A ROSA CELTA

8 Capitulo 7 - AMOR, SANGUE E RENDIÇÃO...


Notas iniciais
♥ Obrigada, Lichan pelo teu carinho. Saber que tenho a tua admiração é um presente e uma benção!! Este capítulo é para ti!!! ♥ Amadas e amados, valorizo muito o carinho de vocês!! Obrigada pelos comentários, pela presença e estímulo em minha vida! Espero que gostem do capítulo!!! Boa semana!

Minos retesou os músculos, sentindo suas entranhas se retorcerem perante aquele olhar. Era um homem pragmático, consciente de sua força e de sua capacidade. Já havia presenciado situações peculiares em outras culturas, como as difíceis provas de sacrifício nos cultos de Mitra, o deus persa que conquistara muitos legionários romanos ou até mesmo os necromantes gregos capazes de prever o futuro nas entranhas de animais. Mas, o que acontecera quando invadira o acampamento dos pictos fora sobrenatural. A visão da jaula queimando e de Bridget, altiva, falando sem mover os lábios, o olhar e a voz dela penetrando em sua mente de um modo que jamais seria esquecido...

Ele fora na direção da jaula para salvá-la, mas estancou quando ouviu-a ordenar dentro da sua mente, apontando para a tenda: Salve meu neto, proteja-o e me deixe ir. Os deuses me chamam, não há mais tempo para mim aqui.

Sendo um guerreiro treinado, disciplinado e adaptado às regras militares, ele deveria ter ignorado a ordem, pois salvar Albafica significava deixar Algol escapar e foi o que acabou acontecendo. A escolha de proteger o jovem druida em detrimento de sua obrigação como oficial comandante foi um ato de loucura. Talvez estivesse louco e, em sua fantasia, criara aquela ilusão para justificar o desejo que sentia por aquele homem. A verdade era que sempre criticara aqueles que se deixavam levar pelas paixões, sacrificando tudo por causa de um amante ou do poder e agora via a si próprio fazendo o mesmo, sem hesitar.

— Autopiedade não combina com alguém na sua posição. – falou tentando exorcizar os próprios pensamentos. – Eu não sei que tipo de feitiçaria é essa, mas sua avó... ela...falou comigo, eu a ouvi dentro da minha cabeça. Ela escolheu proteger você e foi o que eu fiz. Mas pode ter certeza que eu vou encontrar Algol e vou matá-lo pelo que ele fez.

Albafica surpreendeu-se com a revelação do oficial romano, embora em seu íntimo pensasse que até no fim, sua avó acreditava que protegendo-o, seu clã teria um trunfo para ser usado contra os romanos... Ela esperava que houvesse algo entre mim e este homem. Mesmo no fim, ela apostou nessa loucura!

— Matar Algol não terminará com este ciclo de sangue e morte. – disse o jovem druida.

— E você espera que eu faça o quê? Dê um prêmio a ele por matar a sua vó?

— Eu não espero nada de você, romano, nada além do que está acostumado a fazer.

Os olhos de Minos, de um violeta feroz, faiscaram com uma profusão de sentimentos conflituosos e misturados entre si. Odiava ser chamado de romano com aquela frieza e odiava ainda mais saber que Algol significava algo na vida do jovem druida ao ponto de ele defendê-lo, apesar de tudo! Ele olhou Albafica diretamente nos olhos e, em seguida, se aproximou de modo que o jovem pudesse sentir o calor do corpo forte.

— Por acaso, você sente algo por aquele selvagem? Porque somente isso justificaria essa sua reticência descabida com alguém que fez mal a alguém da sua família!

— Quer mesmo saber? – desafiou Albafica.

O oficial romano sentiu a ira subir-lhe como um violento calor pelo rosto. Mas antes que ele se pronunciasse, um de seus soldados entrou correndo:

— Oficial, os selvagens voltaram e cercaram o perímetro!

Ainda que estivesse desestabilizado pela fala de Albafica, Minos centrou-se na informação dada pelo soldado e sua mente traçou uma rápida estratégia. Não esperava aquilo e não podia errar, novamente. Ignorou Albafica e olhou para Breno que permanecia na tenda em silêncio e ignorado.

— Você conhece bem esta região, deve existir alguma rota que possa ser usada para a fuga. Saia daqui e leve seu amigo. — disse com voz fria.

Em seguida, tornando a olhar para Albafica, os olhos violáceos como gemas incandescentes.

— Tem razão, druida, sou um romano e estou acostumado a cumprir o meu dever. Algol é um homem condenado e eu vou ter um imenso prazer em matá-lo!

Ditas as palavras, não esperou resposta e acompanhou o soldado. Lá fora, viu as silhuetas formando fileiras ao redor. Os soldados já estavam em prontidão.

— Formação de defesa! Infantaria, escudos prontos para manobra tartaruga! Arqueiros, posição de ataque! Centurião mantenha as fileiras prontas para manobra estelar ao meu comando!

Nem bem a ordem foi dada, uma saraivada de flechas e pedras caiu sobre a patrulha, acompanhada por gritos ensurdecedores de guerra.

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Públio despertou com uma terrível dor de cabeça que o deixava enjoado e de péssimo humor. Despiu a túnica de linho e rumou para as termas. Precisava dos efeitos terapêuticos das águas geladas do frigidarium.

Ao retornar do banho, tremia de frio, mas a dor de cabeça tinha arrefecido. Era o momento de enfrentar a realidade.

— Bom dia, governador! Venha desfrutar do desjejum. – falou Radamanthys ao vê-lo em pé à porta.

— Bom dia, tribuno. Gostaria de conversar sobre o jovem druida.

Radamanthys manteve uma expressão neutra. Como todos os filhos dos nobres romanos, ele servira ao exército antes de assumir um posto como senador e agora, ali estava, mediando os interesses de Roma com os dos celtas. A presença de Públio viera mexer com o delicado equilíbrio construído até então.

— Se me permite, governador, acho que devemos esquecer este incidente e...

— Albafica é filho do meu sobrinho e, portanto, tem o sangue da família.

E o senhor, como o pervertido que é, tentou abusar dele. Que linda família... Pensou Radamanthys enquanto sorria falsamente.

— Creio que este detalhe deve permanecer em segredo, governador. Todos aqui sabem que seu sobrinho violentou uma jovem nobre, ou seja, Albafica é fruto de um estupro e, portanto, um bastardo. Não seria apropriado à sua imagem, ter este fato agregado a sua história pessoal.

O olhar de Públio fixou-se no de Radamanthys. Não fosse o tribuno um militar treinado, teria ficado constrangido pela fúria que viu naqueles olhos azuis acinzentados. Entretanto, Radamanthys era um homem destemido, apesar do cargo burocrático e Públio, a seu ver, era fraco e desprezível.

— Eu decido o que é apropriado a minha imagem, tribuno.

— Como queira, governador. Mas, como homem experiente que é sabe que nestes tempos de intrigas e traições, fofocas maledicentes atravessam continentes com a rapidez dos ventos causando reviravoltas e quedas. Se, ainda assim, o senhor deseja arriscar... – falou o tribuno sorvendo um gole de vinho.

Públio hesitou, como se as palavras do tribuno o tivessem atingido como um soco. Radamanthys fez a leitura da expressão do rosto do governador e sorriu, interiormente. A fragilidade daquele cretino era impressionante, assim como a sua covardia.

— Aceita uma taça de vinho? – perguntou o tribuno de forma casual, como se não tivesse dito nada importante.

Com um suspiro, Públio aceitou a oferta e bebeu. Pensaria naquilo, depois.

Quando o governador já estava na terceira taça, uma escrava entrou com os olhos arregalados e dirigiu-se a Radamanthys:

— Senhor! – disse ela. – Tem um jovem desejando falar-lhe e disse que é urgente.

Breno entrou ofegante e cheio de escoriações pelo corpo. Andara pelo interior da floresta densa, ferindo-se nos espinheiros, ignorando a dor até encontrar um cavalo e cavalgar horas a fio sem nenhuma parada. Albafica se recusara a segui-lo e estava com um olhar estranho quando ordenou que obedecesse a ordem de Minos e fugisse. Mandou, também, que buscasse alguma ajuda para aquele conflito catastrófico e ele obedeceu.

— O que aconteceu? – perguntou o tribuno ao jovem esbaforido.

— Os pictos mataram a matriarca dos Brigantes e cercaram a patrulha do oficial Minos.

O simples mencionar daquela informação fez Públio imbuir-se de esperanças. Se Bridget estava morta, isso significava que poderia intervir na situação de modo que Albafica ficasse sob a sua proteção.

Radamanthys franziu o cenho e olhou para Públio que parecia satisfeito, embora tentasse manter uma expressão austera.

— Bem, vá chamar Rugonis e diga-lhe que preciso dele aqui e agora.

Breno obedeceu e Públio levantou-se com o peito inflado.

— Precisamos dar uma lição nestes rebeldes!

— Minos dará conta disso.

— O oficial Minos me parece confiante em demasia. – falou o governador.

— Ele é o líder da Fulminatta e foi condecorado pelo próprio Nero. Creio que ele não só pode, como deve ser confiante. – rebateu o tribuno.

— Você o defende com fervor...

— Ele é meu amigo e um excelente comandante. Tive a honra de lutar com ele, anos atrás e creia, ela sabe como liderar. É um dos oficiais cuja legião tem menores baixas.

— Bem, veremos como ele se sai com estes selvagens. Mas, que fique claro que se ele não conseguir proteger Albafica, eu mesmo recomendarei a sua baixa!

Radamanthys teve vontade de enfiar a cabeça do governador em uma das latrinas na casa, mas, ao invés disso, sorriu educadamente.

— Com sua licença, governador vou reunir uma tropa para ir em auxílio do oficial Minos.

— Tem toda. – disse Públio enchendo mais um cálice de vinho e sentindo-se renovado.

Quando Rugonis chegou, Radamanthys já estava devidamente vestido. Seu elmo de bronze, tanto tempo aposentado, não brilhava como antes, mas estava intacto e polido. O manto escarlate conferia autoridade e a espada fora mantida afiada e pronta para o uso.

— Precisamos chegar até eles de forma rápida. Certamente você conhece caminhos alternativos, não? – perguntou ele ao mestre celta.

— Sim, senhor.

— Então faça um mapa para mim. – disse o tribuno e, deu-se conta que, apesar da tensão do momento, sentia-se mais vivo que nunca.

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As silhuetas se moviam, rapidamente, em um grupo compacto de homens que gritavam como animais selvagens, criando um eco estranho por todo o lugar.

Após a saraivada de pedras e flechas que foram rechaçadas pelos romanos, os pictos e seus aliados iniciaram uma luta feroz e sanguinária. Alguns soldados romanos avançaram e foram massacrados por homens altos e vigorosos cujos rostos e corpos pintados se destacavam em meio à carnificina.

Minos golpeava impiedosamente e incitava seus comandados a fazer o mesmo. Estavam em desvantagem numérica, mas possuíam estratégias de defesa, enquanto os pictos apostavam mais na força e surpresa, lançando-se de forma destemida e, muitas vezes, quase suicida.

— Não recuem! Continuem no ataque! – gritou o oficial romano enfiando a espada em mais um picto.

De súbito, um guerreiro destacou-se entre aquele caos, abrindo caminho entre os combatentes e deixando um rastro de sangue atrás de si. Ele cavalgava com perícia e seus olhos claros e ferozes estavam vidrados em Minos.

— Agora vou cumprir minha promessa, romano! – disse Algol.

Por alguns segundos, os dois ficaram frente, ambos com fúria e medindo forças. O ódio que ambos nutriam, um pelo outro, fazia parecer que não havia mais nada ao redor. Com um grito, Algol deu o primeiro passo. Tendo a espada em uma mão e uma lança na outra, ele avançou tentando atingir o peito de Minos. O oficial defendeu-se e desviou o flanco esquerdo da lança que passou raspando e, de imediato, contra-atacou, percebendo a habilidade do picto e isso o estimulou ainda mais na intenção de matá-lo.

Algol era forte e continuava atacando, assegurando certa vantagem por manejar duas armas, enquanto Minos só tinha sua espada. Entretanto, o oficial romano possuía a habilidade de manobrar seu cavalo de forma a proteger-se e atacar com rapidez. E foi em uma destas manobras que ele desviou do forte golpe de Algol e contra-atacou, surpreendendo o líder picto. A lâmina afiada de sua espada penetrou o ombro esquerdo de Algol, cortando a carne e chegando ao osso. O sangue esguichou forte, enquanto o braço do picto perdia a mobilidade. Mas, apesar do ferimento profundo, Algol deixou cair a lança e continuou a usar a espada com o braço direito. O ódio que sentia lhe servia de estímulo e ele não se deixou abater.

Nesse momento, os dois foram cercados por um grupo de combatentes que também travavam uma luta feroz e isso os distanciou, obrigando-os a lutar com outros inimigos. Minos praguejou, tentando se aproximar, novamente, de Algol e acabar o serviço, quando percebeu que entre outro grupo distante de homens, estava Albafica e ele estava lutando no chão ao lado dos soldados da infantaria.

O Picto também percebeu que Albafica lutava, aliado ao inimigo, e sentiu uma fúria ainda maior. Desvencilhou-se do soldado romano que o atacava e cego pela ira, galopou na direção do jovem druida, exigindo o máximo do seu cavalo e de si mesmo. Ao mesmo tempo, Minos fez igual e lançou-se na direção dos dois sem prestar atenção a mais nada. Espadas e lanças tentaram impedi-lo, mas ele continuava como se estivesse possuído pelo próprio deus da guerra. Um arqueiro picto disparou uma flecha que passou zunindo pelo seu flanco direito sem sucesso em detê-lo. Em sua mente, uma única intenção, proteger Albafica a qualquer custo.

— Albafica! – gritou ele, mesmo sabendo que não seria ouvido.

O jovem druida fora bem instruído no manejo da espada e, embora jamais tivesse combatido, estava se saindo bem. Seu primeiro golpe de defesa o livrara de perder a cabeça e o contra-ataque atingira o inimigo no abdômen e o fizera cair do cavalo. Ao ver o corpo do guerreiro rolar pelo chão, ele hesitou um pouco, sentindo a morte daquele homem, um celta como ele. Ninguém podia imaginar a dor atroz que ele sentira ao matar, no entanto, estava feito e nada podia mudar este fato. Virando-se, viu que Algol vinha em seu encalço e logo percebeu que Minos estava bem atrás dele. Um dos soldados romanos puxou-o, mandando-o correr em direção à floresta, porém ele não obedeceu, permaneceu em guarda, olhando para os dois homens que possuíam diferentes significados em sua vida.

O ruído das patas dos cavalos pareciam, exageradamente, alto sobre o cascalho e tudo ocorria de forma vertiginosa, enquanto os dois vinham na sua direção. Foi então que o som de mais patas encheu o ar e eis que a patrulha liderada por Radamanthys chegou dispersando o grupo celta e mudando o cenário da luta.

Algol percebeu a desvantagem e fez uma manobra evasiva, desistindo de chegar até Albafica e sendo ajudado, mais uma vez, por guerreiros que se aproximaram atacando-o e interrompendo o seu movimento de chegar junto do jovem druida. O oficial lutou contra os dois com a mesma feracidade e força até sobrar, somente, ele e Albafica. Os dois se olharam e o oficial sentiu um alívio ao ver que o sangue que cobria as vestes de Albafica era do inimigo e não dele.

— Algol fugiu. – disse o jovem.

— Eu sei e, pela segunda vez, permiti que acontecesse. Mas... – Minos fez uma pausa antes de continuar. — Não me arrependo de tê-lo feito, pois sua segurança vem em primeiro lugar.

Albafica sentiu o rosto quente, não sabia o que responder. Porém, Minos não esperou resposta, após ter se certificado que tudo estava bem lhe deu as costas foi até Radamanthys.

— Não esperava um reforço tão bem-vindo. – disse ele saudando o amigo.

— Pelo que vejo, não houve muitas baixas do nosso lado. – falou Radamanthys.

— Eles nos surpreenderam, mas não levaram a melhor. – disse Minos olhando os diversos corpos dilacerados espalhados pelo chão.

— E Albafica? – perguntou o tribuno.

— Ele está bem e me surpreendeu lutando do nosso lado. – respondeu Minos sem conseguir esconder a satisfação.

Radamanthys franziu o cenho, vendo que o jovem druida, agora andava pelo lugar e se abaixava ao lado dos corpos, murmurando algo. Ele já havia condicionado os restos mortais da avó para levar de volta para casa e o tribuno notou que ele parecia bastante abatido, porém mantinha a altivez e compaixão não deixando nenhum morto, celta ou romano, sem aquela espécie de benção fúnebre.

— Esse jovem, agora, está por sua própria conta o que o coloca, novamente, nas mãos do governador que, aliás, quer oferecer-se como protetor e parente. – disse o tribuno.

A linha entre as sobrancelhas de Minos se aprofundou de um modo feroz fazendo Radamanthys perscrutar o rosto severo.

— Eu disse alguma coisa que o ofendeu?

O oficial não se dera conta da expressão em seu rosto, apenas reagira de forma instintiva. Definitivamente, precisava tomar uma atitude e rápido ou Públio desgraçaria a vida de Albafica. Deixara Algol fugir duas vezes. Agora, era prioridade encontrá-lo, matá-lo e fazê-lo de exemplo. Depois disso, poderia abrir mão do comando e tornar-se governador de Coria...

— Não, claro que não. – respondeu, ríspido.

— Pois me pareceu que sim. E se quer a minha opinião, seu interesse por este jovem é visível, meu caro. Vai ter que esclarecer isso para si mesmo, antes que acabe se complicando.

Ainda com ferocidade no olhar, Minos rebateu tentando acabar com aquele assunto.

— Agradeço o apoio, Radamanthys, mas agora não é momento para conversas. Precisamos sair daqui.

O tribuno assentiu e o resto do dia foi tenso e difícil. Os feridos tinham um longo caminho a percorrer e já estava anoitecendo. Havia uma aldeia no caminho e foi lá que a tropa parou para descansar e tratar dos feridos. O líder do lugar conhecia Albafica e os recebeu com relativa alegria.

— Albafica dos Brigantes! Como está a sua família?

A pergunta já era esperada e o jovem druida relatou os acontecimentos. O homem ficou sério, em seguida tocou no ombro de Albafica.

Chomhbhrón in iúl, go Epona a choinneáil ina réimsí.(Meus pêsames, que Epona a guarde em seus campos).

O jovem agradeceu e sentiu o coração disparar quando Minos veio em sua direção. Notou que ele tinha parte da túnica rasgada e suja de sangue.

— Pernoitaremos aqui para cuidar dos feridos e dos cavalos. Obrigado pela ajuda. Ao lutar do nosso lado, mostra que seu clã ainda é aliado de Roma e isso evita mais problemas e desastres. – disse o oficial.

— Também agradeço por tudo o que tem feito por mim. – respondeu Albafica.

Minos franziu o cenho e sorriu.

— Pela primeira vez estamos conseguindo estabelecer uma conversa civilizada.

Sentindo um rubor incômodo, Albafica também sorriu.

— Verdade. Feriu-se? – falou o jovem apontando o tecido da túnica de Minos.

— Nada sério, apenas um arranhão, mas se quiser dar uma olhada... — brincou, malicioso.

O líder da pequena aldeia, chamado Brayan interrompeu a conversa convidando-os para jantar, algo simples, mas com muita bebida e comida para aqueles homens desgastados pelo combate.

Mais tarde, quando todos estavam saciados e exaustos, Albafica, Minos e Radamanthys foram instalados em um casebre cedido pelos habitantes da aldeia. O tribuno resolveu deixar os dois sozinhos e voltou para junto dos soldados. Queria ouvir as piadas obscenas, beber e ficar ao ar livre enquanto ainda podia. Além disso, sentia que devia ao seu amigo uma oportunidade de saber mais sobre os seus sentimentos.

Na penumbra da cabana, Minos acendeu o fogo, imprimindo mais calor ao ambiente. Sentado próximo à janela, Albafica olhava o céu.

— Tome, beba um pouco. – disse o oficial romano lhe estendendo uma caneca que continha vinho misturado com especiarias e ervas calmantes.

Albafica o olhou e, em seguida para a caneca.

— Não costumo beber, mas obrigado. – disse ele.

— É um preparado que uma das mulheres da aldeia fez. Vai ajudá-lo a relaxar.

Um sorriso escapou dos lábios do jovem druida.

— Esquece que sou experiente nisso, pelo menos. Sou eu quem prepara essas infusões.

— Eu sei, mas pelo menos uma vez na vida, se permita ser cuidado. Sofreu perdas e teve de matar. Estas duas coisas separadas já são difíceis. Juntas, deixam marcas profundas. Você tem nobreza e bravura, além de uma beleza que poria qualquer imperador de joelhos. Essa é a sua natureza e não a violência e a morte.

Albafica não soube se foi o tom, o olhar, as palavras ou o conjunto todo que tocou o seu coração. Ele aceitou a caneca e bebeu um pequeno gole. Não havia animosidade, medo ou aquela sensação incômoda de não saber o que fazer diante do que sentia. Os olhos dele se fundiram com os do oficial romano e o fulgor apaixonado que viu neles provocou-lhe uma onda de desejo e necessidade.

— Obrigado... – disse baixo e largou a caneca sobre a mesa de madeira.

Minos se aproximou e Albafica se levantou como se estivesse ligado a ele. Os rostos ficaram no mesmo nível e o romano olhou fundo nos olhos do jovem druida.

— Ah, Albafica... – gemeu Minos e perdeu-se naquela boca, beijando-o de forma possessiva e voraz.

O jovem correspondeu sem reservas, sentindo o hálito quente nos lábios, no pescoço e na face. Totalmente entregue, perdeu a noção do tempo e permitiu-se explorar e ser explorado na intimidade do corpo.

As roupas foram arrancadas e o leito rústico os acolheu... Não havia mais nenhuma barreira que os impedisse de desfrutar daquela ânsia que os conectava desde sempre...

Esplêndido em sua nudez, Minos apertou Albafica contra si, num abraço forte e apaixonado, ignorando seu cansaço, a dor, tudo... Afundou o rosto nos cabelos longos e o cheirou, aspirando o odor frutuoso dos fios que agora eram separados pelos seus dedos longos e fortes.

Puxou-o para o seu colo e o olhou, demoradamente, mesmo que a ânsia em possuí-lo fosse tão grande que o fazia respirar acelerado. Buscou, novamente, os lábios rosados, porém, agora, de forma urgente e possessiva. Mergulhou a língua em sua boca, enquanto acariciava as costas macias. Deitou sobre ele e beijou a pele devagar, começando pelo pescoço, passando pelos mamilos e descendo até a virilha, arrancando ofegos e gemidos do jovem druida.

Albafica inalou o cheiro da pele de Minos e um calor imediato espalhou-se pelo seu corpo, fazendo arder cada fibra e poro... Abraçou-o e sentiu a ereção dele roçar o seu corpo, enquanto a sua pulsava dolorida. Abriu as pernas para acomodar o oficial romano e gemeu alto, quando ele envolveu seu falo com a boca e introduziu os dedos em sua entrada, preparando-o para a penetração.

As respirações começaram a ficar rápidas e Minos sugava o falo com volúpia, enquanto o tocava no fundo do corpo. Albafica crispava os dedos dos pés e segurava o rosto do amante atraindo-o de encontro a si, gemendo rouco ao sentir a boca quente devorá-lo daquela forma.

Seu corpo estremeceu e ele inundou com seu gozo, a boca do amante... Minos deliciou-se com o gosto de Albafica e beijou-o, fazendo-o provar do prazer que acabava de vivenciar...

Ambos sorriram, trêmulos e o jovem druida viu o olhar extasiado do romano... Tocou-o no rosto e olhou para o membro ainda túrgido do amante. Minos deitou-se de costas e trouxe Albafica para cima do seu corpo. Enquanto roçava os lábios na pele alva, Minos o fazia descer pela sua ereção, penetrando-o devagar, fazendo-o sentar em seu colo e sentindo a cavidade estreita abrir-se aos poucos à penetração.

À medida que Albafica, vencia a dor inicial e baixava seu corpo sobre o membro, gemendo, e agarrando-se com força aos seus ombros, Minos enfiava a língua dentro da boca arfante até que estivessem em um beijo tão forte que ambos não podiam respirar direito. Fazia-o saber com as carícias e olhares intensos que jamais estivera tão envolvido e enlouquecido por alguém como estava com ele... As mãos do oficial romano passeavam por suas coxas, nádegas, costas, cabelos... Os dedos escorriam por um mamilo, depois o outro, arrepiando-os, arrancando sons de prazer junto aos gemidos de dor... O druida sentiu seu sexo, ser acariciado lentamente, fazendo a dor esvaecer-se, e dar lugar ao êxtase.

Fechando os olhos, Albafica moveu-se, levantando o corpo e depois descendo, sentando inteiramente, no membro ereto. Minos colocou as mãos nas duas nádegas, abrindo-as e se enterrando mais, no corpo apertado. Os dois gemeram alto e o oficial romano segurou na cintura do outro, sentindo-se extremamente excitado com a visão de Albafica subindo e descendo naquela lentidão, enquanto o olhava nos olhos com o suor escorrendo pelo rosto e o olhar inebriado...

Sentindo o membro do amante, penetrando bem fundo, o seu corpo, Albafica começou a estremecer e sentiu a mão de Minos segurá-lo, começando a parar os movimentos até que eles se tornassem lentos e profundos, sem pressa alguma...

O jovem druida grunhiu um protesto contra a interrupção de Minos que o segurava forte pelos quadris, limitando os seus movimentos. Um prazer angustiante tomou conta de todo o seu corpo e ele gemeu num ritmo entrecortado, desejoso de mover-se mais rápido, deixar o gozo abraçar o seu corpo com toda a sua intensidade.

— Minos...

— Devagar... Não quero que acabe rápido... Não com você... – murmurou o oficial.

Percebendo-se, inteiramente, dentro dele, Minos desejava prolongar o prazer até que ambos foram entrando em transe. Os gemidos foram aumentando e se confundindo, enquanto as estocadas faziam os dois corpos se moverem em uníssono, suados, enchendo o ar com gostos e cheiros que vinham de todos os lugares daquela terra selvagem e mágica.

Os olhos azuis de Albafica ficaram escuros, da cor de um rio veloz e Minos deixou-se levar pela correnteza, aprofundando, fazendo parte do encantamento que permeava a vida e a morte, o prazer e a dor... O clímax insinuava-se como uma serpente subindo pela base da espinha... Os gemidos como sopros de uma brisa se metamorfoseando em tempestade... Tudo e nada, a união suprema de um amor proibido que unia dois homens de lados opostos, mas que agora se tornavam um...

Minos sentiu o prazer explodir em seu corpo, percorrendo cada fibra do seu ser, tornando-o parte da natureza verdejante das terras celtas, até esparramar-se para dentro de Albafica, deixando seu sêmen dentro dele e sentindo o gozo quente do jovem jorrar em sua pele.

Exauridos de tanta paixão, abraçaram-se, ofegantes... Albafica apoiava o rosto ardente no ombro de Minos e ele apertava-o, junto a si, sentindo o seu coração e o dele, bater forte como o bote de um animal selvagem. As bocas se uniram, as línguas se enroscaram, novamente e o sabor que experimentaram, após o orgasmo, tinha gosto de orvalho e os levou a fechar os olhos e entregar-se ao abraço da noite...

Notas finais
♥ Agradecimentos, sempre, a todos que leem, comentam, favoritam, silenciam, imprimem energia e vida à fic. Muito obrigada!!! ***Manobra tartaruga: manobra do exército romano que consistia em colocar os escudos como blindagem ao exemplo do casco da tartaruga. ***Manobra estelar: colunas de soldados formando um X para atacar em todos os lados.