A Princesa Orgulhosa
12 Capitulo 12
Notas iniciais
Os ciganos haviam se reunido nos jardins do castelo, e como a noite estava quente e estrelada, a princesa e Spencer foram até lá onde os esperavam.
Criados levando tochas acesas os acompanhavam, e, quando foram recebidos pelo chefe dos ciganos, Spencer notou que os únicos que ela conheciam eram Aria e Ezra eles eram as únicas convidados que não tinham sangue cigano.
Sua lembrança deles era de pequenos bandos andando pelo interior, frequentando feiras onde vendiam seu artesanato, lendo sorte ou reunindo pessoas para ver o desempenho de seus animais ensinados.
Jamais, porém, vira uma tribo cigana e muito menos fora recebida pelo seu líder.
Ouvira dizer que a maioria deles tinha muito poder entre seu povo, mas mesmo assim não esperava ver alguém com tantas joias e vestido de modo tão elaborado.
O Líder usava um longo paletó vermelho, ornamentado com botões de ouro, botas amarelas de cano alto com esporas de ouro. E, na cabeça, um gorro de pele de carneiro. Numa das mãos trazia um pesado machado, símbolo de sua autoridade, e, na outra, um chicote com três tiras de couro.
Todos tinham adagas com cabos enfeitados, enfiadas nas faixas vermelhas que usavam na cintura.
O vermelho era a cor predominante, as mulheres usavam várias saias, umas sobre as outras, e muitas pulseiras no braço e no tornozelo.
Estavam reunidos em torno de uma grande fogueira, e as barracas, armadas mais para trás sob as árvores.
Spencer e o Emily junto com seus convidados foram conduzidos até onde havia várias almofadas coloridas sobre as quais sentaram.
—Noel esta é minha esposa Princesa Spencer- diz Emily apertando a mão do amigo- Princesa este é Noel Kahn
—Prazer Princesa- diz Noel educado- minha amiga fez uma ótima escolha
Noel era muito bonito e charmoso. Spencer ficou admirando sua beleza e Emily não gostou nada disso.
—Sim amigo fiz uma ótima escolha- diz Emily dando um selinho em Spencer
Spencer ficou envergonhada com a atitude mas gostou de sentir os lábios da esposa depois de tantos dias.
—Venham vamos nos servir- diz Noel
Varias mulheres entraram para lhes serviram uma refeição cigana. Havia um suculento ensopado, bem temperado, cujo sabor não se igualava a nada que Spencer já experimentara, mesmo na França, um pão especial feito por eles e assado na brasa, e vinho servido em taças ornadas com ametistas, safiras e quartzo.
O Lider fez um discurso ao príncipe, agradecendo-lhe pela proteção que dera aos ciganos.
—Todos Saudem nossas princesas- diz Noel e se ouviu uma bela salva de palmas e muitos brados de alegria- que comece a festa
Havia o som encantador da flauta de Pã, a cítara e o bater de tamborins. Mas foram os violinos que tocaram o coração de Spencer.
A melodia varreu não só sua infelicidade como também toda a repressão que sempre sentira em sua vida, tanto em Paris quanto em Dabrozka. Sentia as notas vibrarem dentro de seu corpo, libertando-a.
Depois do jantar, continuaram a servir vinho e as danças começaram. A música, então, era mais empolgante, mais passional e magnética. Spencer sentiu-se contagiada e instintivamente começou a mover os ombros acompanhando o ritmo.
Emily estava encantada com sua esposa. Spencer estava linda, seus olhos brilhavam à luz da fogueira, as chamas salientavam seus cabelos castanho e iluminavam seus lábios que estava convidativo. Seu desejo era puxar sua esposa para dançar mas Spencer nem olhava para ela. A esposa a desprezava. Então o que restava era beber e esquecer aqueles pensamentos.
Os dançarinos começaram devagar, primeiro as mulheres, enquanto os outros cantavam, marcando o ritmo e acentuando a beleza dos instrumentos. A música foi ficando mais forte e mais rápida e os homens se juntaram à dança.
Então, no meio do grupo surgiu uma dançarina. Uma mulher tão linda e sedutora, com a graça felina de uma pantera.
Todos gritavam o nome dela, aclamando-Alison! Alison!
A cigana tinha cabelos negros, soltos nas costas até abaixo da cintura, maçãs do rosto salientes e olhos Azuis penetrantes, indicando sua origem russa. O corpo dela se contorcia com elasticidade e cadência, meneando as cadeiras, as saias rodavam mostrando as pernas, e os braços e as mãos moviam-se com uma flexibilidade impressionante e provocante.
Seus olhos, ligeiramente puxados, faiscavam e pareciam cheios de fogo enquanto ela movimentava o corpo com sensualidade.
Os sons dos violinos iam num crescendo até que a dançarina parou diante de Emily e estendeu-lhe as mãos, chamando-a.
Não era preciso dizer nada, seus olhos brilhantes e os lábios sedutores falavam por ela.
Emily já estava bêbada e segurou aquelas mãos estendidas.
—Você vai dançar com ela – perguntou Spencer enciumada
—Não posso recusar um convite- diz Emily embriagada- -Algum problema?
—Não nenhum- diz Spencer visivelmente irritada
Ambas falara próximas e com o barulho da musica ninguém ouviu. A música pareceu ficar mais forte, como se quisesse chegar até as estrelas.
P.V. Spencer On
Eu não acredito que ela esta dançando com outra mulher na minha frente. Ela dança como se fosse uma verdadeira cigana. Tão sedutora. Mas ela não esta me seduzindo e sim aquela mulher. Eu não quero que ela seja tocada por outra. Nem olhada. Eu estou sentindo algo que nunca senti antes. Eu amo a Emily!!!
Vendo Emily dançar com Alison, teve vontade de arrancá-la dela, bater nela, e até matá-la.
Jamais em sua pacata vida sentira algo assim, emoções tão fortes e conflitantes que a transformavam num verdadeiro campo de batalha!
Suas mãos tremiam, o coração batia forte, os olhos faiscavam.
Amava a esposa! Amava-a com amor arrebatador, apaixonado e ciumento. Todo autocontrole que a mãe lhe ensinara desde criança desapareceu, suplantado pelo desejo de gritar que ele era seu! Era seu marido! E ela estava disposta a defender isso e lutar contra todas as mulheres que o quisessem.
P.V. Spencer Off
O amor não chegou para Spencer como uma cálida sensação de felicidade, mas como um fogo devorador.
—- Eu a amo! Eu a amo! — disse Spencer baixinho
—Falou alguma coisa?- perguntou Aria
—A princesa dança muito bem- disfarçou Spencer
Por alguns minutos Emily dançou sozinho com a cigana. Depois os outros foram se juntando.
Só os mais velhos e o Líder, que estava ao lado de Spencer, não participavam da dança.
Ela olhava fascinada aquele festival de cores das saias que rodavam, quase como num caleidoscópio. Por instantes pensou em juntar-se aos que dançavam e forçar a princesa a ser seu par.
Depois, apesar das emoções fortes que sentia, um orgulho remanescente a fez virar-se para o Líder e dizer:
— Estou muito cansada. O senhor me dá licença de eu voltar para o castelo? _ O chefe cigano sorriu, como se entendesse, e Spencer acrescentou depressa_ Não quero estragar o divertimento da princesa. Acho melhor eu sair sem que ninguém note.
O Líder ajudou-a a levantar e acompanhou-a até perto do portão do jardim.
—Fico muito feliz em ver que Emily encontrou uma boa esposa- diz Noel- ela é uma ótima princesa e sinto que vocês vão mudar este pais
—Muito obrigado pela recepção e pelas belas palavras- diz Spencer fazendo uma reverencia_ Transmita minha gratidão a toda tribo, por favor.
—Com certeza vou transmitir. Minha esposa tirou a sorte para o casal- diz Noel- ela viu uma grande turbulência no começo do casamento, uma grande tristeza em seu coração. Mas também viu que em breve vocês serão muito felizes.
—Obrigado- diz Spencer
Lá, conforme Elisa esperava, havia um ajudante-de-ordem e criados esperando-a com tochas acesas. Estendeu a mão ao Líder.
À medida que se afastava, a música parecia chamá-la, provocá-la, e ao mesmo tempo rir dela.
Ainda sentia o fogo da paixão correr em suas veias e acelerar sua respiração. Só esperava que o ajudante-de-ordem que estava mais perto não notasse.
Chegando ao quarto, Spencer escancarou a janela e ficou olhando as estrelas. Ainda ouvia a música ao longe que a excitava e acentuava o amor que acabara de descobrir e já era insuportável.
Fechou a janela bruscamente querendo trancar lá fora a melodia dos violinos, mas não pôde apagar o amor e a paixão que aquela música a fizera descobrir.
Ashley não demorou a entrar em seu quarto e a ajudou a tirar sua roupa. Depois saiu do quarto em silencio. Muito tempo depois de Ashley a ter deixado, ficou deitada sozinha no escuro, tensa, o corpo todo desesperadamente ardendo de desejo pela princesa.
Sabia que essa noite ela não iria a seu quarto, e pensou nela abraçando e beijando a cigana e uma agonia invadiu seu peito.
Repetia para si que, aos vinte e oito anos, a princesa sem dúvida já tivera muitas mulheres e talvez a cigana russa fosse uma de suas amantes. Afinal, era uma mulher bonita e sedutora.
Torturava-se lembrando o calor dos lábios e toques de Emily e depois imaginando a cigana retribuindo o beijo dela de uma maneira que ela não soubera fazer.
Como é que ela não percebeu naquele momento que Emily era o amor de sua vida? Por que, em vez de ficar brava, não se entregara ao beijo como teria feito qualquer mulher?
Pensou no brilho zombeteiro do olhar dele e entendeu que, assim como o achava irresistível, muitas mulheres deveriam achar também.
— Emily me odeia, ela me despreza... _ disse ela para si, triste.
E passou a viver num inferno de desespero e infelicidade. Era impossível dormir. Não conseguia parar de pensar na cigana nos braços da princesa e em suas bocas se unindo com paixão.
Devia ter perdido o controle, o orgulho e todos os atributos de uma lady que a mãe lhe ensinara, pois sabia que, se o princesa tivesse ido a seu quarto como das outras noites, ela teria caído de joelhos diante dela, implorando que a possuísse.
— Mamãe teria vergonha de mim! _ murmurou.
Contudo, não podia mais reprimir o que sentia, assim como não podia impedir que o sol nascesse.
—Eu vou falar com ela. Hoje resolve esta situação- diz Spencer a si mesma
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