A Princesa Orgulhosa

14 Capitulo 14


Notas iniciais
Estamos entrando na reta final aproveitem.

O impacto deixou-a semi-inconsciente por instantes. Então, cheia de felicidade, percebeu que estava nos braços da princesa, sentada na sela dela com a cabeça apoiada em seu peito.
Spencer mal conseguia respirar, mas seu coração cantava de alegria por ter sido salva por Emily. Como ela era forte!
Galoparam ainda por uma longa distância antes que a princesa fizesse o cavalo parar. Spencer, com o rosto escondido no peito dela, mal podia crer que fora salva, e sentia-se protegida ali.
Pelo menos ela se importara de salvá-la!
—Você esta salva minha princesa- diz Emily beijando os labios de Spencer
Foram muitas emoções Spencer acabou desmaiando.

No palacio

Ashley saiu do quarto de Spencer e encontrou a princesa Emily esperando na saleta. Ela havia batido de leve na porta e ela saíra da cabeceira da princesa para ver quem era. Fechou a porta atrás de si, fez a mesura e esperou que o princesa falasse.
— Como está ela? _ perguntou Emily preocupada
— Sua alteza está dormindo- responde Ashley
— Ela está bem?- pergunta Emily ainda preocupada
— Um pouco abalada. Deve ter sido bastante assustador ser capturada pelos zyghes- responde Ashley sincera_ M`mselle não é tão forte quanto aparenta, alteza. O que não é de estranhar, depois do que sofreu no cerco de Paris.
O princesa ficou paralisado_ Está me dizendo que a princesa estava lá durante o cerco?
— Pensei que soubesse, alteza. Foi lá que ela viveu depois que saímos de Dabrozka- responde Ashley
— Eu não fazia a menor idéia. Pensei ter ouvido dizer que vocês estavam em Bordeaux- diz Emily sincera
Ashley sorriu_ Na rua de Bordeaux, alteza! Uma pequena rua perto dos Champs Elysées, em Paris!
— Então a princesa sofreu o cerco! – disse Emily, ainda incrédula.
— Foi terrível! É um milagre que não tenhamos morrido de fome. Não se encontravam nem batatas e as poucas que apareciam custavam caríssimo. Manteiga, então, um absurdo!- diz Ashley indignada
Emily sorriu diante da indignação de Ashley
— Mas sempre ouvi dizer que os que possuíam dinheiro não passavam fome, e certamente esse era o caso de vocês!- diz Emily
— Imagine! Não tínhamos quase nada. Nós estávamos lá escondidas, alteza. Madame Radák e a filha, m`mselle Elisa- diz Ashley-Ninguém se preocupava conosco!
— Não sabia disso... _ murmurou Emily
— O pouco que a rainha possuía era gasto no colégio da menina. Os vestidos de m`mselle era eu quem fazia, com tecidos baratos do mercado- diz Ashley
Emily ficou sem fala e Ashley prosseguiu_ Mas estávamos dando um jeito, até que veio o cerco! Então, geralmente era só um pedaço de pão seco e água fria. Não havia fogo para ferver água! Foi o frio daquele inverno que acabou matando a rainha. Eu a ouvia tossir noite após noite. Mesmo depois que o cerco terminou, tossiu até morrer, sem nunca se queixar. Tenha cuidado com m'mselle, alteza! Ela é como a mãe, jamais se queixa. Foi ensinada a ter orgulho, nunca demonstrar sofrimento, seja qual for. Nem mesmo quando o rei bateu nela, como batia na rainha com freqüência, ela me contou. Disse-me que tinha caído, como se eu não reconhecesse vergões de chicotada!
— O rei bateu nela?- pergunta Emily enfurecida
— Devia ter visto as costas dela, alteza. Tudo em carne viva! Não posso entender como ela conseguiu sorrir durante o casamento!- responde Ashley

P.V. Emily On

Eu não acredito que fizemos amor e ela não me contou. Eu sou muito insensivel. Tinha que ter percebido. Tenho que pedir desculpas por ser insensivel. Eu vou matar aquele Rei bastardo. Assim que espulsar os russos ele vai me pagar.
P.V. Emily Off

Emily novamente ficou sem fala, e depois de instantes Ashley disse, nervosa_ Alteza, não diga à princesa que lhe contei tudo isso, por favor. Ela ficaria muito zangada comigo. Durante vários anos, no palácio, muitas vezes tive que despir a rainha, inconsciente de tanto apanhar, e deitá-la na cama, mas ela jamais comentou o que acontecera.
— O rei é um louco! _ exclamou Emily com furor.
— É sim, alteza, mas não é culpa dele- diz Ashley
Emily olhou-a, surpresa, e Magda explicou _ Poucas pessoas sabem, mas quando o rei era criança a babá deixou-o cair. Os criados ficaram com muito medo de contar o acidente aos pais dele.
— Deve ter afetado o cérebro dele _ falou Emily, num sussurro.
— E o que eu sempre achei, alteza, e é por isso que, quando ele fica bravo, perde o controle, fica furioso e perigoso como um animal selvagem. _ diz Ashley estreitou os lábios. _ Se soubesse o que já vi acontecer naquele palácio! Mas, pelo menos, graças a Deus, minha pequena m'mselle escapou!
— É _ comentou Emily com voz calma, _ ela escapou! Por favor assim que minha esposa acordar me chame.
—Sim senhora- diz Ashley fazendo uma reverencia e indo para o quarto de Spencer
Emily ficou pensando em tudo o que ouviu. Spencer não era a mulher que ela pensava. Na verdade percebeu que não conhecia nada de esposa. Elas realmente precisavam conversar.

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Spencer acordou no meio da tarde, e assim que se mexeu na cama Ashley ergueu-se e foi abrir as cortinas para deixar entrar o sol.
— Ah... eu devo ter dormido muito... _ murmurou Spencer
— Você se sente melhor, queridinha?- diz Ashley
— Estou muito bem. É que eu não havia dormido a noite passada e por isso estava cansada- diz Spencer sincera
— Claro. Agora vou buscar algo para você comer. O cozinheiro preparou-lhe uma sopa deliciosa e poderá fazer qualquer outra coisa que deseje- diz Ashley carinhosa- sua esposa quer ve-la
— Não traga muito. Senão vou perder o apetite para o jantar e você sabe como é delicioso o jantar aqui.- diz Spencer sincera- e pode chamar a princesa
—Sim senhora- diz Ashley saindo
Quando Spencer ficou a sós, sentou-se na cama e espreguiçou-se, sentindo uma sensação maravilhosa por estar ali naquele quarto, a salvo, e porque Emily disse que a amava e a trouxera nos braços.
Ela estava consciente, mas queria ficar nos braços dela, por isso deixou-se levar sem dizer que estava bem. Emily lhe dava uma sensação de segurança e proteção que jamais experimentara antes. Tinha sido uma emoção extasiante apoiar a cabeça no peito dela e sentir seu braço envolvendo-a com firmeza.
Valeu a pena ter passado por todo aquele horror de ter sido capturada pelos zyghes só para ter sido salva pela esposa. No caminho ela acabou dormindo e não se lembrava de como tinha chego ao quarto.
Spencer estava feliz. Mas lembrou que mily queria conversar e ficou nervosa. Mas nervosa quando lembrou-se da cigana e foi como uma facada em seu coração.
Spencer ouviu batidas na porta. Pensou que era Ashley.
—Entre- diz Spencer
—Boa noite princesa- diz Emily sorrindo- fico feliz em ver que esta melhor.
Spencer ficou vermelha. Ela estava só de camisola. Mesmo elas sendo casadas ainda sentia vergonha de Emily.
—Obrigado- diz Spencer timida
—Acho que precisamos conversar- diz Emily se aproximando da cama
O coração de Spencer congelou. Ela ouviu Emily dizer que a amava. Será que foi coisa de momento?
—Spencer desde que nos casamos nunca conseguimos conversar- diz Emily sincera- hoje percebi que quase te perdi e não sei nada de você
Spencer ficou calada.
—Eu sei que não começamos bem. Eu te beijei sem nem saber seu nome- diz Emily envergonhada- mas em minha defesa eu me encantei com você.
Spencer continuou timida
—Quando te vi no altar meu coração .... — Emily foi interrimpida por batidas na porta o que a deixou muito irritada- Entra
— São os russos!- diz Ezra entrando- O primeiro ministro esta aqui. O rei permitiu que eles entrassem no país para ocuparem o palácio!
— Não pode ser verdade! . . .- diz Emily saindo do quarto com Ezra
Foi tudo tão rapido que Spencer não teve reação. Ashley logo entrou trazendo a sopa de Spencer
—O que aconteceu?- pergunta Spencer nervoza
— A princesa não disse nada sai as pressas com sir Ezra, m’mselle, mas os oficiais estavam conversando entre si e o mordomo ouviu-os dizer que, se os russos tomarem os canhões do palácio, poderão bombardear Vitózi e nós!
Spencer ficou calada.
Lembrou-se dos horrores do bombardeio de Paris, o barulho e a devastação causada pelos alemães, os mortos e feridos e o terror que cada disparo provocava.
— É impossível! _ disse Spencer
Mas sabia que não era. Se os russos se instalassem no palácio, acima do vale, todos estariam em sua linha de fogo.
— E. . . o que está sendo feito? _ perguntou Spencer.
— Os membros do conselho e os oficiais do exército estão discutindo a situação neste momento _ retrucou Ashley _ Mas você, minha pequena m”mselle, deve ser levada para um lugar seguro e longe. Eu mesma direi isso a sua alteza!
Spencer pulou da cama, num sobressalto_ Eu falarei com ela. Depressa, Ashley, dê-me o négligée de veludo.
Ashley olhou-a, atônita_ Mas, m`mselle, sua alteza está em conferência...
— Não tenho tempo para me vestir _ disse Spencer, impaciente_ Faça o que lhe digo!
Falou de um modo autoritário que não era de seu costume e a ama correu ao guarda-roupa, obedecendo-a. Trouxe um négligée de veludo azul-turquesa, que Spencer vestiu às pressas e abotoou-o. Enfiou os pés num chinelo e sem mesmo olhar-se ao espelho correu para a porta.
— Aonde vai, m'mselle? Não pode descer vestida assim! _ gritou Ashley
Mas Spencer não lhe deu ouvidos. Correu pelo corredor e desceu a escada depressa. O mordomo, no hall, olhou-a surpreso.
— Onde está sua alteza? _ perguntou Spencer
— Ela está na sala de caça, alteza. Devo informá-la de que deseja vê-la?- perguntou Ele
Spencer não respondeu. Nem sequer ouviu o fim da frase. Saiu correndo para a sala de caça.
Dois oficiais estavam na entrada e ficaram tão surpresos com a aparição de Spencer, que quase não se lembraram de abrir-lhe a porta. Ela entrou apressada.
Havia uns trinta ou quarenta homens reunidos, sentados em cadeiras de frente para a princesa. Ela estava sentado a uma mesa entre um oficial do exército, Ezra e o primeiro Ministro.
Estavam falando com veemência, mas quando Spencer entrou fez-se um súbito silêncio.
Ela nem sequer olhou para os homens que ergueram-se, fitando-a aturdidos. Olhava fixo para a princesa que também se erguera.
Por instantes ela mostrou-se surpresa, ao ver como Spencer estava vestida, os cabelos soltos sobre os ombros, os olhos brilhantes procurando os seus.
Spencer parou diante da mesa dela, olhando-a nos olhos_ É verdade que os russos entraram no país e ocuparam o palácio?
— Foi o que me disseram _ respondeu Emily tentando parecer calma_ Mas não precisa ficar assustada.
— Não estou assustada _ disse Spencer com desdém. _ Vim aqui para lhe dizer como pode entrar no palácio e surpreendê-los antes que eles possam atirar em nós!
Percebeu o espanto no rosto da princesa.
Então o primeiro ministro ao lado dela perguntou_ Existe algum acesso ao palácio, alteza, que não passe pelo vale?
— Existe um que só eu conheço _ retrucou Spencer _ Acho que nem meu pai conhece.
Desde que Ashley lhe dissera que os russos estavam ocupando o palácio, Spencer começou a pensar no segredo que Jason lhe contara há muitos anos.

Flashback Spencer On

Ele estava com dezesseis anos na época, e o rei descobriu que ele andava saindo à noite para divertir-se nas tabernas de Vitózi.
O rei ficara furioso e ameaçou bater em Jason, que imediatamente pegou uma espada e avançou para o pai.
O rei ficou ainda mais furioso de ter sido desafiado pelo próprio filho e, se não fosse a interferência da rainha, teria matado Jason.
Todavia, deu-lhe um severo castigo, trancando-o em seu quarto, ameaçado de ser acorrentado, na prisão, se saísse novamente à noite sem a sua permissão.
Spencer, então com nove anos, encontrou a mãe aos prantos e pelo diz-que-diz dos criados acabou sabendo o que estava acontecendo.
Seu irmão não só estava trancado como também proibido de comer por vinte e quatro horas.
Quando Spencer foi se deitar, naquela noite, não conseguiu dormir. Esperou que a ama saísse de seu quarto, depois colocou os travesseiros sob as cobertas para fingir que estava lá e foi pé ante pé até o quarto de Jason.
Estava tudo muito silencioso e ela bateu, hesitante.
— Quem é _ perguntou Jason.
— Sou eu, Spencer!- diz Spencer
Ele se aproximara da porta, falando pelo buraco da fechadura_ Estou trancado, Spencer.
— Eu sei. Você está com fome, Jason- perguntou Spencer preocupada
— Estou sim, e muito irritado também. Aonde está a chave desta porta?- pergunta Jason irritado
Spencer olhou em redor e descobriu a chave dependurada num prego acima de sua cabeça. Contou a Jason
— Você não pode alcançá-la?- pergunta Jason
— Só se eu subir numa cadeira.- diz Spencer
— Então me tire daqui. Eu não deixarei que você se complique por isso. Prometo!- diz Jason
— Eu não estou com medo.- diz Spencer arrastando uma cadeira, subiu, pegou a chave e abriu a porta.
Jason saiu, pegou-a no colo, abraçou-a e beijou-a. Ele era alto para sua idade e parecia ter bem mais de dezesseis anos. Os homens de Dabrozka amadureciam logo e Jason já era um homem.
— Obrigado, Spencer- diz ele sorrindo
— Aonde você vai?- Pergunta Spencer
— Sair! Você não acha que vou deixar papai me manter preso como um bicho numa gaiola, não é?- responde Jason
— Ele vai ficar furioso e pegar você!- diz Spencer
— Eu sei e é por isso que vou pedir que me ajude, Spencer.- diz Jason
— Sabe que eu o ajudarei! Faço qualquer coisa por você- diz Spencer
Jason recolocou a chave no prego e pôs a cadeira no lugar em que estava antes_ Se eu for acordar você quando voltar vem me trancar de novo?
— Claro que sim. Mas como é que vai sair do palácio? Os sentinelas o verão diz Spencer
— Não por onde eu pretendo sai- Jason concordou em levá-la junto e partilhar seu segredo.
Desceram uma escada sinuosa que raramente era usada e conduzia ao celeiro. Essa parte muito velha do palácio, com suas grossas paredes e chão irregular, não estava em uso.
Jason, porém, havia encontrado uma antiga passagem subterrânea que devia ter sido construída há vários séculos e que dava num local escondido atrás de umas rochas, nos fundos do palácio, onde quase ninguém passava.
Ele não mostrara a passagem toda na primeira noite, mas, depois que Spencer o ajudara a sair várias vezes, acabou sendo persuadido a mostrar o caminho para a irmã, durante o dia.
Jason mostrou-lhe a entrada muito bem escondida atrás dos galhos das acácias.
— E um segredo entre nós _ disse-lhe Jason _ Você não vai contar a ninguém, senão papai me corta o pescoço.
— Eu jamais o trairia _ disse Spencer, com adoração.
De fato jamais mencionara a passagem secreta, nem mesmo para a mãe.

Flashback Spencer Off

Só agora explicou a Emily onde ficava e como entrar sem ser percebido. Falava olhando fixo para ela, como se não houvesse mais ninguém ali.
O silêncio era total e todos a ouviam. Quando terminou as explicações, Emily tomou-lhe a mão e levou-a aos lábios.
— Obrigado _ disse Emily com suavidade
— Isso muda tudo, alteza _ disse o primeiro ministro, alvoroçado.
— Eu vou com vocês _ disse Spencer a Emily
Emily meneou a cabeça_ Fora de cogitação!
— Então vocês jamais encontrarão a entrada- diz Spencer autoritaria- Sabe tão bem quanto eu que não há tempo a perder e nem pode se arriscar à luz do dia.
— E verdade, devemos entrar no palácio assim que escurecer _ concordou Ezra
— E eu vou lhe mostrar o caminho _ insistiu Spencer
Emily estreitou os lábios como se fosse recusar-se a deixá-la correr riscos.
Então Spencer falou para o primeiro ministro_ Tenho certeza de que o senhor concordará que só devemos ir quando escurecer. Isso será daqui a uma hora.
—Então vamos- diz Emily contrariada
—Vou me vestir!- diz Spencer. Virou-se para sair do salão, e, então, os homens ali reunidos aclamaram-na.
Assim que ela saiu e a porta se fechou, espalhou-se um rumorejar alvoroçado entre eles. Emily foi atras dela e segurou seu braço quando ela ia subir as escadas.
—Você esta indo contra a minha vontade- diz Emily sincera. Emily puxa Spencer e lhe da um beijo- quando isso terminar vamos continuar nossa conversa
—Sim- diz Spencer subindo as escadas