A Profecia Dos Sete - Parte Dois
2 Alisson
Notas iniciais
Pela primeira vez que se lembra, Alisson sentira o sol diretamente em sua pele. Estavam a caminho do tal acampamento citado por Warna.
Na ausência da líder, Mônica tomou a frente das amazonas. Era a outra filha de Marte, no entanto, era bem diferente de Lara. Era magra e baixinha. Seu porte físico não era ameaçador, mas Alisson ouvira dizer que ninguém era tão bom com armas e bombas quanto ela.
Assim sendo, ele, Mônica e as outras três garotas que se diziam semideusas partem rumo ao acampamento. Lara ainda estava furiosa, mas não mais o ameaçara. O nome da filha de Nêmesis era Aline. E a viciada em vinho se chamava Tamires. As demais amazonas ficaram na indústria, tomando de conta de tudo.
Os cinco entraram em um carro amarelo conversível luxuoso que provavelmente custava uma fortuna. Mônica, no volante. Lara ao seu lado. Alisson sentou no banco traseiro, com Aline à sua esquerda e Tamires à sua direita.
E partiram. Sem fazer paradas, chegaram com cerca de quatro horas de viagem a mais de 110 quilômetros por hora de frente a uma muralha. Havia um imenso portão no meio da muralha. O carro se aproxima.
Na entrada do portão, que por sinal era de ouro e decorado com imagens de guerras em alto relevo, dois garotos armados com enormes lanças e espadas e usando armaduras.
- O que querem? – pergunta um deles.
- Somos amazonas. – responde Mônica – Precisamos falar com um de seus centuriões. Viemos em nome de Warna.
O cara passa um recado por walk-talk, o que Alisson achou bastante arcaico, com tantos celulares e iPhones disponíveis no mercado.
- Walber virá em breve! – fala o garoto do portão.
Mônica não responde, apenas faz uma expressão que dizia “Homens...”, como se fosse uma ofensa.
Em alguns minutos, os imensos portões se abrem e um garoto magro e alto usando uma camisa roxa onde se lia Acampamento Júpiter sai. Trazia nas mãos uma espada de ouro imperial semelhante à de Warna. Tinha uma tatuagem no braço direito. Uma tocha e uma lança cruzadas, as letras SPQR e quatro linhas.
Ele olha para Mônica e sorri.
- O que as trás aqui? – ele pergunta à amazona.
- Infelizmente, não trago boas notícias... – Mônica diz – Warna foi sequestrada por alguns monstros. Sua irmã nos mandou aqui. Acho que você saberá o que fazer. E temos ele... – Mônica aponta para Alisson.
- Quem é ele? – Walber quer saber.
- Alisson, filho de Netuno! – Mônica anuncia.
- Um filho de Netuno? – Walber parece surpreso – É impossível! Como pode ter chegado a esta idade longe do acampamento?
- Não faço ideia. – Mônica diz – Oito meses atrás o encontramos inconsciente e o levamos conosco. Só agora mostrou seus poderes.
- Curioso... – o garoto concorda.
- Querem parar de falar de mim como se eu não tivesse aqui? – Alisson fala.
- Cale-se! – Tamires põe a mão no seu ombro e aperta com força.
- Precisamos consultar os augúrios... – diz Walber, entrando.
Mônica estaciona o carro e o segue a pé. As outras fazem o mesmo. Tamires empurra Alisson.
Por dentro das muralhas, o lugar era lindo.
Era um campo enorme, com algumas edificações no melhor estilo romano. Havia uma réplica perfeita do Coliseu, e centenas de metros de um aqueduto. Havia alguns jovens andando de um lado para o outro, a maioria deles empunhando espadas, lanças e arco-e-flecha.
Caminhando alguns metros, eles passam por um grupo de... fantasmas? Alisson engasga ao ver um grupo de seis ou sete criaturas sem forma física, como se fossem de fumaça. Pareciam amistosos. Chegando mais perto, eram idosos com rostos pacíficos.
Centenas de metros à frente, estavam de frente a uma enorme edificação em mármore com inscrições em latim. Senatus Populusque Romanus. O Povo e o Senado de Roma.
- Ficou sabendo que nossa pretora também está desaparecida? – Walber pergunta à Mônica.
- Sério? Dayane? O que houve? – ela quer saber.
- Não sabemos... Ela desapareceu misteriosamente. Exatamente oito meses atrás. – Walber fala, e olha para Alisson. – Fui enviado numa missão a sua procura. Infelizmente não a encontramos.
Então eles entram no Senado. Passam por um extenso corredor. O piso de mármore refletia seus rostos. Nas paredes, pinturas de jovens em diferentes épocas da história. As duas últimas, antes de chegar a portas douradas no fim do corredor eram dos atuais líderes do acampamento. O garoto tinha um rosto bondoso, o cabelo castanho claro bem penteado. A garota, a que estava desaparecida, tinha olhos e cabelos escuros presos em trança.
Walber abre as portas douradas. Dentro, uma sala ampla, com o pé-direito altíssimo. No meio uma estátua com mais de vinte metros de altura com um raio nas mãos. “Só pode ser Zeus”, pensa Alisson.
Aos pés da estátua, dois tronos. No entanto, apenas um deles ocupado. Era o garoto da pintura. Vestia uma túnica roxa por cima da camisa de mesma cor com o nome Acampamento Júpiter e tinha uma águia tatuada no braço, acima das letras SPQR e de sete linhas. Mas o rosto trazia uma cicatriz que ia do queixo ao fim da bochecha.
- Leandro, eu trago comigo um novo semideus ao acampamento e as amazonas. – fala Walber.
- Amazonas? Mas onde está sua líder? – o pretor pergunta.
- Ela foi levada. Nos enviou até aqui. – fala Mônica.
- E este novo semideus? Filho de quem?
- Sou filho de Netuno! – Alisson fala, dando alguns passos a frente. Estava cheio das pessoas falando dele como se ele não tivesse ali.
Nesse momento, um garoto alto e muito magro, com cabelo cor de palha e olhos assustados entra na sala. Usava uma túnica branca que cobria os pés. O hilário era que segurava um ursinho de pelúcia com a barriga rasgada em uma das mãos, derrubando o enchimento. Na outra mão, uma faca. Em seu braço, Alisson pode ver uma lira, o SPQR e seis linhas.
- Precisamos reunir o Senado! – fala o garoto do ursinho.
- O que houve Pedro? – quer saber Leandro.
- Graecus. – ele fala com nojo – Isso é o que houve.
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