A Princesa e a Viking
2 Chapter 2: Two Days and Two Years
Notas iniciais
Monto em Banguela rapidamente. Ele avista a princesa correndo ao longe. Ele desce, tomando velocidade, e escuto o barulho que ele sempre faz na noite. Dou um sorriso. Sempre me dando a sensação de liberdade.
—Pega ela, amigão.
Ele pega a princesa pelas garras e a lança no ar. Escuto um grito, provavelmente dela, já que estávamos sozinhos naquela colina. Pego-a no colo e ela monta atrás de mim. Ela tremia um pouco, com os olhos arregalados.
—Não vamos te fazer mal – eu digo. Banguela plana no ar. – Desculpa por... Sequestrá-la?
—Você foi mandado pelos meus pais – ela grita. — Eles querem me ver trancada naquele lugar. Achando que estou segura lá. Mas eu não estou, eu não vou voltar.
—Não vou te levar para lá.
—Não vou...Quer dizer, não vai? – ela pergunta incrédula.
—Não se preocupe, vamos apenas conversar – ela assente com a cabeça.
Banguela dá a volta e retornar à Caverna. Ele pousa e eu desmonto junto com ela.
—Se você não quer voltar, não sou eu quem vou obrigar. Mas preciso saber se estou fazendo a coisa certa – ela assente novamente. – Está com fome?
—Eu... Estou – ela diz e retira o seu capuz. – Obrigada.
Encaro seus olhos um minuto, antes de desviar o olhar e ir assar alguns peixes, que por sorte Banguela não comeu.
Sobre ela? Era linda. Tinha olhos tão azuis quanto o mar e o céu. E tinha cabelos loiros, presos em uma trança que a deixavam ainda mais linda. Devo dizer que meu coração parou quando a vi? Pois é, parou.
Balancei minha cabeça para aliviar os pensamentos. Ela se sentou com seu vestido igualmente azul em frente à fogueira, a encarando como se quisesse que ela fizesse algo mais. Se ela era de Rondo, acho que poderia.
—Pode me dizer por que está aqui? – eu pergunto. Ela encara meus olhos. – Sou um bom ouvinte.
—Por que quando olho para você penso que devo confiar? – ela pergunta.
—Talvez porque deva.
—Não quero falar sobre isso agora. Só quero... Dormir um pouco. Desculpe-me, mas não consigo falar sobre nada no momento.
—Tudo bem princesa. Tudo a seu tempo.
Ela comeu o que havia eu feito e aceitou o vestido que me ajudara a encontrá-la. Eu e Banguela fomos buscar lenha enquanto ela se trocava. Banguela empurrou minhas pernas no caminho de volta, ao me pegar observando a caverna ao longe.
—O que você tá olhando? – ele riu. – Nem pense. Ela é uma princesa e eu um viking.
Ele bufou e eu ri. Olhei para as árvores.
Era possível se apaixonar por uma pessoa que acabou de conhecer?
*****
Fiquei de vigia durante a noite. Mas na verdade, eu só queria observar Astrid dormir. Podem me julgar, mas ela havia feito alguma coisa comigo. Magia ou o que quer que fosse. Eu não conseguia retirar meus pensamentos dela.
Suspirei, olhando para noite. Nunca havia conhecido minha mãe. Ela havia sido levada por dragões. Eu já tinha 20 anos, nunca havia a visto e nem me lembrava do seu rosto. Nunca pude conversar sobre esses assuntos do coração.
—No que eu fui me meter, mãe? No que eu fui me meter?
*****
No dia seguinte, Astrid estava mais apta para falar. Parecia mais disposta do que nunca. Ela me ofereceu as frutas que encontrou de uma árvore e a agradeci.
—Como foi parar na mira do lobo? – perguntei. Era um bom começo. Ela encarou meus olhos.
—Uma longa história. Digamos que já nos encontramos antes. Ele é... Dócil. Só estava sentindo-se ameaçado. Deve ter sentido o cheiro do seu dragão.
—Banguela.
—Sim, Banguela – ela sorri. – Um dragão enorme e dócil.
—Ele não faz mal a ninguém. Desde que não o ameassem. Ou a mim.
—Percebi ontem na clareira. Ele estava disposto a matar por você. – ela encarou-me novamente. Percebi que ela havia lido as minhas perguntas em meus olhos. -Eu não tenho poderes – ela diz. – Nenhum. Eu sou a única filha dos meus pais e deveria herdar seus poderes para que assumisse o trono quando tivesse 22 anos. Mas já estou quase na idade e não tenho poderes. Então meus pais acharam que deveriam me trancar no castelo e me esconder do mundo. Eles dizem que é para me proteger. Mas eu só acho que eles não querem que vejam que eu sou... Inútil. Sem nenhuma magia. Sem nada.
—Por isso fugiu? Como conseguiu se não tem poder algum?
—Eu tenho as minhas táticas – ela diz, com um sorriso encantador.
—Talvez você deva virar uma viking então.
—Quem sabe?
—Sinto muito. É ruim ficar preso às coisas que não nos fazem bem. E no seu caso, em um lugar que não lhe faz bem.
Eu só queria ser livre. Experimentar a sensação de viver em um lugar que não fosse em meu quarto – ela diz. Assinto com a cabeça e ela encara Banguela. – E qual a sua história?
—Você já deve saber.
—Quero saber por você.
E eu contei.
Tudo. Meus medos, minhas aventuras, meus sentimentos. Era como se eu me libertasse. De tudo. Ela era uma ótima ouvinte. Ela olhava encantada para mim quando ouvia minhas aventuras e ria comigo nas partes engraçadas.
Conheceu os gêmeos, Melequento e Perna de Peixe. Conheceu meu pai, Bocão e até mesmo xingara Valquíria comigo. Ela contou sua infância, cheia de solidão, cheia de tristeza. Contou que sabia usar um machado melhor do que um viking e que suas habilidades de fuga eram sensacionais.
—Nada mal para uma princesa – ela riu. – Não parecia tentar fugir. Banguela te pegou facilmente.
—Ele é um Fúria da Noite. É claro que ele me pegou facilmente – revirei os olhos. Ela sorriu. – É a primeira vez na vida que me sinto feliz de verdade.
Eu sorrio.
—Por estar fugindo de um dragão? Devo dizer milady, que isso não é motivo para estar feliz.
Ela riu e me deu um soco de leve. Que doeu um pouquinho, mas vamos deixar isso pra lá.
—Não. Porque sou livre – assenti. – Livre dos meus medos. Eu até voei, deuses, como isso seria possível?
—Para mim tudo é possível, se crermos que é.
Eu sorri, junto com ela.
—Sua mãe pareceu muito triste com a sua ausência – eu lembrei.
—Ela me entende – ela baixa o olhar. — Entende que o meu lugar não é aquele castelo. Não é aquela vida. Não é aquela Ilha.
—Mas você não pode ir embora? – ela encarou meu rosto.
—E quem assumiria o trono? – ela sorriu.
—Um primo, talvez? – eu dou de ombros.
—Não é tão simples, eu acho.
—Mas pode ser. Astrid, se você quiser, pode conseguir o que quiser. O que você sonhar. Pode ser uma cavaleira de dragões. Pode viver os sonhos que quiser.
—Posso fugir com vocês? – eu sorrio.
—Se é o seu desejo, milady.
—Obrigada – ela sorri. – Vou pensar em onde meus sonhos irão me levar.
*****
Ao fim da tarde, Astrid sentou-se ao meu lado na porta da Caverna. Ela pôs sua cabeça no joelho e deu um longo suspiro.
—Posso perguntar por que você nasceu sem poderes? É algo que você saiba?
—Não sei, Soluço. Não faço ideia. Meus pais acreditam que eu vá desenvolvê-los quando tiver 22 anos. Faltam 2 anos. Não sei se isso vai acontecer de fato.
Ela tinha a minha idade. Aquilo me desorientou por um instante, enquanto eu repetia em minha mente: se concentra, Soluço.
—Nunca falaram com ninguém então? Se falasse com a Anciã da minha tribo ela provavelmente saberia por quê. Ela parece saber de tudo.
—Ela é mágica? – ela encara meus olhos, curiosa.
—Quem sabe? A Gothi pode ser... Misteriosa – falo com um ar de suspense.
Ela revira os olhos. Eu sorrio e me pego a observando. Ela também me observa. Balanço a cabeça e volto a olhar para a floresta cheia de neve.
—O que você vai fazer, Astrid?
—Pode me levar para o castelo? – ela pergunta.
—Vai voltar para lá? – encaro-a com os olhos arregalados. – Pensei que não fosse voltar nunca mais pra lá.
—Eu não quero. Mas tenho que enfrentá-los. Enquanto não fizer isso, vou ficar presa às decisões deles.
—Astrid Hofferson. Você daria uma ótima viking – ela sorri.
—Já me disseram isso.
*****
Quando entramos na sala do trono, a Rainha correu para abraçar sua filha. Observei suas lágrimas. O rei observou a cena ao longe e logo depois desceu de sua cadeira. Astrid não fez menção de abraçá-lo. Ele não havia derrubado uma lágrima sequer.
—Você está bem, minha menina? – A rainha perguntou, observando seu rosto.
—Estou bem. Não se preocupe – a voz de Astrid era doce.
—Por que você saiu do castelo? Por que, quando eu ordenei que não saísse? – o rei disse e sua voz ecoou por toda a sala.
Ele olhou para mim e eu entendi que deveria sair. Astrid olhou em meus olhos. Assenti com a cabeça.
—Não vá embora antes de falar comigo – ela diz. – Precisamos acertar algumas coisas.
—Como quiser princesa – eu sorri e ela fez o mesmo.
Banguela e eu andamos até o pátio do castelo, encarando a Ilha. Queria saber o que estava acontecendo com Astrid. Desenvolvi um instinto para protegê-la. Um instinto bom. Eu precisava saber se ela estava bem.
Foram apenas dois dias com ela. Pareciam anos.
Sinceramente? O Rei parecia um completo idiota para mim. O jeito que ele tratou Astrid e o jeito que a olhou, como se não tivesse um resquício de amor por ela em seu coração, me fizeram sentir raiva. Eu precisava protegê-la. Eu queria proteger aquela princesa.
Ela entrou no pátio um tempo depois e eu encarei seus olhos. Parecia ter chorado. Quis abraçá-la, mas talvez ela não quisesse também.
—Astrid – sussurrei.
—Eu... Estou bem – ela diz. Uma lágrima escorre de seus olhos. – Estou bem.
Eu a abracei. A abracei com todo o carinho e amor que sentia por ela. Todos os meus sentimentos. Ela chorou silenciosamente, abraçando a minha cintura. Ela era um pouco menor do que eu. Encarei seus olhos após sentir que ela parara de chorar.
—O que houve, milady?
—Eles querem que eu fique aqui por mais 2 anos. Até eu completar os 22 anos.
—Mais dois anos... Trancada? – eu pergunto. Coloco uma mecha do seu cabelo atrás de sua orelha.
—Sim – ela me abraça novamente, deitando sua cabeça em meu ombro, ficando na ponta dos pés. – Eu aceitei. Se não tiver nenhum poder, poderei ser livre. Pra sempre.
—Mas...
—Eu sei – ela interrompe. – Eu vou ficar bem.
Ela encara meus olhos, com carinho.
—Obrigada. Obrigada por me salvar. Por me procurar. Por me ensinar que posso ser livre.
—Eu... Não queria ver você chorar ou sofrer.
—Vai passar. É pouco tempo. E eu serei livre.
Assenti com a cabeça e encarei novamente a cidade.
—Você... Será que eu poderia morar em Berk? Depois que se passarem esses anos?
Encarei seus olhos e sorri. Ela fez o mesmo.
—Será um prazer tê-la entre nós.
—O prazer será meu.
E ela me beijou. O que eu posso dizer... Eu senti tudo. Tudo que nunca havia sentido antes. Um amor inacabável. Um carinho incrível. Toda a doçura de Astrid. Toda a sua força.
Quando ela separou-se de mim, encarou meus olhos e sorriu.
—Para você não se esquecer de mim. Acredite, o primeiro beijo de uma princesa é mágico.
—Aprendi a não duvidar mais, princesa.
—Promete que não vai se esquecer de mim?
—Estarei te esperando, milady.
*****
“-Como foi a missão, filho? Encontrou a princesa?
—Acredite pai, encontrei muito mais do que uma princesa.”
*****
Dois anos depois...
O que teve de bom nesses anos? Encontrei minha mãe.
Valka.
Ela era incrível. Ela viveu com dragões durante anos. E foi embora porque acreditava que podíamos viver juntos. Ela me amou para sempre. E nunca se esqueceu de seu filho. Senti um sentimento de raiva inicialmente. Por que ela não havia voltado? Mas imaginei a Berk de antes. Matariam seus dragões. Matariam ela. E ela queria paz.
O que teve de ruim?
Meu pai... Se foi.
Me salvando.
Foi horrível. Ainda é horrível. Foi uma guerra. Uma guerra contra Drago. Onde Banguela tornou-se o Alpha e onde eu tornei-me o líder. Mas perdi meu pai. Eu sofri por meses. Minha mãe sofreu por meses. Mas tudo se curou. Tudo o que restou foi saudade. Saudade dele.
Saudade de Astrid. Dois anos. Eu a esperei por dois anos. Não joguei Valquíria no mar porque eu tinha uma paciência... Invejável, eu diria. Contei a minha mãe como Astrid era. Minha mãe olhou em meus olhos e sorriu, como se ela enxergasse o meu amor.
Eu apostava que era palpável.
*****
—Tudo bem, meu filho? – minha mãe me pergunta. Eu encarava o mar, em frente a porta da minha casa.
—Hoje é o aniversário de Astrid. Ela completa hoje 22 anos.
—Entendo. Ela vai ser livre, Soluço. Você vai vê-la de novo.
—Obrigado mãe. Vou ver como estão as coisas por aí.
Dois dias após o aniversário de Astrid, uma tempestade atingiu Berk. Sentia uma sensação ruim, como se algo de errado estivesse acontecendo. Não conseguia dormir de noite. Era como se algo ruim estivesse acontecendo com alguma parte de mim.
Tentei fechar os olhos durante a noite. Tenho a impressão que tive alguns pesadelos, pois acordei assustado com um nome em mente.
Astrid.
*****
Banguela e eu disparamos no céu em direção a Rondo. Ela viria de barco, e nessa tempestade... Ela podia estar em grande perigo. Viajamos por cerca de uma hora, quando avistamos uma embarcação virada.
—Astrid! – eu gritei.
Banguela e eu mergulhamos na água fria. Avistei Astrid desacordada, afundando. O leme de Banguela estava travado, de modo que nadei até ela. A peguei no colo e saímos da água.
—Astrid! – balancei seu corpo frio. Ela estava com o vestido que a conheci. – Astrid, por favor!
Uma lágrima escorreu de meus olhos. Ela abriu os olhos e começou a tossir. Ela olhou para os lados e encarou meus olhos. Eu sorri.
—Você sempre vai vir me salvar?
—Por Thor! – a abracei. – Você está bem. Está tudo bem agora. – ela abraça a minha cintura. — Nada de valor no barco? – perguntei.
—Não mais.
Ela me abraçou e começamos a voar para Berk. Avistamos a Ilha e ela olhou maravilhada, sempre com o seu jeito curioso. Nossas pilhas de rochas literalmente molhadas. Nossa vila, nossos dragões.
—Bem vinda à Berk princesa.
Ela riu e encarou meus olhos. Ela selou nossos lábios rapidamente.
—Senti sua falta, cavaleiro de dragões.
—Não mais do que eu, garanto. Contei os dias para te ver novamente.
Ela sorriu e encostou sua cabeça em meu ombro, entrelaçando seus braços em meu pescoço.
—Minha mãe não aguentava mais eu falando de você todo esse tempo.
—Espera! – ela olhou-me animada. – Você encontrou sua mãe?
—Temos muito para conversar.
*****
Astrid e minha mãe ficaram amigas rapidamente. Se uniram para fazer um complô contra mim. Eu amava as duas ainda mais.
Astrid não possuía poderes. A Anciã dissera que o destino dela era outro. Era libertar um viking e se libertar também. Quando ouviu isso, ela encarou meus olhos, como se compartilhasse um segredo comigo.
Eu compartilhei um também. Que a amava.
*****
O primeiro encontro entre Valquíria e Astrid foi... Incrível. É sério, Astrid havia nascido para ser viking. Ela ainda usava os seus vestidos. Usava suas tranças, como uma viking, mas era adorável com todos. Conquistou a todos. Com exceção de Valquíria, é claro.
—Quero conhecer a Ilha – ela disse-me. – Pode me mostrar?
—Minha mãe vai acompanhá-la, pode ser? Tenho que resolver um problema do outro lado da Ilha.
—Oh, está certo, meu líder – ela fez uma reverência e eu ri. – Posso me virar sozinha então. Afinal, eu virei uma viking nata.
—Tem certeza? – ela me deu um selinho.
—Tenho.
Então...
Ela encontrou Valquíria.
—Princesa? – ela escutou lhe chamarem. Ela virou-se e encarou quem lhe chamava
—Oh, me chame de Astrid, por favor – ela observou a menina, imaginando quem seria.
—Claro, Astrid. Sou Valquíria – ela ofereceu sua mão. Astrid sorriu.
—Valquíria, claro. Prazer em conhecê-la.
—O que está achando de Berk?
—Um lugar incrível e encantador. Bem diferente de Rondo – Astrid sorriu.
—Então... Você e Soluço parecessem bem... Amigos – Astrid cora. — Eu e Soluço já namoramos antes, ele é uma pessoa... Muito carinhosa. Mas ele não me achou a sua altura.
Astrid suspirou. Ela quase riu, mas se deteve.
—Sério? – ela fingiu surpresa. – Soluço me disse quem você é Valquíria. E sabe, eu vejo nos seus olhos quem você é. Eu não precisaria de poderes para saber.
—Do que você está falando? – ela diz, com a mão no coração.
—Que você é uma desalmada, interesseira, falsa e dissimulada – ela diz, com uma calma característica dela. – Então, quando for falar com alguém sobre Soluço, certifique-se que seu veneno não está a mostra.
Astrid virou as costas e foi embora.
—Por essa você não esperava, Valquíria. Deveria ter ficado calada, podia ter dormido sem essa – Melequento diz rindo.
—Menina – Cabeça Quente põe a mão em seu ombro. – Você precisa ser nossa amiga.
Como eu disse. Nasceu para ser viking.
*****
“-Você a chamou de falsa?
—Ela mereceu, Soluço.
—Só você mesmo, para enfrentá-la.
—Não. Só ela mesmo para me enfrentar.”
*****
Um ano depois...
Astrid tornou-se uma viking. Ela já era, mas a sua aparência também era de uma agora. Vestia-se como uma, portava-se como uma. E deuses, lutava como uma. Melequento apanhou muito dela.
Levei ela até a clareira onde conheci Banguela. Ela guardou aquele lugar no coração. Foi em uma clareira que a salvei pela primeira vez. Foi em uma clareira que ela me salvou. Eu me apaixonei por ela desde o primeiro olhar. Desde o primeiro toque. Desde o primeiro beijo. Eu queria viver eternamente ao lado da minha princesa. Da minha viking.
—Por que eu estou aqui? – ela perguntou. – E vendada?
—Você é curiosa Astrid Hofferson.
—Eu sou uma princesa e uma viking, Strondus. É uma combinação perigosa.
—Concordo.
Estávamos na clareira. Eu tinha 23 anos. Sim, foi há dois anos atrás. O anel estava em meu bolso. Desvendei seus olhos. Ela encarou a clareira.
—Eu imaginei – ela disse e virou-se para mim. Segurei sua cintura. – O que estamos fazendo aqui?
—Astrid, você é extremamente apressada.
Eu a beijei. Ela sorriu entre o beijo, mas logo se afastou. Seus olhos estavam travessos.
—Não vai me convencer querido. Você não pode ficar entre os meus objetivos. Que agora é descobrir os seus planos.
Eu balanço minha cabeça negativamente.
—Você não muda – pego o anel de meu bolso. – E sou completamente apaixonado pelo seu jeito de ser.
—Eu também sou apaixonada por você. Desde que me salvou de um lobo. Desde que me salvou e me apresentou a liberdade.
—Astrid Hofferson, princesa de Rondo, uma viking nata e a dona do meu coração – eu digo, ela sorri e fecha os olhos. – Você me ensinou que para ser livre precisamos aceitar que somos livres. Você me ensinou o que é amar. O que é amor verdadeiro.
Eu peguei sua mão e ajoelhei-me. Ela encarou meus olhos e vi uma lágrima escorrer de seus olhos em meio a seu sorriso.
—O que você está fazendo? – ela sussurrou.
—Estou acertando a minha vida. Quero vivê-la com você, para sempre. Você aceita se casar com esse cavaleiro de dragões?
Ela ajoelhou-se e sorriu. Sorriu como se quisesse que o meu coração explodisse. Ela entrelaçou suas mãos em meu pescoço e aproximou seu rosto do meu.
—Pensei que nunca fosse perguntar – ela falou próxima a minha boca. – Seria uma louca se não aceitasse.
Ela me beijou. Eu sorri e a abracei. Com todo o amor que sentia por ela. Com tudo que poderia oferecer-lhe.
*****
Estou escrevendo tudo isso por uma razão: eu sou Soluço Spansitocus Strondus III, e hoje, eu sou pai.
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