Notas iniciais
Primeiro capítulo. Conheça Alisson, o tal Herói Perdido do livro anterior ;) Boa leitura!

Os últimos oito meses foram os piores de sua vida. Não, pera... Que vida? Alisson não lembrava nada de sua vida antes de acordar preso numa cela junto com outros vinte garotos. E os “carcereiros” eram mulheres. Pior, garotas. Apenas nove. Claro, nove garotas, cada uma com a força de dez homens, com armaduras de ouro ou de prata, com espadas e lanças imensas. Chamavam a si mesmas de amazonas, as mulheres guerreiras.

Por seu corpo jovem, magro, mas definido, Alisson imaginava ter dezessete anos ou perto disso. Tinha cabelo preto, liso. E olhos azuis.

Alisson estava sendo mantido como escravo desde que acordou. Forçado a trabalhar à força em uma indústria que ele não fazia a menor ideia de onde ficava. Só sabia que produzia roupas e acessórios de couro.

As amazonas eram arrogantes e sempre tratavam os homens como animais, mas muitas delas, apesar de jovens e que a mais velha dentre elas tinha dezoito anos, satisfaziam suas vontades sexuais com eles. Alisson ainda não tinha sido carregado para o “covil” de uma delas, como chamavam os outros caras. Segundo eles, ele ainda era um novato.

Com um tempo, Alisson foi notando que algumas das amazonas se declaravam filhas de deuses. A líder delas era Warna, uma garota muito bonita, aparentemente com quatorze anos. Usava uma armadura torácica dourada, um cinturão enorme, e uma espada de ouro imperial, como ela mesma dizia. Ela se declarava filha de Belona, a deusa romana da guerra. Havia ali, duas filhas de Marte e uma filha de Baco, uma garota de quinze anos que vivia bêbada. E havia uma filha de Nêmesis, uma garota isolada que ele mal via. As outras eram humanas, embora nunca se chamassem de mortais.

E lá estava ele, em seu oitavo mês naquela situação. Tinha sido colocado por Warna para cortar o couro. Fazia seu trabalho forçado. Se não o fizesse, levaria um castigo. Ele ainda não sofrera, mas podia ver as cicatrizes nas costas de alguns de seus companheiros. Não queria experimentar.

Foi então, que perto do fim do expediente, uma garota se aproxima dele. Era uma das que se dizia filha de Marte, o deus da guerra. Seu nome era Lara. Tinha dezesseis anos e um corpo musculoso. Em sua cabeça, uma faixa de pano vermelho-sangue com a estampa de um javali.

- Você, novato! – ela chama com a voz grave e o chama com o dedo.

Alisson fica tenso. O que ela queria? Pelo olhar caçoador dos companheiros, começou a desconfiar.

Ele se aproxima dela. Então Lara segura seu braço e praticamente o arrasta até o banheiro e o agarra, forçando a língua entre seus lábios. Alisson tenta se soltar, mas ela era realmente forte. Algo em Alisson dizia que ele não devia se relacionar com nenhuma garota dali.

- Me beije! – ela falava, enquanto tentava tirar sua camisa.

Alisson resiste. Então, olha para a pia do lado. Estava entreaberta e um fio de água caia. Sente seu corpo mais forte. Fica olhando fixamente para a torneira, enquanto forçava a boca a ficar fechada. O fluxo de água aumenta.

De repente a pia explode e um jato d’água é lançado no rosto de Lara, derrubando-a.

A garota fica com uma expressão imediatamente surpresa, e logo, furiosa. Levanta e olha para Alisson, serrando os punhos.

- Foi você quem fez isso?

- Eu? Como? – ele pergunta, com mais medo dela do que surpreso consigo mesmo.

Então Lara dá um grito de raiva e Alisson vê seu enorme punho vindo em sua direção. Consegue se abaixar a tempo. O soco da garota acerta o espelho atrás de Alisson, que estilhaça.

Ele passa por baixo das pernas dela e tenta correr. Mas Lara agarra a gola da sua camisa e o leva até um vaso sanitário, tentando empurrar sua cabeça dentro do vaso.

Alisson fecha os olhos e pensa no banheiro inteiro explodindo e toda a água da encanação atingindo Lara. De repente escuta um barulho infernal e sente a mão da garota o soltando. Havia água por todo lado. Abriu os olhos e olhou para trás.

Lara estava caída no chão, encharcada. Todas as pias e chuveiros do banheiro estavam destruídos e dos buracos nas paredes jorravam litros d’água na garota.

Então Alisson observa as amazonas e alguns dos garotos na porta do banheiro, com expressões de surpresa. Os garotos riam descontroladamente.

- Você fez isso? – Warna entra no banheiro, olhando curiosa para Alisson.

- Não faço a menor ideia de como... – ele responde.

- Você só pode ser um filho de Netuno... Mas eles são muito raros. Você deve ir para o acampamento. – ela fala.

A água para de jorrar. Lara grita furiosa, enquanto se levanta e parte para cima do garoto. Warna se coloca entre eles e Lara para, obediente, embora com ódio no olhar.

De repente, um alarme soa. Nesse momento, todas as amazonas, inclusive Lara, parecem esquecer a cena e correm para fora do banheiro empunhando suas armas.

Alisson as acompanha. Então vê seres com asas imensas de morcego sobrevoando a indústria. Os rostos eram quase humanos, não fossem os dentes monstruosos.

Começa o ataque. As criaturas descem e começar a lutar com as amazonas.

Um dos seres-morcegos se aproxima de Alisson com as garras prontas para dilacera-lo, mas é atravessado no peito por uma lança e explode em pó amarelo. A amazona filha de Nêmesis se aproxima e apanha sua lança. Ela era muito bonita. Usava camisa, calça jeans e tênis. Tudo preto. O cabelo extremamente liso caia até a cintura. E os olhos verdes tinham maquiagem escura ao redor. Alisson sorriu grato.

Ela aparentemente não deu atenção e partiu para matar outros monstros.

De repente, Warna é agarrada por uma das coisas por trás, sendo erguida presa às garras da criatura. Ela grita, pedindo ajuda. As demais caçadoras tentam impedir o monstro, mas este já voava alto.

- Vão ao acampamento! – gritou ela, cada vez mais distante, para as amazonas – Achem o meu irmão!

Notas finais
E ai? O que acharam? xoxo =D