A Princesa e a Viking

1 Chapter 1: The princess and the viking


Notas iniciais
Esse é o primeiro capítulo, o segundo será postado em sequência. Espero que gostem meus amorzinhos! Até as notas finais...

Às vezes eu fecho os meus olhos e vejo como tudo que eu vivo e vivi poderia parecer impossível aos olhos das outras pessoas. Na verdade, até para mim isso tudo parece meio impossível. Mas não é...

Eu me chamo Soluço Spansitocus Strondus III. Eu sou apenas mais um viking de vários outros nessa história. Mas sou o filho de Stoico, o Imenso, líder da minha Tribo, a Tribo dos Hooligans Cabeludos. Não se assuste. Sei que são muitos nomes estranhos em poucas frases. Mas nós vikings, temos e usamos nomes estranhos assim com o intuito de afastar gnomos e trolls. Vai tentar nos entender...

A Tribo Hooligan (nem mesmo a gente usa o segundo nome da nossa tribo para não ser mais estranho do que já é) habita em Berk há mais de três séculos. Uma aconchegante ilha que neva nove meses por ano e nos outros três meses o frio diminui um pouco para as chuvas. E há muito tempo era uma Ilha de tristeza e solidão.

Mas Berk mudou quando mais um pequeno Soluço apareceu em sua história...

Quando eu tinha 15 anos eu mudei todo o pensamento viking de todo o Arquipélago Barbárico. Todo o tabu de que os dragões eram feras horrendas e que deviam ser mortas por nós. Na verdade os dragões são criaturas majestosas e que merecem o nosso respeito. Eu convivo com eles há mais de dez anos e creio que não poderiam ter sido anos melhores. Os vikings aprenderam isso da melhor maneira possível. Treinando dragões.

E eu fui o primeiro a treinar um dragão. A cria diabólica do raio e da própria morte. Bem, mais ou menos...

O Banguela é um Fúria da Noite e é o único encontrado até hoje em todo o mundo que nós conhecemos. Mas é a criatura mais dócil do mundo para mim. E também a mais fiel. É o meu melhor amigo, aquele que sei que estará comigo sempre. Porque sempre salvamos e protegemos um ao outro, não importa como. Sempre será assim.

Eu tenho 25 anos hoje. E tenho uma grande história para contar. Mas é melhor passarmos para histórias detalhadas depois...

Gostaria de falar sobre outra Ilha agora. Sobre outro mundo. Sobre um Reino. E sobre uma princesa.

O Reino de Rondo está do outro lado do mundo em relação à Berk. E há muitos anos nem Berk e nem Rondo conheciam a existência um do outro. Mas acontece que isso tudo mudou, de uma hora para outra. Por culpa de um menino e seu dragão.

Em uma das minhas expedições com o Banguela para mapear as ilhas, há oito anos, fomos parar bem longe de Berk. Fomos parar em uma ilha que chamamos de Ilha da Magia, porque não havia nenhum outro modo de caracterizá-la.

Acontece que essa ilha já tinha um nome. Rondo.

Rondo é um reino. Em Berk possuímos alguém que lidera o nosso povo. Mas em Rondo existe um Rei e uma Rainha, que são respeitados por todos os seus súditos e que recebem um grande carinho (assim como os líderes vikings).

Mas Rondo é bem diferente de Berk. Para começar é um lugar bem quente (nada comparado ao clima “morrendo congelado” de Berk). Essa ilha tem árvores imensas, flores em todo canto e animais alegres correndo pelas ruas.

E, além disso, é um lugar literalmente mágico. Onde a maioria da população possui poderes. Poderes mágicos. Nós vikings aprendemos a não acreditar em magia alguma. Mas depois de Rondo não duvidamos de mais nada. Nem quando eu e o Banguela pousamos na cidade eles pareceram assustados. Por que para eles é normal criaturas das mais variadas espécies conviver com eles, mesmo nunca terem visto um dragão na vida.

E no final, Rondo e Berk viraram parceiras econômicas. Uma das parcerias mais poderosas e invejadas do mundo. Juntamos esses dois Universos, esses dois diferentes mundos que jamais poderiam viver sob o mesmo teto. Mas tudo muda, já que cada um em Berk hoje tem um dragão...

A única filha do Rei Richard Hofferson e da Rainha Alene Hofferson era uma menina muito especial. Que tinha dons poderosos e uma beleza divina. A princesa Astrid Hofferson continua sendo especial.

Por muitos anos viveu isolada sem ver um pôr do sol que não fosse das janelas do seu castelo. E o que mais queria era ser livre para sempre. Justo eu que encontro a liberdade nos céus não poderia privar ninguém dela. Muito menos a Astrid.

Não seria estranho se um treinador de dragões encontrasse uma princesa (ou melhor, fosse mandado encontrá-la)? Não seria estranho que eles virassem amigos e ele descumprisse sua missão? Não seria estranho eles apaixonarem-se e unir ainda mais esses mundos?

Eu conheço essa história muito bem e sei que não há nada de estranho nela. Pois eu faço parte dela. Você gostaria de conhecê-la?

*****

Cinco anos antes...

—Acontece que eu nunca te amei Valquíria. E você não pode me obrigar a te amar. Dois anos juntos e eu nunca senti nada, nenhum gesto, nenhum beijo seu pode me fazer sentir que seria feliz ficando com você a vida inteira – eu dizia pelo que julgava se a milésima vez.

E acredite isso não foi grosseiro. Eu tentei mil maneiras diferentes de ser gentil. Porque eu realmente tento sempre ser gentil. O que eu mais odeio é magoar alguém. Mas ela não se magoaria com isso. Eu tinha certeza que não.

Eu namorava Valquíria há mais de dois anos. Mas acontece que havia pedido ela em namoro mais para agradar o meu pai do que porque sentia algo por ela.

“Ela é uma boa moça, Soluço, e filha de um clã muito forte em nossa vila. Daria uma boa esposa para você filho. Não quero te obrigar a nada, mas não seria a hora de tentar se apaixonar por alguém? Em breve você será o líder de Berk, é o seu destino ser e precisa de alguém ao seu lado para te auxiliar e apoiar.”

Dizia o meu pai para um garoto de 18 anos. É claro que eu deveria arrumar uma esposa para mim. É claro que eu devia me apaixonar por alguém. É claro que eu seria o líder de Berk.

E está claro que a maioria das coisas que eu fazia era para não chatear Stoico, o Imenso. Ele fez e faz tanto por mim, me criara sozinho e me apoiou em diversos momentos depois que Banguela surgira em nossas vidas. Bom, a Valquíria também me apoiou, mas até quem não a conhecia sabia dos seus objetivos.

Usaria uma coroa, mesmo Berk não sendo um reino...

—Mas eu te amo Soluço. Eu sempre te amei. Eu sempre te apoiei. Você não pode me descartar assim – ela dizia com a voz chorosa que para mim não passava de falsidade. Odeio quando as mulheres choram. Eu simplesmente não sei o que fazer.

Valquíria era uma bela mulher sim, eu não poderia discordar. Tinha lisos cabelos ruivos e olhos castanhos. Seus cabelos estavam sempre em uma trança embutida em um coque elaborado. Sempre usando uma calça vinho e uma blusa verde. E sempre com uma espada no cinto. Desafiava qualquer um na vila, mesmo sem motivos. Eu também não gostava disso nela.

Mas mesmo assim fiquei com ela durante dois anos. Eu tentei me apaixonar por ela. De verdade. Mas acontece que quando não é para ser, não dá certo. Eu não sentia meu coração acelerar quando estava perto dela ou perdia o folego em nossos beijos. Não parecia ter só a gente no mundo quando estávamos juntos. E eu nunca disse a ela que a amava. Nunca.

—Eu sei disso e agradeço por tudo que você fez por mim. Você foi sempre uma ótima amiga. Mas eu não te amo. Não posso ficar com você se sei que não irá dar certo essa história. Eu não posso fazer isso com você.

—Eu não me importo se você não me ama – ela pegou a minha mão.

Eu estava cansado. Ainda era bem cedo e eu estava na Academia de Dragões para uma aula que havia sido cancelada e eu havia esquecido. O lugar era uma antiga Arena de treinamento para matar os dragões (vikings faziam isso, como eu já disse), que havia virado uma Academia de treinamento para os vikings ganharem confiança nos dragões. Aprenderem a cuidar deles e amá-los.

E eu acho que a nossa discursão estava sendo ouvida por toda Berk.

—Eu realmente não me importo. Eu quero ficar com você, só isso importa – ela dizia.

Eu via a ambição no seu olhar. Puxei minha mão como se tivesse levado uma picada ou algo do tipo. Como eu havia ficado com ela tanto tempo sem ter reparado nisso antes?

—Mas eu me importo! Eu não suportaria isso, eu me sentiria culpado. Você merece alguém que te ame Valquíria e não alguém que não corresponda a isso. Se realmente me amasse, iria querer me ver feliz! – eu gritava cada vez mais irritado.

—Você não pode duvidar de mim! Não pode duvidar que eu te amo!

—Que coisa Valquíria, eu não estou duvidando! Embora eu tenha diversos motivos para duvidar de você, eu não estou duvidando ainda. Mas eu não quero mais ficar com você. Eu quero terminar isso. Agora. Acabou tudo! – eu disse firmemente.

—Você é um idiota mesmo! – ela mudou o tom da sua voz. – Você estava com a menina mais bonita de Berk e a recusa. Pois bem Soluço. Você irá se arrepender de sua decisão por ser esse menino romântico que quer se apaixonar. Amor verdadeiro é ilusão Soluço, não existe. E quando descobrir e voltar correndo atrás de mim, eu não irei aceitar você de volta!

— Pode ter certeza que eu não voltarei. Ah, só para você saber, eu não sou um príncipe para você usar coroa e desfilar por Berk. O poder não é para você! Não merece!

Ela me lançou um olhar tão venenoso que eu poderia ter caído morto ali mesmo. Mas não me importei. Pela primeira vez em dois anos eu me sentia leve. Eu me sentia livre.

Ela virou de costas, chamou o seu dragão, um Guarda-Chuva muito elegante e saiu batendo os pés da Academia. Eu dei um longo suspiro e cheguei a sorrir. Ouso dizer que era a primeira vez em dois anos que eu me sentia feliz. Bastava um voo para eu esquecer aquilo tudo.

Banguela entendeu o recado e em pouco tempo cortávamos o céu de Berk.

*****

Eu não tinha mais o que fazer em Berk o dia inteiro então eu e Banguela resolvemos voltar para casa. Dei bastante peixe para o Banguela e fui preparar um almoço para mim. Fiz bastante comida, pois meu pai provavelmente almoçaria em casa também. E como meu palpite estava certo, bastou eu terminar na cozinha para ele chegar em casa.

—Já está em casa filho? – ele perguntou, pendurando o seu elmo e sua capa do líder em um gancho localizado atrás da porta.

—A aula foi cancelada hoje na Academia. O Bocão pediu a Arena emprestada por um dia. Nem me pergunte para quê.

O Bocão era um grande amigo do meu pai e um grande amigo meu também. Ele me ensinara tudo que sei para construir coisas, como os lemes do Banguela, selas e armas. Devo muita coisa a ele.

—Ninguém sabe o que ele faz – meu pai disse e riu da própria piada. Eu também sorri, pois ele estava feliz e eu gostava de vê-lo assim.

Eu terminei de colocar as coisas na mesa e me sentei. Eu estava pensativo. Como iria contar ao meu pai que terminei com quem ele julgava ser a sua futura nora? Ele iria ficar chateado? Tantas coisas passavam pela minha cabeça.

—O que houve filho? Está aéreo. Algum problema? – ele perguntou preocupado.

—Não é que... É só que... – comecei a gaguejar (como eu sempre fazia quando estava nervoso). Respirei fundo. — Eu terminei com a Valquíria hoje. E eu estava tentando pensar num modo melhor de falar com você sobre isso. Veja que não encontrei.

—Você terminou com ela? – ele arregalou os olhos. Logo verei decepção nesse olhar, eu pensei.

—Eu sei o que você irá dizer pai. Desculpa, eu sei que devo me casar, que é o meu futuro ser o líder. Isso me assusta também. Mas qualquer outra pessoa seria melhor que a Valquíria, disso eu tenho certeza.

—Você ficou com ela dois anos – ele queria saber o que eu sentia. Sentou-se na minha frente e como um verdadeiro pai estava disposto a me ouvir.

—Não significa que eu a ame pai. Eu nunca amei ela. Nunca senti nada por ela.

—Bom filho. Eu sei que te obriguei a fazer isso e...

—Você não me obrigou a nada pai – eu o interrompi.

—Espere Soluço. Deixe-me falar – ele me interrompeu. — Eu sei que te obriguei. Você queria me deixar feliz. Mas eu nunca seria feliz com a sua infelicidade filho. Nunca. Se você nunca a amou e estava com ela obrigado, não há motivos para continuar com isso.

—Obrigado pai, eu fico feliz que você me apoie, que me escute. Acontece que a Valquíria é ambiciosa. E não vai desistir tão fácil de ser a esposa-do-futuro-líder-de-Berk. Eu sei disso. Vejo no seu olhar – ele pareceu pensar um pouco.

—Então você deveria ficar fora de Berk por um tempo.

—Como assim? Para onde eu iria? – iluminei-me só com a possibilidade e ele sorriu ao me ver assim.

—Você se lembra de Rondo, certo?

—Claro que sim.

Não tinha como se esquecer de Rondo. Era uma terra mágica em que você se surpreende a cada minuto. Era incrível imaginar esse novo mundo, tão diferente do mundo viking.

—Então, você sabe que eles são antigos parceiros econômicos nossos. Acontece que o Rei e a Rainha estão com problemas, pois a filha deles, a Princesa Astrid Hofferson, desapareceu há pouco tempo. Eles estão preocupados e então nos mandaram uma carta – ele colocou a mão na boca, como se fosse contar um segredo. — Carta muito estranha por sinal, brotou de ninguém sabe aonde. Mas é Rondo, nada pode ser estranho – ele pigarreou. – Enfim, eles estão pedindo a nossa ajuda, já que tínhamos Dragões rastreadores e poderíamos tentar encontra-la.

—Nossa, a princesa sumiu – pensei em tudo que poderia estrar acontecendo com ela naquele momento. E mesmo não a conhecendo, senti que deveria encontra-la. Será que ela sofria tanto quanto eu, por não encontra ninguém que a entendesse além dos pais? — Deixa ver se eu entendi então. Você quer que eu vá até lá e encontre a princesa já que o Banguela também é um ótimo farejador?

—Bom, se você estiver disposto a ir. Não irei me opor.

—Na verdade adoraria sair de Berk agora — sorri. — E adoraria ainda mais ir para Rondo novamente. O Banguela também irá adorar – o Banguela veio até mim e sorriu com a novidade.

—É o que achei que você iria dizer. Irei te dar o mapa da cidade, mas acho que você encontrará o castelo com facilidade. Pode partir amanhã mesmo se quiser. Irei responder a carta dos soberanos de Rondo.

—Muito obrigado pai. Eu sei que pode parecer que não é para agradecer ou algo do tipo, mas você não faz ideia de como isso vai me fazer bem.

—É aí que você se engana meu filho. Eu sei que te fará bem – eu sorri para ele e agradeci com todas as minhas forças por ter ele como o meu pai.

*****

Saí bem cedo no dia seguinte, evitando qualquer pessoa (leia Valquíria) que poderia chatear-me. Meu pai despediu-se de mim carinhosamente, não sem antes me dizer várias recomendações e colocações de “papai coruja”.

O Banguela estava incrivelmente animado com a ideia de retornar a Rondo. Embora tivéssemos estado por acidente do outro lado do mundo, nunca me arrependi de ter ido lá certa vez.

A viagem durou pouco tempo, comparado ao que duraria normalmente, já que eu estava com um Fúria da Noite. Eu observava o clima esquentar. Ao invés de ventos frios, eu sentia a brisa amena. Era uma mudança boa.

E então nós a avistamos. Rondo. O local mais incrível, depois de Berk, é claro, que eu já havia conhecido. A magia do local irradiava alegria para quem chegasse.

Como meu pai dissera, não foi difícil achar o palácio. Imponente e magnífico, o palácio encontrava-se em uma alta colina ao sul da Ilha, cuja encosta encontrava-se rodeada de flores.

Primavera. Só havia ouvido falar. Nunca a vira de tão perto.

—Vamos lá amigão, para o castelo – eu digo, dando batidinhas no pescoço de Banguela.

Ele dispara em direção a Colina. Vejo o Castelo ficar cada vez maior. Vejo os guardas, que ao contrário do que pensei que eles fariam: não atirarem em nós. E então descemos no portão principal. Os guardas vieram até mim e pediram que eu entrasse no castelo. Não se opuseram quando Banguela entrou comigo. Dei de ombros e o acompanhei.

O castelo era incrível. Parecia muito com a Ilha inteira. Entramos em um salão com um teto alto. Dei uma olhada geral, percebendo que aquela era a sala do trono. Avistei os dois soberanos sentados. Prestei uma reverência. Eles encararam Banguela por um instante. Banguela ficou ao meu lado, atento a tudo ao seu redor.

—Soluço Spansitocus Strondus III, filho de Stoico, o Imenso – eu digo.

—É um prazer conhecê-lo. Ouvimos várias histórias sobre você. E o seu dragão – o rei se pronuncia. A Rainha parecia incapaz de falar qualquer coisa. – Imagino que saiba o porquê de estar aqui.

—Sua filha. Ela... Está desaparecida – eu digo. – Farei tudo que estiver ao meu alcance para encontrá-la, senhor.

—Fico feliz em saber. Diga o que precisa.

—Alguma coisa dela. Para que Banguela possa farejar. E um lugar para começar a procurar.

—Eu posso lhe trazer um vestido dela e o seu perfume – a Rainha se pronuncia. – Acho que deve bastar.

—O perfume pode confundir Banguela. Mas o vestido deve bastar – eu raciocino. – Onde posso começar a procurar?

—As colinas do norte. Ela costumava... Ir pra lá – a Rainha diz. O rei desvia o seu olhar e vejo um traço de raiva neles.

—Começarei por lá então. Com licença – presto uma reverência e saio da sala.

Escuto passos atrás de mim e viro-me. A Rainha estava com um vestido na mão. Era azul.

—É dela – ela diz. – Tente trazê-la de volta. De qualquer jeito – franzi as sobrancelhas. – Ela não entendia o que era melhor para ela. É estar aqui. Eu sei que o pai dela pode ser um tanto rude, mas ele a ama.

—Eu entendi. Farei tudo o que puder.

Quando saí do palácio, sabia exatamente o que estava acontecendo. A princesa estava experimentando a liberdade.

******

Percorremos a colina durante toda a tarde e todo o dia seguinte. Não achamos nada, mas Banguela sentia que ela estava por aí. Naquela colina. Quando Banguela precisou descansar, entramos em uma caverna. Já eu não conseguia dormir.

Encarei a noite. Estava frio, mas nada que um berkiano não aguentasse. Escutei um barulho de galhos quebrando-se. Coloquei a mão em minha espada. Levantei-me lentamente, encarando tudo ao meu redor. Vislumbrei uma figura na escuridão. Ela logo desapareceu.

Pensei que havia imaginado aquilo e voltei até a caverna. A magia de Rondo estava começando a mexer com a minha cabeça.

*****

A nevasca que começara na manhã após o ocorrido nos prendeu na caverna. Banguela estava descansado e pronto para voar, mas com toda aquela neve era impossível. E com o leme postiço, tudo poderia ir por água abaixo. Então nós ficamos na caverna. Havia dormido pouco. Precisa encontrar aquela princesa. Não por seus pais, mas porque precisava saber se ela era como eu. Preso para alegrar os outros.

Mais uma noite e novamente barulhos. Se eu estivesse louco, Banguela não escutaria também. Encarei meu dragão. Ele estava rosnando para as árvores. Saquei minha espada e avancei na escuridão.

—Está tudo bem amigo, tudo bem.

Escutei na escuridão. Era uma voz de mulher. Encarei Banguela. Ele estava alerta, mas não hostil.

—É ela? – sussurrei para Banguela. Ele assentiu.

Pode confiar em mim, não vou lhe fazer mal.

Avancei na escuridão. Ela estava em perigo. Avistei uma luz. Lentamente aproximei-me da clareira. A figura estava com uma tocha na mão em frente a um lobo. Ela andava lentamente para trás.

Banguela ficou ainda mais alerta. Aproximei-me da princesa. Ela esbarrou em mim e soltou um grito. O lobo atacou. Banguela foi mais rápido e atirou nele, errando por centímetros. Segurei a princesa e Banguela abriu as asas para me proteger.

—O que está acontecendo? – ela perguntou, com a voz levemente trêmula.

—Ele está nos protegendo, não se preocupe – eu digo.

A soltei lentamente e fui até Banguela. Pedi que se acalmasse.

—Hey amigo, calminha – digo ao lobo. – Vá embora, não iremos te machucar.

Ele encarou os olhos da princesa, que assentiu. Ele correu através das árvores. Virei-me para a princesa, que estava com um capuz.

—Obrigada, por me salvar – ela diz.

—Não a de que princesa – ela arregala os olhos. – Não se preocupe. Eu vim procurá-la.

—Você quer me levar de volta para o palácio? – não respondo. — Não posso voltar para lá... Eu não posso.

Ela se afasta e começa a correr. Eu viro-me para Banguela.

—Isso vai ser divertido.

Notas finais
Não, vocês não foram os únicos que odiaram a Valquíria e o Rei Richard.
Até o próximo capítulo!
Temp!