Notas iniciais
Como alguns pediram esta é a nova Fic de época. Inspirada na obra de Barbara Cartland "A Princesa Orgulhosa"
Me digam se devo continuar

10 anos atrás

Peter e Veronica Hastings eram a monarqui de Dabrozka, eles tiveram 2 filhos Jason de 18 anos futuro que estava se preparando para assumir o reinado e Spencer de 8 anos. Aparentemente eram a família perfeita só que quando as portas do palácio se fechavam era completamente o contrario.

Quando a rainha Veronica abandonou o marido, o fez de um modo tão discreto e sem dramas, que foi mais comovente do que se tivesse feito escândalo ou procurado despertar simpatias.

Tinha sofrido horrores nas mãos de um marido tirânico e brutal, cuja crueldade aumentara com o passar dos anos até se tornar insuportável. A rainha poderia ter continuado a suportar sua infelicidade, se não fosse por Spencer.

O rei, em seus fanáticos acessos de raiva, batia na mulher para descarregar seus sentimentos. Isso ocorria com frequência, mas, quando ele começou a atacar a filha, a rainha, que era calma, suave e submissa, rebelou-se. Não disse nada, porém. Apenas pediu permissão para visitar seus pais em Budapeste. Como o pai dela estava velho e doente, o rei não teve jeito de recusar tal pedido.

Assim que chegou na Hungria, a rainha escreveu dizendo que não pretendia voltar para o inferno em que se transformara sua vida. Foi forçada a deixar o filho, mas tinha sido inevitável porque, aos dezoito anos, o príncipe Julius havia entrado para o exército e seria impossível que ele desertasse de seu regimento. Mas Spencer ela levara consigo, salvando-a da crueldade do pai.

Temendo que o rei fizesse algum mal a seus pais, Veronica saiu de Budapeste. Os pais da rainha tinham sangue real, mas haviam ficado pobres. Suas terras lhes foram tomadas pelos austríacos.

A rainha, portanto, partiu com Spencer para um destino ignorado. Atravessaram toda a Europa até chegarem a Paris, onde Veronica tinha alguns amigos. Eram todos bem mais velhos do que ela e receberam-na com carinho. Além disso achava que em Paris sua filha teria o tipo de educação que ela achava essencial.

Spencer freqüentou um dos mais famosos colégios, onde foi aceita como aluna comum e ninguém sabia de sua origem.

Como Madame Hastings, a rainha, com o pouco dinheiro que possuía, alugou uma pequena casa numa rua calma dos Champs Elysées e aí estabeleceu-se, levando uma vida normal.

Era um alívio saber que estava livre da tortura física e mental de que não pudera escapar durante os anos de seu casamento. Ensinou a Spencer que autocontrole era sinal de boa educação e caráter.

O modo como o rei a tratara deixara nela uma marca indelével, mas estava decidida a fazer Spencer esquecer tudo o que vira e ouvira no palácio Dabrozka. Queria que a filha tivesse aquela serenidade que vem de uma vida decente em convivência com pessoas civilizadas que se gostam com a dignidade imposta pela linhagem.

Os condes e condessas, marqueses e abades que compu-nham o pequeno círculo de amizades da rainha, em Paris, eram todos aristocratas da velha escola. Impecáveis em suas atitudes, se eram infelizes, escondiam isso sob uma máscara sorridente; se sofriam física ou mentalmente, o orgulho encobria.

A rainha estava de acordo com isso e, por ter sofrido muito com as alterações de humor do marido, ensinara a Spencer que as emoções de uma pessoa não devem, em circunstância alguma, ser mostradas diante dos outros.

Atualmente em Paris

Ficava aflita se, de vez em quando, sob a frieza que tentava imprimir na filha, via aflorarem as emoções passionais de um dabrozkaniano típico. Os dabrozkanianos amavam ou odiavam com toda intensidade. Não havia meia medida nem estados de indiferença! Eram decididos, ardentes, ciumentos, vingativos e arrebatados no amor.

Era essa faceta do caráter da filha que a rainha estava decidida a eliminar ou, ao menos, manter sob rigoroso controle.

Spencer, portanto, foi ensinada a não expressar-se com muito entusiasmo, não beijar efusivamente, nem mostrar excessiva afeição por seus brinquedos ou amigos.

— Lembre-se de que você pertence à realeza — dizia-lhe a mãe, severa. — Lembre-se de como os aristocratas franceses foram para a guilhotina, com sorrisos nos lábios, sem perder o senso de humor.

— Mas eu não vou ser guilhotinada, mamãe! – diz Spencer

— Existem outras coisas na vida que são piores — disse a rainha, enigmática. — E seja o que for, Spencer, você vai enfrentar com coragem, sem se queixar e sem deixar que alguém saiba o que você possa estar sofrendo.

E foi assim que a mãe de Spencer morreu. Embora estivesse ficando cada dia mais pálida e devesse estar sofrendo dores terríveis, ela jamais revelara o que padecia, nem mesmo para o médico.

Com a morte da mãe, Spencer sentiu o mundo desmoronar. Viu-se diante de uma desolada solidão, tão assustadora que lhe dava vontade de gritar.

Mas, sabendo o que a mãe esperava dela, não demonstrava seus sentimentos e dizia aos amigos que a visitavam que daria um jeito em seu futuro e que não se preocupassem com ela.

Só para sua ama Ashley, que as acompanhara no exílio, mostrou seu desespero.

— O que faremos, Ashley? Para onde iremos? Não poderemos ficar aqui para sempre.

Vivia isolada naquela casa de Paris, quase como num túmulo. Todas as noites Spencer se perguntava o que deveria fazer e para onde deveria ir. Até que o destino respondeu por ela. Estava sozinha em casa, pois Ashley saíra para fazer compras, quando bateram na porta.

Era de manhã bem cedo, portanto não poderia ser nenhum dos amigos da casa. Spencer foi abrir, achando que deveria ser algum vendedor. Deparou com dois cavalheiros.

— Gostaríamos de falar com sua alteza real, a princesa Spencer de Dabrozka! — disse um deles.

Ela levou alguns instantes para perceber que falavam dela. Há dez anos que estava fora de seu país e ninguém a tratava assim. Ouvir aquele título imponente surpreendeu-a e deixou-a apreensiva.

— Por que desejam falar com a princesa? — perguntou Spencer, evasiva.

— Ela está em casa? — falou um dos cavalheiros.

Spencer percebeu que eles estavam preocupados com a possibilidade de terem errado de endereço.

— Entrem, por favor — respondeu ela.

Deu-lhes passagem, conduzindo-os para o pequeno salão. Apesar de ter aberto a porta para eles, algo em sua aparência dizia-lhes que Spencer não era uma criada.

— A senhora é a princesa, não é? — perguntou um deles.

— Sou! — respondeu Spencer e, dizendo isso, sentiu que se iniciava um novo capítulo em sua vida.

Ficou sabendo logo que ambos eram ministros de Estado no reinado de seu pai, em Dabrozka. Tinham sido enviados para encontrá-la, sem saberem que a mãe já não estava mais viva.

— Seu irmão, o príncipe Jason, morreu! — falou depois se identificou como ministro do Exterior- e deixou uma esposa gravida que deu a luz a 2 dias

— Sinto muito... — disse ela automaticamente. — Como foi que ele morreu?

O ministro pareceu hesitar antes de responder. — Foi. . . um acidente. O príncipe envolveu-se numa briga que aconteceu numa taverna. — Fez uma pausa antes de continuar. — Ninguém sabe ao certo como começou, mas era tarde da noite.

Spencer não pôde deixar de pensar que era um modo estúpido de morrer para alguém tão alegre e saudável.

Lembrava-se dele sempre rindo, sempre cavalgando com ânimo e entusiasmo. Era difícil imaginá-lo sem vida. Nem sabia o que dizer, esperou apenas que os ministros explicassem o motivo da visita.

— Viemos porque o único herdeiro homens é seu sobrinho que acaba de nascer e sua majestade deseja que você a assuma o lugar de seu irmão e cuide de seu sobrinho- diz o ministro

Spencer fitou-os, incrédula — O. . lugar dele?

— Com a morte de seu pai você será a rainha de Dabrozka- diz o ministro- e tutora legal de seu sobrinho

— Não . . , não! Eu não poderia!- diz Spencer tentado controlar sua ansiedade

Mal acabou de exclamar isso, Spencer percebeu que estava demonstrando uma falta de controle que sua mãe reprovaria. Por isso esforçou-se para acalmar-se, dizendo— Talvez os senhores possam me explicar melhor isso.

Percebeu, entretanto, que não haveria escolha e que, se tivesse se recusado a acompanhá-los, eles teriam achado outros meios de fazer cumprir a ordem do pai.

Mesmo que sua mãe estivesse viva e se recusasse a voltar, ela teria que obedecer, pelo simples motivo de que seu pai era seu guardião legal, pelas leis de Dabrozka e de qualquer outro país.

Além do mais, Spencer não sabia mais se queria recusar.

Havia um certo fascínio na ideia de voltar, após tantos anos. Sabia o quanto sua mãe temia seu pai. Lembrava-se, ela própria, do medo que sentia quando criança e das surras que levara.

Agora, entretanto, ela estava crescida e talvez tudo fosse diferente. Voltaria para Dabrozka e, se não conseguisse suportar a vida lá, fugiria tal como a mãe fizera. Sabia, porém, que não seria fácil fugir uma segunda vez.

Seus avós já haviam morrido, por isso não poderia mais usá-los como desculpa para ir a Budapeste. Contudo, o otimismo da juventude dizia-lhe que acharia um jeito de voltar a Paris, se fosse o caso.

Após meses de infelicidade e solidão, desde a morte da mãe, Spencer estava contente de ter um meio de escapar dali e esquecer as privações que sofrera durante a ocupação, depois que a França fora invadida pelos prussianos com a derrota de Sedan.

Dava-lhe horror só de lembrar daqueles meses terríveis em que a comida se tornara escassa, o combustível era impossível de se conseguir e Paris era bombardeada.

Lembrou-se de que a mãe nunca se queixara e ela não poderia ser covarde agora.

Em comparação com Paris nessas circunstancias, Dabrozka parecia-lhe um pais cheio de luz e beleza, e, enquanto viajava de volta com os dois ministros, não se sentiu apreensiva com o futuro, mas sim alvoroçada com o que ele poderia lhe trazer.

—Eu vou voltar para Dabrozka- diz Spencer decidida