Notas iniciais
Maratona. Comentem.

Spencer tentou desculpar-se com a princesa, mas era impossível encontrar palavras. Estava atônita com o comportamento do pai a tal ponto que seu cérebro se recusava a funcionar.

Sentia-se tão indefesa e subserviente como quando ele a açoitara, e a única coisa em que pensava no momento era que as chicotadas estavam doendo terrivelmente em suas costas. Sabia, entretanto, que precisava falar com a princesa, mostrar o quanto lamentava aquilo tudo, mas quando ia abrir a boca chegaram aos portões do palácio.

De novo a multidão reunida do lado de fora começou a aclamar, acenando e gritando. Automaticamente Spencer pôs-se a curvar a cabeça e a acenar. Era impossível fazer-se ouvir pela princesa, em meio àquela gritaria toda. Gritos de boa sorte e felicidades eram acompanhados por chuvas de pétalas e arroz.

Na outra margem do rio, o entusiasmo era ainda maior. Já estavam em território Sáros e Spencer notou que, de fato, os cidadãos ali pareciam mais prósperos e felizes.

Havia uma praça, perto da ponte, em cujo centro erguia-se uma estátua a princesa de Saros. Ali as pessoas cercaram a carruagem e os cavalos não podiam mais prosseguir. — Discurso! Discurso!

Começaram a pedir alguns grupos até que toda a multidão passou a gritar as mesmas palavras.

A princesa ergueu-se da carruagem e estendeu a mão para que Spencer se erguesse também. Sabia que todos queriam vê-la. A mão de Spencer tremia ao tocar a dela. Ficou em pé ao lado da esposa e subitamente todos se calaram esperando ouvir a princesa.

Ela falou quase as mesmas palavras que dissera na sala do trono, a não ser que terminou diferente.

— A paz só será possível com a ajuda de vocês. Não deve haver mais lutas entre nós. Estamos ameaçados por um inimigo fora e só se formos um povo unido sobreviveremos.

Spencer sentiu que ela amava Dabrozka. Pela primeira vez pensou que talvez a ideia de unir o país através daquele casamento tivesse partido dela.

Os cavalos continuaram o caminho, mas ainda não havia a menor possibilidade de conversarem. As pessoas iam seguindo a carruagem, gritando e aclamando até mesmo na íngreme subida que conduzia ao castelo de Sáros.

Spencer avistou-o pela primeira vez através das acácias floridas e achou que era bem mais bonito do que esperava. Parecia um castelo de contos de fadas, com suas torres, bastiões, portas em arco e pedras ornamentais. Não havia muros cercando-o como o palácio de seu pai, que mais parecia uma fortaleza. Em vez disso, havia azaleias floridas de várias cores, arbustos e oliveiras.

Os soldados alinhados diante do castelo usavam uniformes bem diferentes dos usados pelos soldados do rei. Spencer percebeu que a princesa tinha seu próprio exército. Isso explicava por que seu pai não invadira o território Sáros. Não era à toa que ele os odiava tanto.

A carruagem parou diante da porta e, assim que Spencer desceu, a princesa apresentou-lhe os criados e os oficiais a serviço no comando das tropas. Todos ali pareciam bem mais jovens do que no palácio do pai. Foi agradável perceber o brilho de admiração nos olhos dos jovens oficiais ao serem apresentados.

Entraram no castelo e Spencer viu que era tudo muito diferente, menos austero e nada assustador. Olhou de relance para tudo antes de erguer os olhos para o marido, apreensiva, imaginando se ela ainda estaria bravo.

—Princesa esta é meu Primo Ezra e sua esposa Aria- diz Emily apresentando a família

—Prazer- diz Spencer educada

—O prazer é nosso princesa- diz Ezra

—Seja bem vinda- diz Aria educada

— Tenho certeza de que você gostaria de descansar _ disse Emily num tom inexpressivo _ Aria por favor leve-a ate os seus aposentos.

Spencer hesitou. Queria perguntar se não podiam ficar a sós por um instante, mas achou embaraçoso diante de todos.

—Estou cansada sim. Obrigado por sua preocupação- Spencer fez uma mesura então e subiu a escada, arrastando com graça a cauda do vestido.

Quando chegou ao topo da escada ouviu vozes e risos lá embaixo e viu que o princesa estava cercado de seus oficiais que o cumprimentavam.

—Não sinta ciúmes- diz Aria vendo o olhar de Spencer- ela é muito amada por seus oficiais

—Não sinto ciúmes- diz Spencer- estou admirando a princesa

Spencer estava sentindo uma pontinha de ciúmes sim, mas nunca admitiria isso, ela estava ansiosa em poder conversar com a princesa

— Que bom. Este, alteza, é o quarto usado por todas as princesas de Sáros há muitos séculos. Os aposentos da princesa são ao lado.- explica Aria abrindo a porta

Era um belo quarto com mobílias feita por artesãos dabrozkanianos. Várias madeiras incrustadas formavam desenhos de flores e pássaros. As colunas do dossel da cama eram entalhadas e pintadas. Ninguém se igualava aos entalhadores de Dabrozka, que criavam magníficos trabalhos nas igrejas.

— Jamais vi algo tão lindo! _ exclamou Spencer

Aria alegrou-se_ E muito antigo, alteza, mas feito com amor, como tudo neste castelo. E cuidado com muito carinho também.

— É isso que faz um lar _ disse Spencer, sem querer.

— E verdade, alteza, e esperamos que seja muito feliz aqui- diz Aria sincera- agora este será seu lar princesa

— Eu quero muito ser... _ murmurou Spencer

—Fique a vontade princesa se precisar de ajuda me chame- diz Aria fazendo reverencia e saindo

Spencer ficou pensando em um jeito de conversar com Emily. Mas Quando Ashley e Hanna chegaram elas ocuparam-se em desfazer as malas.

—Oi meu príncipe- diz Spencer pegando o sobrinho- esta será nossa nova casa

Spencer ainda não teve muito contato com o sobrinho mas a partir de agora tomaria as rédeas da educação do sobrinho para que o mesmo não ficasse como o pai e o irmão. Ele seria diferente.

—Eu sei que não tenho sido boa mãe pra você- diz Spencer sincera- mas a partir de hoje eu serei a melhor mãe do mundo pra você

O menino era a cara de seu irmão e tinha um sorriso tão lindo que trouxe lagrimas aos olhos de Spencer.

—Princesa ele ainda é muito pequeno para compreender suas palavras- diz Hanna- mas já sente sua falta

Spencer estava cansada e com as costas doendo das chicotadas, recusou-se a deitar. Cuidou do sobrinho. Arrumou suas roupas e ficou andando do quarto para a saleta da suíte, olhando pelas janelas de onde se avistava ao longe o palácio do rei do outro lado do vale.

Gostaria de saber o que o pai fizera depois de terem partido. Temia que ele tivesse voltado à sala do trono e insultado os convidados. Sentiu náuseas só de pensar na maneira com que falara a princesa.

Tudo aquilo era um desastroso começo para seu casamento. Ficou imaginando se a princesa acreditava que ela estivesse de acordo com o pai, contra ela. Poderia haver coisa mais desagradável do que o rei tê-la mandado embora na manhã em que fora conhecê-la?

Então lembrou-se de como ela a beijara no bosque e de que dissera: _ Volte para casa, moça bonita, flertar com seus pretendentes.

O que teria querido dizer com aquilo? Será que por vê-la sozinha pensara que ela era como aquelas mulheres?. . . Não, ela não poderia ter pensado uma coisa dessas. . . mas então por que a beijara daquela maneira?

Sentia afundar-se numa areia movediça, e tudo o que fizesse, qualquer movimento, só serviria para que fosse tragada inexoravelmente.

Prometeu-se que iria explicar tudo a ela quando se encontrassem no jantar.

Uma duas horas mais tarde, ainda estava conversando com Ashley e Hanna quando bateram na porta da saleta.

Ashley foi abrir. Falou com alguém do lado de fora, depois virou-se para Spencer.

—A Princesa Emily pediu para se desculpar mas não vai poder jantar com a senhora hoje- diz Ashley

—Obrigado- diz Spencer

Spencer ficou magoada mas tentou entender que a princesa era ocupada.

As três jantaram no quarto e depois Hanna foi com o bebe para o quarto onde o bebe ficaria.

A noite caiu rápido e Spencer se aproximou do espelho para olhar-se. O vestido que escolhera era branco, mas havia um reflexo prateado sob a gaze e pequenos ramos de flores bordados no tecido de longe em longe.

Ashley ajeitava pequenos botões de rosa nos cabelos castalhos de Spencer, exclamando_ Você está linda, m'mselle. Só gostaria que sua mãe pudesse vê-la agora.

— Talvez ela possa. . .- diz Spencer emocionada se lembrando da mãe

Pouco antes, enquanto tomava banho, Ashley viu horrorizada, pela primeira vez, as marcas das chicotadas em suas costas_ M'mselle, o que aconteceu? Quem lhe fez isso?!

Spencer saiu do banho e enrolou-se depressa na toalha.

— Eu caí enquanto cavalgava, Ashley. Não foi nada grave, não me machuquei- mente Spencer

Ashley sabia muito bem que era mentira, que tinha sido o chicote do pai que fizera aquelas marcas em sua pele delicada, e que Spencer tinha o mesmo orgulho que impedia a rainha de se queixar.

— Está bem, m'mselle, mas depois eu vou passar um creme que vai ajudar a fazer sumir as marcas depressa- diz Ashley

Ashley deu um beijo na testa de Spencer e deixou o quarto. Spencer não pôde deixar de pensar que, acontecesse o que acontecesse, dali em diante ao menos estaria livre do pai e ele não poderia mais bater nela.

Lembrou-se da sensação do contato dos lábios dela nos seus, e um ligeiro tremor de excitação percorreu seu corpo ao imaginar que talvez naquela noite elas se beijariam de novo.

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Emily estava no jantar com seus Oficiais para reforçar a segurança das fronteiras e já estava montando sua agenda. Depois do jantar Emily foi para seu quarto e olhou a janela. Seu povo estava festejando o seu casamento mas ela não tinha o que comemorar. Quando ela viu sua noiva seu coração se encheu de alegria, era a moça da floresta, a que estava rondando seus sonhos. Só que depois das palavras do Rei sua ilusão acabou. Aquele casamento era de fachada e seria de fachada.

As palavras do rei ecoavam em sua cabeça. Ela tomou um banho. Trocou de roupa e colocou uma camisola branca para sua noite de núpcias.

O rei disse que ela não poderia tocar em sua filha. Só que ela fazia questão de honrar a tradição dos Saros e foi para o quarto de Spencer.

Ela entrou no quarto e viu Spencer olhando pela janela.

—Eles estão dançando em comemoração ao nosso casamento-diz Emily seria- eles estão muito felizes.

—Eu consigo sentir toda a felicidade deles-diz Spencer nervosa

Spencer sabia que era a hora de falar com Emily só que quando ela se virou viu a seriedade da princesa e se retraiu.

Emily se aproximou de Spencer- não precisa ter medo vou cuidar bem de você.

Emily selou o lábio de ambas até perderem o folego. Emily começou a abrir a camisola de Spencer e ela teve medo.

—P... pode apagar a luz?- pergunta Spencer tímida

Emily apagou a luz e despiu a camisola de Spencer e a deitou na cama. Emily beijou Spencer nos lábios foi descendo carinhosa. Spencer nunca pensou que se sentiria deste jeito. Foi tudo maravilhoso. Emily foi perfeita com Spencer. Logo após terminarem Spencer dormiu.