A Princesa Orgulhosa

15 Capitulo 15


Notas iniciais
Espero que gostem. Estou sentindo falta dos comentários de vocês

Spencer voltou correndo para o quarto e encontrou Ashley com uma expressão chocada.
— Francamente, m'mselle! _ disse Ashley, como a ama que ralha por causa de uma travessura. _ Como pôde descer usando apenas um négligéel O que sua esposa deve ter achado de você com os cabelos soltos!
Spencer quase respondeu que a princesa já não estava interessado nestes detalhes.
— Eu preciso me vestir e ficar pronta o mais rápido possível. Quero um traje de montaria- diz Spencer com pressa começando a se tirar suas roupas
— Vai cavalgar a essa hora?! _ espantou-se Ashley _ É demais, depois do que já passou hoje!
— Eu estou bem! Muito bem!- diz Spencer- ande preciso me trocar rapido
Spencer teria vestido qualquer coisa, mas Magda escolheu um traje de montaria de veludo cor de safira escura. Spencer achou bastante apropriado, essa cor ajudaria a passar despercebida na escuridão da noite. .
Ashley penteou-lhe os cabelos, prendendo-os num coque na nuca, como ela sempre usava quando ia cavalgar. Depois, em vez do chapéu elegante, Spencer quis uma velha capa preta de lã com capuz, que seria perfeita para a ocasião.
Ashley estranhou e tentou dissuadi-la da idéia de sair com aquela capa velha e fora de moda, mas ela insistiu. O tempo todo, enquanto se arrumava, sua cabeça não parou de funcionar, planejando um modo de aproximar-se do palácio sem serem vistos, o que significava encompridar o caminho.
Tinha certeza de que, se os russos já estivessem no palácio, teriam sentinelas de guarda vigiando a possível aproximação de tropas. Assim que a lua iluminasse o vale, qualquer pessoa passando na estrada que ia do rio até o palácio seria facilmente visível. Sabia que a príncesa e seus soldados já deveriam ter pensado nisso também. Por outro lado, ela se sentia responsável pela operação.
Como é que seu pai pôde ser tão antipatriota, tão sujo, a ponto de conspirar com os russos contra seu próprio povo?
Spencer não cansava de se perguntar isso, mas sabia que o rei, quando estava possesso, num de seus acessos de raiva, fazia qualquer coisa para conseguir o que queria.
Isso fazia parte de sua vingança contra os Sáros e principalmente contra Emily.
Ele não podia esquecer nem perdoar o fato de ter sido forçado a permitir que sua filha se casasse com sua pior inimiga.
Contudo, se os russos o haviam procurado, como Spencer imaginava ter acontecido, depois de constatarem que seus planos de provocar uma guerra civil em Dabrozka tinham falhado, então o rei devia ter aceito qualquer sugestão deles.Spencer não duvidou nem por um minuto da veracidade dos relatos.O que importava naquele momento era o tempo.
O caminho que ligava a Rússia a Dabrozka, pelas montanhas, era estreito, sinuoso e perigoso. Seria impossível que muitos homens entrassem no país depressa e sem serem detectados.
O que deveria ter acontecido era que pequenos grupos de soldados haviam-se infiltrado durante a noite, sabendo que seriam recebidos pelo rei.
Uma vez que o palácio estivesse em suas mãos e eles tivessem instalado seus canhões em pontos estratégicos, seria fácil para os russos comandar todas as estradas e dar cobertura para o resto de suas tropas.
Se os homens da princesa conseguissem entrar no palácio, isso poderia ser evitado.
Quando, finalmente, Spencer ficou pronta, correu escada abaixo, deixando Ashley toda chorosa.
Lá embaixo encontrou todos em grande atividade. Oficiais consultavam mapas e davam ordens aos subalternos, os cavalos estavam selados à espera no pátio e Spencer pôde ver pela porta aberta que havia várias mulas transportando armas e munições. Ficou parada ali, olhando, com a capa preta dependurada no braço.
Ezra aproximou-se e parou a seu lado, no hall- Contaram-me sobre a passagem secreta, madame. Será que pode se lembrar se a passagem era bem construída a ponto de resistir todos esses anos?
— Ela não desmoronou durante séculos, desde que foi construída, por isso não acredito que nove anos tenham feito muita diferença- diz Spencer pensativa
— É, a senhora tem razão, madame. Talvez eu esteja um pouco ansioso demais, mas estou tentando decidir que ferramentas serão necessárias se nossos homens tiverem que remover pedras e escombros- diz Ezra sincero
— Estou confiante que a passagem será facilmente transponível — retrucou Spencer pensou um pouco e acrescentou — Ela me pareceu bem grande na ocasião, mas lembro com certeza que Jason podia andar lá dentro sem se abaixar, e ele era bem alto.
— E a largura? — perguntou Ezra
— Imagino que dê para dois homens passarem ao mesmo tempo- diz Spencer
— Obrigado, senhora- diz Ezra
Ezra afastou-se para levar a informação ao oficial encarregado.
Não havia sinal da princesa, mas depois de uns cinco minutos ela entrou pela porta da frente dando instruções a um oficial que vinha a seu lado. Viu Spencer e aproximou-se dela.
Spencer sentiu o coração disparar.
— Tem certeza de que está bem para nos acompanhar? _perguntou Emily sinceramente preocupada com a esposa
— Não permitirei que vá sem mim! _ retrucou Spencer orgulhosa
— Vai estar frio- diz Emily preocupa
— Eu tenho um bom agasalho- diz Spencer
— Estou vendo que pensou em tudo!- diz Emily admirando a inteligencia da esposa
Havia um certo tom na voz dela diferente do que sempre usara até então, mas, quando Spencer ergueu o olhar querendo ler os olhos de Emily, chegou alguém interrompendo-as.
—Precisamos sair agora- diz Ezra
—Você tem certeza que quer mesmo vir?- pergunta Emily olhando os olhos de Spencer
—Certeza absoluta- diz Spencer
—Então vamos- diz Emily
O sol já se pusera quando por fim saíram do castelo e Spencer ficou sabendo, por um dos oficiais, que o corpo principal do exército de Sáros já saíra antes, há uma hora, para interceptar qualquer outra tropa russa que pudesse tentar entrar no país pelas montanhas. Tinham um longo caminho pela frente, pois deviam avançar às escondidas e não pela estrada.
Na retaguarda iam trinta dos soldados de maior confiança de seus comandantes. Era com esses que elas pretendia entrar no palácio quando Spencer lhes mostrasse a passagem secreta.
Ao ouvir os planos, Spencer não pôde deixar de temer pela vida da esposa. Sabia que ela próprio iria à frente do ataque, pois jamais deixara que seus homens corressem mais riscos do que ela.
Tudo o que acontecesse nessa noite seria decisivo; disso dependiam a independência e soberania de Dabrozka. Não havia dúvidas de que, se os russos os dominassem naquele momento, seria impossível expulsá-los depois. O povo não era unido e além disso fora traído por seu rei. Era humilhante para Spencer saber que seu pai, um Radák, tinha se tornado um traidor desprezível. Sua atitude mereceria o ódio dos Sáros.
Contudo, a princesa jamais mencionara ou refutara as acusações que o rei lhe fizera de ter assassinado Jason. Spencer acreditava que Emily não fosse culpada, mas ela não se defendia, mantinha-se em frio silêncio sempre que estavam a sós.

Flashback Spencer On

Só depois de seu terceiro dia no castelo é que Spencer tocara nesse assunto com Aria, durante uma de suas conversas.
— Você me diria uma coisa?- pergunta Spencer em duvida
— Se estiver ao meu alcance- responde Aria educada
— Eu quero saber como meu irmão morreu?- pergunta Spencer
Aria ficou calada e Sepencer disse_ Por favor, conte-me. Meu pai acusou minha esposa de tê-lo matado intencionalmente e não acredito que seja verdade.
— É uma mentira, madame!- diz Aria
— Eu tinha certeza disso! Mas, por outro lado, gostaria de saber o que realmente aconteceu- diz Spencer sincera
— A senhora pode ficar aborrecida. . .- diz Aria
— Não pode ser pior do que ficar imaginando, supondo e inventando explicações para a morte de meu irmão.- diz Spencer sincera
— É verdade. O que imaginamos em geral é muito pior do que a realidade- diz Aria
— Então me conte- diz Spencer
— Havia um grupo de jovens, comandados pelo príncipe Jason, que gostava de se divertir indo às tabernas freqüentadas pelos Sáros, somente para provocar encrencas- explica Aria.
Spencer respirou fundo. Podia imaginar seu irmão, voluntarioso, ousado e entediado com o marasmo e as restrições do palácio, achando diversão nessas escapadas.
— Às vezes bebiam um pouco demais e ficavam alegres _ prosseguiu Aria _ e, embora quebrassem alguns copos e garrafas, os proprietários eram regiamente recompensados e não reclamavam.
Spencer não desviara o olhar do rosto dela, que prosseguia
— Como a senhora pode imaginar, era inevitável que alguns dos jovens Sáros achassem seu dever formar um grupo rival para desafiar os Radák e lutar com eles onde quer que aparecessem- Aria fez uma pausa, antes de dizer, pensativa_ No início, estou certa, era só uma brincadeira; os grupos rivais tinham de adivinhar onde o inimigo apareceria e tentar ficar em posição vantajosa antes que ele aparecesse. Então as coisas começaram a escapar ao controle. Não posso calcular quantos morreram entre os Radák, mas muitos jovens Sáros perderam suas vidas ou ficaram gravemente feridos.
— Eles usavam facas? _ perguntou Spencer
— E pistolas! _ retrucou Aria triste _ Na verdade, os encontros se transformaram em batalhas nas quais muitos inocentes, que haviam entrado na taberna apenas para tomar um copo de vinho depois de um dia de trabalho duro, acabaram morrendo ou feridos. Seu irmão foi morto em uma pequena taberna perto do rio, onde jamais houvera uma briga antes. A maioria dos freqüentadores ia ali para namorar e tomar vinho. Morreram também três trabalhadores e seis jovens do grupo Sáros, nessa mesma noite.
— E os Radák?- pergunta Spencer
— Além de seu irmão, morreram mais quatro, um homem ficou cego e outro perdeu uma perna!- diz Aria se contendo para não chorar
Spencer conteve um grito de horror.
— A identidade de seu irmão só foi descoberta na manhã seguinte, depois de os corpos terem sido levados para a igreja para que fossem reconhecidos.- diz Aria muito triste
Spencer lamentou aquela morte sem sentido do irmão, mas podia entender que ele fora levado a isso para escapar do tédio no palácio. Talvez tivesse ficado difícil suportar o autoritarismo do pai. Talvez seu pai tivesse inveja dele.
Havia várias explicações e desculpas para a morte de Jason. Mas o fato era que ele arriscara sua vida de um modo que não ajudara ninguém e simplesmente aumentara o abismo entre os Sáros e os Radák.
— Obrigada por me contar _ disse Spencer a Aria e passaram a falar de outros assuntos.
Flashback Spencer Off

Agora, enquanto cavalgavam no escuro, Spencer pensou que, por ter-lhe mostrado a passagem secreta, talvez Jason ainda fosse o instrumento de salvação de Dabrozka.
De algum modo Jason estava ajudando seu povo.
Emily e seu grupo já haviam atravessado o rio e, ao deixarem o território Sáros, Spencer começou a sentir medo.
E se o rei tivesse previsto que a princesa iria se opor aos russos? E se o exército dele estivesse de prontidão? Podia estar escondido por ali, preparando uma emboscada.
Porém, estava tudo tranqüilo no bosque, perto do rio. As árvores eram finas e não formavam uma floresta densa como na outra margem. Mas pelo menos servia para encobrir a movimentação das tropas. Os únicos ruídos eram o ranger das rédeas e a respiração dos cavalos.
Antes de saírem, Emily ordenará_ Vamos nos movimentar em silêncio. Como todos sabem, vozes são ouvidas de longe, principalmente à noite. Ninguém deve falar, a menos que seja absolutamente necessário. E ainda assim só com um oficial e em voz baixa.
Os trinta homens que formavam o grupo da princesa usavam capas pretas de montaria sobre os uniformes, pistolas presas na cintura e levavam um rifle amarrado na sela.
Para que fizessem o mínimo barulho possível, Emily ordenara que não usassem esporas, que aliás eram apenas decorativas no uniforme.
Apesar de terem atravessado o rio, havia ainda um longo caminho a percorrer. Não estavam indo pela estrada e tiveram que passar pela floresta, depois por um terreno acidentado, que seria difícil percorrer mesmo de dia.
Estavam viajando por mais ou menos uma hora e meia quando Emily aproximou-se do cavalo de Spencer.
A lua estava alta no céu e ela pôde ver as feições da esposa. Só não pôde ler a expressão de seu olhar.
Emily estendeu a mão e pousou-a no braço dela. Spencer sentiu o corpo todo estremecer, como se tivesse despertado com aquele contato.
—_ Você está bem?- perguntou Emily preocupada
Emily falou bem baixinho, e spencer, não querendo quebrar o silêncio, apenas balançou a cabeça e depois sorriu, sentindo-se feliz por Emily ter-se lembrado dela e estar preocupado com seu bem-estar.
Emily retraiu a mão e Spencer teve uma vontade louca de segurá-la, de pedir que a levasse em sua sela como fizera à tarde. Só de lembrar a sensação que tivera, sentiu uma quentura no peito. Como a amava! Nada mais importava quando estava ao lado dela! Nem mesmo se morressem aquela noite. Nem teria medo do tiroteio como tivera em Paris. Spencer sentia agora o mesmo medo. Contudo, dava-lhe um conforto indescritível saber que a esposa estava por perto.
Então, depois de estarem cavalgando por mais de três horas, Spencer viu o palácio à esquerda. Tinham atravessado a estrada, o que fora o mais perigoso, e agora estavam se aproximando pelos fundos, rumo à passagem secreta. Era uma visão assustadora o palácio, como uma cidadela fortificada, cercado de árvores e iluminado pela lua.
Spencer sabia como aquelas paredes eram fortes e como poderiam enfrentar um prolongado cerco, se necessário. Começou a imaginar quantos russos estariam lá dentro. Rezava para que as informações que a princesa recebera estivessem corretas e que não houvesse muitos inimigos.Ninguém disse nada, mas Spencer tinha certeza de que os informantes tinham sido os ciganos. Eles deviam odiar seu pai por tê-los expulsado. Ciganos são capazes de movimentar sub-repticiamente e passar despercebidos mesmo para sentinelas mais atentos.
Quem sabe se o porta-voz da informação não tinha sido a bela e exótica Alison? E Spencer sentiu uma pontada no peito, só de pensar em Emily mostrando gratidão à cigana.

P.V. Spencer On
Ela disse que me ama. Eu não vou aceitar ela ter uma amante. Ela é minha esposa e só minha. Não vou aceitar dividi-la com ninguem. Se for necessario eu mando prender aquela mulher
P.V. Spencer Off

Porém, logo repreendeu-se, dizendo-se que não era o momento para ciúmes, para se consumir de ódio pela mulher que imaginava ser a amante de sua esposa.
A única preocupação naquele momento era ter êxito na operação e que Emily não se ferisse. Estavam já bem próximos do palácio e a princesa fez parar seu cavalo.
Em silêncio a tropa demonstrou e reuniu-se em torno de Emily e Ezra, deixando seus homens cuidando dos animais.
Um oficial ajudou Spencer a apear e ela foi para o lado da esposa, esperando instruções.
— Você me mostra a entrada da passagem _ disse Emily, num sussurro. _ Então, depois que entrarmos, você volta ao castelo com o Ezra.
— Não quero voltar _ retrucou Spencer brava
— Ezra tem ordens minhas e você faça o favor de obedecer. Não quero que corra perigo.- diz Emily tambem brava
Spencer não disse nada. Gostaria de continuar insistindo com a esposa, mas percebeu que não era oportuno.
— Então vamos já? _ perguntou Spencer
— Nós vamos juntos _ respondeu Emily
Pegou-a pela mão, como se levasse uma criança para passear, e foram na frente da tropa. Spencer estremeceu de novo com o contato. Tinha tirado a luva para ajeitar o capuz e não a recolocara. Sua mão estava fria, enquanto a de Emily estava quente.
Essa seria uma bela aventura para contarem!
Por causa das árvores, estava escuro ali, e Spencer pensou, num instante de pânico, que havia esquecido onde era a entrada. Afinal, tinha só nove anos quando esteve lá pela última vez e isso fazia nove anos. Emily pareceu perceber o que ela estava sentindo e apertou-lhe de leve a mão.
— Não há pressa _ murmurou Emily _ Fique calma, a entrada pode estar coberta pela vegetação.
A voz de Emily dissipou seu temor e sua incerteza. Agora estava certa de que a entrada era um pouco mais para a esquerda, escondida pelos rochedos e pela trepadeira que crescia ao pé do muro. Emily deixou que ela o conduzisse, e, quando Spencer apontou o local, os homens afastaram as plantas, vendo uma espécie de grade de ferro. Foi fácil remove-la, e ali estava a entrada da passagem, tal como Spencer se lembrava. Era uma abertura estreita que permitia a passagem de um homem só por vez, mas logo alargou-se numa enorme caverna no fim da qual começava a passagem.
Spencer lembrou-se de que seguia reto por um certo trecho, depois havia degraus de pedra que levavam a outro nível, depois mais outro, até uma porta que dava acesso à parte não utilizada do palácio. Ali ficava a adega antiga, que fora abandonada por outra mais acessível e próxima ao salão de refeições.
Emily e Spencer tinham entrado na caverna e os soldados começaram a chegar, um a um. Então as armas foram passadas pela abertura. Por fim, quando todos estavam na caverna, Emily virou-se para Spencer.
— Volte para casa o mais rápido que puder _ disse Emily com calma.
Olhou-a por instantes, depois, retirando a pistola da cinta, tomou a dianteira dos homens para mostrar-lhes o caminho.
—Emily- disse Spencer em um impulso
Emily olhou para tras e percebeu que era importante o que a esposa tinha para falar e retornou para o lado dela. Spencer num arroubou de coragem puxou Emily pela capa e lhe deu um beijo apaixonado. Os homens sentiram vergonha e viraram de costas. As duas só se separaram quando o folego faltou.
—Eu te amo- diz Spencer- volte inteira pra mim
—Eu voltarei meu amor- diz EMily dando um selinho- Ezra leve-a para casa em segurança
Emily fala e sai andando pela escuridão com seus homens. Spencer ficou vendo-os se afastar levando os pequenos lampiões, deixando a caverna na escuridão.

Notas finais
Espero que tenham gostado deste final escrevi pensando em vocês