Notas iniciais
Espero que Gostem. Enfim o Casamento.

P.V. Emily On

Hoje é o dia do meu casamento. Um casamento sem amor. Eu sempre soube que isso poderia acontecer. Quando meus pais ainda eram vivos meu pai me prometeu que eu só me casaria por amor. Só que com a morte deles meu povo passou a ser minha responsabilidade e como soberana sei que meus interesses tem que ficar em segundo plano. Eu vou me casar com a princesa só que se ela for como o pai dela nosso casamento será uma mera fachada. Se eu tiver um casamento de fachada vou procurar a moça da floresta eu sei que o reino merece um bom governo e isso eu darei mas eu quero ser feliz e algo me diz que poderei ser feliz com ela.

O.V. Emily Off

Emily foi retirada de seus pensamentos quando ouviu batidas em sua porta.

—Pode entrar- diz Emily se olhando no espelho

—Majestade esta linda- diz Ezra- que pena seus pais não poderem estar aqui neste momento

—Eu também sinto muito- diz Emily triste

—Mas eu estou do seu lado- diz Ezra sincero abraçando a prima- e vai dar tudo certo

—Com certeza de uma forma ou de outra vai dar tudo certo- diz Emily

—Então vamos- diz Ezra- não podemos nos atrasar

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Os sinos de todas as igrejas repicavam, misturando-se à aclamação do povo e à música das bandas.

No pouco tempo que tiveram para se preparar para o casamento, os cidadãos de Vitózi tinham feito milagres.

As ruas estavam todas enfeitadas com flores, em cada casa havia uma bandeira. Homens, mulheres e crianças saíram às ruas vestidos com seus trajes típicos, coloridos, acenando com lenços, flores e bandeirolas.

Era um dia de céu límpido, sol brilhante e morno, com uma brisa suave.

Spencer ia sentada ao lado do pai, numa carruagem aberta, ciente de que para o povo ela devia parecer a noiva ideal, radiante e feliz diante da perspectiva de se casar.

O vestido que ela e Ashley haviam escolhido era de baile, feito de seda e tule brancos, com uma longa cauda. Comprara-o pensando que talvez houvesse algum baile no palácio ou precisasse usá-lo em alguma ocasião especial para causar impacto.

Jamais imaginara que seria seu vestido de noiva. No entanto, ficara perfeito. O véu era o mesmo usado pelas rainhas de Dabrozka através dos séculos. Não cobria seu rosto e era preso na cabeça por uma magnífica tiara de diamantes formando flores delicadas e flexíveis que tremulavam a cada passo. Sua mãe falara-lhe muito sobre as joias da Coroa, e quando Spencer teve que escolher o que usaria no casamento ficou deslumbrada com tanto esplendor. Escolhera, porém, só a tiara de diamantes, achando que seria ostensivo usar mais alguma coisa.

Os jardineiros prepararam-lhe um buque de flores brancas e Spencer esperava que isso pudesse esconder o tremor de suas mãos. Não era apenas pela dor dos vergões em suas costas que se sentia fraca, mas também pela ansiedade que a consumia. Só a educação disciplinada de anos a impediu de agarrar-se a Ashley antes de sair do palácio.

— Deus a abençoe, minha pequena m'mselle! — dissera Ashley com o rosto banhado em lágrimas ao despedir-se.

O rei proibira que os criados do palácio assistissem á cerimônia.

— Será que o senhor não conseguiria convencê-lo a deixar? Eles ficariam tão satisfeitos! — disse Spencer ao coronel Rivers— Principalmente os que conheceram mamãe.

— Eu disse exatamente o que me pediu, princesa — retrucou o coronel Rivers— e sua majestade retrucou que isso não era um show!

Foi difícil para Spencer controlar o ódio que sentia pelo pai, quando ele se sentou a seu lado na carruagem.

Apesar disso, não pôde negar que ele estava magnífico, com sua túnica vermelha. A espada de ouro pendendo da cintura e as esporas em suas botas de cano alto ajudavam a compor a magnificência. Só o ar carrancudo e o ressentimento no fundo dos olhos diziam a Spencer que ele era como um vulcão prestes a entrar em erupção a qualquer momento.

Tinha rezado antes de sair do palácio para que tudo transcorresse com calma e sem incidentes.

Se devia se casar com uma desconhecida pelo bem de Dabrozka, então era importante que o casamento desse a impressão de um acontecimento feliz e um bom agouro para o futuro.

Uma coisa era boa: não deveria falar com o pai no percurso até a catedral.

Multidões se alinhavam ao longo das ruas, dando vivas e atirando flores na carruagem, desde o momento em que saíram do palácio até chegarem na cidade.

O barulho na praça era ensurdecedor e ali havia mais gente do que nos outros lugares. Era incrível a rapidez com que a notícia do casamento chegara até eles. Tinha quase certeza de poder distinguir as pessoas que vinham de Sáros, na outra margem do rio. Podia ser imaginação sua, mas eles pareciam muito mais prósperos, mais bem vestidos e mais felizes do que os Radák.

Havia a guarda de honra do rei na frente da catedral. A religião dos dabrozkanianos era ortodoxa oriental.

A catedral estava abarrotada de gente, e cheirava a incenso. Apesar de avançar de olhos baixos, de braço com o pai, sabia que as pessoas mais importantes do país estavam ali.

Lentamente o rei e Spencer percorriam a nave. Adiante ela já podia ver o arcebispo com sua longa barba grisalha, cercado por doze padres e coroinhas, com suas roupas vermelhas, que balançavam incensários. Percebeu, então, que à sua espera, ao pé dos degraus do altar, havia uma mulher alta e com um vestido branco longo.

Ficou de olhos baixos, sem ousar levantar a cabeça. Ia se casar com uma desconhecida e não conseguia olhar para ela, temendo ficar mais apavorada do que já estava. Sem querer apertou o braço do pai. Para se confortar, procurava pensar que devia se portar como a mãe lhe ensinara, e que estava fazendo aquilo pelo bem de Dabrozka, pela sua gente, para que tivessem paz.

A mulher com quem ia se casar estava agora a sua direita, e ela ainda não conseguia olhá-la.

O arcebispo começou a cerimônia.

Alguém retirou o buquê das mãos de Spencer e o casal de noivas ajoelhou-se, lado a lado, nas almofadas de cetim branco.

Spencer sentia uma estranha vibração com a proximidade da princesa e perguntou-se se ela estaria sentindo alguma coisa. Percebeu que não sabia nada sobre a mulher com quem estava se casando nem sobre a parte do país que ela representava.

Ficou tão absorta nesses pensamentos que quando deu por si a noiva já estava fazendo o juramento, repetindo as palavras do arcebispo:

—- Eu, Emily Rose Fields, aceito Spencer Avery Hastings como esposa. . .

Ela tinha uma voz Suave e melódica e ao mesmo tempo autoritaria. Falava devagar, com seriedade, e chegava a parecer sincera. Spencer achou aquela voz conhecida mas estava tão nervosa que não conseguia identificar quem era.

Em contraste, Spencer achou que sua voz soava fraca e desolada. Sentiu a princesa pegar em sua mão para colocar uma aliança de ouro em seu dedo. Teve um súbito medo de que fosse pequena e não servisse; nesse caso achariam que era um mau agouro. Os dabrozkanianos eram muito supersticiosos.

Porém, a aliança serviu perfeitamente e a princesa segurou sua mão com firmeza e decisão enquanto o arcebispo as abençoava.

— Eu os declaro Esposa e Esposa -- disse ele.

Pela primeira vez Spencer ergueu o olhar para ver a mulher que se tornara sua esposa.

Ficou contemplando-a incrédula, e achou que devia estar sonhando. Afinal não se casara com uma desconhecida. Não só já vira a príncesa como também já fora beijada por ela!

Ela a olhava com curiosidade, um brilho zombeteiro nos olhos Castanho vivo.

P.V. Emily On

É ela. eu não acredito. Ela é a mulher que eu beijei na floresta. Temos que conversar assim que esta cerimonia acabar.

P.V Emily Off

Spencer precisou fazer um esforço para prestar atenção no resto da cerimônia.

—Pode beijar a noiva- diz o arcebispo

Emily suspendeu o véu de Spencer e selou seus lábios. Ambas aproveitaram aquele simples momento.

Quando tudo acabou, Spencer virou-se e fez uma mesura para o rei, enquanto a princesa inclinou a cabeça cerimoniosamente.

O rei, então, levantou-se e foi caminhando diante delas pela nave.

Era uma atitude sem precedentes, mas Spencer sabia que ele fazia isso para mostrar a todos que ele era o monarca! Era a pessoa mais importante ali presente!

O princesa ofereceu o braço a Spencer que sorriu feliz. A medida que caminhavam ela cumprimentava as pessoas com uma ligeira inclinação de cabeça.

Quando chegaram lá fora, o rei já saíra em sua carruagem.

A carruagem das noivas era aberta, toda enfeitada de flores, puxada por cavalos com plumas nas cabeças e arreios com enfeites de ouro. Tão bonita que Spencer logo percebeu que não era de seu pai, mas sim da princesa.

A multidão aclamava entusiasmada, seguindo o percurso da saída da catedral com mais animação ainda do que antes da cerimônia.

Spencer olhou timidamente para a princesa, viu que ela estava compenetrado, acenando para as pessoas, e tratou de fazer o mesmo.

O veículo era puxado por quatro cavalos e não demorou para que subissem a ladeira íngreme que conduzia ao topo da montanha onde se localizava o palácio.

Através delas seguiam outras carruagens com os mais ilustres dignatários e nobres senhores de terras.

O pátio do palácio estava cheio de soldados e, quando a carruagem parou diante do portão, Emmily falou- Acho que devemos passar em revista a Guarda de Honra.

—- É claro _- respondeu Spencer

Olhou para ela e notou a inconfundível expressão zombeteira em seu olhar e o sorriso.

—Já nos encontramos antes _ disse Emily

Só de lembrar que ela se lembrara do beijo fez com que Spencer enrubescesse e baixasse as pálpebras.

Teve a impressão de que a princesa ria de seu embaraço. Enquanto percorriam as fileiras de soldados, a princesa parava de vez em quando para falar com um ou outro. Spencer viu que o oficial no comando era o Coronel Rivers e elogiou a tropa para agradá-lo.

Chegaram afinal à sala do trono, onde estavam os convidados com suas roupas elegantes, conversando animadamente.

Havia um bolo enorme todo decorado e Spencer ficou imaginando como, em tão pouco tempo, teriam conseguido prepará-lo.

Precisava lembrar-se de agradecer ao chefe de cozinha e providenciar um bom pedaço para Ashley. Porém era difícil pensar em qualquer coisa com toda aquela gente a rodeá-la, cumprimentando-a.

Várias pessoas falaram em sua mãe; mas algumas apenas a fitavam com ar crítico, e essas eram sem dúvida do território Sáros.

A recepção prosseguia interminável, e Spencer ficou contente quando o coronel Cavanaugh lhe trouxe um sanduiche e uma taça de champanhe.

— Esperávamos que sua majestade fizesse um brinde à saúde dos noivos _ falou o coronel Cavanaugh em voz baixa _ mas parece que ele sumiu!

— Talvez seja melhor pedir que o primeiro-ministro faça isso _ sugeriu Spencer

Sabia que seria um erro pressionar o pai a participar da festa.

O coronel concordou com a ideia e instantes depois o primeiro-ministro subiu no estrado diante dos tronos, segurando uma taça de champanhe.

— Sua majestade, sua alteza, lordes, senhoras e senhores _ começou ele. _ Este é um dia muito feliz na história de Dabrozka. Acredito que a partir desse momento os problemas e dificuldades que temos enfrentado nos últimos anos ficarão no passado. Não haverá mais divisões, divergências, quer em nosso país, quer em nossos corações. A Princesa Emily e a Princesa Spencer darão um espírito novo à terra que amamos. Que cada um de nós contribua, não só em palavras e ações mas também de corpo e alma! Proponho um brinde as noivas. Que Deus lhes dê muitos anos de felicidade juntos e que eles nos tragam o que tanto precisamos: paz!

Ergueu-se um brado da multidão, seguido do tilintar de taças_ As noivas!

Tomando Spencer pela mão, Emily subiu no tablado.

— Gostaria de agradecer ao primeiro-ministro em nome de minha esposa e em meu nome e dizer-lhe que nos dedicaremos ao bem de Dabrozka. Não haverá mais inimizade entre os Radák e os Sáros e as divisões que nos mantiveram afastados por tanto tempo não existirão mais. Acredito que, com a ajuda de todos, conseguiremos criar um novo país e que nossa vida familiar seja um exemplo de paz e prosperidade para as gerações futuras de Dabrozka- diz Emily

Todos aplaudiram e deram vivas quando Emily beijou Spencer.

Ao contato daqueles lábios em sua pele, ela estremeceu.

—Precisamos conversar- diz Emily com voz sedutora

Spencer ergueu os olhos para Emily, sentindo que devia dizer alguma coisa, mas nesse momento ouviu uma voz as suas costas.

— Sua majestade deseja falar com a princesa e com a senhora!- Era um dos ajudantes-de-ordens de seu pai e Spencer achou que havia algo de hostil em seu tom de voz.

Olhou-o apreensiva, mas ele pôs-se a caminhar, guiando-os para uma das antessalas.

O rei esperava-os sozinho e bastou olhar para o pai para Spencer sentir seu coração quase parar.

Estava carrancudo como na véspera, e, assim que a porta se fechou, disse para a princesa, com rispidez_ Ouvi o que você disse!

— Espero que tenha gostado, sire!- diz Emily no mesmo tom

— Gostado?! Você achou que eu ia gostar de ouvi-la falar como se pretendesse sentar-se em meu trono e criar filhos que usurparão minha posição?- diz Peter

— Não tenho a intenção de usurpar sua posição, sire. Mas sei que minha esposa é sua herdeira e quando chegar a hora de reinar sobre Dabrozka. . .- tenta falar Emily

— Quando chegar! _ esbravejou o rei. _ Mas nessa ocasião você já estará morta!

Spencer sentiu que o princesa Emly ficou tensa, mas antes que ela pudesse falar o rei prosseguiu, num de seus costumeiros acessos de raiva

— Sei muito bem o que vai por essa sua cabeça astuciosa- diz Peter-Você pensa que se eu aceitar estarei aceitando seus Bastardos! Pois está muito enganada! Você não tocará em minha filha, e se ousar fazer isso eu o matarei com minhas próprias mãos! Você não passa de uma usurpadora comum! meu trono já tem herdeiro que é meu único neto. A Princesa de Sáros não é melhor do que os camponeses rebeldes sobre os quais reina! Se quer uma mulher, escolha uma entre os ciganos sujos que você incentivou a desrespeitar minhas leis. Essas sim são a companhia certa para uma mulher do seu tipo! Quem sabe se seu pai não foi um cigano?!

O rei estava rubro e cuspindo raiva.

— Eu fui forçado, é, isso mesmo, forçado a lhe dar minha filha em casamento. Mas não se deixe iludir, isso é apenas uma farsa para enganar os russos! Não um convite para você satisfazer seus apetites, ou tratá-la como se ela não fosse superior a você por nascimento e educação!

Sacudindo o punho cerrado, gritou:

— Ela odeia você tal como eu, e para ela você não passa de uma serviçal! Por mim você seria levada desse palácio e enforcada como serão os prisioneiros que você libertou outra noite, assim que forem presos novamente!

Spencer ficou perplexa, paralisada com as palavras do pai. Era como se o rosto dele grotescamente contorcido e sua voz ríspida a hipnotizassem. Não podia se mover nem protestar.

Então, sentiu que a princesa Emily a pegava pelo braço, puxando-a na direção da porta que conduzia para o corredor e não para a sala dos espelhos.

Quando o rei percebeu o que pretendiam, gritou_ Voltem aqui! Eu ainda não terminei, Sáros! Quero que você ouça mais ainda!

A Princesa Emily virou-se e curvou a cabeça corretamente. Spencer fez a mesura. Então ele abriu a porta e ambos saíram.

A princesa Emily conduziu-a para o grande hall, e Spencer, pensando que ela se confundira com caminho, fez menção de virar para a esquerda.

— Nós estamos indo embora!- A voz de Emily soou fria

Ao olhá-lo, viu que o olhar era duro. Pôde sentir a raiva que emanava dela e seu coração começou a bater mais forte, com apreensão.

Chegaram ao hall e os criados olharam-nos surpresos.

— Minha carruagem! _ ordenou a princesa Emily.

O mordomo apressou-se em mandar chamar a carruagem enfeitada que aguardava numa sombra. O cocheiro, sem dúvida, não esperava ser chamado tão logo.

Spencer desceu e subiu no veículo como se fosse um autômato. A princesa sentou-se a seu lado.

Não havia ninguém para vê-las partir. Nenhuma despedida, nem votos de boa sorte ou chuva de pétalas e arroz.

O cocheiro chicoteou os cavalos e começaram a descer a ladeira.

Notas finais
No próximo Lua de Mel.