado.

— Fique. – respondeu Algol e, sem dar tempo à Aiacos, o puxou de encontro ao corpo e o beijou.

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— Então, general Hades, o que o traz até mim?

A voz calma de Albafica pareceu ecoar pelo salão. Ficara surpreso com a exigência do general romano em vê-lo e decidira recebê-lo o mais breve possível. Não esperava mais romanos e a vinda daquele homem constituía um mistério que desejava desvendar.

Sentado, em uma cadeira de espaldar alto no salão, Albafica indicou duas cadeiras de madeira, as quais ofereceu às visitas.

Após analisá-lo de cima a baixo, Hades se sentou. Logo, a mesma serva que recebera a mensagem e a transmitira, trouxe uma refeição simples, constituída de hidromel e pão fresco. O general dispensou a hospitalidade e respondeu:

— Houve rumores que a situação aqui está fora de controle. Clãs rebeldes têm atacado de forma sistemática e num ambiente assim, alianças podem se tornar frágeis, ao ponto de serem rompidas. Venho aqui reinterar a posição de Roma e cuidar para que tudo retorne aos eixos.

Albafica estreitou os olhos e, ao contrário do general, serviu-se de pão e bebeu um copo de hidromel. Na verdade, não costumava beber e nem comer àquela hora, no entanto, percebera que o romano, apesar de parecer cansado e com fome, recusara a hospitalidade como precaução ou uma forma de demonstrar distanciamento entre dominador e dominado.

— Estranha-me que venha a mim, apesar da aliança de meu clã com os romanos. Se recusa minha hospitalidade. — o druida apontou para a bandeja com hidromel e pão fresco. — Como pode confiar no que vou dizer?

Pandora olhou para Hades e, em seguida, resolveu quebrar o silêncio.

— Apenas responda. É tão difícil assim?

— Cale-se, Pandora. – ordenou Hades.

Ela suspirou, obedeceu e olhou em volta. O salão não era amplo como uma construção romana, mas estava limpo, embora um pouco abafado. Tudo ali era diferente, desde a lareira até a cobertura um tanto baixa para os padrões aos quais estava acostumada. Havia um aroma de ervas aromáticas no ar e a luminosidade vinha de pequenas aberturas no teto, imprimindo ao ambiente um clima de mistério. Continuou em silêncio, após a ordem do general, mas sentia-se inquieta na presença do druida, como se ele pudesse observar-lhe a alma.

Hades tornou a observar o druida, agora com outro olhar e opinião. O jovem não era subserviente, embora o achasse belo, mas um tanto insípido, em um primeiro momento.

— Acabo de chegar à Bretanha e ainda não me familiarizei com os costumes. Portanto, expus logo o assunto que me trouxe aqui. Eu sempre coloco meu trabalho em primeiro lugar. – disse o general, sem, no entanto, se desculpar.

Colocando o copo sobre a mesa, Albafica encarou Hades no fundo dos olhos. Havia uma crueldade fria no olhar do general, assim como o lampejo autoritário com que os romanos costumavam tratar os outros povos. A imagem de Minos se impôs ante essa observação e Albafica tratou de manter o foco. Não seria de grande ajuda se deixasse seus sentimentos o desviarem do propósito. O general romano deixava claro que estava ali para coibir, ainda mais, os clãs celtas e isso significava perder mais direitos em sua própria terra. Sentiu a revolta quase fechar-lhe a garganta. Então usou da respiração lenta para acalmar-se.

— Compreendo. Então vamos direto ao assunto, temos um oficial romano tratando das revoltas e negociações. Quanto aos rumores, poderia dizer quem os levantou?

— O governador Públio enviou uma mensagem ao imperador.

Mantendo uma máscara de total indiferença, Albafica bebeu mais um gole de hidromel.

— O governador está morto e digo que sua mensagem foi um engano.

Foi a vez de Hades franzir o cenho.

— Como?

— Fomos informados pelo oficial Minos que ele sofreu um acidente, após beber demais. Não sei dos detalhes, somente que está morto e enterrado. Mesmo sendo ele uma autoridade em sua terra, alguém que não possui controle sobre seus vícios não pode ser levado em conta. Pelo menos, entre nós, a liderança exige postura adequada. Portanto, a palavra dele não pode ser considerada, não acha?

Pandora controlou-se para não falar, enquanto Hades escondia o desconforto com aquela notícia e também com as palavras cortantes do jovem druida.

— Vou reportar-me ao tribuno e ao oficial que está cuidando de tudo. Espero que este incidente com o governador não provoque situações de conflito. Minha tropa chegará dentro de dois dias e estabeleceremos novas bases de negociações. Esteja preparado.

— Digo o mesmo, general.

A tensão controlada pareceu aumentar. Ambos ficaram encarando um ao outro.

— Acho que não preciso lembrá-lo da situação em que se encontra. Sei que é um druida e, certamente, usará da sabedoria que lhe é atribuída para manter as coisas sob controle. Pois, só assim, preservará a liberdade e a vida dos seus. – disse Hades.

— Obviamente, as novas bases de negociação se constituem em velhas ameaças, sob o seu comando. Não é sabedoria que está exigindo e sim que aceitemos mais restrições em nossa terra. – respondeu Albafica com um tom de enfrentamento.

— Não estou entendendo o seu posicionamento.

— E eu, a imposição da sua presença.

— Minha presença tem outras atribuições, além de manter a ordem e estabelecer outros limites. E, uma delas, é fazer com que o oficial Minos se torne governador de Coria e sua regência encontre um ambiente livre de revoltas.

A máscara de frieza que Albafica colocara, caiu por terra. Minos, governador, em sua terra? Teria Bridget previsto tal coisa e, por isso, desejado que ele e Minos tivessem um relacionamento?

— Pois bem, creio que até onde podemos ir, já terminamos nossa conversa. – disse o jovem se levantando da cadeira para evitar que o romano percebesse o conflito despertado por aquela informação.

— Sim, terminamos. Por ora. – emendou Hades se levantando, junto com o jovem druida.

O general, junto com Pandora, encaminhou-se para a saída. No entanto, antes de deixar a casa, Hades voltou-se no mesmo instante em que Alanna adentrava o salão. Ela franziu o cenho, estranhando a presença daquele homem imponente e da mulher que o acompanhava, enquanto o general engolia em seco ao constatar a semelhança dela com a única mulher que lhe despertara amor.

— O que está acontecendo? – perguntou ela.

— Minhas saudações, senhora. Sou o general Hades, comandante da Terceira Legião e esta é Pandora, minha subordinada. – falou o general, controlando a tensão na voz.

— Saudações, general. Seja bem-vindo a nossa casa. Vejo que estava conversando com meu filho. – disse Alanna com um sorriso discreto.

Dominando a surpresa que tivera, para não ficar encarando a mulher, Hades fez uma breve saudação.

— Estamos de saída, senhora. Espero que nos vejamos em breve.

Alanna sentiu o olhar do romano sobre si. Embora breve, parecia que ele tinha visto um* taibhs. Ela assentiu com a cabeça e olhou para o filho que permanecia com uma expressão séria. Hades e Pandora deixaram a casa e tudo mergulhou em um absoluto silêncio, até Alanna quebrá-lo.

— A presença deste homem não me agrada. O que ele queria?

— Demonstrar seu poder, como todo o romano. – respondeu Albafica.

— Ele me olhou como se me conhecesse... Senti uma emoção forte vinda dele.

Albafica inspirou fundo, ficando algum tempo em silêncio. Então, segurando a mão de sua mãe entre as suas, fitou-a com seriedade e disse:

— Eu tomei uma decisão, mas preciso do seu apoio.

— E que decisão é essa?

— Mostrar aos romanos que uma aliança deve servir aos dois lados.

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A visão das chamas altas fez Minos bater com os calcanhares na barriga de seu cavalo e ordenar o avanço de seus comandados com mais rapidez. Uma coluna preta de fumaça espiralava da torre e se ouviam os gritos dos soldados.

A luz dourada do entardecer ia cedendo à chegada da noite e tudo ficava mais difícil de enxergar, porém o oficial romano constatou que o ataque fora violento.

Tão logo atravessaram os portões do forte, Minos e sua tropa trataram de ajudar os feridos e a apagar os focos de incêndio. A chegada da Fulminatta foi um alívio e elevou o ânimo dos soldados que haviam enfrentado a morte.

— Salve, oficial Minos! Fomos atacados ao amanhecer. – informou o centurião em comando. – O que nos salvou foi que a maioria estava patrulhando e quando retornaram, contra-atacaram os selvagens rebeldes.

Minos encarou-o, o homem tinha as mãos sujas de fuligem, o rosto exibia um corte cujo sangue já estava seco.

— Conte como aconteceu.

— Foi tudo muito rápido, os selvagens se atiraram sobre nós como se fossem insetos. Eram muitas flechas incendiárias e diversos aríetes, mas não conseguiram invadir. Assim mesmo perdemos seis homens.

— Mais alguma coisa a acrescentar? Sabe qual tribo atacou?

— Tem um detalhe curioso, eles não eram todos iguais, pareciam... misturados. Uns estavam nus com o corpo todo pintado, mas outros usavam roupas. Eu tive a sensação que eles...Bem, eles estavam testando uma manobra.

Intrigado, Minos tomou uma das espadas dos selvagens e avaliou a lâmina e o punho. Não era uma espada qualquer, possuía um bom fio e o punho possuía figuras estranhas entalhadas em bronze. Era um trabalho bem feito e cuidadoso.

— Misturados, você disse...

— Sim, senhor.

Minos chamou um decurião e lhe mostrou a espada. O homem já estava há muitos anos na Bretanha e conhecia as armas dos celtas muito bem.

— Sabe a que tribo esta pertence? – indagou.

— Sim, senhor. Pertence aos Lopocares.

Lopocares? O oficial romano franziu o cenho.

— Tem certeza?

— Sim, senhor. Os forjadores deste clã são poucos e muito habilidosos.

— Dispensado. – disse Minos com ar grave.

Assim que o decurião deu-lhe as costas, Minos foi até seus homens com a cabeça fervilhando. Os Lopocares eram um pequeno ramo do clã dos Brigantes e, ter uma de suas armas nas mãos dos selvagens do norte podia ser uma espada roubada ou o que ele temia, a possibilidade de rompimento da aliança do clã com Roma.

— Vamos fortificar os muros. Praxíteles monte uma milícia. Após o trabalho, vamos até a aldeia dos Lopocares!

— Sim, senhor!

Logo, tudo foi entrando nos eixos... Os soldados do forte faziam comentários picantes e maliciosos, tentando amenizar os horrores da batalha, confiantes que, com a presença da Décima Segunda legião, os selvagens seriam exterminados. Minos riu, junto com eles, embora estivesse preocupado. De repente, um mensageiro foi avistado.

— Mensagem para o oficial Minos! – ouviu o homem gritar.

— Fale homem. – disse ele se afastando do pequeno grupo.

O mensageiro estava vermelho e suado. Em mãos trazia um pergaminho com o selo de Radamanthys.

— Da parte do tribuno, senhor.

Minos tomou o objeto nas mãos, abriu-o e franziu o cenho.

O governador Públio, antes de sofrer aquele terrível acidente, enviou uma mensagem ao imperador que dizia estarmos em dificuldade com os revoltosos. Isso resultou no envio de um oficial lendário para cá, a fim de verificar a veracidade de tal informação e também com autorização para agir de forma implacável. Esse oficial é o general Hades. Achei que gostaria de saber.

Atenciosamente,

Radamanthys.

A realidade ao redor pareceu estancar, mesmo com a movimentação incessante dos soldados. Aquela informação viera impregnada de um poder invisível, capaz de mexer com o seu autocontrole. Hades, seu pai, o homem que o deixara em Esparta e nunca mais lhe enviara qualquer notícia, estava na Bretanha.

— Vamos até a aldeia dos Lopocares! – ordenou Minos, guardando o pergaminho.

— O que devo dizer ao tribuno, senhor? – questionou o mensageiro.

— Diga-lhe que a mensagem foi recebida.

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Os últimos raios de sol ultrapassavam a barreira da copa densa das árvores e filetes de sombras projetavam-se sobre o tapete dourado das folhas secas à margem de um córrego. A paisagem luxuriante parecia pulsar, no entanto, o silêncio reinava quase absoluto.

Algo estava errado. Sua vasta experiência em batalha desenvolvera seus sentidos, de modo que, até mesmo daquela distância, podia sentir a densidade no ar. Seus instintos de guerreiro sempre se manifestavam, livrando-o das surpresas e perigos. Apenas com um olhar incisivo, Hades fez sinal para Pandora se afastar da água cristalina. A jovem assentiu tocando no punho da espada.

Não demorou muito cinco homens saltaram sobre os dois empunhando espadas e facões para uma feroz luta corpo a corpo. Hades emparelhou o seu cavalo com o de Pandora, ambos formando uma barreira de enfrentamento até se separarem para enfrentar o inimigo.

Um dos atacantes atirou uma lança na direção do general atingindo-o de raspão no ombro esquerdo e lhe arrancando sangue. Porém, o homem não ficou para lutar, embrenhou-se por entre as árvores e saiu em disparada. Hades girou o cavalo, mas não o seguiu. Em vez disso, tomou a adaga e a lançou de forma certeira, sem pensar, nem hesitar. O homem caiu, enquanto os outros cercavam Pandora. A jovem lutava forte, derrubando o oponente, enquanto Hades se juntava a ela.

Mesmo ocupados com aquela luta, ambos ouviram o farfalhar de folhas e a revoada nervosa dos pássaros. O estrondo no chão sob seus pés não era um bom sinal.

Então, os cavalos estavam sobre eles e Pandora viu um homem com a pele coberta por uma tinta azul-escura. A visão daquele selvagem inflamou-lhe os ânimos, fazendo-a brandir a espada sobre a cabeça e, embora Marte fosse o deus invocado por todo o soldado, ela pediu forças à Minerva e lançou-se sobre os inimigos.

Intrigado pela pequena nuvem de poeira há alguns metros à frente, Minos percebeu que havia uma movimentação suspeita e chegou a ouvir o som de metal contra metal. Logo, compreendeu que alguém estava lutando.

— Atenção, tropa! Avançar! – gritou ele e logo foi obedecido.

Ao sentir a aproximação de mais romanos, o grupo que atacava Hades e Pandora resolveu bater e retirada. Como conheciam cada canto daquelas terras, era fácil embrenhar-se por entre as florestas e montanhas e sumir como se nunca tivessem estado ali.

Hades encarou o oficial de cabelos prateados que se aproximava, fixando o olhar na insígnia em ouro mostrando o posto e a legião. Reconheceu, de imediato. A Fulminatta, Legião comandada por Minos de Griffon, seu filho.

Mesmo sem ter tido o pai ao seu lado por quase toda a sua vida, Minos sabia que estava diante dele. A única lembrança que tinha de Hades eram os olhos. Azuis, frios e totalmente isentos de emoção, aqueles olhos não haviam mudado... Você ficará aqui até completar a idade exigida para o serviço militar. Ouça, obedeça e aprenda. Seja um homem do qual Roma possa se orgulhar. Não houve abraços ou, até mesmo, um adeus. Hades lhe dera as costas sem olhar para trás, como se ele fosse uma espada ou escudo a ser fundido para ser usado, mais tarde.

Pandora olhou Minos de cima a baixo, antes de juntar-se à Hades e esperar a atitude do general.

— Precisa de cuidados médicos? – perguntou Minos.

Até aquele instante, Hades não considerara o próprio ferimento. Examinou o ombro atingido e sentiu uma dormência no braço. No entanto, como o líder que era, respondeu:

— Foi apenas de raspão. Saudações, general Minos. – respondeu sem desviar os olhos do filho.

— Saudações, general Hades. – disse o oficial. – É uma surpresa tê-lo aqui.

Sem demonstrar nenhuma emoção, ambos se encararam por alguns instantes, até Pandora quebrar o silêncio.

— Vocês dois nem parecem pai e filho.

Tanto Hades, quanto Minos ignoraram a fala de Pandora, porém havia verdade naquelas palavras.

— Quem é ela? – perguntou Minos.

— Esta é Pandora, eu a encontrei nos braços da mãe morta no campo de batalha.

Um sorrisinho irônico brincou nos lábios de Minos.

— Ela tem razão, quem nos ver juntos, dificilmente achará que temos algum laço. Mas, vocês dois se parecem. Bem, sejam bem-vindos à Bretanha.

Hades assentiu e Pandora sorriu.

— Atenção, tropa, este é o general Hades! – gritou Minos e todos os soldados o saudaram. — Peguem o corpo do morto e o pendurem em alguma árvore! Depois, marchamos de volta à cidade. Fiquem atentos a qualquer movimentação! – ordenou.

O cair da noite os alcançou, enquanto retornavam. Havia um clima entre eles, mas, mesmo assim, ambos mantinham uma expressão neutra e distanciada. Porém, quando viu uma montaria veloz descendo a colina e reconheceu quem estava nela, Minos estancou. Hades percebeu o movimento e a ação do filho, assim como reconheceu o jovem druida mesmo àquela distância.

— Quando cheguei estive na casa deste rapaz. – disse o general. – Ele é uma espécie de líder do clã e não me parece fácil de lidar.

Minos franziu o cenho.

— Por que o procurou?

— Tenho ordens específicas do imperador.

— E que ordens são essas?

— Aniquilar os rebeldes e possibilitar que você se torne governador de Coria.

— Quando Nero me ofereceu este cargo, não era compulsório. – falou Minos.

— O imperador conta com a sua força e determinação. Públio andou envenenando-o com suspeitas e ele enviou-me. Vou cuidar destes rebeldes quando minha tropa chegar, daqui a dois dias. Até lá, quero conhecer melhor os líderes de clãs e deixar bem claro a posição deles aqui.

— Eu já estabeleci uma aliança com o clã dos Brigantes.

— Hummm... Então conhece o druida. Ele foi desrespeitoso com o general Hades. – falou Pandora.

O olhar de Minos recaiu sobre o rosto da jovem guerreira.

— Deixem os Brigantes por minha conta. Essa é a minha função aqui.

Sentindo a resistência do filho, Hades encarou-o.

— Você parece bastante envolvido com estes selvagens.

A resposta de Minos veio com uma carga agressiva que ele tentou disfarçar, mas sem muito êxito.

— Acabou de chegar, general Hades. Pode ter as suas suposições, mas elas são somente isso, suposições. Não me conhece e não sou mais o menino que foi despachado para Esparta e deixado com um avô desconhecido. Vim à Bretanha para garantir a aliança com Roma e o farei.

— Você é um servidor de Roma e fará a vontade do imperador. Parece que a convivência com estes selvagens o contaminou.

Desta vez, Minos não respondeu. Apenas bateu com os calcanhares na barriga do seu cavalo e retornou à frente de sua tropa. Em sua mente, todos os acontecimentos do dia fervilhavam pedindo soluções que lhe escapavam ao controle e isso o enfurecia. Não podia enfrentar Hades e favorecer o clã de Albafica, era loucura e, pior que isso, um ato de traição! Então, o que faria?Talvez se aceitasse o cargo, pudesse convencer Nero a confiar em sua capacidade de negociação e ordenar a volta de Hades. No entanto, algo lhe dizia que o pai recebera outras instruções. Instruções de um governante que tinha prazer em tocar sua lira, enquanto sacrificava homens e mulheres nas arenas como diversão. Estava ficando louco mesmo, já que, desde a sua chegada à Bretanha, se sentia questionando as estruturas de Roma e também seus líderes com sede de sangue... E pior que os questionamentos, sabia que custasse o que custasse, não permitiria que Albafica fosse ferido, Jamais!

Notas finais
♥Trecho que abre o capítulo é da música :Daniel na Cova dos Leões Legião Urbana **** taibhs = fantasma ♥Espero vocês no próximo capítulo!! Bjs, obrigada por me acompanhar e bom final de semana (que ficou mais curta com este feriado) !!!